Mathieu Le Nain – OS JOGADORES

Autoria de Lu Dias Carvalho

osjo

A composição Os Jogadores é em uma obra do pintor francês Mathieu Le Nain (1607-1677). Seus dois irmãos Antoine Le Nain e Louis Le Nain também eram pintores. Os três abriram uma oficina em Paris, onde trabalhavam juntos. Isso tornou muito difícil identificar a obra de cada um, pois muitas vezes trabalhavam juntos na mesma tela. Muitos estudiosos de arte tratam-nos como se fossem uma única pessoa. Os três irmãos preferiam as cenas de vida no campo, ou seja, as pinturas com camponeses, retratando pessoas simples e cheias de dignidade. Mathieu, o mais novo, foi pintor oficial da cidade de Paris, ganhando destaque em suas composições e no retrato. Todos os três irmãos foram membros da Academia Francesa.

Em sua pintura, o artista apresenta três homens jogando dados, num cenário parecido com um palco. Eles se encontram em torno de uma mesa redonda de madeira, permitindo que o observador acompanhe o jogo, como se dele participasse. Estão muito bem vestidos, usando chapéus adornados com fita, aparentando ser de classe rica. O jogador à esquerda traz perto de si uma vistosa capa vermelha.

Atrás do jogador de roupa mais clara, um criado segura uma bolsa de couro, possivelmente com dinheiro. Um garoto, à direita, acompanha atentamente o jogo. Sobre a mesa estão três pequenos dados, que o jogador da esquerda acaba de jogar.  Um monte de fichas encontra-se à sua direita. Em primeiro plano, à direita, dois belos galgos brincam. E ao fundo vê-se uma paisagem. Pode-se perceber a influência de Caravaggio na pintura.

Ficha técnica
Ano: c. de 1645-1650
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 93 x 119,7 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 7

Giuseppe Arcimboldo – O BIBLIOTECÁRIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

obiblio

O Bibliotecário é um triunfo da arte abstrata no século XVI. […] Não há nada mais espirituoso ou mais próximo da arte abstrata do que este inteligente quadro. (Bruno Geiger)

A composição O Bibliotecário é uma obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, retratista oficial na corte dos Habsburgos. A figura retratada, segundo alguns, é Wolfgang Lazius, humanista e historiador que serviu à Casa de Habsburgo. O artista apresentava os retratados em suas atividades profissionais, ou seja, por meio de objetos associados à ocupação de cada um.

A figura composta por livros, cuja posição dá forma a um busto masculino, encontra-se de frente para o observador. Aparenta inteligência e elegância. A cortina drapeada, que cai sobre seu ombro esquerdo, como se fora uma beca, dá-lhe um ar de mestre. Um livro aberto sobre sua cabeça possivelmente alude a seus cabelos brancos. Os marcadores, que saem dos dois livros que servem de base, representam seus dedos. Sua barba é composta por caudas de animais, que eram usadas à época como espanadores. Um livro vertical, à direita, representa sua face esquerda e a fita alaranjada compõe a orelha. Um livro na vertical compõe seu nariz, enquanto parte de dois outros, alaranjados, formam a boca. As chaves (da biblioteca) formam os olhos e os óculos do blibliotecário.

A pintura faz parte da coleção de Skokloster Castle, tendo sido trazida para a Suécia, quando na Batalha de Praga, em 1648, o exército sueco saqueou o Castelo de Praga. Como o artista não assinava suas pinturas, com raras exceções, outras versões de O Bibliotecário têm sido encontradas, contudo, não tem sido possível atribuí-las ao artista. E mesmo esta é tida como uma cópia posterior da pintura original, de paradeiro desconhecido, depois de um estudo científico publicado em 2011. Em razão de seu trabalho criativo, o artista é tido por muitos como um dos precussores da arte moderna. Aqui, chama a atenção a delicadeza da capa dos exemplares que compõem a figura.

Ficha técnica
Ano: c. 1566
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 97 x 71cm
Localização: Skoklosters Slott, Balsta, Suécia

Fontes de pesquisa
Arcimboldo/ Editora Paisagem
http://www.historyofinformation.com/expanded.php?id=3183
https://www.nga.gov/exhibitions/2010/arcimboldo/arcimboldo_brochure

Views: 163

Fra Fillipo Lippi – MANDONA E MENINO COM DOIS ANJOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

mamecoda

A composição Madona e o Menino com dois Anjos é uma obra do pintor italiano Fra Fillipo Lippi (c.1406-1469) que teve a oportunidade de acompanhar os artistas Masolino e Masaccio que trabalhavam na pintura de afrescos no Mosteiro de Santa Maria del Carmine em Florença, o que viria a influenciá-lo grandemente. Realizou inúmeras encomendas para a família dos Medici. Dentre seus discípulos estavam seu filho Fillipino Lippi e Sandro Boticelli.

