Cézanne – AS GRANDES BANHISTAS (III)

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pintor francês Paul Cézanne pintou uma série de banhistas, na última década de sua vida. Para ele, os corpos nus de seus banhistas eram parte da paisagem, vistos como elementos naturais que a ela se integravam. O tema era usado pelo artista com a finalidade de fazer estudos sobre a ordenação das figuras no espaço e sua composição cromática, o que era muito comum na história da arte. Esta pintura é a menor e a mais simplificada da série.

A Cézanne não importava a beleza dos corpos, mas sua unidade e interação com a paisagem. Além da diferença em relação às outras duas pinturas, relativas ao tamanho e à cor, o artista também fez modificações quanto às figuras humanas, que aqui se mostram mais compactas e simplificadas, tendo o artista reduzido-as ao essencial.

As figuras humanas encontram-se em meio a um cenário natural, agregadas pela cor forte, onde predomina o azul, e uma luz intensa. Natureza e pessoas formam um todo indivisível.

Ficha técnica
Ano: 1894-1905
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 127 x 196 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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MÉXICO – A VIRGEM DE GUADALUPE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Você não pode ser considerado um verdadeiro mexicano se não acredita na Virgem de Guadalupe. (Carlos Fuentes – romancista)

 A Virgem é o consolo dos pobres, fracos e oprimidos. Em suma, é a Mãe dos órfãos. Todos os homens nascemos deserdados e nossa condição verdadeira é de orfandade, mas isso é particurlarmente verdadeiro para os pobres do México. (Octavio Paz – escritor)

Ao forte nacionalismo do povo mexicano alia-se a fé católica, que pode ser sentida nos mais diferentes pontos do país, quer seja numa rua ou esquina, numa casa humilde ou numa mansão. Nenhuma festa é mais importante do que a comemoração do dia da padroeira do povo mexicano – Nossa Senhora de Guadalupe, realizada no dia 12 de dezembro, quando milhões de romeiros convergem-se dos mais diferentes locais do país para a Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, onde se encontram “o manto sagrado da Virgem de Guadalupe” e a imagem da Virgem nele impresso.

As procissões, que antecedem o dia da padroeira, são um espetáculo, onde se misturam imagens da Virgem, seus retratos em diferentes formatos, cores e dimensões, assim como esculturas de Jesus Cristo e santos, estandartes, bandeiras, faixas, velas, flores e… Muita fé! Grupos de quatro homens carregam altares iluminados que, à distância, criam um clima de magia, parecendo que flutuam no ar. Muitas pessoas vêm em romaria, partindo de suas cidades, caminhando muitos quilômetros, até à Basílica de Guadalupe. Em meio a essa gente fervorosa encontram-se bebês e idosos em cadeiras de roda improvisadas. Cânticos, ladainhas e rezas são entoados pelos devotos no percurso da longa romaria. Essa festa chega a ser mais importante do que o próprio Natal.

A Virgem de Guadalupe encontra-se presente no dia a dia do povo mexicano. Sua fotografia encontra-se, inclusive, nas carteiras e bolsas de homens e mulheres. Não se pode dar um passo sem ela. Outra prova do amor dos mexicanos à Virgem está no número de peregrinos que visitam a Basílica de Guadalupe todos os anos (mais de dois milhões), onde há espaço para 10 mil pessoas, mas abriga até 40 mil, todos unidos na fé.

Segundo a lenda, a Virgem de Guadalupe apareceu pela primeira vez em 12 de dezembro de 1531, a Juan Diego, um modesto indígena. Ela lhe pediu que naquele local fosse erguida uma igreja. O agraciado com tal visita levou seu pedido ao frei Juan de Zumárraga, arcebispo da Cidade do México à época. Como São Tomé, esse pediu ao índio que voltasse ao local e pedisse à Virgem algum sinal de sua identidade divina. Ela então ordenou a Juan Diego que colhesse rosas de Catilha, no monte Tepyac. Ao entregar as flores ao arcebispo, esse viu a imagem da Virgem gravada nessas.

A Virgem de Guadalupe, com sua pele morena, semelhante à dos indígenas, é um símbolo da miscigenação racial, cultural e religiosa do povo mexicano. Ela ocupa, no coração dos nativos, o lugar que antes foi dedicado a Tonantzin, deusa da fertilidade, cujo templo foi destruído pelos espanhóis, entre 1519 e 1521.  Alguns peregrinos índios chamam a Virgem com o nome de Guadalupe-Tonantzin.

