Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Monet – MULHER COM SOMBRINHA

Autoria de Lu Dias Carvalho

camille2  camille5

A composição denominada Mulher com Sombrinha, também conhecido como Madame Monet e o Filho, ou O Passeio, ou ainda como Camille e Jean na Colina, está entre os quadros mais famosos do pintor impressionista Claude-Monet. Sua primeira mulher Camille e seu filho Jean servem de modelo para a composição. O mais incomum é que ambos são vistos de baixo para cima, além do grande espaço que a esposa ocupa na composição. O dia está maravilhosamente ensolarado e o céu cheio de nuvens brancas, passando ao observador uma sensação de tranquilidade e frescor, pois luz e brisa parecem ultrapassar os limites da tela.

O pequeno Jean, bem distante da mãe, aparece mais ao fundo, à esquerda, com seu chapeuzinho redondo e com suas mãozinhas nos bolsos, como se a sua presença fosse apenas acidental, sendo a mãe a personagem mais importante da cena. Embora seus traços sejam apenas esboçados, ele se mostra bastante sério, mantendo um olhar distante. A vegetação cobre-lhe quase que metade do corpo, enquanto ele parece focar algo distante.

A presença do vento na pintura pode ser percebida através do esvoaçar das vestes de Camille e do dobrar da vegetação. Seus pés não são vistos, pois estão encobertos pela relva e flores. Mesmo assim, Camille mostra-se vaporosa e parece flutuar, levada por sua sombrinha delicada, mas firme, postada à direita de seu corpo. Seu olhar parece dirigir-se ao observador. O efeito luminoso no quadro é perceptível através do delicado resultado dégradé colorido da sombra que a sombrinha de interior verde joga sobre o corpo da modelo, e as sombras espalhadas pela vegetação, onde se fundem vários tons de verde e o amarelo de pequenas flores. Vários matizes estão refletidos no vestido volateante de Camille, assim como os diferentes azuis do céu.

Observando o céu e a relva, notamos que o artista usou longas e rápidas pinceladas, principalmente ao pintar as nuvens, como se não tivesse tempo a perder, se quisesse captar aquele momento, pois a presença do vento ainda torna as nuvens mais fugidias. O vento agita a roupa da modelo, assim como seu véu, balança a sombrinha, dobra a vegetação e brinca com as nuvens. Monet em seu quadro dá um show de luz, cor e brisa, transmitindo ao observador todas essas sensações visuais. E é isso que faz de O Passeio, Mulher com Sombrinha, um resumo do Impressionismo e um dos quadros mais belos do grande mestre.

Doze anos após a pintura em que Camille e Jean serviram de modelo (e sete anos após a morte de Camille), Monet voltou ao mesmo tema, só que dessa vez sem a presença de um garoto. Suzanne Hoschedé, uma das filhas de sua companheira Alice, serve de modelo. Com ela, fez duas composições: Ensaio de Figura ao Ar Livre, Voltada à Direita e Ensaio de Figura ao Ar Livre, Voltada à Esquerda. Mas a natureza presente nesses quadros não nos passa a mesma leveza e o mesmo frescor sentidos na observação da pintura de Camille e Jean. Também não existe a mesma expressividade vista no rosto da esposa. As obras são incomparáveis.

Ficha Técnica:
Ano: 1875
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 81 cm
Localização: Nattional Gallery of Art, Washington, Estados Unidos

Fonte de Pesquisa:
Claude Monet/ Coleção Folha
Grandes Mestres da Pintura/ Editora Abril
Monet/ Editora Taschen
Monet/ Editora Girassol

Views: 57

Cimabue – SRa. DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Autoria de Lu Dias Carvalhosanta

A composição Senhora da Santíssima Trindade, também conhecida por Madona e o Menino em Majestade ou ainda A Madona e o Menino Entronizados, é uma obra monumental e complexa do pintor Cimabue que representa a maturidade do artista, mas de leitura muito simples. A representação da Virgem Maria sentada com o seu Menino no colo, ladeada por anjos, era um tema comuníssimo na arte gótica italiana. Tais pinturas tinham por objetivo levar os fieis à admiração e à meditação.

