Dufy – AS TRÊS SOMBRINHAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição As Três Sombrinhas é uma obra do artista francês Raoul Dufy, com claras referências ao fauvismo, movimento de curta duração, nascido em Paris, em que os artistas eram chamados de “fauves” (feras) pela impulsividade com que usavam a cor pura, sem levar em conta o volume e o contorno da pintura. Nesta fase da arte do pintor, ele e os “fauves” inspiravam-se em Vincent van Gogh, elevando ao máximo a importância da cor, enquanto simplificavam o esquema da composição.

A cena propriamente dita não tem relevância, mas sim a cor. As três grandes sombrinhas (ou guarda-sóis), nas cores vermelha, branca e uma escura com reflexos na cor de vinho, chamam a atenção para o restante da cena.

Numa paisagem alegre e cheia de luz, o artista apresenta uma cena ao ar livre, com a presença de inúmeras pessoas portando sombrinhas. No entanto, três delas, em primeiro plano, destacam-se das demais. De costas para o observador, num plano mais alto, elas olham para baixo, onde se encontram outras figuras humanas.

Na mesma ponte ou elevado, em que se encontram as três mulheres, outras duas figuras portam sombrinhas, à direita. Do lado de fora do cercado, numa rua,  duas outras carregam sombrinhas pretas. Elas se voltam em direção às mulheres na ponte. Casas e bandeiras são vistas na tela, assim como uma montanha verde ao fundo. O céu é azul. O verde e o amarelo são predominantes na composição.

Ficha técnica
Ano: 1906
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 60 x 73 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
https://kweiseye.wordpress.com/2014/08/30/raoul-dufy-1877-1953/

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Mestres da Pintura – GEORGES SEURAT

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A cor, submetida a regras certas, pode ser ensinada como se ensina música. (Seurat)

Toda novidade, para ser aceita, exige que muitos imbecis morram. Ao fazer votos para que isso aconteça o mais rápido possível, não me move um espírito de caridade, mas apenas sou prático. (Fénéon)

 As linhas traçadas de baixo para cima e da direita para a esquerda são estimulantes, dinâmicas, vivas. As de sentido contrário provocam tristeza, abatimento, mal-estar. Da mesma forma, as cores, devido aos diferentes comprimentos de suas ondas cromáticas, podem produzir sensações alegres – no caso do vermelho, alaranjado, amarelo – ou deprimentes – verde, azul, roxo. (Charles Henry)

O desenhista e pintor francês Georges Seurat (1859-1891) nasceu em Paris. Desde pequeno mostrava-se triste e solitário.  Na escola sentia-se atraído apenas pelo desenho, no resto era um aluno mediano e muito sério. Aos 19 anos de idade matriculou-se na Escola de Belas-Artes, pendendo-se para os mestres que apregoavam o realismo técnico combinado com a evocação do passado clássico. Ao deixar a escola, o artista prestou o serviço militar em Brest, voltando depois a Paris.

Ao tomar conhecimento do trabalho dos impressionistas, Seurat não aderiu a esses totalmente. Compreendeu que ali apenas encontraria o ponto de partida para criar seu próprio estilo de pintura, que deveria integrar o conhecimento científico. Interessava-lhe a dimensão científica da arte: as leis da óptica e os fenômenos de percepção, a composição química das tintas, as teorias sobre a combinação das cores, etc. Buscava uma composição refletida, não permitindo que a emotividade impedisse-o de chegar a uma forma precisa. Por isso, foi rotulado como “árido químico das cores” e “manipulador de múmias pontilhadas”.

Seurat seguiu em frente, apesar da incompreensão sofrida. Para ele, o artista não deveria ser guiado apenas pela intuição, mas também apreender as regras científicas, que o impediriam de cometer muitos erros, sendo mais do que normal aplicar os princípios da Química e da Física à arte, pois era possível criar a partir de cuidadosos cálculos matemáticos.

Ao contrário dos impressionistas, que tomavam como lema a improvisação e o lirismo, captando o momento fugaz, Seurat queria reter o movimento dos seres humanos, estancar a natureza numa composição totalmente geométrica, guiada pela exatidão científica, moldada pelo raciocínio. Ele não misturava as cores, mas punha-as junto, mantendo-as puras na tela, de modo que só pudessem fazer combinações na retina do observador.

