Pintores Brasileiros – MODESTO BROCOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

mobroc

O pintor, desenhista e gravador Modesto Brocos Y Gómez (1852-1936) nasceu em Santiago de Compostela, na Espanha. Seu primeiro professor foi o afamado escultor Isidoro Brocos y Gomez, seu irmão. Veio para a América do Sul, aos 18 anos, ficando dois anos na Argentina. Veio a seguir para o Brasil, onde permaneceu alguns anos. Aqui trabalhou como ilustrador do semanário “O Mequetrefe”. Foi responsável por introduzir em nosso país a técnica da xilogravura.

No Brasil, Modesto Brocos também não demorou muito, ficando apenas dois anos, e rumou para a França. Em Paris foi estudar na Escola de Belas Artes, onde teve o alemão Henri Lehmann como professor, mas não se adaptou ao tipo de ensino. Inquieto, logo partiu para Madri, voltando para Paris e de lá indo para Roma. Na capital italiana, onde estudou durante cinco anos, encontrou o mestre espanhol Pradilla, que veio a tornar-se seu protetor. Compôs grandes obras, nos mais diferenes gêneros, sendo um assíduo frequentador do Salão parisiense.

Modesto Brocos recebeu o convite de Rodolfo Bernardelli, à época diretor da Escola Nacional de Belas-Artes, para trabalhar no Rio de Janeiro. Logo após naturalizar-se brasileiro, recebeu a nomeação para professor na referida escola, onde lecionou até sua morte. Entre seus alunos encontravam-se Quirino Campofiorito, Reis Júnior e Sigaud. Também escreveu livros sobre o ensino artístico: “A Questão do Ensino das Belas Artes” e “Retórica dos Pintores”. Pintou inúmeros quadros com a temática brasileira, sobretudo a rural, como podemos ver em “Descascar Goiabas”, “A Peneirar Café” e a “A Rendenção de Cã”.

Fontes de Pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso
https://www.escritoriodearte.com/artista/modesto-brocos/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Modesto_Brocos

Views: 10

Chagall – DEDICADO À MINHA NOIVA

Autoria de Lu Dias Carvalho

damino

A composição Dedicado à Minha Noiva é uma obra do pintor russo Marc Chagall, que a dedica a Bela Rosenfeld, sua futura esposa. A obra mostra a maturidade poética e estilística do pintor que, embora muito novo, estava à época com 24 anos de idade, já tinha um talento pleno. A pintura é um misto de sexualidade, agressividade e lirismo. É uma celebração das forças da natureza, exaltada em tons fortes.

O quadro mostra uma mulher escanchada em torno dos ombros de um homem, que se encontra no centro da composição. Ela cospe na cara de seu companheiro. Ele, por sua vez, tem a aparência de um touro. Usa a mão esquerda para apoiar a própria cabeça e a direita para segurar a perna da mulher. Apesar da visível cusparada, mostra-se calmo, sem nenhum instinto de defesa. O corpo da audaz dama ao circular o homem,  parte da direita para a esquerda, jogando as pernas sobre o corpo masculino, e trazendo a cabeça bem próxima a seu rosto, num contorcionismo de fazer inveja.

Em seu conteúdo simbólico, homem e animal tornam-se uno. Com sua atitude violenta, a mulher demonstra o seu poder sobre o homem, que desse não consegue se livrar, como demonstra seu comportamento passivo. E eu me pergunto se a simbologia presente na obra também não demonstra que, apesar da forte natureza animal presente no homem, a mulher não acaba sempre por domá-lo?

Esta obra de Chagall provocou muita polêmica por parte da crítica, sendo considerada pornográfica. O que lhe dava esse caráter insinuante era o fato de os motivos encontrarem-se em volta do centro, em vez de serem postados em uma direção definida.

Ficha técnica
Ano: 1911
Técnica: guache, óleo e aquarela sobre papel
Dimensões: 61 x 44,5 cm
Localização: Museu de Arte da Filadélfia, USA

Fontes de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

Views: 11

Alessandro Magnasco – MONGES EM UMA PAISAGEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

meupa

A composição Monges em uma Paisagem, também conhecida como Monges em Oração ou Três Monges Camaldolite na Oração, é em uma obra do pintor italiano Alessandro Magnasco (1667-1749), que iniciou seus estudos com seu pai, o pintor Stefano Magnasco. Foi também alundo de Valerio Castello e Filippo Abiatti. Trabalhou para o grão-duque Fernando de Medici e para as famílias Borromeo e Visconti, entre outras.

O artista gostava de pintar, sobretudo, paisagens com cenas da vida de monges, freiras, ciganas, feiticeiras, pedintes e vagabundos. Em suas paisagens fantásticas, castigadas pelas intempéries, ele dispõe suas figuras longilíneas e dramáticas, através de uma pintura enérgica e de um jogo de luz responsável por produzir efeitos sombrios.

