Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

Hunt – A DESCOBERTA DO SALVADOR…

Autoria de Lu Dias Carvalho


O pintor inglês William Holman Hunt (1827 – 1910) foi um dos fundadores da Irmandade Pré-Rafaelita – grupo formado por inúmeros artistas ingleses com a finalidade, de acordo com seus seguidores, de desafiar o vazio em que se encontrava a pintura e valorizar as obras de Rafael Sanzio – tendo Hunt permanecido fiel às suas ideias por toda a sua vida. Ele e seu grupo acreditavam piamente nas virtudes do mundo medieval, não aceitando as mudanças advindas da industrialização. Foi um pintor de cenas religiosas, cuja precisão de detalhes locais seguia a cartilha dos pré-rafaelitas.

A composição intitulada A Descoberta do Salvador no Templo é uma obra do artista. Hunt, a fim de ser o mais fiel possível, foi inúmeras vezes à Terra Santa para pesquisar os detalhes do templo, assim como seus ornamentos arquitetônicos de interior. Também usou as pessoas do lugar como modelos. A pintura acima representa a cena em que Jesus, aos 12 anos de idade, é encontrado no templo de Jerusalém por sua mãe e seu pai adotivo – a Virgem Maria e José – após três dias de procura, debatendo com os sábios. À época, esta obra transformou-se num grande sucesso popular.

O Menino Jesus é abraçado por sua mãe que se mostra muito feliz ao encontrá-lo. Atrás dela está José, também com o semblante alegre. Eles são retratados como pessoas comuns – o que chocou os críticos da época. A roupa de Jesus destaca-o das outras figuras. O grupo de doutores da Lei judaica forma uma meia roda em torno do Menino. Da esquerda para a direita, encontra-se sentado o velho rabino, já cego, abraçado às escrituras sagradas judaicas. O pintor dividiu sua obra em duas partes principais. À esquerda estão os rabinos com os seus assistentes e, à direita, a Sagrada Família.A passagem ilustrada é do Evangelho de Lucas, 2:41.

 A pintura de Hunt apresenta muito simbolismo, como o edifício da Lei Antiga que está sendo edificado na parte externa do Templo, à direita, e o andaime formando uma cruz. O primeiro simboliza a construção de uma nova religião e a cruz diz respeito à morte de Jesus Cristo. O velho rabino – agarrado à Torá – simboliza o velho que não quer aceitar o novo, assim como todos aqueles que não aceitaram a vinda de Cristo – o Messias por quem esperavam – e também todos aqueles que não aceitam o cristianismo. Os sete rabinos, acompanhados do músico assistente, oferecem diferentes retratos psicológicos e físicos dos fariseus da época. Na calçada do templo está um homem sentado, aparentemente pedindo esmolas.

Ficha técnica
Ano: 1860
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 141 x 85,7 cm
Localização: Museu e Galeria de Arte, Birmigham, Estados Unidos

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Finding_of_the_Saviour_in_the_Temple
http://www.victorianweb.org/painting/whh/replete/finding2.html

Views: 0

AUTOESTIMA X BIPOLARIDADE

 Autoria de Cristina Santos

Estou vivendo uma fase extremamente ruim. Meu marido, há cerca de cinco meses, acabou o nosso casamento de 12 anos pelo “whatsapp”.

Só percebi que havia algo errado com ele depois que me vi fora da relação. Ele gasta rios de dinheiro com coisas inúteis, está sempre irritado ou deprimido. Durante anos, uma vez por ano ele saía do quarto e ia para outro cômodo da casa e ficava lá por cerca de quatro meses.  Todo ano vivenciava esse mesmo padrão. Todo fim de ano era um desespero. Ninguém tem ideia de quantos natais ele destruiu.

Há 10 anos ele deu seu primeiro grande surto. Saiu de casa, arrumou uma amante – pasmem, ele sempre se envolve com mulheres casadas – teve um filho fora do casamento, mas não assumiu a criança. Eu só descobri esse filho há cerca de um ano atrás. Há cinco meses ele me abandonou e a nossas filhas e entrou com o pedido de divórcio, dizendo que não estava nem aí, que não tinha mais sentimentos de vínculos familiares, arrumou outra mulher – também casada – e passou a me humilhar, pois criei uma enorme dependência em relação a ele.