Este retábulo (escultura, entalhe ou obra de pintura, que adornava o altar de uma igreja, durante a Idade Média) representa o Menino Jesus, com a mãozinha direita erguida numa bênção, no colo de sua mãe, a Virgem Maria, e tendo oito graciosos anjos em volta de seu trono. Os anjos são extremamente simétricos. A exemplo dos ícones bizantinos, a Virgem Maria traz a cabeça coberta por um véu escuro. O fundo da obra em folha de ouro era uma característica da arte bizantina, quando se tratava de representar uma “Maestá”.

Embaixo, ao centro, encontram-se os profetas Abraão e Davi, antepassados de Cristo, com os profetas Jeremias e Isaías, de cada lado, que olham para a cena acima. A presença dos profetas indica que eles são os degraus que levam a Cristo e a Maria. A proporção humana dessas figuras é igualada à do observador. As bandeirolas são referências à virgindade de Maria e ao papel de Cristo como Salvador. A composição da imagem é bastante clara e simples e o desenho é preciso.

Os motivos individuais do quadro mostram detalhes da arte bizantina. As linhas finas de ouro na vestimenta da Virgem lembram o estilo rígido bizantino, embora a tentativa de Cimabue em botar as figuras num espaço tridimensional, prenunciem técnicas do Renascimento, que viriam mais de um século depois. O que nos mostra que, no período final da arte bizantina, o pintor rompeu com as regras rígidas daquela arte, em direção ao naturalismo. Para tanto, basta que observemos as expressões mais delicadas dos anjos, com seus gestos bem mais naturais do que os vistos na arte de Bizâncio.

 A obra acima foi pintada para o principal altar da Igreja de Santa Trindade de Florença, Itália, tendo como objetivo inspirar a contemplação e a devoção. A simplicidade do quadro e a abundância de folhas de ouro tinham a finalidade de torná-lo mais nítido na igreja escura, onde se encontrava. Agora, a obra encontra-se na Galeria Uffizi.

 Ficha técnica
Data: c. 1280
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 385 x 223 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 Obras-Primas…
Gótico/ Editora Taschen
História da Arte Ocidental/ Editora Rideel
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Views: 22

Caravaggio – CABEÇA DE MEDUSA

Autoria de Lu Dias Carvalho

medula 1

 

É esta Medusa, a de cabelos venenosos/ com milhares de serpentes?/ Assim é; não vês talvez como move os olhos/ como os põe na mira?/ Foge, foge de sua cólera, foge de seu desdém/ pois se te atinge seu olhar,/ converter-te-á em pedra também. (Gaspare Murtola)

 Conta a lenda que Medusa, uma das três irmãs Górgonas (as outras duas eram: Esteno e Euríale), petrificava com o olhar todo aquele que olhasse para ela, mas o herói Perseu usou um artifício para enganá-la. Assim que se aproximou do monstro, usou o seu escudo como espelho. Medusa, ao ver seu rosto refletido no escudo, ficou transtornada diante de tamanha aberração, lançando um grito dilacerante. Uma vez hipnotizada, Perseu cortou-lhe a cabeça com a espada de um só golpe, mas ela ainda continuou consciente. A seguir, o herói tomou a cabeça da besta mitológica e  colou-a num escudo como arma, pois seu olhar serviria para transformar os inimigos em pedra.

Cabeça de Medusa ou simplesmente Medusa é uma das obras-primas do pintor italiano Caravaggio que tomou como modelo seu amigo Mario Minniti — embora digam alguns que se trata do próprio rosto do pintor — para pintar a Górgona vertendo sangue abundantemente, logo após ter a cabeça decepada por Perseu (ou Perseus), um semideus da mitologia grega, conhecido por ser fundador da mítica cidade-estado de Micenas, segundo reza o mito grego.

O retrato de Medusa era muito usado nas armaduras e nos escudos dos guerreiros dos séculos XVI e XVII, pois na mitologia grega é tida como a deusa da estratégia e da guerra justa e também da sabedoria, de modo que esta obra nasceu como um escudo de desfile. O cardeal Francesco Maria del Monte, protetor de Caravaggio, presenteou Fernando I de Medici com a obra, provavelmente para a sua coleção de armas que foi mostrada pela primeira vez em 1598, causando grande impacto nos que a viram, sendo, inclusive, comentada em versos (ver acima em negrito).

