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MBYÁ REKÓ, O JEITO DE SER GUARANI

Autoria de Renato Guima

GUARANI

“Mbyá Rekó, o jeito de ser Guarani” é o nome da exposição em cartaz no Centro Cultural da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FMP/Fase), em Petrópolis. Para ressaltar a importância da língua na preservação da identidade dos povos indígenas, a exposição é bilíngue, com todos os textos escritos em Guarani-Mbyá e traduzidos para o português. A mostra é um dos resultados do projeto de extensão universitária em Cultura Indígena, coordenado pelo professor Ricardo Tammela, e tem o apoio do Museu do Índio e da Associação Indígena Aldeia Maracanã.

A mostra está em sintonia com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena. Segundo Tammela, é um requisito legal e importante passo para ampliar o conhecimento sobre os povos indígenas, condição para o estabelecimento de direitos, que vão muito além da demarcação de suas terras, e coloca em pauta questões relacionadas à saúde indígena e hábitos alimentares.

Os visitantes da exposição poderão conhecer um pouco sobre a cultura do povo Guarani-Mbyá, que será retratada a partir do cotidiano dos índios da aldeia Ará Rovy Re, situada no distrito de Itaipuaçu, em Maricá (RJ). Será possível, por exemplo, participar de atividades dentro de uma réplica do Opy, que é a Casa de Reza dos Mbyá, considerada essencial para a harmonia da aldeia. A mostra também abordará outras tradições indígenas, como o culto ao milho e a importância da música para a perpetuação de sua história. Ainda haverá um espaço para comercialização do artesanato, como colares de sementes e cestos de palha.

“Mbyá Rekó, o jeito de ser Guarani” ficará aberta à visitação até janeiro de 2017, de segunda a sexta, das 9h às 21h, e aos sábados, das 9h às 18h. A entrada é franca e as escolas podem agendar visitas pelo telefone (24) 2244-6468. A faculdade fica na Av. Barão do Rio Branco, 1003, no Centro de Petrópolis.

 

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PROVÉRBIOS POPULARES E ERUDITOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

aldhux

Não existe nada mais bem distribuído no mundo do que o bom senso, pois todo mundo julga estar tão bem dotado dele que, mesmo os mais difíceis de contentar em outras coisas, não costumam desejar dele mais do que possuem. (Descartes)

No estudo dos provérbios torna-se necessário diferenciar bom senso de senso comum, pois, enquanto o primeiro trabalha com a razão, o segundo nem sempre está de acordo com ela. O senso comum nasce do saber simples, da observação empírica, sem qualquer base científica, o que muitas vezes leva ao erro, principalmente quando se trata de uma verdade mais complexa, ao contrário do bom senso.

Os provérbios podem ser divididos em populares e eruditos. Os populares são os ditos, ditados, rifões e anexins. Os eruditos costumam ser chamados de aforismos, axiomas, apotegmas, máximas, sentenças, adágios, etc. Os provérbios populares são sempre anônimos, nascidos em meio à gente comum, embora observadora e sagaz, que cai no agrado do povo e vai viajando mundo afora. A maioria deles origina-se da vida rural. Embora sejam uma expressão da sabedoria popular, muitas vezes arguta e inteligente, é natural encontrar alguns nascidos de experiências superficiais, desprovidos de virtudes. Portanto, é natural encontrar neles tanto o bom senso quanto o senso comum, ou os dois misturados. Com a saída do homem rural do campo para a cidade, os provérbios populares foram também migrando para as grandes cidades. Hoje é comum encontrar um tipo e outro, aonde quer que se vá.

Os provérbios eruditos, ao contrário dos populares, são urbanos, embora nem todo provérbio urbano seja erudito. Eles trazem o nome do autor e são revestidos de uma filosofia culta, muitas vezes inacessível às pessoas comuns, ou mesmo impopular, onde costuma predominar o bom senso, contrariando o senso comum. As sentenças proverbiais populares são quase sempre bem-humoradas e irônicas, pois o povo costuma rir da própria desgraça. Mesmo nos provérbios eruditos, nós encontramos escritores bem-humorados como Voltaire, Rousseau e Descartes.

Exemplos de provérbios eruditos:

  1. Ninguém promete tanto quanto quem não pretende cumprir. (Francisco de Quevedo)
  2. Nada se deve imputar aos dementes e aos namorados. (Machado de Assis)
  3. Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar. (Descartes)
  4. Ultrapassar o alvo é tão ruim quanto não atingi-lo. (Confúcio)
  5. Não desejes, e serás o homem mais rico do mundo. (Cervantes)
  6. Toda ambição deveria ser feita de pano mais resistente. (Shakespeare)

Exemplos de provérbios populares:

  1. Em grota de surucucu não desce nem urubu.
  2. Antes burro que me leve que cavalo que me derrube.
  3. Urubu quando é azarado, o de baixo suja o de cima.
  4. Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas.
  5. Quem anda com perereca tem que aprender a pular.
  6. Quando a esmola é grande o santo desconfia.

Fontes de pesquisa:
A Sabedoria Condensada em Provérbios/ Nelson Carlos Teixeira
Provérbios e Ditos Populares/ Pe. Paschoal Rangel
Nunca se Case com uma Mulher de Pés Grandes/ Mineke Shipper
Entre Palavras/ Nereu de Cesar Moraes

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