Presume-se que este quadro de forma piramidal foi pintado para um dos membros da família Medici. Trata-se de uma refinada obra religiosa do século XV. Dentro de uma estrutura de pedra encontram-se, centralizadas, em primeiro plano, a figura da Virgem, seu Menino e dois anjos. A dimensão das quatro figuras ultrapassa a estrutura retangular da janela, que parece aproximar ainda mais, as figuras do atento observador, como se ele fizesse parte da tela.

A Virgem Maria, retratada como uma pessoa rica, encontra-se sentada em uma cadeira, à janela de uma casa situada no topo de uma colina, o que lhe permite ter uma linda vista à frente. Ela usa um belo penteado, ornado com um fino véu, que lhe cai pelos ombros, e um enfeite de pérolas que vai até sua testa raspada, conforme moda da época. Usa um suntuoso manto azul sobre vestes branca e vermelha. Uma auréola, símbolo de sua santidade, paira sobre sua cabeça. Ela traz os olhos voltados para baixo e as mãos em postura de oração. Dois pequenos anjos entregam-lhe seu Menino, que abrem os bracinhos em direção a ela.

Os dois anjos presentes na tela assemelham-se mais a crianças. O que se encontra à direita possui uma carinha bem sapeca. Ele volta a cabeça para o observador, fitando-o. Ao fundo desponta-se uma paisagem com rios, planícies, montanhas e uma cidade com suas torres.

Ficha técnica
Ano: c. 1445-1460
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 92 x 63,5 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Edit. Könemann
http://www.uffizi.org/artworks/madonna-with-child-and-two-angels-by-filippo-lippi/https://www.khanacademy.org/humanities/renaissance-reformation/early-renaissance1/painting-in-florence/a/lippi-madonna-and-child-with-two-angels

Views: 10

Giuseppe Arcimboldo – VERTUMNUS

Autoria de Lu Dias Carvalho

vertum

A composição Vertumnus é uma obra maneirista (estilo de arte europeia que depois foi substituída pelo Barroco) do período tardio do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, retratista oficial na corte dos Habsburgos. As obras Vertumnus e “Flora, a Ninfa” são tidas como as mais famosas do artista.

O quadro Vertumnus, que retrata o Imperador Rudolfo II, sob a aparência de Vertumnus, foi feito em Milão, após Giuseppe Arcimboldo ter deixado  a Casa Habsburgo, mas prometendo continuar a prestar-lhes serviços. O retrato, que glorifica o Imperador, foi enviado juntamente com um poema de Don Gregorio Comanini, tendo agradado consideravelmente o monarca e sua corte, transformando-se em ums das obras mais conhecidas do pintor.

Arcimboldo apresenta o busto do Imperador, de frente, como se fosse Vertumnus, o deus romano da vegetação e da transformação, casado com a deusa Pomana, que presidia as mudança das estações. Exuberantes frutos maduros, flores e legumes, representantes das quatro estações, compõem a meia figura do Imperador. Trata-se de uma alegoria que retrata a perfeição da natureza, numa alusão ao reinado de Rudolfo II, ou seja, uma é tão perfeita e equilibrada quanto o outro.

Apresento algumas partes do poema de Don Gregorio Comanini para que o leitor comprenda melhor o quadro:

Seja lá quem fores, ó tu, que assistes/ Ao quadro raro, disforme, em que consisto/ Na boca casquinadas estalando/ Todo o rosto pelo riso arrepanhado/ Ao descobrires algo, Zombarias nos olhos tremulando/ Todo o rosto pelo riso arrepanhado/ Ao descobrires algo inoportuno/ No que dá pelo nome de Vertumnus.

