Rivera – A VENDEDORA DE FLORES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Vendedora de Flores é uma obra do pintor mexicano Diego Rivera, tida como um dos seus mais belos trabalhos, em que dignifica, não apenas os vendedores de flores, mas todas as pessoas pobres e dignas, que vendem comidas e artesanatos na Paseo de la Reforma, no centro da cidade do México. É um hino de louvor às pessoas humildes e decentes, lutando pela árdua sobrevivência.

Em sua pintura, Rivera mostra uma jovem abraçada a um monte de copos-de-leite brancos com espádice da cor amarela. Estas flores são também conhecidas como lírios-do-nilo. O feixe, bem maior do que moça,  é parecido com uma montanha branca, que ocupa a maior parte da tela de fundo escuro.

A jovem ajoelhada, aparentemente de origem índigena, de costas para o observador, usa longas tranças enfeitadas com fita rosa, a partir da base da cabeça, que lhe caem pelas costas. As suas tranças unem-se nas pontas. Um poncho azul cobre-lhe as costas. Seus pés descalços unem-se numa difícil posição. A pintura mostra uma profunda inteiração entre ser humano e natureza. O artista fez inúmeras pinturas usando a mesma temática.

Ficha técnica
Ano: 1920
Técnica: óleo sobre masonite
Dimensões: 121 x 121 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
http://www.diegorivera.org/flowerseller1942.jsp

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Klee – BUSTO DE UMA CRIANÇA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Por enquanto, tenho uma sensação estranha no estômago […] mas por que é que eu não leio só os nossos jornais. […] Mas que podemos nós entender de tudo isto? (Paul Klee)

A composição Busto de Uma Criança é obra do pintor suíço Paul Klee, pintado no mesmo ano, mas antes de seu autorretrato “Eliminado da Lista”, quando foi perseguido. Klee já prenunciava os horrores que adviriam da ditadura de Hitler, nomeado chanceler do Reich (Janeiro/1933), no mesmo ano da feitura deste quadro.

Um garotinho aparece diante de um fundo escuro. Sua cabeça redonda e ombros, centralizados no quadro, tomam conta de quase todo o espaço da tela. Finas e trêmulas linhas vermelhas permeiam sua cabeça, duas delas, verticais, atingem os ombros. Seus olhos azuis são diminutos, se comparados ao tamanho da cabeça. Duas pequenas linhas pretas horizontais desenham a boca.

O olhar do menino fita com intensidade o observador, deixando passar uma aflitiva indagação, como se quisesse ser compreendido. A linha vermelha maior, vertical, inicia-se na testa, passa pela boca e vai até o ombro, dividindo o rosto em duas partes. Embora a cabeça esteja de frente para o observador, o corpo parece encontrar-se de perfil, com uma mão levantada.

À primeira vista têm-se a impressão de que qualquer criança é capaz de fazer uma obra como esta, com suas características rudimentares. Contudo, isto não passa de um mero engano, pois a composição e a paleta de cores são extremamente refinadas, situadas bem distantes das habilidades de uma criança. Isto sem levar em conta a intensidade psicológica e enigmática do retrato, que ainda assim se parece com uma obra infantil.

Ficha técnica
Ano: 1933
Técnica: aquarela sobre algodão sobre contraplacado
Dimensões: 31,5 x 24 cm
Localização: Kunstmuseum Bern, Berna, Suíça

Fontes de pesquisa
Paul Klee/ Taschen

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Picasso – MULHER CHORANDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Seus temas foram seus amores. ( Henri Kahnweiler)

 Para mim, ela é a mulher chorando. Por anos eu a pintei em torturadas formas, não através de sadismo, e não com prazer. Apenas obedecendo a uma visão que se forçou em mim. Era a realidade profunda, não o superficial. (Picasso)

Dora, para mim, sempre foi uma mulher chorando. […] E é importante, porque as mulheres são máquinas que sofrem. (Picasso)

A composição Mulher Chorando é uma obra do pintor espanhol Pablo Picasso, que tinha por hábito pintar suas mulheres. No transcorrer de seu relacionamento com Dora Maar, Picasso pintou-a de várias maneiras, sendo algumas realistas, outras alegres, outras sofridas ou ameaçadoras. Revisando sua obra, fica claro que sua vida particular, ou seja, seus amores, sempre influenciaram na evolução de sua pintura.