Caravaggio, inteligentemente,  repassa ao observador a ilusão de que a cabeça de Medusa deixa a tela para se projetar no espaço real em que o observador encontra-se, de modo que o escudo convexo ilusoriamente transforma-se em côncavo. Tem-se a impressão de que a tela é feita em 3D. Embora o retrato da Górgona seja de origem clássica, Caravaggio recria uma nova Medusa, extremamente realista, cuja força de expressão continua impressionando quem a observa, pois sua cabeça decepada parece ganhar vida própria, com suas serpentes contorcionistas.

 É provável que, para pintar a Medusa com sua expressão aterradora, o pintor italiano tenha se inspirado na expressão agonizante e aterrorizada daqueles que eram executados: olhos esbugalhados que parecem saltar das órbitas; boca ovalada, aberta e paralisada, como se soltasse um longo grito de terror; língua e dentes aparentes; testa franzida; maçãs do rosto recuadas e o sangue vivo sendo vertido abundantemente.

O que mais chama a atenção na obra Cabeça da Medusa é seu realismo: os olhos saltando da órbita, os dentes cortantes à mostra, a boca aberta e imóvel, soltando um grito silencioso e o sangue vivo jorrando de sua cabeça, não deixando qualquer dúvida sobre o mito da mulher de cabeleira de serpentes que transformava homens em pedra, só pelo olhar, mas que foi derrotada por Perseu, ao mirar o escudo espelhado e ser vítima de sua própria arma letal.

A dramaticidade encontrada nas obras de Caravaggio dá-se pelo uso da técnica do chiaroscuro em que o pintor trabalha com os contrastes de luzes e sombras, gerando um resultado bastante peculiar. Ele pintou pelo menos três telas famosas que exibem cenas de decapitação, como Judite e Holoferne, Salomé com a Cabeça de São João Batista e Davi com a Cabeça de Golias (todas presentes neste blogue). Mas foi Medusa a obra responsável por ferir a sensibilidade de muitos críticos de arte da época, sendo considerada a criação mais sangrenta do pintor.

 Curiosidades:

  • Medusa era — segundo a mitologia grega — uma das três górgonas, irmãs monstruosas filhas de dois deuses marinhos — Fórcis e Ceto. Além de horrível, ela ainda possuía o poder de petrificar as pessoas com seu olhar.  Perseu cortou sua cabeça, de cujo sangue nasceu Pégaso — o cavalo alado. O herói também usou a cabeça da Medusa para salvar Andrômeda.
  •  Na Antiguidade clássica, a imagem da cabeça da Medusa aparecia no Gorgoneion — objeto utilizado para afugentar o mal.
  •  Caravaggio pintou duas versões da cabeça da Medusa. A primeira em 1596 e a segunda presumivelmente em 1597/15988. A primeira versão é também conhecida como Murtula, devido ao poeta que escreveu sobre ela. Foi encontrada no estúdio do pintor somente depois de sua morte.
  •  Na Galleria degli Uffizi, Medusa está entre as 25 obras mais importantes do palácio, onde se encontram, entre outras, a Vênus de Botticelli.

 Caravaggio — considerado o maior representante do estilo barroco — foi mestre na arte de manipular o jogo de luz e sombra, o que confere um enorme grau de complexidade à sua obra. São poucos os quadros de Caravaggio que sobreviveram até os dias de hoje — 62 ao todo — e alguns deles ainda passam por avaliação de especialistas para que o período de produção e as condições em que foram realizados sejam comprovados. A obra Medusa Murtola, por exemplo, era considerada uma cópia até recentemente. Só ao fim de trabalhos que duraram 20 anos — com sofisticadas análises em infravermelho — é que sua autenticidade foi comprovada.

 Ficha técnica:
Ano: 1598
Dimensões: 60 x 55 cm
Técnica: óleo sobre tela colado sobre escudo
Estilo: Barroco
Gênero: pintura mitológica
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
Grandes mestres da pintura/ Coleção Folha
Grandes mestres/ Abril Coleções
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 38

Caravaggio – A CEIA EM EMAÚS

 Autoria de Lu Dias Carvalho

ceia

Aproximando-se da aldeia para onde iam, deu ele a entender que ia para mais longe. Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica em nossa companhia, porque é tarde e o dia já declinou. Ele entrou para ficar com eles. (Lucas 24:28-29)

Esta cena religiosa é uma das mais belas pinturas de Caravaggio. Narra a passagem bíblica em que Cléofas e Pedro (possivelmente), entristecidos com a morte do Mestre, resolvem caminhar até a aldeia de Emaús. Durante o trajeto, um desconhecido agrega-se à companhia dos dois. Ao chegar a Emaús, o pequeno grupo detém-se em uma estalagem para comer. Antes da ceia, os dois discípulos surpreendem-se ao ver o desconhecido abençoar o pão. A seguir, descobrem que se trata do Cristo ressuscitado, que repete o mesmo gesto feito na Última Ceia.