Ao expor sua pintura Tarde de Domingo na Ilha da Grande Jatte, no segundo Salão dos Independentes, em 1886, Georges Seurat causou um grande escândalo. Os próprios impressionistas, que também contavam com a rejeição de parte da crítica e público, fizeram ácidas críticas a seu trabalho. E pintores como Degas, Manet e Renoir troçaram dele, criticando sua tentativa de unir a pintura à Ciência. Apenas Pissarro, já idoso, mostrava grande entusiasmo por sua tela. Dentre os críticos, o não ortodoxo Fénéon saiu em defesa da obra, louvando o nascimento do Pontilhismo.

Georges Seurat, que já tinha um temperamento melancólico e reservado, isolou-se mais ainda com a postura dos impressionistas e, sobretudo, com a de Gauguin, por quem nutria grande apreço. Só se sentiu mais reconfortado quando Verhaeren, poeta simbolista belga, convidou-o para expor em Bruxelas, sob a proteção de “Os Vintistas” (de: século vinte), uma sociedade de artistas de vanguarda. Também contava com o apoio de Signac e com os artigos do crítico Fénéon. Era o sinal de que suas teorias encontravam um pequeno eco em meio à intolerância de quem não aceitava o novo.

O artista, através de algumas incursões pela noite, travou conhecimento com o mundo boêmio, onde circulava Toulouse-Lautrec. Foi nesse cenário que ficou conhecendo Madeleine Knobloch, que primeiro tornou-se sua modelo e depois amante, dando-lhe dois filhos. Nessa oportunidade passou a trabalhar com o nu. Ficou também conhecendo o cientista Charles Henry, autor de “Introdução à Estética Científica”, que mostra os efeitos psicológicos ocasionados por linhas e cores no observador.

Seurat, ao colocar o motivo da pintura em plano secundário, adentrava cada vez mais na pintura figurativa, a caminho do abstracionismo. A distância entre ele e Kandinsky era cada vez mais próxima. Mas outras obras do artista foram criticadas até mesmo pelos próprios amigos. Pissarro chegou a distanciar-se do Pontilhismo. Ele ficou arrasado. A isso se juntou a descoberta, pela família, de sua união amorosa com uma mulher de proveniência duvidosa. E o mestre, Puvis Chavannes, por quem nutria grande admiração, mal olhou para sua última tela. Mas apesar do desencanto com os amigos, da crítica e dos dramas familiares, o artista não se deixou vencer pela derrota. Passou a trabalhar com mais afinco e rapidez. Parecia prever que algo ruim iria lhe acontecer.

Georges Seurat foi vitimado por um derrame cerebral, morrendo na flor da idade, antes mesmo de completar 32 anos. Levou consigo o Pontilhismo, mas seu método ganhou vida na influência exercida sobre Matisse, os “fauves” e os cubistas. Picasso viu nele um de seus antecessores e Kandinsky louvou o seu pioneirismo. Seus quadros hoje valem uma fortuna. É uma pena que não tenha vivido para ver o quão foi importante para a arte. E que ele estava certo.

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural

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Mestres da Pintura – RAOUL DUFY

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu diria que a luz é a própria alma da cor. Sem luz, a cor não vive. Minha pesquisa tem sido exatamente a de estabelecer uma ordem para a cor, a cor material de nossos tubos de tinta que a luz engendra. Sem luz, as formas não têm vida porque suas cores não as definem suficientemente. Percebemos primeiro a luz, em seguida a cor. (Raoul Dufy)

O pintor francês Raoul Dufy (1877-1953) nasceu em Havre, importante porto no norte francês. Apesar de pobre, sua família era muito unida, alegre e sensível à arte. Seu pai, gerente de uma loja de metais, era um talentoso músico. Ele alegava que as crianças precisavam ouvir música para lembrarem-se das melodias do céu. A musicalidade, herdada de sua família, mostrar-se-ia nas linhas sinuosas, vibrantes e líricas de seu trabalho. Dufy era o único filho numa família de cinco irmãs.

No jardim da casa do menino Dufy havia um pombal, sendo por isso que suas primeiras pinturas infantis trazem o desenho de pombos. Antes mesmo de completar sete anos de idade, seus desenhos já chamavam a atenção. Seu pai estimulava seu talento, presenteando-o com aquarelas. Não que o visse como um pintor, mas imaginava que a arte pudesse lhe servir de passatempo, quando os negócios não estivessem indo bem. Como excelente aluno em línguas, Dufy foi trabalhar com o amigo do pai, Luthy, um grande importador de café, em Harvre, com o objetivo de ajudar a família. Mas à noite, com a permissão do pai, frequentava a Escola de Belas-Artes, sendo aluno do professor Charles Lhuillier, que dedicava muita atenção aos alunos pobres. Naquele ambiente fez amizade com o colega Emile Othon Friesz, vindo os dois a alugarem um quartinho.