O quadro acima é um retrato de Dora Maar, sua quinta mulher. Foi pintado no mesmo ano de sua obra mais famosa: “Guernica”. Menos de dois anos depois eclodiria a Segunda Guerra Mundial. Além de espelhar a angústia coletiva que já se fazia presente naquela época, também refletia as agruras que haviam acontecido em sua pátria, na lembrança cruciante da Guerra Civil Espanhola. Em suma, esta obra retrata o sofrimento de uma época, como o visto nos olhos da mulher retratada, a Mãe Dolorosa.

É sabido que os amores do artista exerciam grande influência em sua arte,  sendo a inconstância uma constante em sua vida. Portanto, Mulher Chorando também traduzia  a convivência complexa e sofrida que ele tinha com Dora Maar, uma fotógrafa e intelectual de esquerda, de origem croata, que se transformou em sua nova amante, e passou a ser a sua modelo preferida. O temperamento sensível dessa mulher estava sendo destroçado pelo dia a dia com o artista, cujo relacionamento acabou de maneira trágica, e também pela guerra que se avizinhava. Ela foi vitimada pela doença mental, da qual jamais voltaria a recuperar-se.

Ficha técnica
Ano: 1937
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 60 x 49 cm
Localização: coleção particular

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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SANTA CRUZ DE MINAS E A SERRA DE SÃO JOSÉ

Autoria de Luiz Cruz

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A Escola Estadual Amélia Passos desenvolveu o Projeto de Educação Patrimonial  abordando aspectos da história de Santa Cruz de Minas e de seu patrimônio material e imaterial, entre 2015 e 2016. Ao longo do projeto foram realizadas diversas atividades interdisciplinares como palestras, oficinas, exibiçõesde filmes e documentários, visitas guiadas e uma gincana patrimonial. Aconteceram atividades específicas para os professores e em seguida para os alunos. Assim, a equipe de profissionais teve subsídios para trabalhar e incentivar os alunos. O resultado do projeto culminou com a elaboração do livro Serra de São José – Educação Patrimonial, envolvendo os alunos do Ensino Fundamental II, Ensino Médio e EJA – Educação de Jovens e Adultos e teve amplo apoio da comunidade. O suporte financeiro foi obtido através da Secretaria de Estado de Educação/MG.

Santa Cruz de Minas é o menor município do Brasil, mas é detentor de longa história e provavelmente uma das primeiras ocupações do Campo das Vertentes. Seu patrimônio material e imaterial é rico e está amplamente contemplado nos trabalhos desenvolvidos ao longo dos dois anos do projeto. A própria comunidade escolar elegeu a Serra de São José como o principal patrimônio da localidade. Por isso, o projeto deu mais ênfase à serra, com seus ecossistemas, sua preciosa biodiversidade e belas paisagens. Porém, as atividades levaram, também, a refletir sobre os problemas ambientais que comprometem as unidades de conservação da serra, objetivando a preservação dos recursos hídricos e o seu uso sustentável. Infelizmente, a área ainda sofre com presença do gado, os incêndios florestais, o lixo deixado por pessoas que ainda não foram conscientizadas e outros fatores.

A pesquisa histórica e fotografias do livro são do professor e pesquisador Luiz Antonio da Cruz, o prefácio de Marcos Paulo de Souza Miranda, o coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, o projeto gráfico é da artista plástica Maria José Boaventura e a capa do designer Thiago Dágmar. O livro foi editado pela Mandala Produção.

O lançamento do livro Serra de São José – Educação Patrimonial será no dia 23 de setembro de 2016, sexta-feira, às 18h, na Escola Estadual Amélia Passos, à Praça São Sebastião, 120, centro, Santa Cruz de Minas e no dia 30 de setembro, sexta-feira, às 17h, será lançado no SESI Tiradentes – Centro Cultural Yves Alves, Rua Direita, 168, centro, Tiradentes-MG.

