Autoria de Lu Dias Carvalho
Nosso filme nasceu como um grito sincero de liberdade e de amor, um grito político, latino-americano. Mas, sobretudo, um grito contra o sufoco que a grande indústria cria aos potenciais artísticos, poéticos e de linguagem da animação. E acho que este grito ecoou onde precisava ecoar. Um momento importante onde filmes de animação mais autorais concorrem ao prêmio maior da indústria de cinema. (Alê Abreu)
O cinema brasileiro concorre ao Oscar deste ano com a animação O Menino e o Mundo, obra do diretor paulistano Alê Abreu, que vê seu filme como zebra, não em relação à sua qualidade, mas ao orçamento com que foi feito, o que tem deixado muita gente boquiaberta num universo em que os gastos com filmes vêm se tornando estratosféricos. A animação brasileira teve um orçamento (US$ 500 mil) considerado baixíssimo. Foi com emoção que Alê Abreu desabafou:
– Somos a zebra do ano, com o maior orgulho de ser zebra, e vamos trabalhar forte para trazer o careca dourado para o Brasil! Vitória! Airgela! Viva a animação brasileira!
Desde que estreou em 2014, O Menino e o Mundo vem fazendo bonito. Recebeu 44 prêmios, inclusive o de melhor animação, no Festival Annecy, na França, prêmio concedido tanto pelo júri quanto pelo público presente. O Prêmio Cristal é considerado o maior prêmio da categoria em todo o mundo. E mais, foi aplaudido de pé.
O Menino e o Mundo conta a história de um garoto que deixa seu pequeno universo em busca do pai, que foi obrigado a sair de casa em busca de trabalho. Na sua jornada, o menino depara com um mundo caótico, que lhe é totalmente desconhecido, marcado pela desigualdade e perda de valores, pelo consumismo, pela tirania industrial e pela destruição aterradora do meio ambiente, ainda assim, encontra solidariedade pelo caminho. O mais interessante é que o filme não possui diálogos, e nos poucos trechos falados, fala-se em português, mas de trás para frente. A trilha sonora é responsável por dar vida ao filme, complementando-se com uma deslumbrante apresentação visual. Gustavo Kurlat e Ruben Feffer assinam a trilha sonora que possui a participação do percussionista Naná Vasconcelos e do rapper Emicida.
O cineasta Alê Abreu (44 anos), que em 2007 criou a animação Garoto Cósmico, com a qual fez sua estreia, diz que sua preocupação maior, ao fazer O Menino e o Mundo, era fugir um pouco dos elementos digitais, e trabalhar também com elementos aparentemente simples, em 2D, usando mais colagens, aquarela, canetinhas, tinta acrílica, etc. Com isso, seu trabalho segue uma rota totalmente diferenciada do universo de 3D, tão comum aos dias de hoje, e traz um desenho com um visual maravilhoso e com uma trama comovente.
Talvez a originalidade de O Menino e o Mundo, na qual se misturam técnicas de animação com a predominância de um traço simples, seja a responsável por levar esse menino pobre a desfilar pelo tapete vermelho do Oscar, fazendo com que todo o povo brasileiro sonhe e torça pare que ele encontre não apenas o pai, mas também o Oscar de melhor animação.
A animação brasileira concorre ao lado de “Anomalisa”, “Shauan, O Carneiro”, “Divertida Mente” e “Quando estou com Marnie”.
VEJAM UM PEDACINHO DA ANIMAÇÃO
Ficha técnica
Direção: Alê Abreu
Duração: 80 minutos
Recomendação: Livre
País: Brasil
Ano: 2013
Views: 49

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