Vicente do Rego Monteiro – A MULHER E A CORÇA

Autoria de LuDiasBH

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A composição A Mulher e a Corça é uma obra do pintor brasileiro Vicente do Rego Monteiro, que faz uso de um tema mitológico, que alude à deusa grega guerreira de nome Diana. O pintor deu o nome de Diana a outros trabalhos seus.

A deusa encontra-se nua, abraçada a uma corça. Sua figura volumosa está de pé. Seu rosto, inclinado para baixo, traz sombrancelhas e nariz em forma de T, símbolo do poder absoluto e infinito entre os povos primitivos. Seus seios, abdômen e patelas são definidos por formas circulares. Ela traz os braços em forma de arco, o que lembra sua arma de caça. O braço direito circunda o pescoço da corça, enquanto o esquerdo jaz no ar. Seu gesto manifesta carinho e docilidade. Seu rosto, voltado para o animal, está perpendicular ao desse.

Um animal avantajado desponta na tela, à esquerda. Sua cabeça, que ultrapassa a da corça, está próxima à de Diana. Ele também observa a corça. O conjunto das três figuras forma uma composição piramidal invertida.

A perna esquerda da deusa encontra-se na frente da direita, enquanto a perna direita da corça está à frente da esquerda. Tal postura é indicativa de movimento. Ou seja, Diana e a corça estão andando. O braço esquerdo da deusa também leva a tal compreensão.

O artista ornamenta sua tela com nuvens e flores estilizadas. Uma sombra escura aparece debaixo das nuvens, e contorna parte do corpo de Diana e da corça.  Ela tem como finalidade dar sensação de relevo e volume às figuras.

Ficha técnica
Ano: 1926
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 91,3 x 64,1 cm
Localização: Acervo do Museu do Estado de Pernambuco, Brasil.

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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Vicente do Rego Monteiro – O CAMBITEIRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Cambiteiro é uma obra do pintor brasileiro Vicente do Rego Monteiro, cuja temática é nordestina. Segundo o dicionário Aurélio, “cambiteiro é o indivíduo empregado para transportar, em costas de animais, lenha, cana-de-açúcar, capim, etc.”. O “cambito”, por sua vez, é o nome que se dá ao gancho de madeira duplo que, posto sobre a cangalha dos animais, serve para transportar ou cambitar (carregar em cambitos).

A pintura apresenta três diferentes planos:

  • no primeiro encontram-se as figuras do rapaz e do animal;
  • no segundo erguem-se as montanhas;
  • no terceiro está o céu.

A tela apresenta um jovem rapaz conduzindo seu burrinho. É o cambiteiro. Encontra-se vestido de branco, camisa e calça dobrada no joelho, com um cinto de couro abaixo da cintura, prendendo as calças e segurando uma capanga atrás, dentro da qual desponta o cabo de uma faca. Na cabeça o moço traz um chapéu de couro, preso ao queixo. A mão direita segura um chicote, cujo cabo forma a diagonal principal, à qual se agregam outras linhas. A posição das pernas do homem e das pernas do animal indica que eles estão em movimento.

O animal, à frente do rapaz, segue livremente com sua carga. O par de cambitos é responsável por segurar os feixes de palha. O primeiro cambito posiciona-se no centro da tela, dividindo-a verticalmente.

Montanhas escuras levantam-se ao fundo. O chão, por onde passam o moço e o burro, e as montanhas são formados por diagonais que se cruzam. Em primeiro plano, na base inferior da composição, erguem-se algumas plantinhas. Em meio às montanhas encontra-se o céu azul. Excetuando a cor da vestimenta do rapaz e a do céu, a cor ocre, em “dégradé”, compõe a tela.

Ficha técnica
Ano: 1961
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 99 x 72 cm
Localização: Acervo da Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil.

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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Vicente do Rego Monteiro – SANTO ANTÔNIO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

Santo Antonio

A pintura Santo Antônio Falando aos Peixes é uma obra do pintor brasileiro Vicente do Rego Monteiro, de temática religiosa. Representa a visão  do santo conversando com os peixes. Esta é  segunda tela do artista com o mesmo tema.

