Autoria do Dr. Telmo Diniz
Ambientes Poluídos
Você, que pratica sua corrida ao ar livre para se manter saudável, deve ser alertado quanto à prática de exercícios físicos em áreas mais poluídas, como por exemplo em locais onde há grande trânsito de veículos. A poluição causada pelo monóxido de carbono e pelo ozônio, associada ao calor e à umidade, leva a uma queda de performance dos corredores, além de resultar em danos precoces na mucosa que reveste todo o trato respiratório. A conclusão é de uma pesquisa apresentada recentemente no I Simpósio Brasileiro de Imunologia do Esporte, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os resultados também concluíram que a suplementação com vitaminas C e E, por seu caráter antioxidante, pode minimizar o impacto da poluição na saúde e no desempenho dos atletas.
A corrida no ambiente quente, úmido e poluído por ozônio trouxe piora no tempo dos atletas, em relação aos que fizeram o exercício nas condições ideais. Os batimentos cardíacos também aumentaram sob a influência da poluição. Além disso, exames de sangue e testes feitos na secreção nasal dos participantes mostraram dano inflamatório no revestimento do trato respiratório e marcadores de estresse oxidativo, mais conhecidos como radicais livres.
No outono e, principalmente, no inverno, a qualidade do ar fica ainda pior. O clima seco, a temperatura baixa e a pouca quantidade de ventos favorecem a formação de grandes massas de gases nocivos à saúde, como o óxido de nitrogênio, o monóxido de carbono e o ozônio. Isso sem falar nas partículas, liberadas aos montes por carros, ônibus e motos. A exposição contínua a toda essa sujeira desencadeia inflamações no organismo inteiro, além de potencializar o processo oxidativo das células, ou seja, sua degeneração. A tal oxidação está por trás do envelhecimento da pele e de todos os órgãos, inclusive quando o assunto é câncer.
O principal problema decorrente da corrida em ambientes poluídos não é o efeito agudo em um único dia, mas a repetição da prática que pode tornar o atleta mais suscetível, principalmente, a problemas respiratórios, por causa do ressecamento das vias aéreas. Os gases presentes na poluição competem com o oxigênio no sangue. Isso torna o atleta mais propenso à hipertensão, ao infarto e ao acidente vascular cerebral (AVC).
Há, inclusive, alguns estudos que levantam a possibilidade de o ozônio piorar o quadro de depósito de colesterol nas artérias, comprometendo ainda mais a saúde cardíaca. Situado na estratosfera, entre 15 e 50 km da terra, o ozônio tem papel importante como filtro da radiação solar. Mas sendo respirado na atmosfera, principalmente nas cidades poluídas, é um inimigo invisível com vários efeitos nocivos à saúde humana.
Quem tem o hábito de correr em locais onde a poluição é maior, deve pensar em mudar o local de suas atividades, como para uma academia ou mesmo em casa. Procure observar também os horários da atividade física, pois a incidência e maior concentração do ozônio são maiores em dias muito claros e como poucas nuvens. Claro, que boa parte das pessoas prefere realizar suas atividades ao ar livre, mas que este ar seja considerado livre de poluição.
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