Na composição, que se estrutura em torno do gesto eucarístico do Mestre, Caravaggio retrata quatro personagens: Cristo, os dois apóstolos e o estalajadeiro, todos a meio corpo. A cena é mostrada no exato momento em que Jesus abençoa os alimentos. Para qualquer um dos personagens que se olhe,  seus gestos apontam ao observador a figura de Jesus.

Cléofas, de barba preta e vestes rotas, sentado de costas para o observador, à esquerda da tela, faz menção de se levantar, segurando os braços da cadeira com suas mãos fortes e rudes. Uma rasgadura no seu casaco mostra um pedaço do tecido branco de sua camisa, técnica usada por Caravaggio para acentuar o escorço (Aur.: Art. Plást. Desenho ou pintura que representa objeto de três dimensões em forma reduzida ou encurtada, segundo as regras da perspectiva.). Cléofas é o único apóstolo mencionado pelo nome na versão de Lucas.

Pedro, à esquerda de Jesus ressuscitado, abre os braços em forma de cruz, lembrando o martírio do Mestre. Seus cabelos estão ralos e sua barba esbranquiçada. A concha em suas vestes identifica-o como peregrino. Sua mão esquerda parece precipitar-se para fora da tela e a direita para dentro. O que leva a acreditar que se trata do apóstolo Pedro é a presença de uma concha em suas roupas.

Cristo encontra-se no centro da composição, de frente para o observador, com os olhos voltados para a mesa, enquanto ergue o braço direito para abençoar o pão. É representado como um jovem forte, imberbe, com os cabelos cacheados caindo sobre os ombros, contrastando com o aspecto envelhecido e esfarrapado dos dois apóstolos. Sua sombra projeta-se na parede, às suas costas, criando uma auréola que evidencia ainda mais a sua figura divina. Não se trata de um Cristo distante e inalcançável, mas sim de um Cristo que pode ser visto, ouvido e abraçado. E tudo na composição aponta para ele.

O hospedador, que figura entre Cristo e Cléofas, observa sereno  e atentamente o Mestre, enquanto apoia sua mão esquerda no cinto, sem compreender o que se passa ou quem sejam aquelas pessoas. Sua tranquilidade contrasta com o espanto e a afobação dos dois discípulos, ao descobrirem que é o Mestre quem está ali entre eles.

Sobre a mesa estão: uma cesta de frutas, a carne dentro de um prato, duas jarras, sendo uma de louça e outra de vidro e um cálice. Todos os objetos projetam sombra na mesa, sendo que a cesta com frutas projeta uma sombra em forma de peixe, símbolo dos primeiros cristãos. E todos os elementos possuem uma simbologia. O pão e o vinho referem-se à Eucaristia. As uvas referem-se ao vinho. A maçã machucada e os figos já estragados simbolizam o pecado original, ou seja, a Queda do Homem, enquanto as romãs simbolizam o triunfamento de Cristo que, ao ressuscitar, acabou vencendo o mal. Alguns veem um rabo de peixe na sombra que a cesta com frutas projeta na mesa, à direita, considerando-o o símbolo dos primeiros cristãos.

A cesta de frutas em primeiro plano, traz a sensação de que poderá cair da mesa a qualquer momento, oscilando na sua beirada. A toalha branca sobre a mesa, o guardanapo no colo de Pedro e o lenço amarrado no braço direito do hospedeiro dão luminosidade à composição. A visão frontal e a parca profundidade da cena, assim como o lugar vago bem em frente ao Mestre, fazem com que o observador sinta-se convidado a sentar-se à mesa ou se sinta na cena inserido.