Santo Antônio está postado de perfil, voltado para a direita da tela, onde se encontram os peixes, também na vertical. Sua figura é morena, bem semelhante à dos índios brasileiros. Ele usa um hábito que desce até seus pés, cingido por um cordão. A cor de sua vestimenta é quase igual à de sua pele. Traz as mãos levantadas, com as palmas viradas para os peixes, simbolizando que é para eles que dirige suas palavras. O fundo ocre e as linhas mais claras em torno do cordão, capuz e braço, são responsáveis por dar relevo à figura do santo. O modo como a figura foi pintada está de acordo com a representação popular feita pelos oleiros e santeiros nordestinos e do Vale do Jequitinhonha.

Dezoito peixes, em cor marrom-avermelhada, dispostos em águas de cor verde, estão de frente para o santo, como se o observasse atentamente. As ondas, representadas por linhas brancas, ao mesmo tempo em que os apoia, repassam a ideia de movimento e sensação de relevo, ao arremessar os peixes para fora da água.

Esta tela foi pintada no ano da morte do artista.

Ficha técnica
Ano: 1970
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 83,5 x 48 cm
Localização: Acervo do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife, Brasil

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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Vicente do Rego Monteiro – TÊNIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

tenis

A composição Tênis é uma obra do pintor brasileiro Vicente do Rego Monteiro. O tema esteve muito em voga nos anos 1920, o que levou o pintor, que morou em Paris, a representá-lo, realizando três telas com tal temática.

Presentes na tela estão duas figuras delgadas: uma feminina e outra masculina. Ambas participam de uma partida de tênis. O casal foi capturado pelos pinceis do artista, quando se encontrava em em ação, como se se tratasse de um instante fotográfico.

A mulher, trajando um vestido branco diáfano, é quem faz a jogada. Sua postura no lance repassa-lhe um ar de bailarina. Seu companheiro de jogo, assim como ela, observa a bola que toca na rede. O gesto sincronizado do casal leva também o observador a buscar, com os olhos, a bolinha branca na rede.

A figura masculina traz o corpo voltado para o lado esquerdo da tela, com um dos pés deslocando-se do chão, e a cabeça em direção contrária, trazendo a impressão de que se encontra em movimento. Por sua vez, a figura feminina, no ar, demarca o centro da composição. Seu corpo parece se fundir com as linhas do espaço, quebradas apenas pelo seu gesto de rebater a bola.

Se o observador der-se à tarefa de tirar as raquetes das mãos das duas figuras, e a pequena parte da rede e a bola,  a cena poderá ser vista como um balé. Somente alguém tão chegado às cenas de danças, como Vicente do Rego Monteiro, poderia captar tanta sincronia, sensualidade e beleza num jogo de tênis.

Ficha técnica
Ano: 1928
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 99 x 78,5 cm
Localização: Acervo dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, Brasil.

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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Historiando C. Buarque e E. Lobo – ODE AOS RATOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

rato

O homem assentou-se no banquinho da praça, buscando calor, naquela manhã fria de inverno. Encostou a cabeça no espaldar do banco, voltando o rosto para cima, em busca dos raios solares. Não demorou muito para que sentisse algo macio roçando seus pés. Imaginou que fosse algum cãozinho de madama. Mas a tentativa de subir-lhe pelas pernas, passando pela boca da calça, alertou-o para que descobrisse qual seria aquele ser tão audacioso. Era um “Rato de rua/ Irrequieta criatura/ Tribo em frenética/ Proliferação/ Lúbrico, libidinoso/ Transeunte/ Boca de estômago/ Atrás do seu quinhão”. Tomado pelo asco, ele sacudiu as pernas longas, botando o atrevido invasor em fuga.

