Agnolo Bronzino – LAMENTAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A pintura Lamentação, também conhecida como Pietá, é uma obra do pintor italiano Agnolo Bronzino (1503-1572), também chamado de Agnolo di Cosimo ou Agnolo Tori, um dos mais conhecidos representantes do Maneirismo florentino. Teve como mestres os artistas Raffellino del Garbo e Jacopo Pontormo, sendo posteriormente influenciado por Michelangelo, tendo conhecido sua obras em sua visita a Roma. Foi pintor da corte da poderosa família Medici. Pintou temas religiosos, alegóricos e retratos.

Na pintura, em primeiro plano, encontram-se bem próximos ao observador, a Virgem Maria, Maria Madalena, ambas ajoelhadas, e Jesus Cristo, morto, após a descida da cruz. A composição monumental e o realismo visto nas três figuras mostram a influência de Michelangelo e de Pontormo sobre o artista, cuja pintura transmite um profundo sentimento de piedade.

O corpo de Cristo, sentado e tombado para trás, já rígido e arroxeado, encontra-se depositado sobre um lençol. Um manto verde cobre-lhe os quadris. A mão direita de Maria ampara-lhe a cabeça, e a esquerda segura seu braço esquerdo, enquanto o direito jaz sobre o lençol, com a palma da mão voltada para cima. Maria Madalena firma as pernas inertes de seu amado Mestre. Todas as três figuras trazem uma auréola acima da cabeça, o que comprova a divindade das mesmas.

A Virgem Maria usa pesadas vestes que lhe deixam apenas o rosto e as mãos a descoberto. De seu semblante emana uma pungente dor. Maria Madalena, cuja cabeça descoberta toca o ombro da Virgem, também revela tristeza. Ambas trazem a cabeça e o corpo inclinados em direção à cabeça de Cristo. Próximo a Maria Madalena, abaixo das pernas dobradas de Cristo, formando um triângulo, está um vaso com unguento, principal atributo da santa.

Ao fundo vê-se uma paisagem com árvores e colinas estilizadas. À esquerda está o calvário, com três cruzes armadas.

Ficha técnica
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 105 x 100 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Jan Steen – MULHER DOENTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Mulher Doente é uma obra do pintor holandês Jan Steen (c.1625-1679). O artista estudou com com Nicolaes Knüpfer, Adriaen van Ostade e Jan van Goyen, tendo se casado com Margaretha van Goyen, filha do último mestre. Fez parte da Guilda de São Luca de Leiden. É tido como um dos importantes pintores holandeses do século XVII. Sua obra é vasta e diversa, na qual se inclui trabalhos narrativos e alegóricos, paisagens, apesar de poucas, e retratos, mas seu gênero predileto era as pinturas de gênero. É visto como um grande observador e o mais vivaz dentre os grandes pintores holandeses de interiores.

Na pintura acima, o artista coloca vida e calor em tudo, apesar de a mulher encontrar-se doente e da frieza do inverno. Duas pessoas, uma mulher e um homem, encontram-se presentes no interior de uma casa. Na parede escura, o alaúde marca o eixo central do quadro. Por sua vez, o relógio, quase rente à margem direita da composição, ali se encontra para assinalar o recuo da perspectivada parede ao lado, conforme mostra sua posição, de frente para as duas figuras humanas.

A mulher doente, sentada numa cadeira de madeira com assento e recosto vermelhos, é a figura central da cena. Seu corpo está dobrado para sua esquerda. Ela se encontra vestida com uma blusa cinza-metálico e uma saia amarelo-dourado. Ao mesmo tempo em que seus olhos e boca entreaberta denotam preocupação, seus braços abandonados e a cabeça, coberta por uma touca branca, recostada no travesseiro da mesma cor, mostram sensualidade. O travesseiro encontra-se sobre uma mesa forrada com um rico tapete  de franjas.

O médico, de pé, no chão de largas tábuas de madeira, mostra-se muito bem vestido, consultando a doente. Ele lhe toma o pulso direito. A expressão de seu rosto e mãos indicam que se encontra inseguro quanto à doença que ela tem. Às costas da mulher, um enorme dossel cobre seu leito, como se houvesse um quarto dentro de outro. Entre a cadeira e o leito encontram-se uma grande vela e um urinol. Mais à frente, à sua direita, está um braseiro, com uma vasilha para carvão, ao lado, que tem por finalidade aquecer o ambiente.

Ficha técnica
Ano: 1663
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 76 x 66,5 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Vermeer – A CARTA DE AMOR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Carta de Amor é uma obra do pintor holandês Johannes van der Meer, também conhecido como  Jan Vermeer, ou apenas Vermeer, (1632-1675). Presume-se que ele tenha estudado com os professores Leonaert e Carel Fabritius. Foi mestre da Guilda de São Lucas. Embora tenha apenas 35 obras conhecidas, é tido como um dos grandes nomes da pintura holandesa, foi apelidado de “a Esfinge de Delft”.

