Eliseu Visconti – MOÇA NO TRIGAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Moça no Trigal, que em sua primeira apresentação ao público brasileiro tinha o nome de Pão e Flores,  é uma obra-prima do pintor brasileiro Eliseu Visconti, feita quando o artista encontrava-se em Paris. A pintura ao ar livre, sobretudo no campo, era uma das características do trabalho dos impressionistas. Esta pintura lembra alguns trabalhos de Monet e Renoir tanto em relação à cor e à luz quanto na textura. Antes de chegar a esta primorosa e delicada tela, Eliseu Visconti retratou um campo de trigo em quatro outras pequenas obras.

A pintura, cujo gênero é uma paisagem, mostra a figura de uma delicada e jovem mulher, trajando um longo vestido branco, cuja saia ganha um tom azulado. Ela se encontra em primeiro plano, colhendo flores em meio a um campo de trigo. Seus longos cabelos castanhos estão amarrados para trás. Sua cabeça abaixada repassa a sensação de que se encontra pensativa. Traz no braço esquerdo um ramalhete de flores silvestres. Seus olhos estão voltados para as flores que continua a colher.

Mais ao fundo nota-se a presença de duas outras figuras, remetendo à obra de Monet e Renoir. Na pintura, seguindo o estilo dos impressionistas, o pintor preocupa-se, sobretudo, em captar os efeitos da luz do sol nas figuras e na vegetação. Predominam os delicados tons de amarelos e dourados. A luminosidade põe em destaque o trigal e o vestido da moça. A composição, em sua unidade, repasse uma sensação de paz.

Ficha técnica
Ano: 1916
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65 x 80 cm
Localização: coleção particular

Fontes de Pesquisa
Eliseu Visconti/ Coleção Folha
http://www.museusegall.org.br/pdfs/texto_gilda_de_mello_e_souza.pdf

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Aert van der Neer – CENA DE RIO AO LUAR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Cena de Rio ao Luar é uma obra do pintor holandês Aert van der Neer (c.1603-1677). Trata-se de um dos artistas que mais pintou paisagens com pessoas. Aludem alguns críticos de arte que a paisagem holandesa seiscentista tinha por objetivo retratar a classe média em ambientes familiares. Se isso é certo, o pintor Neer foi realmente comprometido com tal desejo, conforme mostra sua obra. Tal tema era muito comum na Holanda e também na Inglaterra e França, como comprovam as obras relativas à época.

O quadro acima é um dos primeiros pintados pelo artista e um dos mais famosos. Ele optou por pintar uma via fluvial, mas à noite. Em sua pintura chama a atenção, sobretudo, a grandiosa lua-cheia, que se posiciona abaixo das nuvens, quase no centro da tela. Ela ilumina a paisagem noturna, sendo que um feixe de raios desce atrás de dois barcos. A lua é responsável por alumiar os elementos da composição, transformando-os em silhuetas escuras. A água da via, ao refletir a luz lunar, transforma-se num grande espelho prateado.

Poucas figuras humanas apresentam-se na paisagem. Em primeiro plano estão três homens com duas carroças e dois burros a puxá-las, seguidos por dois cachorros. Dentro da água, dois homens cuidam de dois barcos. Ao fundo estão ancoradas algumas embarcações a vela. À direita, descansam algumas reses na beira da via fluvial, enquanto à esquerda perfilam-se algumas casas e árvores, vendo-se mais ao fundo um moinho com suas pás. Uma mulher está assentada num banco, do lado de fora da primeira casa.

Ficha técnica
Ano: c. 1645
Dimensões: 55 x 103 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Eliseu Visconti – MATERNIDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Maternidade é uma obra do pintor brasileiro Eliseu Visconti, feita quando o artista encontrava-se em Paris. É considerada uma pintura pré-impressionista, tendo sido pintada ao ar livre. É também a mais importante dessa fase do artista.

Na tela está uma jovem senhora, luxuosamente vestida com blusa branca de tecido leve e transparente, e saia rodada de seda azul e reflexos prateados. Um grande chapéu, também de tecido fino, enfeita-lhe a cabeça. Ela se encontra sentada numa cadeira no parque, onde amamenta seu filho, fitando-o ternamente. O garoto, vestido apenas com a parte de cima da roupa e com sapatinhos e meias, toma sol. À frente da mulher está outra cadeira, sobre a qual se encontra parte da vestimenta do bebê. O carrinho, com suas grandes rodas, responsável por conduzir a criança, encontra-se à direita da mãe, que levanta o seio com a mão esquerda para que o filho tenha melhor acesso a ele. E o bebê, por sua vez, segura sua mão.