Durante anos sofri abusos emocionais. Para suportar a convivência, eu passei 10 anos tomando antidepressivos, o que me levou a engordar 30 quilos. Destruí completamente minha autoestima. Ele ainda tenta me manipular e por meses eu caí na sua manobra. Precisei começar um tratamento diferente para ser forte e não ser manipulada.

Ele manda fotos dele em viagem para o celular das minhas meninas. Elas não conseguem entender, tenho que ficar explicando para elas que ele não é normal, que não devem se importar com isso. Eu sofri muito e ainda sofro, pois a minha dependência emocional me deixou no fundo do poço. Há dias em que ainda me vejo desejando voltar para ele.

Eu fui maltratada verbalmente por tanto tempo que não sabia mais como viver sem ter essa vida louca ao lado de um bipolar sem tratamento. Tudo isso é como um vírus letal para mim e para nossas filhas.  Hoje ele se encontra, faz cinco meses, vivendo sem nenhum compromisso com a família. Juro que não sei se vai haver arrependimento, mas sei com certeza que ele sofre de bipolaridade. Possui todos os sintomas. Quando por telefone ele me disse palavras horríveis, eu pedi a ele que procurasse um advogado e entrasse com o divórcio. E assim ele o fez e eu, de forma amigável, assinei os documentos para dar entrada no processo. Não vejo a hora do divórcio sair para efetivamente não ter mais nenhum vínculo com ele.

Sofri demais, conseguindo, com muita dificuldade, voltar a viver. Meu sofrimento foi terrível. Nem sei explicar com palavras como me senti todos esses anos. Cheguei a tentar me matar, porque acreditava que eu era a razão dos problemas, pois ele me acusava o tempo todo de ser uma pessoa horrível. E dessa vez não foi diferente. Disse-me coisas horríveis. Vocês não fazem ideia das barbaridades que tive que ouvir.

Deixo aqui o meu conselho de amiga: não aceitem o primeiro abuso emocional, pois depois do primeiro virão milhares e você perde a vontade de viver. Ainda estou aprendendo a gostar de mim novamente. Conto com o apoio de vocês.

Nota: Separação, obra de Evard Munch

Views: 1

VICE-REI X MENTOR ASTRÓLOGO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Corre à boca miúda que as intrigas no reino estão a mil por hora. Não há um santo dia em que a cobra não fume. O rei e seu guru astrólogo – corda e caçamba – parecem navegar à deriva das declarações insensatas, querendo mudar o andar da carruagem a ferro e fogo, como se fossem a fina flor da sapiência. A permanecer assim não será de admirar que a vaca acabe indo para o brejo mais cedo do que se imagina. Enquanto a trama é urdida, os súditos veem o reino curvar-se à la diable (desordenadamente). Contudo, em meio a tanto destempero, um raio de luz fez-se presente: o vice-rei saiu de sua discrição e deu um chega para lá no guru que tem por obsessão mostrar-lhe que a porta do palácio é serventia do reino, ainda que diga que não tem “bosta nenhuma” a ver com o pedido de impeachment feito contra o vice-rei por certo pastor de quelelê.

Como é sabido até mesmo pelos ratos que frequentam as cozinhas do reino, o guru astrólogo desceu a ripa no staff real, direcionando a pancadaria maior sobre os homens das espadas. Alegou que dentro do governo há “só intriga, só sacanagem, só egoísmo, só vaidade…”. Os súditos, embasbacados, passaram a se perguntar como é que um reino que se diz fundamentado nos preceitos cristãos – embasado na família e na honra – pode ser um local propício à sacanagem, à devassidão e à pouca-vergonha? Além disso, o fato de saber que os fardados guardiões da pátria só estão preocupados em pintar as madeixas e impostar a voz – conforme afirmação do guru –, deixando a pátria à deriva, a trancos e barrancos, a trouxe-mouxe, ao Deus nos acuda,  deixou as gentes do lugar ainda mais receosas. Abyssus abyssum invocat! (O abismo chama o abismo!).