Dufy e seu colega Friesz, aos domingos, pintavam ou andavam pelas ruas da cidade em busca de cenas interessantes para pintar, chegando até o interior rochoso da Normandia. Também visitavam museus próximos, em Rouen e arredores.  Hábil no desenho, Dufy era capaz de, com poucos traços, o que viria a ser uma característica de seu estilo, captar os elementos. Mas aquela extrema facilidade não o agradava, o que o levou a amarrar a mão direita, e usar a esquerda para desenhar, tornando-se ambidestro. Ele gostava de pintar ouvindo música.

Friesz ganhou uma pequena bolsa de estudos da prefeitura de Harvre, para estudar em Paris. E três anos depois, Dufy também foi contemplado com a mesma bolsa, indo os dois companheiros morar num modesto ateliê. Na capital francesa, os dois estudantes continuaram visitando museus e galerias, sendo que essas últimas já expunham, em suas vitrines, telas impressionistas. Diante desse novo mundo de contemplação, Dufy abandonou a escola tradicional, com seu ensinamento acadêmico. Achava que tinha muito mais a aprender com os quadros de Van Gogh, Cézanne, Gauguin, Degas, etc, de que com as aulas teóricas.

Dufy tomou como referencial estético a pintura de Pissarro e Monet, mestres do Impressionismo, a obra de Giorgione, vista no Louvre, e as paisagens de Claude Lorrain. Tornou-se amigo de Maurice Delcourte e de Derthe Weill, dona de uma pequena galeria, onde vendia trabalhos de pintores talentosos ainda desconhecidos. Ela foi a responsável por promover a primeira exposição individual do artista. Inicialmente ele foi um pintor impressionista, mas, ao travar contato com as obras de Matisse, tornou-se fauvista.

Raoul Dufy veio a encantar-se com o trabalho de Matisse, sensibilizado com o milagre de imaginação que o artista introduziu no desenho e na cor. Em razão disso, passou a pintar ao ar livre. Ao seu fascínio por Matisse agregou-se o por Cézanne, que rezava que “a pintura precisa ter estrutura orgânica e, que o volume ultrapassa a impressão da cor, por mais lírica que seja”. Ele foi até Estaque, onde esteve Cézanne, e aprendeu a purificar seus meios de expressão.  Mas com as mudanças em sua pintura, Dufy passou a vender menos, com as portas das galerias fechadas para ele, tendo que viver com a escassa contribuição da família. Ele não se sentiu envergonhado com suas roupas gastas e nem com os sapatos forrados com jornal. A sua pobreza não o levou a promiscuir-se com uma arte meramente comercial. Enfrentou-a com dignidade. Passou a trabalhar com a gravura em madeira, trabalho também invendável.

O contato com o poeta Guillaume Apollinaire, que lhe pediu para ilustrar o livro “Bestiaire”, impediu que Dufy caísse na miséria. A nova técnica de ilustração, usada pelo pintor, rendeu-lhe grande sucesso. Acabou sendo convidado por um industrial de Lyon, para montar um atelier e criar desenhos para estamparias em tecidos, por uma considerável soma. Passou a trabalhar com um químico especialista em colorantes e anilinas. Foi exatamente nessa época que ele propôs a equação: cor = luz.

O pintor, vivendo numa cidade banhada pelo mar, gostava de pintar temas relativos a ele: marinhas, regatas, portos, banhistas em maiô, etc. Também pintou monumentos, corridas de cavalos, paradas militares, concertos de pequenas bandas do interior, figuras hieráticas, naturezas-mortas, cerâmicas, etc. Ilustrou livros, fez cenografia para balé e desenhos para tapeçarias, a exemplo de “O Lindo Estio” e “O Nascimento de Vênus”. A Exposição Universal de Paris, em 1937, apresentou 250 quadros do artista, num total de 600 metros quadrados, que compunham um painel dedicado à eletricidade, tendo maravilhado os visitantes e tido hoje como sua obra-prima.

Dufy participou de importantes exposições nos Estados Unidos, e ganhou o Prêmio Internacional da Pintura, em 1952, na Bienal de Veneza. Foi chamado de “o artista da alegria” ou de “pintor da vida moderna”. Mas a artrite, que passou a deformar seus dedos,  fez com que ele diminuísse sua produção. Além de pintor foi também desenhista, gravador, ilustrador de livros, desenhista cénico, um designer de móveis, e um planejador de espaços públicos. Morreu do coração aos 76 anos de idade. É lembrado como o pintor das cores alegres.