Caravaggio transpôs a cena para o seu tempo, ambientando-a numa taberna romana. E mais uma vez criou polêmica ao representar Cristo jovem, gordo e um pouco feminino, sem barba, tendo à frente, sobre a mesa, frutas que estariam fora da estação. O realismo com que tratava os temas religiosos, como apóstolos que se parecem com trabalhadores, angariou a reprovação veemente do clero.

Na obra, Caravaggio usa sua técnica concebida, o tenebrismo, que consiste no uso de um fundo escuro, algumas vezes completamente negro, onde faz a incidência de focos de luz sobre os detalhes da pintura que quer destacar.

Curiosidades:
1.Caravaggio pintou uma segunda versão da Ceia em Emaús (hoje na Academia de Belas Artes de Brera , Milão), em 1606, onde acrescenta mais uma personagem: a mulher do estalajadeiro. Em comparação com a primeira, os gestos das figuras são muito mais contidos, tornando a presença mais importante do que o desempenho. Esta diferença possivelmente reflete as circunstâncias da vida do pintor, naquele momento (ele havia fugido de Roma como um fora da lei após a morte de Ranuccio Tomassoni), ou se trata apenas da contínua evolução de sua arte.

2. Ceia de Emaús é uma das primeiras aparições de Jesus após a ressurreição e à descoberta do túmulo vazio. Relata uma refeição que Jesus teve com os dois discípulos após o encontro na estrada, tornando-se um tema muito popular na arte. O episódio está descrito em Lucas 24:13-35, onde se lê também a expressão “fica conosco, Senhor” (em latim: Mane nobiscum Domine), que inspirou diversos textos, orações e canções.

3. Entre outros artistas, que pintaram o jantar, estão Jacopo Bassano, Pontormo, Vittore Carpaccio, Philippe de Champaigne, Albrecht Dürer, Benedetto Gennari, Jacob Jordaens, Marco Marziale, Pedro Orrente, Tintoretto, Titian, Velázquez e Paolo Veronese. O jantar também foi tema escolhido por um dos mais bem-sucedidos falsários de Vermeer, Han van Meegeren.

Ficha técnica:
Autor: Caravaggio
Data: 1601
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 141 x 196 cm
Localização: Galeria Nacional de Londres

Fonte de pesquisa:
Grandes mestres da pintura/ Coleção Folha
Grandes mestres/ Abril Coleções
A história da arte/ E. H. Gombrich

Views: 15

Botticelli – A CALÚNIA DE APELLES

Autoria de Lu Dias Carvalho

apelles

A Calúnia de Apelles, obra de Sandro Botticelli, foi realizada para o financeiro Antonio Segni, usando como modelo descrições de uma pintura do grego Apelles, feita cerca de 300 a.C.

Na composição, um homem inocente é levado à presença de um juiz (ou um rei), que possui compridas orelhas de burro, que mostram o quanto ele é estúpido, apesar de ocupar um alto cargo. O magistrado encontr-se entre duas mulheres – a Desconfiança e a Ignorância – que a seus ouvidos murmuram mentiras e leviandades. Ele estende seu braço direito na direção de um homem encapuzado – a Inveja – que imita o seu gesto.

A Calúnia carrega, numa das mãos, uma tocha acesa e com a outra arrasta o inocente. A Traição e a Mentira ornamentam os cabelos da Calúnia, para torná-la mais aliciante e acreditável. O inocente encontra-se nu e tem as mãos em estado de prece, como a pedir clemência.

Mais afastadas da cena encontram-se duas personagens: A Contrição (ou Penitência) e a Verdade Nua. A Contrição, uma senhora idosa, tem as vestes rotas. Simboliza a longa busca para encontrar a verdade.

A mão e os olhos da Verdade Nua estão direcionados para os céus e simbolizam que toda a confiança está depositada no Altíssimo, e, que Nele está a Verdade absoluta, que sempre acaba triunfando.