O astrólogo real estava mesmo a fim de abusar da boa vontade dos generais do reino, ao dizer que eles não tinham vergonha na cara. Estaria o torunguenga fazendo um péssimo uso do poder que a família real lhe deu, ou seria apenas o porta-voz da imprudência, insensatez e leviandade que ela lhe outorgou? Ainda mais quando é visto no palácio como o mentor e filósofo da realeza, responsável por sua subida ao trono do reino e por escolher muitos de seus asseclas. Se assim for, na verdade trata-se apenas de uma ação entre amigos do peito – um tomando para si a responsabilidade do insulto desferido e o outro o referendando. A julgar pelos últimos resultados, os vassalos presumem que o soberano acertou na mira, mas errou o alvo, ao dar munição para o seu mentor despirocado, ou os fatos não passam de um jogo de cena até que a poeira baixe, continuando tudo como dantes no quartel de Abrantes.

O guru real perdeu a compostura quando foi chamado de “astrólogo” pelo vice-rei que, cansado de tanto levar chicotadas, desabafou: “Acho que ele se deve limitar à função que desempenha bem, que é a de astrólogo. Pode continuar a prever as coisas aí que ele é bom nisso!”.  Se alguém quiser matar o mentor real de raiva é chamá-lo de “astrólogo”. Era certo, portanto, que o vice-rei – chamado de “modelo” pelo guru – não perderia por esperar, pois seu desafeto viria afiado como uma navalha, uma vez que sua língua viperina não perdoa. E foi exatamente isso o que aconteceu.

Munido de grande ódio e instigados pelos príncipes reais – um deles é louco e o outro é deslumbrado, segundo o presidente da Câmara do reino – , o guru tresloucado disse cobra e lagartos acerca do vice-rei e outros fardados ocupantes do reino. Agora, quem o chamará à responsabilidade? Ninguém! Ele se assenta ao lado do trono real, o que lhe dá o direito de ser tão delicado quanto um hipopótamo e tão filosófico e racional quanto Incitatus. Ave, César! O tempo fechou, agora além da queda vem o coice. Alea jacta est! (A sorte está lançada!).

Views: 0

Courbet – JOVENS DO CAMPO

Autoria de Lu Dias Carvalho


O francês Gustave Courbet (1819 – 1877) nasceu em meio a uma bem-sucedida família de agricultores. Estudou com Flajoulat que fora aluno do famoso pintor Jacques-Louis David. Aos 20 anos de idade foi para Paris, onde estudou com o pintor Steuben, também fez cópias no Louvre. A primeira pintura de Courbet aceita pelo famoso Salão de Paris foi Autorretrato com Cão Preto (imagem maior), feita em 1844, aos 25 anos de idade. Quatro anos depois, o artista expôs 10 telas no Salão, chamando para si a atenção de um crítico de arte. No ano seguinte, um júri composto por artistas, escolheu onze quadros do pintor. Courbet, um exímio e imparcial observador, criou inúmeras pinturas com cenários rurais e vilarejos. Ele foi uma importante figura no desenvolvimento do Realismo.

A composição intitulada Jovens do Campo – e também Jovens Mulheres de uma Vila – é uma obra do artista, exibida em 1852, quando recebeu um ácido julgamento sob o argumento de que o artista contrariava os ditames da beleza romântica uma vez que sua paisagem era fragmentada, as mulheres muito comuns e a temática não estava bem explicitada. Os críticos e a imprensa opuseram-se ao realismo da pintura, alegando que o pintor  não levou em conta as regras de perspectiva no contraste entre as figuras humanas e as reses, além de acharem o retrato das mulheres muito feios. Criticavam o fato de mulheres provincianas serem representadas vestidas com trajes parisienses. Contudo, para Corbert, a realidade era bela sem precisar ser enfeitada.

Três mulheres e uma garota ocupam o primeiro plano da pintura. Suas roupas são propícias a um passeio no campo. Uma delas usa uma sombrinha e as duas outras usam chapéus para se protegerem dos raios solares. Uma humilde pastora camponesa, com os pés descalços e um grande chapéu nas costas, tem a mão estendida em direção a uma das mulheres, recebendo dela uma esmola. Não há sentimentalismo na cena ou comoção por parte das moças que parecem se mostrar surpresas com a aproximação da garota.