Apesar de ter pertencido ao século 17, Vermeer só se tornou realmente reconhecido como um grande pintor em meados do século 19. É visto hoje como o segundo pintor holandês mais importante do século 17 (período conhecido por Idade de Ouro Holandesa, devido às importantes conquistas culturais e artísticas do país nessa época), ficando aquém apenas de Rembrandt. Alguns dizem que ele nunca usou a pintura profissionalmente, pintando só por prazer. Apesar da fama, o artista lutou sempre com muita dificuldade financeira.

O quadro A Carta de Amor foi planejado pelo pintor como sendo um tríptico, com a cena doméstica a ocupar a parte central. Através da porta aberta, vê-se uma sala, onde se encontram uma senhora e sua criada, próximas a uma lareira. Segundo alguns historiadores de arte trata-se de parte do interior da própria casa do artista.

A mulher, elegantemente vestida com saia e casaco amarelo, com acabamento em arminho, estava a tocar seu alaúde, quando foi interrompida pela criada, que lhe entrega uma carta. Segurando a missiva na mão direita levantada, ela lança um olhar interrogativo à moça, que sorri levemente. O alaúde no seu colo remete a uma carta de amor, segundo a simbologia da época (símbolo do amor, muitas vezes do amor carnal).

No primeiro plano encontra-se uma suntuosa cortina (elemento quase sempre presente nas pinturas de Vermeer), recolhida à direita, como se mostrasse ao observador que a cena é privada. Uma cadeira, com algumas peças de roupa em seu espaldar e umas partituras no assento, localiza-se à direita. Um mapa do Norte da Holanda posiciona-se à esquerda. Complementam a pintura uma vassoura (ou esfregão), um cesto de vime com roupas, duas paisagens na parede, um par de chinelos na entrada, etc. Sobre a lareira é possível notar pequenas peças de adorno. O ladrilho, em diagonais, repassa a impressão de profundidade.

Nas pinturas holandesas da época, os objetos possuíam uma forte simbologia. No quadro estudado, por exemplo, o instrumento musical e as partituras aludem ao amor; as pérolas tanto podem simbolizar a vaidade como a virgindade; o quadro maior na parede alude a um ente querido em viagem, enquanto o menor, mostrando um andarilho, pode significar separação e o desejo de reencontro; a vassoura tanto pode significar limpeza como um empecilho para que o observador entre, reforçando o sentido de privacidade da cena, etc.

Ficha técnica
Ano: c.1667-1670
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 44 x 38,5 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.essentialvermeer.com/catalogue/love_letter.html&prev

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Lucas van Leyden – A ADORAÇÃO DO BEZERRO DE OURO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Adoração do Bezerro de Ouro é um tríptico do artista holandês Lucas van Leyden (1494-1533), considerado um dos gênios da pintura quinhentista europeia. Seu primeiro professor foi seu pai, Hugo Jacobsz, vindo depois a estudar com o mestre Cornelis Engelbrechtsch. O artista era tão talentoso que aos dezesseis anos de idade compôs sua primeira gravura. Nutria grande admiração por Albrecht Dürer, tendo estudado meticulosamente seus escritos.

Além de pintor, Lucas era também gravurista, xilogravurista e pintor de vidro, tendo deixado trabalhos maravilhosos para a posteridade. Era dono de uma criatividade fascinante. Não existem provas de que tenha ido à Itália, contudo, suas pinturas mostram influências italianas, assim como holandesas e alemãs.

O quadro acima é a parte central do tríptico do mesmo. Em primeiro plano, um grupo de homens, mulheres e crianças entrega-se à gula, comendo e bebendo descomedidamente, como mostram suas ações e fisionomias.

Em segundo plano, suas figuras, em três dimensões, representando os israelitas, movimentam-se no espaço, enquanto dançam em torno de um bezerro de ouro. Um grupo de músicos, à esquerda, acompanha a dança, tocando seus instrumentos.

Moisés, profeta e líder religioso, é visto em duas cenas na composição: na parte superior esquerda, em cima do Monte Sinai,  enquanto invoca Deus-Pai; e logo abaixo de onde estava, acompanhado por Josué, quebrando as  Tábuas da Lei, insatisfeito com o que via.

O tríptico A Adoração do Bezerro de Ouro só foi descoberto no século XX, tendo sido comprado pelo Rijksmuseum, em 1952. Em razão da tensão linear e do movimento ativo vistos na obra, esta é considerada uma obra-prima da primeira geração de maneiristas europeus. Faz parte dos últimos trabalhos do artista.

Ficha técnica
Painel central do tríptico
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 93 x 67 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Mil obras-primas da pintura europeia / Könemann

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Giuseppe Arcimboldo – O GARÇOM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Garçom, também conhecida como O Empregado de Mesa,  é uma obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, retratista oficial na corte dos Habsburgos, encomendada pelo Imperador Maximiliano II, para ser presenteada a Augusto I da Saxônia.

O homem é composto por um conjunto de objetos empregados na fabricação de vinho. Ali estão: uma torneira, um jarro de cerâmica, um copo revestido de couro, um furador, um frasco, um copo para degustação, uma vareta para medir a graduação do vinho, uma liga de estanho, um funil de madeira, um barril, etc.

