Autoria de Lu Dias Carvalho
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A arte deu um grande passo no século XIII, quando os artistas, vez ou outra, deixavam de lado seus cadernos de modelos com o objetivo de criar algo que dissesse respeito à sua própria vontade, sem levar em conta as exigências às quais deviam obedecer e que, de certa forma, tolhia-lhes a liberdade criativa. Para a época tal iniciativa teve um grande significado para a arte, uma vez que o artista da Idade Média tinham sempre um modelo convencional que lhe servia de parâmetro.
O treinamento e a formação do artista medieval diferem muito daquilo que conhecemos hoje. O primeiro passo era tornar-se aprendiz de um mestre, a quem o aluno ajudava em seus trabalhos, de acordo com as suas orientações. Ao aprendiz cabia as partes menos importantes de uma pintura. Gradualmente ia aprendendo a representar um apóstolo, a desenhar a Virgem Maria, a copiar e a reagrupar cenas de velhos livros e a inseri-las em diversos contextos e, finalmente, quando já tinha bastante traquejo, era-lhe permitido ilustrar uma cena da qual não tinha nenhum modelo. Contudo, em sua carreira de artista ele jamais necessitaria pegar um livro de esboço e criar algo a partir da vida real. Isso estava fora de cogitação.
Ao encomendar um retrato, a pessoa já sabia que não receberia uma obra fiel, com as suas devidas características. Desenhava-se uma figura convencional, acrescentando a ela as insígnias do cargo que ocupava (coroa e cetro para o rei, mitra e báculo para o bispo, etc.). Algumas vezes escrevia-se embaixo o nome do sujeito representado, quando esse não era muito conhecido, a fim de que não houvesse equívoco quanto à sua pessoa. Será que esses artistas medievais não tinham capacidade para criar um retrato que fosse fiel à encomenda? Claro que tinham, mas não se tratava disso! Naquela época ainda não se cogitava se sentar diante de uma pessoa ou objeto e fazer uma cópia do que se via, durante horas a fio. Para tudo já havia um modelo convencional, ao qual se aplicava alguns detalhes a mais.
Como foi dito anteriormente, o artista do século XIII ocasionalmente ousava representar aquilo que lhe interessava pessoalmente, sem se ater aos ensinamentos didáticos, ou seja, sem levar em conta um modelo convencional. O retrato do elefante que ilustra este texto é um exemplo disso. Foi desenhado por Matthew Paris — monge beneditino e historiador inglês — em meados do século XIII. É claro que o animal não saiu muito bem feito, apesar de o artista demonstrar sua preocupação com suas proporções. Entre as patas do paquiderme há uma inscrição latina que diz: “Pelo tamanho do homem neste retrato podeis imaginar o tamanho do animal aqui representado”. Ainda que o elefante possa se mostrar meio desajeitado, fica claro que os artistas medievais tinham consciência de pontos como proporções, ainda que não os usassem em suas obras. Mas por que deles não faziam uso? Simplesmente não achavam necessários, ou seja, para eles tais incrementos não faziam diferença nenhuma no conjunto da obra. E assim seguia a corrente…
Exercício
Para o enriquecimento deste texto/aula os participantes deverão responder as questões abaixo e acessar o link para complementar a aula:
- Como era a formação do pintor medieval?
- Como eram criados os retratos nessa época?
- Nicola Pisano – ANUNCIAÇÃO, NATIVIDADE…
Ilustração: pintura românica medieval (data não encontrada) / 2. O Elefante de Matthew Paris, c. 1255
Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
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