Um filete d’água desce das rochas no meio da composição, formando um pequeno riacho, onde são vistas duas reses. Um cãozinho branco e preto, postado atrás do grupo formado pelas mulheres e de costas para o observador observa as vacas. A paisagem apresenta gramíneas, arbustos, rochedos e água, sob um céu azul ensolarado. O terreno é acidentado. Trata-se de um local real perto de Ornans, onde o pintor nasceu, também utilizado em outros trabalhos seus.

Esta composição deu início a uma série de pinturas do artista sobre a vida das mulheres. Alguns viam esta pintura como o engajamento político do artista na luta contra as diferenças de classe. O cãozinho das mulheres representaria a arrogante classe média e as reses e a jovem camponesa o mundo camponês, prestes a rebelar-se. Já outros viam nela a velha pregação da generosidade feita aos desvalidos.

Obs.: As mulheres que posaram para a pintura são irmãs do pintor – Zélie, Juliette e Zoé.

Ficha técnica
Ano: 1852
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 194,9 x 261 cm
Localização: Museu Metropolitano de Arte, New York, Estados Unidos

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.metmuseum.org/toah/works-of-art/40.175/
https://en.wikipedia.org/wiki/Young_Ladies_of_the_Village

Views: 3

VICE-REI VIRA O “JUDAS” DO REINO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

É preciso ter muito cabelo nas ventas para chamar a segunda autoridade do reino de “Judas”. É preciso ter pegado muito touro pelos chifres para chamar um vice-rei de “traidor”. É preciso ter muita raça para chamar um general de “sem caráter”. É preciso ter muita confiança no taco para chamar um vice-rei e general de “Judas, traidor e sem caráter”. É preciso ter culhões para cair de pau, jogar na lama e acabar com a moral de um desafeto, tido como o segundo homem do reino. Mas não é preciso nada disso para ser um boi de piranha ou um Maria vai com as outras e enlear-se até a raiz dos cabelos.

 Se algum vassalo deste reino pensa que o tal pastor da discórdia – deslumbrado com o seu repentino poderio e munido de prepotência e bajulismo – deixou o vice-rei em paz, engana-se redondamente. Na sua última verborreia – para gatos e cachorros tomarem ciência – aumentou ainda mais o tom, regurgitando sandices como: “Não é possível que o ‘vice-rei’ contradite diariamente o ‘rei’ em público. Não é possível que ele se coloque o tempo todo como alternativa de poder, em uma postura golpista à luz do dia”. Embora mostre as garras com tamanha petulância, comenta-se a boca pequena que a valentia do adulão escuda-se no rei que não moveu uma palha em prol do vice-rei – ao contrário, vem instigando seus apaniguados contra sua autoridade, a fim de desmontá-lo do poder. Até os bichos do reino estão ficando de cabelo em pé com tanta danura.

O vice-rei até agora se apresenta imperturbável como uma lady inglesa. Contudo, os analistas de plantão demonstram temor diante do excesso de calmaria dessas águas. O monstro Ness pode se erguer dessa imperturbalidade a qualquer momento e mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Portanto, é bom não servir de viga mestra, quando se tem pouca força na retaguarda. Enquanto se prolonga a quizila, uma parte dos súditos fica de antenas ligadas e a outra mantém as orelhas de pé, aguardando os desdobramentos da queda de braço entre o pastor louvaminheiro e o general silencioso.

O aduloso, embora ataque o vice-rei expelindo cobras e lagartos, usou as entrelinhas para chamar o povo do reino de “mais raso senso comum”. Do alto de sua empáfia, o falso profeta bradou: “Eu gostaria de saber qual dos dois é o ‘vice-rei’ verdadeiro? O brutamontes da campanha eleitoral, que pretendia acabar com o 13º salário e fazer uma nova Constituição sem o Congresso, ou esse moço bem-comportado que só fala o politicamente correto que o mais raso do senso comum quer ouvir? É uma mudança muito radical”. E arrematou com seu hipócrita bom-mocismo: “Já vi esse filme e não vou deixar que façam isso com meu ‘rei’, meu amigo pessoal há dez anos, com quem travo lutas contra a esquerda desde o dia em que pisei no Congresso”.

