NOVO ESTILO – ARTE ABSTRATA II (Aula nº 101)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A denominação Arte Abstrata diz respeito, normalmente, a certas obras da pintura e da escultura do século XX que não possuem função representativa ou simbólica, mas, ainda assim, não podem ser caracterizadas como simples desenhos. Logo, não se trata de um estilo artístico isoladamente, sendo que alguns movimentos artísticos mais explícitos, como o Neoplasticismo e o Expressionismo abstrato foram definidos em termos estilísticos. Tanto na França quanto na Inglaterra, inúmeras gerações de pintores indagavam se era necessário tornar a pintura submissa à busca das aparências e, em razão disso, escolheram um mundo imaginário, mostrando, ainda na década de 1980, que a arte também era capaz de retratar sonhos e visões.

Já no final do século XIX era possível perceber que a tendência geral da arte, principalmente no que diz respeito à pintura, caminhava para a abstração. Mesmo Claude Monet e Paul Cézanne se deram conta da função do artista como criador de imagens, de modo que, aos poucos, eles passaram a dar maior importância à natureza da percepção. Os pintores Georges Seurat e Paul Gauguin — tidos como importantes precursores da Arte Abstrata — levaram ainda mais longe as percepções dos artistas mencionados acima, através da análise da linha, da cor, do tom e da composição, chegando à conclusão de que era possível expressar os estados emocionais, usando apenas os meios formais. Gauguin passou a usar as cores de maneira abstrata, pintando não como enxergava o objeto temático, mas como o sentia. Van Gogh também fez uso da liberdade de cor, usando sempre aquela que julgava apropriada, embora levasse em conta a representação linear do objeto pintado. Henri Matisse e seus colegas, 15 anos depois, reformularam as ideias pós-impressionistas — conhecidas hoje como Fauvismo — que via na cor o elemento mais importante.

As primeiras obras realmente abstratas surgiram em Paris e Munique em 1912. Um ou dois anos depois apareceram em Moscou, Milão, Nova Iorque, Londres e em outros lugares. A princípio grande parte da pintura abstrata era de caráter experimental, representando uma fase passageira na carreira de artistas como K. Larionoff, Fernand Léger, Robert Delaunay, Francis Picabia, Franz Marc, Giacomo Balla e Wyndham Lewis. No entanto, outros artistas abraçaram-na com força total, como mostra a obra do holandês Piet Mondrian, do russo Wassily Kandinsky, do tcheco Frank Kupka e do russo Kasimire Malevich.

Kandinsky, ao escrever um texto teórico em 1910 sobre o espiritual na arte, encontrou na abstração duas vertentes: a que dizia respeito à arte pictórica dos impressionistas e pós-impressionistas que desaguou no Fauvismo e no Cubismo e aquela trilhada pelos pintores simbolistas, responsável por levar a uma arte mais religiosa, tida como de “necessidade interior”. Para o artista russo, o caminho tomado pelos simbolistas era o mais importante, pois dizia respeito à qualidade essencial que impedia que a arte abstrata fosse desprovida de significado. Kandinsky buscava uma maneira de criar um quadro sem a presença de um objeto, mas que pudesse ser observado como algo mais, em vez de um mero desenho decorativo. Para que isso acontecesse, trabalhou em dois campos: tornou sua pintura abstrata de modo que todas as formas reconhecíveis nela presentes sumissem lentamente e deu à sua arte uma justificativa filosófica.

A música foi muito importante na busca dos artistas abstracionistas que sabiam que os compositores eram capazes de levar seus ouvintes a outras dimensões, sem fazer uso da representação direta da natureza. E se a música era capaz de ser abstrata, ordenada e emocional, a arte também poderia ser. A pintura poderia se uma espécie de música visual, pensavam eles. Kandinsky foi o maior exemplo dessa aplicação, inclusive usou a terminologia musical (composições, improvisações e impressões) para nomear muitos de seus quadros.

O movimento abstrato em razão da Segunda Guerra Mundial (1939) teve grande parte de sua atividade, que se cultivava na Europa, cessada, mudando seu centro para Nova York, na década de 1940 — sua esplêndida etapa final. Atualmente a arte tornou-se livre. O artista tanto pode se embrenhar para o campo do abstracionismo ou para aquele que tenha uma referência simbólica ou figurativa. A invenção da Arte Abstrata foi um dos eventos artísticos mais importantes de nossos tempos.

Nota: Composição VII, obra de Wassily Kandinsky (ilustração do texto)

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

4 comentaram em “NOVO ESTILO – ARTE ABSTRATA II (Aula nº 101)

  1. Adevaldo R. de Souza

    Lu

    O estilo denominado Arte Abstrata define a liberdade do artista dentro de uma representação de elementos de forma não real, utilizando cores, linhas e superfícies, expressando sua arte, valorizando sua interpretação pessoal. Os horrores da Primeira e Segunda Guerra e a Depressão Econômica de 1929 tornaram campos difíceis para os artistas representarem “realisticamente” todos os sofrimentos que a sociedade experimentou durante esses períodos. Por causa disso, eles tinham a sensação de que deveriam descobrir uma forma diversificada de novas vozes que comunicassem emoções, memórias e perspectivas.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      Realmente a Arte Abstrata desenvolveu-se num período extremamente conturbado para o artista. Você tem razão ao escrever que:

      “Por causa disso, eles tinham a sensação de que deveriam descobrir uma forma diversificada de novas vozes que comunicassem emoções, memórias e perspectivas.”

      Abraços,

      Lu

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  2. Hernando Martins

    Lu

    A Arte Abstrata é uma forma de mostrar a subjetividade da realidade, quando o artista tem a liberdade de utilizar a intuição para criar, usando sua imaginação e o espectador tem a liberdade de fazer suas analogias. É importante observar que a Arte Abstrata teve participação efetiva no período da grande depressão de 1929 e no período da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Foram períodos nebulosos, havia muito sofrimento e mortes, dificultando ao artista mostrar essa realidade deprimente da da realidade nesses períodos da historia humana. O artista consegue, através da sua enorme sensibilidade, criar obras com diversas perspectivas a fim de mostrar a realidade subjetiva, dando liberdade para o observador refletir sobre a vida e suas peculiaridades.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Os artistas desse período realmente viveram uma época muito conturbada, o que refletiu nas suas criações. Como você comentou:

      “O artista consegue, através da sua enorme sensibilidade, criar obras com diversas perspectivas a fim de mostrar a realidade subjetiva, dando liberdade para o observador refletir sobre a vida e suas peculiaridades.”

      Abraços,

      Lu

      Responder

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