Em seu quadro acima, o artista apresenta três monges da ordem Camaldolite, em oração, numa paisagem imaginária, usando uma técnica vibrante. As três figuras humanas encontram-se em uma caverna rochosa, sendo possível ver o céu carregado através das aberturas entre os rochedos.

O primeiro monge, à esquerda, encontra-se ajoelhado, aparentemente em êxtase, com os braços abertos e o rosto voltado para cima. O do meio, também ajoelhado, traz a mão direita no peito, enquanto se escora na rocha com a esquerda. Seu rosto está direcionado para baixo. O terceiro monge, à direita, está sentado, escorado nas rochas, com a cabeça apoiada nos braços, encoberta por esses. Sobre o altar, feito na rocha, encontram-se um livro de orações, aberto, e um enorme crucifixo.

Em sua composição, o artista exprime dramaticidade através de suas figuras cheias de expressividade, tanto pela pose de oração quanto pela paisagem que as circunda, debaixo de um céu tempestuoso.

Ficha técnica
Ano: c. 1720 a 1730
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões:54,5 x 39 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 7

OS SACRIFÍCIOS NO IMP. ROMANO

Autoria de Lu Dias Carvalho

osanor

O ponto chave do culto pagão era o sacrifício de animais que, depois de imolados, eram cozidos no altar do templo. Isso pode nos causar surpresa hoje, mas, naqueles tempos, os grandes templos eram dotados de cozinhas e de cozinheiros. Sempre que o fiel ia fazer um sacrifício a um de seus deuses, ele contava com tais serviços. E aos presentes à solenidade sacrificial cabia a honra de comer a carne da inocente vítima, enquanto aos deuses era ofertada a fumaça do cozimento. Depois de saciados, os comensais deixavam os restos sobre o altar, para que os mendigos também desfrutassem do sacrifício, ainda que, muitas vezes, lambessem apenas os ossos. E aos veneráveis sacerdotes, como forma de pagamento, era dada uma parte do corpo do animal sacrificado. Esses, por sua vez, vendiam a carne aos açougueiros, obtendo uma remuneração para o templo.

Os sacrifícios aos deuses eram também feitos nas casas ricas. Na maioria das vezes era impossível estabelecer os limites entre “comer o animal imolado” ou “imolar aos deuses um animal que se desejava comer”. É de supor-se que a segunda premissa fosse a mais rotineira, uma vez que o ato de comer desmedidamente era próprio daquela civilização, para quem o banquete tinha a mesma importância que a vida nos salões do século XVIII. Tanto é que a casa do rico, onde se fazia muitos sacrifícios aos deuses, era tida como um lugar “onde se come bem”, e seu dono tido como um “grande anfitrião”. Os amigos eram sempre convidados a participar do sacrifício, que terminava em festiva comilança. Por isso, receber um convite para um sacrifício era uma honra desmedida.

No primeiro dia de cada mês, os romanos ricos faziam oferendas aos “gênios protetores” da casa, sacrificando-lhes um leitão. O pai de família também tinha o seu “gênio protetor”, que funcionava como se fosse o lado divino da pessoa, parecido com o que se chama hoje de “anjo da guarda”. Mas a esse não se pedia proteção, dizia-se apenas: “Que meu gênio me proteja!”, ou, quando se queria jurar por algo sagrado, o ajuramentado proclamava: “Juro por teu gênio protetor que…!”. Tal divindade era prestigiada no dia do aniversário de seu dublê. E lá vinham mais sacrifícios e banquetes.

Em meio a tantas ofertas solenes às divindades, como é que ficava a gentalha? Seria ela banida da consideração dos deuses? Claro que não! Cada um só pode dar o que tem. Em assim sendo, os pobres também faziam seus sacrifícios, nem que fosse ofertando uma ave doméstica ou um bolo de trigo, pois eram imensamente mais precisados da benquerença dos seres divinos do que os endinheirados.  O animalzinho era conduzido ao templo, sacrificado, mas levado para ser comido em casa. Os pouco favorecidos não tinham como deixar o resto do sacrifício, ou pagar o sacerdote com um naco dele. A oferenda também podia ser feita num altar doméstico, saindo muito mais em conta para o ofertante.

Os deuses também eram convidados para as refeições, a fim de santificá-las. As estatuetas eram retiradas de seus nichos e postadas na sala de refeições, ao lado dos comensais. Diante dos estatuados eram colocados saborosos pratos, enquanto as pessoas comiam ao lado. Mas quem realmente se comprazia com tal santificação eram os escravos, pois os deuses nem “tocavam” na comida, contentando-se apenas com o cheiro, cabendo aos servos, após o término do jantar, comer os alimentos “deixados” pelas cultuadas divindades.  A festança era tão boa, que o filósofo e poeta romano Horácio Flaco deixou escrito:

 “Ó noites, ó jantares de deuses em que meus amigos e eu comemos diante do gênio da casa e alimento com pratos consagrados meus escravos incitados à alegria”.