Ficha técnica:
Data: 1495
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 91 x 62 cm
Localização: Galeria de Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 9

Botticelli – O NASCIMENTO DE VÊNUS

Autoria de Lu Dias Carvalho

venus

A Vênus de Botticelli é tão bela, que não nos apercebemos do comprimento incomum do seu pescoço, ou o acentuado caimento dos seus ombros, e o modo singular como o braço esquerdo se articula ao tronco. Ou, melhor ainda, deveríamos dizer que essas liberdades que por Botticelli foram tomadas a respeito da natureza, a fim de conseguir um contorno gracioso das figuras, aumentam a beleza e a harmonia do conjunto na medida em que intensificam a impressão de um ser infinitamente delicado e terno, impelido para as nossas praias como uma dádiva do Céu. (E. H. Gombrich)

O Nascimento de Vênus (1484) é uma das mais famosas obras de Sandro Botticelli. Nela, segundo alguns críticos, o artista revela as mudanças de sua visão do mundo, de modo que Vênus representa a alma cristã a emergir das águas do batismo. Juntamente com sua obra A Primavera, a pintura em questão é um dos pontos altos da maturidade do pintor italiano.

A composição retrata a chegada de Vênus (Afrodite) — nascida da espuma do mar — à terra. Embora desnuda, a deusa não sugere erotismo algum, ao contrário, passa-nos uma extrema pureza. Ela se encontra dentro de uma enorme concha que é impelida para a praia pelo deus Zéfiro e pela ninfa Clóris. Na margem encontra-se a esperá-la uma das Horas, para colocar sobre ela um manto de púrpura bordado de flores.

Ao contrário de outros pintores que optaram pela representação mais sensual da deusa Vênus, Botticelli representou-a na pose conhecida como “Vênus Pudica”, imitando a pose de uma antiga e famosa estátua romana.

A figura delgada da deusa Vênus tem a mão direita cobrindo um dos seios, enquanto a esquerda cobre-lhe a virilha, usando as pontas de seus longos cabelos ruivos, gesto comum às pessoas pudentes. Ela desliza sobre o mar, de pé na parte mais pontuda da concha, numa atitude de confiança plena. Possui um olhar meigo e distante, imersa em seus pensamentos.

Muitas rosas são vistas sobretudo sobre Zéfiro e Clóris. A rosa — flor do amor — é a flor sagrada de Vênus e foi criada quando ela nasceu. Os espinhos das rosas são para nos lembrar de que o amor também pode ser doído.

Zéfiro, vento primaveril, é o filho da Aurora (amanhecer). Clóris, a ninfa, foi raptada pelo apaixonado Zéfiro. Ao se tornar sua noiva, ela se transformou em deusa e passou a se chamar Flora — aquela que é responsável pelas flores. Entrelaçados, os deuses alados impelem Vênus para a praia em meio a uma chuva de rosas.

A deusa Hora é uma das quatro Horas que simbolizam as estações do ano. Ela simboliza a primavera — estação do renascimento. Hora usa uma veste de fundo claro, salpicada de flores. Traz no pescoço uma guirlanda de murta.

A natureza encontra-se em festa, para receber tão sublime divindade. As folhas, flores e troncos das árvores parecem bordados com ouro. Mar e céu fundem-se num abraço de tons verdes e azuis.

Os personagens da obra possuem mãos e pés bem delineados e fortes, com dedos longos. Essa é uma característica das figuras pintadas por Botticelli. Todo o quadro é perfeitamente harmonioso, tendo Vênus como figura central. A deusa Hora parece flutuar em razão da graciosidade de seus movimentos. O mar, cujas ondas em forma de V apresentam-se mais calmas quando mais distantes, agita-se ligeiramente perto da praia com o sopro de Zéfiro.

O Nascimento de Vênus foi uma pintura revolucionária para o seu tempo, por ser a primeira obra de grande porte renascentista a tratar um tema laico e mitológico, abrindo mão dos temas sacros. Por isso, chega a ser surpreendente que o quadro tenha escapado da ira sagrada do monge beneditino Savonarola que consumiu outras tantas obras de Botticelli porque, segundo o extremista, teriam “influências pagãs”. O Nascimento de Vênus foi encomendado a Botticelli pelo rico mercador Lorenzo di Pierfrancesco de Medici, responsável por patrocinar a viagem de Américo Vespúcio ao Novo Mundo.

Ficha técnica:
Data: 1483
Técnica: têmpera sobre tela
Dimensões: 172,5 x 278,5 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fonte de Pesquisa:
Grandes Mestres/ Abril Coleções
1000 obras primas…/ Könemann
A Arte em Detalhes/ Robert Cumming
A História da Arte/ Sextante A História da Arte/ LTC

Views: 45