Voltando à posição de antes, o homem lembrou-se dos artigos, que lera na internet naquela manhã, sobre os “ratos do erário público”. E pôs-se a fazer comparação entre os ratos humanos e os ratos bichos. Todos eles – pensou – “Vão aos magotes/ A dar com um pau/ Levando terror/ Do parking ao living/ Do shopping center ao léu/ Do cano de esgoto/ Pro topo do arranha-céu”. Os segundos são guiados pelo instinto com que os dotou a natureza. Os primeiros, no entanto, são pérfidos, cruéis, pois maquinam e pactuam com seus iguais. Estão em todos os lugares, onde possam surrupiar aquilo que jamais lhes pertenceu. Vivem no esgoto da velhacaria, embora habitem luxuosas mansões ou belos arranha-céus, indiferentes ao destino da nação.

O “Rato de rua/ Aborígene do lodo/ Fuça gelada/ Couraça de sabão/ Quase risonho/ Profanador de tumba/ Sobrevivente/ À chacina e à lei do cão”. O rato do erário, sempre risonho, é um aborígene da cobiça, profanador da legalidade, fruto da falta de justiça, que submete seu país à lei do cão. Cada um deles é “Saqueador/ Da metrópole/ Tenaz roedor/ De toda esperança/ Estuporador da ilusão/ Ó meu semelhante/ Filho de Deus, meu irmão”.

O calor do sol foi se tornando mais intenso à medida que a manhã ia sendo deixada para trás. Ratos quadrúpedes corriam ligeiros pela praça, enquanto os bípedes tramavam em ambientes atapetados. E o homem, de volta para casa, seguiu murmurando estupefato acerca de seu parentesco com o rato, qualquer que fosse ele: “Ó meu semelhante/ Filho de Deus, meu irmão”.

Obs.: ouça a música ODE AOS RATOS

Nota: imagem copiada de ratomfelix.blogspot.com

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Vicente do Rego Monteiro – DEPOSIÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

depos

A pintura Deposição, também conhecida por Pietá, é uma obra do pintor brasileiro Vicente do Rego Monteiro. Em sua tela de temática religiosa, ele representa a deposição de Cristo da cruz. O artista fez outras telas com temas religiosos, sempre imbuído da preocupação em adaptar, para uma linguagem moderna, os temas tradicionais da arte sacra.

A Virgem Maria ocupa o centro da tela na vertical. No colo ela traz seu filho Jesus,  depois de ser descido do madeiro. A Virgem Mãe encontra-se declinada em direção ao corpo do filho morto. É possível ver um fragmento da cruz em cor marrom às suas costas. Seus braço direito e cabeça estão paralelos ao corpo do filho. Sua expressão é de profunda dor.

Outra figura de perfil encontra-se à esquerda de Maria, podendo ser a representação de José de Aritmateia. Sua cabeça na vertical está alinhada com a de Jesus, também na vertical, e com a da Virgem na horizontal. Ele segura o corpo do Mestre, abaixo dos braços, dando a impressão de que seu braço esquerdo seja também o de Maria, ao abraçar o filho. José encontra-se ajoelhado. Todas as figuras estão descalças.

O corpo de Cristo na horizontal traz a mão direita estendida horizontalmente e a esquerda pendida verticalmente. Marcas ensanguentadas na testa remetem ao uso da coroa de espinhos, enquanto feridas nos braços e nas pernas lembram o uso dos pregos no seu suplício na cruz. Seus olhos estão abertos e de cada um deles brota uma lágrima de sangue. De sua boca fechada também escorre sangue no canto direito. Seus pés, que pendem do colo de Maria, parecem não tocar o chão.

Em razão da proximidade as três figuras formam um único bloco, como se se tratasse de uma escultura. A ausência de pescoço, o formato das mãos e dos pés, assim como o seio e as patelas, representadas por pequenos círculos, e também a cor terrosa, remetem à arte marajoara. Pela presença de nuvens que despontam, conclui-se que se trata do anoitecer.

Ficha técnica
Ano: 1966
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 59 x 72 cm
Localização: Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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