Nota: A ilustração mostra um touro, um carneiro e um porco sendo levados para o altar do sacrifício, na primeira metade do século I. (Museu Louvre, Paris, França)

Fonte de pesquisa
História da Vida Privada I / Comp. das Letras

Views: 12

Chagall – O PINTOR: À LUA

Autoria de Lu Dias Carvalho

opal

Com Chagall, e apenas com ele, é que a metáfora consegue a sua entrada triunfal na pintura. (André Breton)

A composição O Pintor: à Lua  é uma obra do pintor russo Marc Chagall, na qual fica patente a conjugação que o artista fazia da pintura com a poesia.

O pintor, que ocupa quase toda a tela, traz na mão esquerda a paleta de tintas, enquanto a direita toca a boca, mostrando-se embevecido com a presença da lua, que pode ser evocada através das formas esféricas presentes no fundo da composição.

O poeta-pintor ou o pintor-poeta deixa-se levar pelos seus devaneios na busca de um motivo para sua tela. Ele paira acima do mundo real, representado pela cidade abaixo, em busca de sua lua imaginária, que usa como seu abrigo poético. A gravidade não pode contê-lo, pois não pode atingir a imaginação, moradia dos sonhos.

E se ainda restam dúvidam de que se trata de um pintor-poeta, basta observar a coroa de folhas de louro circundando sua cabeça, símbolo antigo que notabilizava os poetas. A paleta e o pintor. A coroa de louros e o poeta. A paleta, a coroa de louros e o pintor-poeta. Ou o correto seria chamá-lo de poeta-pintor?

Ficha técnica
Ano: 1917
Técnica: guache e aquarela sobre papel
Dimensões: 32 x 30 cm
Localização: Coleção Marcus Diener, Basileia, Suíça

Fonte de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen

Views: 14

Gabriël Metsu – A CRIANÇA DOENTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

acrido

A composição A Criança Doente é uma obra do pintor holandês Gabriël Metsu (1629-1667), que foi aluno de Gerard Dou. Recebeu influências dos pintores Nicolaus Knüpfer, Leiden Jan Stein e  Rembrandt. É reconhecido como um dos fundadores da Guilda de São Lucas, em Leiden. O artista dedicou-se a pinturas históricas, retratos e  pinturas de gênero, mostrando nas de gênero influências dos pintores Gerard Dou, Ferard Terboch, Pieter de Hooch e Jan Vermeer. O artista era muito sensível em relação à cor e muito habilidoso nos pormenores de suas obras.

O quadro acima é um dos mais célebres e conhecidos trabalhos de Gabriël Metsu, e faz parte de seu período tardio. Possui cores vibrantes e fundo claro. Segundo os críticos de arte, ele se aproxima das obras de Johannes Vermeer, tanto na composição como em sensibilidade.

Mãe e filho encontram-se em primeiro plano, ladeados por alguns objetos, que têm por finalidade demarcar o espaço. Na parede, ao fundo, estão dependurados um quadro, com uma enorme moldura preta, retratando a crucificação de Jesus, e um mapa, cujo objetivo e trazer a atenção do observador para o primeiro plano.

A mulher traz o filho doente no colo. Sua cabeça está inclinada para frente, conforme mostra o brinco que lhe toca a camisa branca. Observa com desvelo sua criança, que se  mostra muito apática, e cujos  olhos parecem fitar o observador. O escorço do rosto da mãe tem por objetivo impedir que se desvie a atenção da figura principal da cena, que é a criança doente.

À esquerda de mãe e filho está uma cadeira de espaldar alto, sobre o qual se encontra um tecido, havendo no assento uma espécie de touca. À direita, sobre um banquinho de madeira, está um caneco de cerâmica com uma colher dentro. Provavelmente trata-se de alimento ou remédio para a criança.

Esta pintura de Gabriël Metsu mostra a dedicação de uma mãe ao filho, lembrando o tema tradicional sobre a Madona e seu Menino Jesus. O rosto pálido da criança, seu corpinho frágil e seus membros inferiores despidos também recordam a Pietá, ou seja, a Virgem Maria com Jesus crucificado no colo. A pintura na parede alude ao tema.

Obs.: Na época em que este quadro foi pintado, a praga alastrava-se por Amsterdam, na Holanda. Pode ser que a criança estivesse vitimada pela doença.

Ficha técnica
Ano: entre 1660 e 1665
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 32,5 x 27,2 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://www.nga.gov/exhibitions/2011/metsu/metsu_brochure.pdf

Views: 25