 […] O Fogo, sua alma, seu alento:/ As roupas são arbustos, frutos, erva./Tudo que é bom no solo medra./ E agora, caro amigo, tão atento/ Como pensas que o pintor me começou?/ Como foi que Arcimboldo me pintou/ Esse gênio da invenção a desbordar…

 […] Correu campos, bosques percorreu/ Mil frutos, flores mil, ele colheu/ […] Ora, vem cá; e admira minha testa/ Vê bem o que a torna uma festa/ Abrilhantadamente engalanada/ Pela espiga de milho ecuminada…

 […] Uvas pendem, também, da minha testa/ Feitas com ternura e sem aresta,/ Tão subtilemente tocadas pela faísca/ Do pincel apolíneo que as rabisca,/ Do vermelhão, de ocre  pintalgadas,/ Colhidas, depois de amadurecidas…

 […] Fruto estival, o melão, vem enxergar/ […] Observa-lhe agora, o ar sulcado/ Seu tegumento fero e enrugado,/ Que vinca a forne e me assemelha/ Ao velho do arado na montanha/ […] Vê também como o pêssego e o pomo,/ Rotundos, tão rotundos como um domo,/ Se unem ambos pra criar um rosto/ Só de vida e redondez composto./ Atenta bem nos meus olhos, embora,/ Um seja uma cereja , outro uma amora…

 […] E estas avelãs, quem tal diria?/ Note bem como suas peles ocas/ Se emparelham sobre a minha boca:/ O que não prestaria, doutro modo, / Aqui constitui a dupla guia/ De um esplêndido bigode./ E, para que sozinho não se avenha,/ Há a casca escabrosa da castanha/ A pender-me do queixo, que me enfeita,/ Oh, gala varonil, mais que perfeita!…

 […] E existe, ainda, quem pense conseguir/ Com esta nova barba competir?!…/ Mas há mais coisa a reconhecer,/ Há o figo, acabado de colher/ Comprido e agora a oscilar/ No lobo da orelha, como vês…/ […] Vamos agora à faixa, finalmente – / Desdenhando qualquer outro rebento./ Por ser feita de muita flores douradas/ Pelo peito, pelo ombro derramadas…

Ficha técnica
Ano: c. 1590
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 70,5 x 57,5 cm
Localização: Skoklosters Slott, Balsta, Suécia

Fontes de pesquisa
Arcimboldo/ Editora Paisagem
https://www.nga.gov/exhibitions/2010/arcimboldo/arcimboldo_brochure.

Views: 508

Parmigianino – VIRGEM DO PESCOÇO LONGO

Autoria de Lu Dias Carvalho

avidopel

Parmigianino e todos os artistas do seu tempo, que procuraram deliberadamente criar algo novo e inesperado, mesmo à custa da beleza “natural” estabelecida pelos grandes mestres, foram, talvez, os primeiros artistas “modernos”. (E.H. Gombrich)

 A composição intitulada Virgem do Pescoço Longo, também conhecida por Madonna e Criança com os Anjos e São Jerônimo, ou ainda Madona do Colo Longo, é uma obra do pintor italiano Parmigianino (1503-1540), cujo nome original era Girolamo Francesco Maria Mazzola. Ele teve uma vida muito breve. Recebeu influência de Correggio, Rafael e Michelangelo. Além de criar retratos e pinturas mitológicas, também pintou afrescos e fez desenhos preparatórios de pinturas. Chama a atenção em suas obras a elegância das figuras e suas dimensões alongadas.

Esta pintura foi encomendada por Elena Bejardi, como um retábulo para adornar a capela privada da família na igreja de Santa Maria dei Servi em Parma. É tida como uma das mais importantes obras do Maneirismo italiano e a mais importante do artista. Apresenta a Virgem Maria com seu Menino nos braços, tendo seis anjos à sua direita. O Menino Jesus, nu, dorme candidamente no colo da mãe, trazendo os bracinhos abertos em forma de cruz e as perninhas separadas. Ele se mostra um pouco crescido, repassando-nos a sensação de que poderá cair do colo de sua mãe.

A Virgem com seu pescoço alongado — parecido com o de um cisne — mostra-se alegre. Está elegantemente vestida, sentada num alto pedestal. Seu vestido colado ao corpo mostra o formato de seu seio esquerdo e do umbigo, enquanto seu manto azul apresenta grande volume. Seu tamanho é quase sobrenatural. Os cabelos estão penteados e ornados com um aro de pérolas. Traz a cabeça levemente voltada para a direita, enquanto os olhos baixos fitam seu Menino. A mão esquerda sustém a criança pelos ombros e costas, enquanto a direita toca o próprio peito, como se dissesse que Jesus ali se encontra.