Ficha técnica
Ano: 1574
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88 x 67 cm
Localização: coleção particular

Fonte de pesquisa
http://www.wga.hu/html_m/a/arcimbol/4composi/4waiter.html

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Botticelli – MADONA DO MAGNIFICAT

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Madona do Magnificat, também conhecido por Virgem e Criança com Cinco Anjos, é uma obra do pintor italiano Sandro Botticelli (1445-1510). Trata-se também do mais famoso de seus tondos. Botticelli tornou-se aluno do prestigiado artista frade Filippo Lippi, mas não demorou muito para que o aluno superasse o mestre, com suas figuras suaves, rostos sérios e expressões contemplativas, buscando apresentar a realidade interior de seus personagens. Os artistas Antonio del Pollaiuolo, Andrea del Verrochio, Ghirlandaio e Perugino também exerceram influência na arte de Botticelli.

O artista é conhecido como “O Pintor das Madonas” por ter pintado inúmeros quadros com a Virgem e seu Menino. Esta obra, cujo título vem do cântico que a Virgem Maria está compondo, tem o formato arredondado (tondo), existindo cinco réplicas dela. A Virgem com seu Menino ao colo e os cinco anjos encontram-se próximos a uma janela redonda, delimitada por uma cornija de pedra. Seguindo a tradição da Idade Média, Botticelli pintou a Virgem com seu Menino numa dimensão maior do que as figuras dos anjos.

A Virgem, retratada como a “Rainha do Céu” (Regina Coeli), encontra-se em primeiro plano, de perfil para a esquerda, com seu Menino ao colo. Ela traz os lábios entreabertos e dobra-se ligeiramente, como se o protegesse com o corpo. Usa um manto azul sobre o vestido vermelho e traz na cabeça um véu transparente, bordado a ouro, cingindo seus cabelos dourados e anelados. Acima dele vê-se outro véu em forma de rodilha que, junto com o primeiro, cinge-lhe ombros e peito. Uma coroa de estrela de ouro está sendo depositada em sua cabeça. Seu rosto, com os olhos baixos, direciona-se para seu trabalho. Segura na mão direita uma pena, que mergulha no tinteiro, e na esquerda uma romã, encostada ao corpo do Filho. Sua grande dimensão atrai os olhos do observador, que descem pelo Menino e fixam-se no livro. Acima da coroa da Virgem, uma pomba dourada, dentro de um círculo de ouro aspergindo raios de luz, simboliza o Espírito Santo. Observa-se um fragmento de sua cadeira finamente trabalhada.

O Menino Jesus está envolto num pano branco que deixa parte de seu corpinho à vista. Assim como os da mãe, seus cabelos são dourados e cheios de cachos. Sua cabeça está inclinada para trás e seus olhos direcionados para o alto. Uma majestosa auréola de raios dourados adorna-a. A mãozinha esquerda descansa sobre a romã partida, símbolo da fertilidade e da realeza, próxima à de sua mãe. A mão direita pousa sobre o braço de Maria, tocando numa das páginas do livro de cânticos.

Cinco graciosos anjos, quatro de um lado e um do outro, estão em volta da Virgem com seu Filho. O primeiro, à esquerda, ajoelhado, segura o tinteiro, enquanto a observa. A seu lado, outro anjo, também ajoelhado, direciona seu rosto para o companheiro. Ambos seguram o livro para a Virgem. Um terceiro anjo, de pé, abraça os dois. Atrás dele, um quarto anjo, junto com aquele que se encontra à direita, coroa a Virgem Maria. Usam nimbos com raios dourados.

A romã também significa que Cristo, através de seu sangue, sua morte e ressurreição, renascerá, assim como cada semente dela originará uma nova planta. Essa fruta tem também outros significados. Suas sementes vermelhas podem se referir ao sangue da Paixão de Cristo,  e os grãos unidos, junto à casca, simbolizam a unidade da Igreja, enquanto as sementes significam o brotar de uma nova vida.

O ponto mais chamativo da obra é a junção dos braços de Mãe e Filho junto ao livro. E o mais fraco é o braço do anjo à esquerda, a segurar a coroa, pois ele se mostra muito espremido, tendo que alongá-lo para alcançar a coroa. Esta é uma das pinturas mais caras do artista, pois nela empregou muito ouro na ornamentação das vestimentas, na coroa da Virgem, nos raios divinos e na cor do cabelo de Maria e dos anjos. Ao fundo descortina-se uma paisagem, sob um céu azul, com um caminho em ziguezague, que direciona o olhar para um castelo ao longe.

Obs.: A Virgem está escrevendo a abertura do “Magnificat”, também conhecido como “Canto de Maria”, na página direita do livro, enquanto na esquerda encontra-se parte do “Benedictus”, conhecido como “Cântico de Zacarias”.

Ficha técnica
Ano: c. 1487
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 143,5 cm de diâmetro
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html/b/botticel/22/30magnif.html
http://www.abbeville.com/interiors.asp?ISBN=0896599310&CaptionNumber

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