Fonte de pesquisa
Mexicanos/ Editora Contexto

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Modesto Brocos – RENDENÇÃO DE CÃ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Nem só de gênios é feita a história da arte. Frequentemente, uma obra de pouca originalidade detém uma grande importância – não por ser especial, diferente, revolucionária, mas, ao contrário, por ser mediana e representativa do senso comum. (Rafael Cardoso)

A composição A Rendenção de Cã é uma obra do pintor galego, mas naturalizado brasileiro, Modesto Brocos. Foi vencedora da medalha de ouro na Exposição Geral de 1895. Outra prova de sua importância foi o fato de ser adquirida pela Escola Nacional de Belas-Artes (ENBA). Também foi mostrada no I Congresso Internacional das Raças, em Londres, em 1911, a fim de fazer parte de um trabalho em que se apregoava a hipotética branqueação da gente brasileira. Mas, como deixa claro o historiador da arte Rafael Cardoso, embora tecnicamente bem feita para os padrões da época, trata-se de uma obra convencional, principalmente se comparada ao trabalho de alguns pintores da mesma geração de Modesto Barroco.

A tela apresenta três adultos e um bebê. A mulher com o filhinho no colo, assentada num banco de madeira, é a figura central. Traz os cabelos escuros presos em forma de coque, e usa roupas condizentes com a época. Ela olha a criança e ao mesmo tempo, com o dedo indicador da mão direita,  mostra uma senhora idosa e negra, ao lado, gesto que também contribui para unir as figuras da tela, formando um só grupo composicional.

O bebê no colo, usando uma camisolinha branca, posicionado de frente para a senhora idosa, também a observa. Traz na mãozinha esquerda uma fruta e com a direita imita o gesto da mãe, reforçando o grupo composicional. Sua cabecinha encontra-se alinhada com o umbral da porta. Ao se traçar duas diagonais, formando um X, percebe-se que a cabeça da criança encontra-se no meio da composição.

Ainda segundo Rafael Cardoso, o circuito de continuidade que se estabelece “partindo do olhar do neném, passando pela cabeça da mãe e terminando no rosto da senhora idosa”, além de deixar visível a presença de três gerações, leva a imaginar que a senhora seja a avó da criança, embora haja entre elas um grande diferenciamento de cor.

A senhora negra encontra-se de pé, à direita da mãe com seu bebê, descalça, usando uma pesada vestimenta e um lenço branco com desenhos, a cobrir-lhe os cabelos. Traz os olhos e as mãos voltados para o alto, em posição de prece, como se estivesse a pedir ou a agradecer por algum benefício recebido, ou até mesmo pedindo bênção para a criança. As folhas da palmeira, atrás dela, acompanham o ascender de suas mãos, e o amarelo desbotado da parede reforça sua negritude.

O homem encontra-se assentados na soleira de madeira da porta, encostado no umbral, que separa a parte clara da composição da escura. Supõe-se que seja o pai, sobretudo pela proximidade entre ele e a mulher com a criança. Com a cabeça voltada para a direita, ele olha o bebê com satisfação e ternura.  A cabeça da criança, alinhada com o umbral, mostra que ela pertence às duas partes. Ouso imaginar, portanto, que ela representa a miscigenação advinda da cor mulata da mãe com a cor branca do pai.

Atrás do grupo vê-se um biango feito de taipa, com o reboco caído em algumas partes. Parte do terreiro, na entrada da casa, é coberto por pedras. No vão escuro, que reforça a brancura da pele do homem, estão algumas roupas dependuradas. O quadro é visto como revolucionário para a sua época, quando a presença de um negro, raça até então considerada inferior, só  era vista no trabalho servil, numa obra de arte.

Nota:
Ao tomar como elemento de narrativa apenas a cena puramente visual, é possível fazer várias leituras da mesma. Portanto,  não significa que a linha de parentesco aqui desenvolvida seja a única leitura. Porém, aqui, o título da obra tem grande peso sobre o modo como foi interpretada. (Ver Gênesis: 9,19).

Ficha técnica
Ano: 1895
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 199 x 166 cm
Localização: Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de Pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso

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Chagall – O ANIVERSÁRIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Aniversário  é uma obra do pintor russo Marc Chagall, em homenagem a sua amada esposa Bela Rosenfeld.

Na pintura, o artista e sua mulher ocupam a parte central da tela. Encontram-se no quarto. Enquanto Bela tem as pontas dos pés no chão, prestes a alçar voo, ele levita em seu derredor. Ela segura um buquê de flores com as duas mãoes, e levanta a cabeça para receber o beijo do esposo, que se contorce numa invejável posição.