Mais informações através do tel. 32 3371-6007 ou através do
email: producaomandala@gmail.com

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Rivera – PAISAGEM ZAPATISTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É um quadro de um cubismo ambíguo, não ortodoxo. (Raquel Tibol)

A composição Paisagem Zapatista, que num primeiro momento foi chamada de El Guerrillero, é uma obra do pintor mexicano Diego Rivera, tida por muitos críticos como a sua obra-prima cubista. É também uma homenagem ao revolucionário Emiliano Zapata, responsável por comandar a revolução de 1910 no país, assumindo o poder. O artista prestou-lhe, com o seu pincel, inúmeras homenagens.

O artista usa o Cubismo para falar sobre a revolução vitoriosa, liderada por Zapata.  Como é possível observar, Rivera, apesar de usar o estilo cubista, não abre mão de sua forte personalidade artística. Ele mantém a combinação de cores incomum ao estilo, a reprodução figurativa é mais compreensível, mostrando vigorosamente o seu México.

O rifle, a bandoleira (correia usada a tiracolo, à qual se prende a arma), a caixa de munição de madeira, a cartucheira, a manta colorida, também conhecida por poncho, e o chapéu, também chamado de sombrero e usado pelos zapatistas, são referências diretas à revolução mexicana. Também estão presentes as terras localizadas no sul do México, através do verde representando a vegetação,  onde se deu a luta agrária.

O México está representado por um bloco compacto, cuja imagem central flutua no espaço, tendo abaixo um fundo azul, que pode significar os oceanos Pacífico e Atlântico, que o banham. Ao fundo estão as montanhas, ricas em minérios.  As sombras são pintadas de branco.

O chapéu parece fundir-se com uma forma parecida com um olho. À direita, na parte inferior da composição, uma folha de papel em branco, presa por uma tacha, representa uma espécie de denúncia ou manifesto dos milhões de mexicanos que ainda se encontravam analfabetos.

Ficha técnica
Ano: 1915
Técnica: óleo sobre linho
Dimensões: 144 x 123 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Moderna, Cidade do México, México

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
http://www.diegorivera.org/zapatista-landscape.jsp

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Klee – A ARTE DEGENERADA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A tendência de Paul Klee era um insulto à verdadeira arte, uma degradação do bom gosto e da saúde mental da população. (Relatórios policiais nazistas sobre Klee)

Paul Klee, mesmo tendo nascido na Suíça e crescido nesse país, era considerado alemão como seu pai. Ao deixar a Alemanha, em razão da perseguição nazista, e já estando na Suíça há cinco anos consecutivos, podia pedir ao governo sueco a sua naturalização. Mas foi com surpresa que viu seu direito negado. Uma das principais desculpas dizia respeito à sua arte.

A Suíça dos anos 30 era muito diferente da que vemos hoje. Tratava-se de um país ultra conservador, dirigido por um grande grupo denominado Partido Nacional-Socialista, que enxergava na arte moderna as ideias políticas de esquerda, admirada apenas por uma minoria.  Tanto é que a Exposição Nacional de Arte, em Berna, excluiu a presença de nomes como Paul Klee , Jean Hans Arp e Charles Le Corbusier, três grandes nomes internacionalmente mais representativos da arte moderna naquele país. O jornal Luzerner assim se manifestou:

“Como é do conhecimento geral, a Nationale de Berna tem a particularidade de privilegiar o Realismo. Despreza os sonhadores como os surrealistas ou os construtores adeptos da arte abstrata. Estes ‘renegados’, estes revolucionários da Arte, viam-se agora reunidos para formar uma frente comum na exposição de Zurique.”.

A vida nos anos seguintes ainda foi mais difícil para Klee, que foi submetido a uma intensa vigilância, em razão do viés político e cultural que viam em sua arte. Juntamente com outros artistas, foi submetido a interrogatórios policiais. Certo funcionário da polícia classificou seu trabalho de “arte degenerada”. Aliado a isso, ainda diziam que os comerciantes judeus de arte estimulavam o trabalho do artista, apenas por razãos meramente comerciais.  E na exposição denominada “Entartete Kunst” (Arte Degenerada), as obras de Klee foram tidas como trabalhos de doentes mentais. E somente a duras penas, o artista conseguiu ser naturalizado cidadão suíço. De sua obra foram confiscados, de coleções públicas, 102 trabalhos, tidos como “arte degenerada”.

Nota: Angústia, 1934, obra de Paul Klee

Fontes de pesquisa
Paul Klee/ Taschen

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