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
https://theartstack.com/artist/raoul-dufy/terrace-cafe

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Carlos Bracher – PINTURA E PAIXÃO

Autoria de Luiz Cruz

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O pintor, desenhista e gravador Carlos Bernardo Bracher nasceu em Juiz de Fora, no seio de uma família de artistas. Seus irmãos Décio, Nívea e Celina, pintores, e Paulo, músico, enquanto seu pai, o professor Waldemar Bracher, foi compositor. Desde cedo, Carlos Bracher, o caçula dos irmãos, foi despertado para a arte e começou a pintar ao entrar na adolescência. Frequentou a Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras e, na década de 1970, instalou-se em Ouro Preto, tornando-se um dos mais conhecidos artistas brasileiros, que fez da pintura sua trajetória de vida, no sentido amplo da palavra. Desde as primeiras obras de Bracher, seja retrato ou paisagem, ou ainda natureza morta, podemos perceber o nascimento de um dos artistas mais expressivos das artes plásticas brasileiras.

Antes de se instalar em Ouro Preto, ainda na década de 1960, a família Bracher realizou uma expedição artística à cidade de Tiradentes, registrando em significativas obras o conjunto arquitetônico local, com seu casario colorido, envolto por vegetação, e a Matriz de Santo Antônio dominando a paisagem, quando o lugar ainda estava submergido na completa decadência. Foi nessa ocasião que Carlos Bracher realizou sua primeira série sobre o tema paisagem, que depois de alguns anos na antiga Vila Rica, e trabalhando incansavelmente a paisagem ouropretana, passa a viajar e realizar diversas séries paisagísticas pelo Brasil afora e até pelo exterior.

A partir da passagem de Frans Post (1612-80) pelo Brasil, acompanhando a equipe de artistas do príncipe Johan Maurits de Nassau-Siege, governador do Brasil Holandês, no período de 1637-44, o país nunca mais deixou de ser percebido, através da arte. Post foi o criador da paisagem brasileira e, desde então, esse tema tem sido trabalho e com certeza é inesgotável, diante da diversidade e do olhar de cada artista à paisagem do Brasil. E Bracher é um dos mais celebres paisagistas da atualidade. Suas obras apresentam-nos uma paisagem que ao mesmo tempo em que é in situ, é também in visu, pois ele a enfrenta e se apropria dela no trabalho de campo. Domina-a e reflete com uma fúria inigualável, com seus largos pincéis carregados de tinta, que vão construindo o espaço. Cor sobre cor. Texturas sobrepondo-se, às vezes encobrindo claros, às vezes encobrindo escuros. Sempre criando um clima de mistério, que só vai ser revelado quando o espectador da obra parar, e seguir cada movimento de suas pinceladas, desde as mais densas, até os toques suaves do artista, que leva brilho e vigor para as camadas pictóricas. Cada obra é detentora de um domínio técnico, mas também de uma grande paixão pelo apreciar, fazer e revelar, pela arte.

Bracher é muito mais que paisagista, é um retratista que pinta não apenas a face das pessoas. Ele pinta o corpo e a alma dos seus retratados. É por isso que cada retrato de sua autoria deixa-nos magnetizados pela expressividade, muito além do apenas retratar. Seus autorretratos são obras que espelham seu visível e invisível, naqueles momentos em que o pinta, e, como cada momento do artista é diferente pela emoção, ambientação ou cronologia, em Bracher deparamo-nos com uma coleção de autorretratos de riqueza imensurável. Suas naturezas mortas são sempre reconstruídas a partir de objetos de seu próprio atelier. Cada uma carrega um sentido, com formas, volumes, luzes e sombras, que tornaram uma marca pessoal e identificável ao primeiro olhar.

Estamos diante de um dos artistas brasileiros mais completos e respeitados, tanto aqui quanto em outros países, por onde expôs, como a França, Itália, Rússia, Japão, China, Inglaterra, Holanda, Espanha, Portugal, Chile, Colômbia e Estados Unidos.