O mobiliário do ambiente é minuciosamente decorado.  Uma mesa com toalha azul florida encontra-se próxima à janela, à frente do casal apaixonado. Uma banqueta com forro preto está ao lado. Sobre a mesa é possível identificar uma pequena bolsa e o vaso para colocar as flores. Parte de um delicado divã aparece atrás do par. Dois tapetes coloridos e maravilhosamente trabalhados enfeitam a parede. Através dos vidros da janela é possível ver o ambiente lá fora.

A ausência da gravidade, em relação aos dois amantes voadores, é uma metáfora, aludindo ao imenso amor do casal, capaz de elevá-los às alturas, de deixá-los no ar, como se vivessem num mundo irreal.

Ficha técnica
Ano: 1915
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 80,5 x 99,5 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA

Fonte de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen

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Goya – O HOMEM ENFEITIÇADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Homem Enfeitiçado, também conhecida como O Homem Enfeitiçado à Força, é uma obra do artista espanhol Francisco José de Goya, um dos grandes nomes da pintura espanhola. Faz parte de uma série de seis pinturas sobre bruxaria, que ele pintou para a Alameda do Duque de Osuna. O pintor, em muitas de suas telas, revelou a ignorância, a superstição e o medo que afligia o homem de sua época.

Goya retrata aqui uma cena da comédia “El Hechizado por Fuerza”, obra do dramaturgo Antonio de Zamora, retirada do segundo ato da peça. O medroso Don Claudio, o protagonista, é lavado a pensar que se encontra enfeitiçado e, portanto, é necessário que mantenha uma lâmpada a óleo acesa, pois, se ela apagar, ele morrerá. Na inscrição, postada na parte inferior direita da pintura, é vista parte das palavras “Lampada Descomunal” (Lâmpada Extraordinária)

O artista representa na sua pintura a parte da encenação teatral em que os burros dançam, como pano de fundo. Na pintura, três enormes burros são reproduzidos na parede, como se estivessem dançando. Em primeiro plano estão o bode e o homem.

 O bode esverdeado, de pé na extrema esquerda da tela, apenas com metade do corpo visível, representando o diabo, apresenta uma lamparina vermelha ao homem, para que ele ponha óleo, a fim de mantê-la acesa. A figura de preto mostra-se tremendamente assustada, com os olhos salientes e com a mão esquerda sobre a boca, enquanto enche a lamparina.

 Ficha técnica
Ano: c. 1798
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 42,5 x 30,5 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/g/goya/4/414goya.html

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Chagall – O POETA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Chagall é um gênio dividido como um pêssego. (Cendrars).

Eu, pessoalmente, não creio que tendências científicas possam ser úteis à arte. O Impressionismo e o Cubismo são estranhos para mim. A arte parece-me ser, sobretudo, um estado anímico. (Chagall)

A composição O Poeta  é uma obra do pintor russo Marc Chagall, feita quando o artista encontrava-se em Paris. A sua queda pela poesia levou o poeta suíço Blaise Cendrars a compará-lo a um pêssego.

O poeta de sua pintura está vestido com roupa azul, e encontra-se sozinho, sentado a uma mesa. Sua cabeça é verde. Na mão esquerda erguida segura uma xícara de café, enquanto a direita descansa em seu colo, segurando um lápis, próximo a um caderno de anotações, que jaz sobre a coxa esquerda.

Na mesa vermelha retangular está uma garrafa de aguardente, que parece tombar em direção ao braço esquerdo do homem, cujo cotovelo descansa na mesa. Outros objetos, como um copo e um garfo, e o que parece ser uma faca, entre uma laranja e uma maçã, ali também se encontram. E no chão, atrás da figura humana, está um pequeno animal que tanto pode ser um gato ou um cãozinho.

A cabeça verde invertida e separada do corpo indica que o poeta encontra-se num momento poético inspirativo, ou seja, alheio à realidade que o rodeia. A cabeça também simboliza o espírito que divaga. O entrelaçamento de linhas tem por finalidade prender o corpo do poeta, enquanto liberta sua cabeça, onde se encontra a fonte de inspiração. Portanto, a estrutura geométrica da composição trata-se apenas de uma metáfora.

Ficha técnica
Ano: 1911
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 196 x 145 cm
Localização: Museu de Arte da Filadélfia, Filadélfia, USA

Fontes de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen

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