Uma garotinha brinca com sua boneca de roupa azul, sentada atrás da mãe, e de costas para ela. Usa um vestido rodado de cambraia branca, toda bordada, e fita cor-de-rosa na cintura, e traz na cabeça um vistoso chapéu. Seus longos cabelos caem-lhe pelas costas.

Enormes árvores, com diferentes cores na folhagem, ornamentam o local de chão arenoso. Uma escultura de mármore está proxima ao grupo. Mais ao fundo vê-se outra estátua de mármore e pessoas usufruindo das sombras das árvores. Chama a atenção, sobretudo, o modo como o artista pintou a folhagem e o solo e tabalhou as texturas das roupas.

Ficha técnic
Ano: 1906
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 165 x 200 cm
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil

Fonte de Pesquisa
Eliseu Visconti/ Coleção Folha

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Jan van Scorel – MARIA MADALENA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Maria Madalena é uma obra do pintor holandês Jan van Scorel (1495-1562), que também foi arquiteto, engenheiro, poeta, músico e professor. Estudou com Cornelis Willemsz na sua oficina. Era um apaixonado pela pintura, tendo tido conhecimento direto da arte de grandes mestres, de Gossaert a Dürer, e de Mantegna a Giorgione, chegando a Rafael e Michelangelo, através de suas viagens. Sua arte mostra influências italianas, tendo sido inspirado por Rafael e pelos Venezianos. Recebeu uma educação humanista. Foi responsável por muitos retábulos e retratos. Foi o primeiro grande maneirista holandês.

O quadro acima retrata Maria Madalena, que pode ser identificada através de seu frasco de unguento, usado para ungir os pés do Mestre Jesus. Ela é ainda muito jovem.  Encontra-se em primeiro plano, em meio a uma paisagem montanhosa, sentada de perfil, com o rosto levemente voltado para o observador. Sua vestimenta é ricamente trabalhada com pérolas, lembrando os trabalhos de Rafael Sanzio. Foi pintada como uma rica cortesã, numa referência à sua profissão anterior de meretriz.

A árvore, situada às costas da jovem mulher tem um tronco oco, apodrecido, e outro com galhos verdejantes. Ela simboliza a mudança em sua vida. Ao fundo desenrola-se uma paisagem, sendo que as rochas remetem ao trabalho do pintor Patinir. Em meio à vegetação, num plano inferior, vê-se um homem com seu manto vermelho, caminhando apoiado no seu cajado, enquanto no meio da rocha maior, à esquerda, estão presentes três anjos.

Esta pintura foi feita após Jan van Scorel voltar da Itália para a Holanda, deixando bem visíveis as influências da pintura italiana.

Obs.: A faixa, acima da cabeça da figura, não é original.

Ficha técnica
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 67 x 76,5 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Eliseu Visconti – GIOVENTÚ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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“Giovantù” é um dos quadros mais intrigantes da história da arte pátria. Guardada as devidas proporções, poderia ser definido como uma espécie de “La Gioconda Brasileira”. (Rafael Cardoso)

 O esplendor da vida ardendo no seu franzino busto de menina a se fazer moça. (Gonzaga Duque)

 A composição simbolista Giovantù, exposta pela primeira vez com o nome de Mélancolie, é obra do pintor brasileiro Eliseu Visconti, que a compôs em Paris, quando ali estudava como bolsista da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Sua pintura participou da Exposição Universal de 1900, sendo premiada com a medalha de prata. É vista como uma das obras-primas da pintura brasileira, ou seja, como sendo a nossa “Mona Lisa”.

Segundo o escritor e historiador da arte Rafael Cardoso, “Gioventù, como imagem, só pode ser devidamente compreendida se reconhecermos que foi pintada para se comunicar com o exigente público parisiense, envolto nesse caldo cultural simbolista, e não para o público brasileiro da época,  relativamente acanhado.”, o que comprova a frieza com que a obra foi recebida no Brasil, em 1901.

O título do quadro “Gioventù” (“juventude” em italiano) é muito genérico e em quase nada contribui para a elucidação da obra, ou seja, sobre aquilo que o artista pretende repassar mais profundamente através dela, além do óbvio que é mostrar a juventude. Citando ainda Rafael Cardoso, ele diz que “As alegorias visuais costumam ser construídas a partir da decodificação complexa de elementos, alguns convencionais, outros não. O interesse delas reside justamente na possibilidade de ir além da obviedade – ou seja – acrescentar algo novo a um velho discurso.”. Por se tratar de um quadro simbolista, Gioventù é uma obra fechada, ou seja, de difícil compreensão, que necessita da acuidade do observador para compreendê-la.