Até aqui tratamos mais do artista do que do homem. Bracher é uma pessoa encantadora. Figura de generosidade incomum. E não há como deixar de passar pelo Castelinho, em Juiz de Fora, onde sua família morava. Era mais do que uma residência, era um templo das artes, e cada um, ao adentrar aquele espaço, era invadido por experiência ímpar, pelos detalhes, seja nas pinturas, esculturas, objetos, fotografias, livros, ou pela solução arquitetônica, pela paisagem deslumbrante que se descortinava, ou ainda pela música do piano. E a recepção calorosa dos Bracher, especialmente a dedicação de Nívea, que sempre foi uma artista de primeira linha. Em sua casa em Ouro Preto, onde vive com a pintora Fani Bracher, sua esposa, junto à Casa da Opera e à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Bracher integrou-se de tal forma à localidade, que nos associamos por demais sua imagem com a imagem da própria cidade. O homem, não é apenas o homem, ele é também parte do ambiente em que nasce, cresce e vive, com toda gama de minúcias, inclusive a paisagem, na qual está inserido. Por isso, nessa mostra imperdível, que ora se realiza, podemos apreciar um pouco dos ambientes reconstruídos, em que Bracher cresceu: a sala do Castelinho e o atelier, onde cria suas obras.

Nota: fotos do autor, aspectos da exposição.

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Bosch – CRISTO INSULTADO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Cristo Insultado, também conhecida como Cristo Coroado de Espinhos, é uma obra do holandês Hieronymus Bosch, pintor extremamente religioso, tendo sido responsável por inúmeras obras sobre a Paixão de Cristo, que inspiraram outros artistas.

Este painel é um dos trabalhos mais extraordinários de Bosch, em que as cinco figuras presentes são postadas em diagonais, sendo que o ponto de encontro das linhas dá-se na figura de Cristo, repassando a impressão de que ele se encontra pressionado em meio a seus carrascos. Seu olhar foge do de seus algozes e pousa no observador, como se dissesse: “Veja o que estão fazendo comigo!”.

Como já é característico da obra do artista, as quatro figuras em volta de Jesus Cristo, seus torturadores, apresentam rostos grotescos e caricaturais, em que estão presentes os sentimentos de  desdém, ódio, demência e crueldade, num triste paradoxo com o rosto de Jesus, que demonstra  resignação e dor.

O homem de verde, em cujo rosto  está expressa grande crueldade, coloca a coroa de espinho sobre a cabeça de Jesus. O que se encontra às suas costas usa uma coleira de cachorro bravo, como a indicar sua ferocidade. No pano vermelho, que cobre a cabeça do homem no canto inferior esquerdo, são vistas uma lua crescente do Islã e a estrela amarela dos judeus, que o caracterizam como um inimigo do cristianismo.

Ficha técnica
Ano: c. 1480
Técnica: óleo sobre painel de carvalho
Dimensões: 73,7 x 59 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.nationalgallery.org.uk/paintings/hieronymus-bosch-christ-mocked-the-crowning-with-thorns

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Mondrian – MACIEIRA EM FLOR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Macieira em Flor é uma obra do artista holandês Piet Mondrian. Com esta pintura ele dá um grande passo em relação ao abstracionismo de seu trabalho, afastando-se cada vez mais do objeto realista, adentrando no estilo cubista.

Mondrian, ao contrário das obras “A Árvore Vermelha” e “A Árvore Prateada”, em Macieira em Flor, através de indicações tênues das formas vegetais da árvore, assim como de uma vaga recordação da cor dos pomos e das folhas (verde, ocre, cinza e levíssimos tons rosáceos) é que ele indica o objeto em evidência. O artista reduziu a paleta de cores em benefício das linhas.

O pintor elimina a função descritiva da linguagem pictórica. Mas apesar de toda a abstração que Mondrian consegue em seu trabalho, restando apenas aquilo que ele considera essencial, sua obra denota grande suavidade e lirismo, relativos a uma macieira em floração. Isso porque o pintor trabalhava a partir de uma impressão da natureza, apenas adaptando-a à sua busca para a “abstração pura”.

Apesar da tendência da pintura do artista para a abstração, sua obra possui grande delicadeza lírica, ao associar-se a uma árvore de maçã em florescência. Por essa razão, não devemos nos esquecer de que Mondrian, nesse período, embora fortemente inclinado à abstração, continuou a trabalhar a partir de uma impressão da natureza, traduzindo-a em sua rigorosa, mas ainda figurativa linguagem.

Ficha técnica
Ano: 1912
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 78 x 106 cm
Localização: Gemeentemuseum, Haia, Holanda

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
http://www.piet-mondrian.org/the-flowering-apple-tree.jsp

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