MEU MARIDO É BIPOLAR E ALCOÓLATRA
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Autoria de Marcela Gomes

Eu me envolvi com um homem quando eu tinha 15 anos e ele 25. Era um rapaz muito charmoso na época, inteligente e excêntrico, o que eu gostava nele. Tinha fama de beber e fazer uso de drogas, mas ao meu ver isso fazia parte do charme dele, já que eu era muito nova para entender as coisas. Foi amor à primeira vista!

Fui morar com ele em outro país, quando eu tinha 20 anos. Foi a melhor fase da minha vida, mas sempre tínhamos brigas terríveis por conta da bebida, quando ele ficava muito ciumento. Mas quando voltava à razão, tratava-me como uma princesa. Eu o amava loucamente e ele demonstrava o mesmo. Em razão das fortes brigas eu voltei para o Brasil e ele ficou por lá, porém aqui descobri que estava grávida dele. Ao saber, ele decidiu voltar para tentarmos a vida aqui em nosso país.

Minha gravidez foi o período mais difícil que vivi. O pai dele deu um apartamento para nós dois que nos casamos, mas ele não se adaptou àquela vida. Bebia o dobro, usava drogas em casa e tinha ataques violentos de ciúmes. Eu não podia sair para fazer uma caminhada que ele achava que estava no motel com alguém. Ele me abandonou no meio da minha gravidez e num ato impulsivo, viajou para a China, onde morávamos antes, apenas com a roupa do corpo. Sofri muito. Depois ele voltou, eu ganhei o bebê, mas as coisas só pioraram. Ele viajou e não mais voltou.

Meu esposo me abandonou com nosso filho de dois meses, sendo que minha família é de outra cidade. Eu entrei em depressão. O tempo passou e quando ele voltou foi morar em outro apartamento e não entrou em contato comigo, sendo diagnosticado depois como bipolar. Tempos depois voltou a me procurar e nós voltamos, mas não a morar na mesma casa. Estávamos casados, mas agíamos como namorados, pois a vida sob o mesmo teto não era suportável, devido aos maus hábitos dele. Ficamos por oito anos em casas separadas e mesmo assim era complicado demais. Foram muitas idas e vindas, mas eu ainda sentia algo por ele, acho que dependência emocional e financeira também. Ele despertava o pior em mim em nossas brigas.

Atualmente não nos falamos mais há três meses, desde que ele ameaçou me matar e matar o nosso filho em uma briga que tivemos, só porque o mandei parar de beber, pois eu queria dormir. Para mim foi o fim. Ele é alcoólatra, não é mais funcional, só faz beber o dia inteiro, desde que acorda até quando vai dormir. Está com ascite, inchado, deformado. Largou o psiquiatra faz tempos e se automedica. Toma os medicamentos com bebida alcoólica. Não toma banho por dias, nem escova os dentes. Só faz beber.

Ainda assim, eu sentia pena dele e tentava conviver com ele nos finais de semana. Mas para mim foi o fim, porque mexer comigo era uma coisa, mas mexer com o nosso filho é outra, de modo que meu coração endureceu. Ele não admite ser bipolar, apesar de ter sido diagnosticado. Não quer se tratar de acordo com as diretrizes dos médicos. Pensa que sabe mais que os especialistas no assunto. É triste ver alguém que você amou tanto acabar, tornar-se outro completamente diferente. Você sente saudades daquela pessoa, mas não a acha mais, é como se ela tivesse morrido…

Ilustração: O Bebedor de Absinto, Pablo Picasso

4 pensou em “MEU MARIDO É BIPOLAR E ALCOÓLATRA

  1. Carlos

    Marcela

    Infelizmente, o abuso de álcool e drogas é muito comum entre as pessoas que tem Transtorno Bipolar. O próprio transtorno, quando não tratado, tende a causar dependência química, seja no álcool e outras substâncias, seja na adrenalina de situações perigosas, tais compras descontroladas, flertes e sexo. É uma pena ele não ter aceitado o tratamento, porque com medicamentos corretos todos esses vícios e compulsões podem ser controlados. Triste, porque ele poderia ter uma vida de melhor qualidade. A essa altura, no entanto, reforço o que a Lu e o Cipriano escreveram. É hora de cuidar de você e de seu filho. Não entre no ciclo destrutivo de alguém que tem transtorno bipolar e não aceita o tratamento.

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  2. Hernando Martins

    Marcela

    É uma história muito triste. Hoje em dia está muito comum esse tipo de doença psíquica. Penso que,com esse mundo louco em que vivemos, certamente favorece o surgimento de muitas doenças mentais. A paz interior e exterior,em virtude da vida ser muito corrida, é instável.
    Nos relacionamentos costumam despertar os distúrbios, principalmente quando as emoções ficam afloradas, proporcionando o despertar das paranoias. O homem é o reflexo do meio em que vive. Num planeta doente haverá reflexos no interior das pessoas! O estilo vida nos tempos atuais,com o consumismo desenfreado,falta de tempo, incertezas, desestrutura familiar e crises globais generalizadas, torna-se um tsunami na vida de todos, fazendo as pessoas perderem a bússola da vida, ficando totalmente desnorteados. São muitas as causas a disparar o gatilho das doenças mentais. Segundo Freud, “DE PERTO,NINGUÉM É NORMAL”

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  3. LuDiasBH Autor do post

    Marcela

    Sei que você viveu momentos difíceis, vendo seus sonhos naufragarem, mas tomou a atitude certa, pois, as pessoas bipolares, quando não medicadas, podem cometer loucuras. Proteger seu filho, seu bem maior, é a sua escolha mais importante. Procure refazer a sua vida e ser feliz. Não é possível ajudar quem não aceita. Vida que segue, minha amiga. E conte sempre com este cantinho.

    Abraços,

    Lu

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  4. Cipriano

    Marcela,

    convivi 4 anos com minha ex. Ela não aceita a bipolaridade.

    Infelizmente nos dias em que terminou comigo estava muito agressiva, inclusive fiquei com medo de que pudesse fazer algo grave contra mim ou contra ela. Ela não se achava errada nunca, sempre me acusava de coisas absurdas. Depois do término fiquei indo atrás, tentando reconciliar, mas ela só me humilhou e se envolveu em vários relacionamentos, até mesmo de risco. Há quase um ano estamos separados. Hoje superei, pois eu vi que somente eu queria que desse certo, eu entendo que não é fácil para o bipolar, mas precisa dar o passo de aceitar e se tratar, senão é um risco grande, até mesmo de vida para quem está junto.

    Quando estávamos juntos, houve momentos em que eu achei que ia pirar, era uma tortura psicológica. Em alguns momentos (algumas noites me acordava de madrugada e ficava durante 02 horas seguidas falando coisas desconexas). No começo foi mágico, intenso, parecia filme. mas com o tempo as crises e as inconstâncias foram aparecendo. Eu te entendo, realmente é muito triste ver alguém que amamos se destruir e não ouvir quem só quer o bom dela. Foge do nosso controle, não dá pra entrar na cabeça da pessoa.

    Marcela, se apegue na sua reconstrução, em se tornar forte, crescer seja profissionalmente ou em outra área. Você fez o possível e mais um pouco, sua missão foi cumprida, agora pense em você. Como no seu caso tem filho, dedique-se a ele e pense que deve protegê-lo de qualquer risco. Sucesso pra você.

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