Eliseu Visconti usou, em sua composição, uma paisagem outonal para inserir sua personagem, que ainda se encontra na puberdade, em primeiro plano. Ela está assentada em uma lage, banhada pela luz da manhã, de frente para o observador, fitando-o tranquilamente, como se dele estivesse muito próxima. Traz o braço direito levantado em direção ao rosto, tocando o queixo com o dedo indicador, no qual enrola um cacho dourado dos longos cabelos, que lhe caem pelas costas e ombros, enquanto a mão esquerda descansa calmamente em seu colo. A jovem está coberta da cintura para baixo com um tecido transparente, e traz o dorso nu. Seus pequeninos seios mostram que ainda se encontram em formação. Ela se mostra cismativa e meio tristonha.

O bosque, que se descortina atrás da jovem, serve de pano de fundo para a sua delicada figura. Ao contrário dela, cuja representação possui volume e relevo, sendo minuciosamente trabalhada, o bosque e as pombas parecem figurar apenas como cenário teatral, pintados, digamos assim, grosseiramente. Tal tratamento faz com que a figura da jovem destaque-se ainda mais. Portanto, o tosco acabamento da pintura de fundo não se deve ao desmazelo do artista. Tudo foi intencional, a fim de contemplar seu objetivo.

As pombas brancas, que fazem parte da narrativa cristã, como símbolo da pureza, inocência e da espiritualidade, postam-se à direita e à esquerda da garota. Uma das três aves, à direita, chega a encostar o bico no seu braço. É possível perceber que elas atravessam a composição da esquerda para a direita, passando por trás da jovem. As aves são atributos, no caso, da juventude, que é inocente, sublime e passageira. As flores de murta, vistas atrás da garota, remetem à primavera da vida adulta. À direita da jovem figura um pequeno curso de água, atrás da folhagem, que remete, em sentido figurado, ao caminho da vida.

Normalmente na tradição pictórica, o rosto e as mãos, as partes mais expressivas da figura humana, possuem um acabamento mais refinado. Porém, aqui não é o caso, pois tal detalhamento deve-se à sua importância simbólica. Em sua análise, Rafael Cardoso chama a atenção para o remate da mão que jaz no colo, explicando que ela serve de contato entre a figura e o observador. E, ao pegar essa mão, ele sobe com os olhos pelo antebraço esquerdo da jovem, chega ao queixo apontado por ela, e termina na boca de carmesim, cor mais forte e quente, local onde se dá a transição entre a inocência e a maturidade que se aproxima.

A conclusão a que chega o perspicaz observador, ao analisar este quadro, é a de que ele não representa coisas reais, mas tão somente ideias abstratas. Tudo é, portanto, simbólico, bastando ponderar sobre o modo como o artista fez sua pintura, ou seja, o tratamento pictórico dado a ela.

Ficha técnica
Ano: 1898
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65 x 49 cm
Localização: Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de Pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso
Eliseu Visconti/ Coleção Folha

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Cornelis Cornelisz van Haarlem – BETSABÉ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Betsabé, também conhecida por Betsabé em sua Toalete e Betsabé no Banho, é uma obra do pintor e mestre holandês Cornelis Cornelisz van Haarlem (c. 1520-1576), que foi aluno de Jan van Scorel. O artista trabalhou nas cortes de Portugal, Inglaterra e Espanha, mas voltando sempre à sua cidade natal de Utrecht. O artista foi responsável por criar belas composições com nus musculares, com expressões orgulhosas, em escorços ousados.

Em seu quadro acima, o artista pintou a figura bíblica de Betsabé, também conhecida por Betsabá ou Bate-Seba, enquanto ela se banhava ao ar-livre, acompanhada por duas de suas servas. A senhora encontra-se nua, mas portando suas joias. Um pequeno manto vermelho está jogado no seu ombro direito, enquanto um tecido transparente cobre sua púbis. À sua esquerda encontra-se sua túnica amarela.

É no momento do banho que ela  é vista pelo rei Davi, do telhado de seu palácio. Ele pede que a mulher seja levada à sua presença, e apaixona-se imediatament por ela, que  se torna uma de suas esposas, a oitava, embora fosse casada com o soldado Urias, que depois morre na guerra (Samuel, 11:1 a 12:25).

Cornelis Cornelisz van Haarlem, curiosamente, não representa o rei hebreu em sua composição. Sua presença é informada através da visão do castelo à distância. Também chama a atenção o corpo meio masculino da serva que se encontra de costas para o observador.

Ficha técnica
Ano: c. 1594
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 77,5 x 64 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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