O fato é que o incensador real despirocou de uma vez ao colocar-se como a salvaguarda do monarca, enquanto esquarteja a moral do vice-rei. Haja audácia! É provável que o desmiolado – por conta de seu puxa-saquismo –, preocupado em adular o sol que nasce,  esteja a atravessar o Rubicão sem se dar conta do perigo. A continuar deste jeito, Jesus Cristo não retornará nem mesmo quando o povo de Israel – e do planeta Terra – converter-se ao cristianismo, pois está enojado de tanto desregramento e “fake news” feitas em seu Santo nome, a fim de favorecer os apaniguados e enganar o povo desavisado e crédulo em lorotas. Resta-lhe pegar um chicote e descer o relho nesses santilhões.

 

Views: 0

Matisse – O ATELIÊ VERMELHO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Não sou capaz de copiar a natureza como um escravo, sinto-me,pelo contrário,obrigado a interpretá-la e adaptá-la ao espírito do quadro. (H. Matisse)

O pintor francês Henri-Émile-Benoit Matisse (1869 – 1954) nasceu numa família de pequenos comerciantes de cereais. Teve uma infância tranquila, estudando numa boa escola em Saint-Quintin, onde foi um aluno mediano. Seu pai queria que ele viesse a ingressar nos negócios da família. O futuro artista nutria um especial pendor pelos tecidos, fazendo ele próprio a escolha de suas roupas, vindo mais tarde a pintar panos e a criar tapeçarias e vestuários para os espetáculos de teatro coreográficos. Apaixonado pelas experimentações de cores e formas, acabou se tornando um dos pintores mais renomados do século XX.

A composição intitulada O Ateliê Vermelho ou ainda Estúdio Vermelho é uma obra do artista. Ele usou como modelo seu próprio ateliê – anteriormente branco – situado em Issy-les-Moulineaux, no subúrbio de Paris. Uma grande área chapada de cor vermelha – cor muito usada nos trabalhos do artista – compõe a arquitetura e a mobília do ambiente, demarcadas com arranhaduras na superfície vermelha. Ele achava que o vermelho dava uma boa unidade aos demais elementos da obra, sendo capaz de suprimir a ilusão de espaço. As arranhaduras feitas na tinta vermelha apresentam um amarelo-claro, isto porque o artista, antes de usar o vermelho, pintou a tela com um amarelo bem clarinho que viria a servir de fundo.

Assim como outros artistas (Manet, Monet, Degas, Cézanne, dentre outros), Matisse procurava excluir a ilusão de espaço – vista como um defeito no todo da obra – norma presente na pintura desde o século XV e sempre buscada pelo observador que por ela se orienta. Matisse usa aqui o vermelho que, por ser uma cor agressiva, causa forte impacto, abrangendo quase tudo no ambiente, mas, ainda assim, traz a ilusão de espaço profundo, exatamente o que o artista procurava excluir. Ainda que ele desmonte a perspectiva do estúdio, como vemos no canto à esquerda, marcado pela borda da tela rosa, mas que desaparece acima dela, o observador consegue ver o espaço como uma sala, ou seja, a ilusão ainda se encontra presente.

Na pintura são apresentados quadros, cerâmicas e pequenas esculturas feitas pelo artista. No meio da parede frontal encontra-se um relógio circular – eixo central da composição – sem os ponteiros, como se o tempo ali não importasse. Na parede também estão quadros dependurados e outros nela recostados, sobressaindo do mar de vermelho-ferrugem. Uma mesa, com diversos objetos, domina o canto inferior esquerdo da composição.

O Ateliê Vermelho em uma pesquisa com 500 pesquisadores em arte ocupou o quinto lugar, como sendo uma das mais influentes obras de arte moderna.

Ficha técnica
Ano: 1911
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162 x 219 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.henrimatisse.org/the-red-studio.jsp
https://en.wikipedia.org/wiki/L%27Atelier_Rouge

Views: 71