As mãos da Virgem são finas e os dedos alongados. Seu pé direito descansa sobre duas almofadas — uma azul e outra vermelha —, enquanto o esquerdo apoia-se no patamar do pedestal. Os seis anjos, amontoados num pequeno espaço à esquerda, adoram o Menino. Possuem tamanhos variados. Do pequenino anjo — ainda inacabado — visto debaixo do cotovelo direito da Virgem, só se vê a carinha. Um deles tem nas mãos um enorme vaso no qual se vê a sombra de um crucifixo, numa referência ao futuro da Criança. O anjo que se encontra atrás, olhando para o observador, traz semelhanças com o pintor da obra.

Ao fundo, em segundo plano, ergue-se uma coluna branca que dá a impressão de profundidade e serve de sustentação para o grupo principal. Também pode aludir à “coluna de marfim” que Maria representa. À direita, entre a Virgem e a coluna, vê-se a figura diminuta de São Jerônimo, associado à adoração da Virgem, segurando um pergaminho desenrolado, lembrando uma estátua romana. Sua altura não chega ao joelho esquerdo de Maria.

O artista alongou as proporções do corpo da Virgem propositalmente, assim como outras figuras apresentadas na composição. Seu objetivo era apresentar formas particularmente alongadas porque, para afirmar duplamente o seu efeito, fez uso de uma coluna com um formato estranho, situada em segundo plano. Ao espalhar as figuras pela obra, o artista foge da harmonia tradicional, que era a de espalhar os personagens em volta da Virgem. Os anjos estão espremidos num pequeno espaço à direita da Madona, enquanto do seu lado esquerdo é possível ver uma paisagem ao fundo.

Segundo o Prof. E. H. Gombrich, “O pintor quis mostrar que a solução clássica da perfeita harmonia não é a única solução cabível — que a simplicidade natural é uma forma de realizar beleza…. O caminho adotado por ele e todos os outros artistas de seu tempo, que procuraram deliberadamente criar algo novo e inesperado, mesmo à custa da beleza ‘natural’ estabelecida pelos grandes mestres, talvez tenham sido eles os primeiros artistas modernistas”.

Obs.: O desenho da pintura foi baseado em hinos medievais de louvor à Virgem que comparam o seu pescoço com uma grande coluna de marfim, onde se apoia a Igreja de Deus.  Esta obra está inacabada, como mostra a cabecinha careca do Menino em razão da morte prematura do pintor.

Ficha técnica
Ano: c. 1534-1540
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 216 x 132 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
A História da Arte/ Gombrich
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.artble.com/artists/parmigianino/paintings/madonna_with_the_long_neck
http://www.visual-arts-cork.com/famous-paintings/madonna-with-the-long-neck.htm

Views: 153

Giuseppe Arcimboldo – O COZINHEIRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

cozin

A composição O Cozinheiro é uma obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, retratista oficial na corte dos Habsburgos. Esta pintura faz parte de uma série conhecida como “Diversões”.

O mais interessante nesta caricatura é que ela pode ser invertida, ou seja, virada de cabeça para baixo, trazendo ao observador um novo sentido, podendo assim ser vista:

Na primeira pintura temos a cabeça de um indivíduo estranho, num recipiente de metal, sendo segura por duas mãos femininas. A cabeça, perfilada para a direita, mostra se tratar de um tipo bem grosseiro, com um olhar de zombaria. Ela é composta por carnes de animais: um leitão e uma galinha distorcidos e carne frita no meio. Vejamos alguns exemplos de como se compõe a alegoria:

  • o leitão dá forma à cabeça, à testa e à orelha;
  • a carne frita formata o rosto;
  • a cabeça e o pescoço da galinha compõem o olho, e seu corpo dá forma ao nariz e parte da boca;
  • a tampa de metal vira o capacete, enfeitado com uma rodela de limão e um instrumento pontiagudo, simbolizando um emblema;
  • o rabinho do leitão complementa o capacete, assim como um ramo verde;
  •  o corpo do recipiente de metal serve de base para a cabeça.

Na segunda pintura, que se trata da primeira, mas apenas virada de cabeça para baixo, temos:

  • um grande vasilhame de metal;
  • um leitão, uma galinha e carnes, assados;
  • uma rodela de limão e um objeto pontiagudo na borda do prato;
  • um ramo verde encostado ao vasilhame;
  • duas mãos que tapam os alimentos.

Haja criatividade!

Ficha técnica
Ano: c. 1571
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 52,5 x 41 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
Arcimboldo/ Editora Paisagem
https://www.nga.gov/exhibitions/2010/arcimboldo/arcimboldo_brochure

Views: 59