Hans L. Schäeufelein – A AGONIA NO HORTO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O designer, xilogravurista e pintor alemão Hans Leonhard Schäufelein (c.1480-1540), embora pouco conhecido, é responsável por obras belíssimas. Muito pouco se sabe sobre sua formação inicial. Até mesmo o nome de “Leonhard” não possui documentação, sendo, provavelmente, introduzido por Albrecht Dürer. Presume-se que tenha sido aluno de Michael Wolgemut e, em sua juventude, ajudante de Dürer, sendo enorme a influência do último sobre seu trabalho gráfico e pinturas. Pode ter prestado serviço na loja de Hans Holbein, o Velho. Trabalhou com o Imperador Maximiliano em grandes projetos de xilogravura. Foi responsável por inúmeras pinturas religiosas. Interessante foi o fato de o artista ter criado um baralho em 1535, visto como o ponto alto da produção de baralhos na Alemanha do século XVI.

A composição Agonia no Horto é uma das belas obras religiosas do artista. A passagem bíblica conta que Jesus passava por um intenso sofrimento no Horto das Oliveiras, sabendo que a hora de sua morte aproximava-se. Os discípulos que o acompanhavam dormiram, enquanto Cristo pedia forças ao Pai para superar aqueles momentos de intenso sofrimento.

Jesus, com sua vestimenta azul, encontra-se ajoelhado no Jardim do Getsêmani em oração, voltado para a direita, com os olhos direcionados para o céu. Ele não traz uma auréola em sua cabeça como prova de sua divindade. O artista quis mostrá-lo como homem que teme o sofrimento e a morte e a eles será entregue. Num plano inferior ao dele, à sua frente, estão três de seus discípulos: Pedro, Tiago e João que dormem profundamente. Cristo pediu-lhes que vigiassem, enquanto ele rezava.  Judas Iscariotes, o discípulo traidor, surge na estrada ao fundo, à esquerda, atravessando uma ponte que leva ao local, onde se encontra Jesus, acompanhado dos soldados de Pilatos que irão prender o Mestre.

Ficha técnica
Ano: c.1540
Técnica: óleo sobre tília
Dimensões: 50,8 x 38,7 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/artist-info.1863.html

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Juan Rizi – A ÚLTIMA MISSA DE S. BENEDITO

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Autoria de LuDias Carvalho

O pintor espanhol Frei Juan Andrés Ricci, também conhecido como Frey Juan Rizi (1600- 1682) era filho do pintor italiano Antonio Ricci de Ancona que se mudou para a Espanha juntamente com Zuccaro, no ano de 1585, e irmão de Francisco Rizi. Seu pai foi provavelmente seu primeiro professor. Rizi, pintor do período do Barroco, destaca-se entre os pintores mais conservadores e comoventes da Idade do Ouro espanhola no que diz respeito às suas obras religiosas, tidas como excepcionais. Sofreu influência dos trabalhos de Carducho. Grande devoto da Virgem Maria, o pintor, aos 17 anos de idade, escreveu um livro sobre ela, o que o levou a ingressar no mosteiro beneditino de Montserrat, onde foi professor. Em Madri ele trabalhou como mestre de desenho do príncipe Baltasar Carlos. Escreveu um tratado sobre a arquitetura e a geometria da pintura, intitulado “Pintura Sábia”. Veio a morar na Itália, onde faleceu.

A composição intitulada A Última Missa de São Benedito e também A missa de São Benedito é obra do artista, executada sob a encomenda do mosteiro de San Martín em Madri/Espanha. A pintura, carregada de grande solenidade sacra, é dotada de um vocabulário formal simples, sendo que as figuras fazem uso de uma vestimenta pesada. Encontram-se presentes na cena três figuras humanas:

  • São Benedito – o celebrante
  • um fransciscano que segura o suntuoso manto do santo e
  • um coroinha de costas para o observador, responsável por ajudar o santo na celebração. 

A composição retrata o momento em que São Benedito levanta a hóstia que representa o Corpo de Cristo. À esquerda, junto ao altar, uma pequena mesa, forrada com uma toalha branca de franjas, traz sobre si os objetos sacros que são usados durante o ofício e que compõem uma maravilhosa natureza-morta.   

Ficha técnica
Ano: 1650/60
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 281 x 212 cm
Localização: Real Academia de San Fernando, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições

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Roelas – ADORAÇÃO DO NOME DE JESUS

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Autoria de LuDiasBH

O pintor espanhol Juan Roelas (1560-1625) foi um dos responsáveis por ter revigorado a prática da pintura sevilhana. Nada se sabe sobre grande parte de sua vida. Dados sobre ele somente aparecem em 1597, quando assinou e datou uma gravura da “Elevação da Cruz”. Foi responsável por inúmeras encomendas para a catedral e para igrejas, vindo a tornar-se uma destacada figura em Sevilha/Espanha. Foi para Madri com o objetivo de candidatar-se a uma vaga de pintor real na corte. Embora não tenha conseguido tal cargo, permaneceu na capital espanhola por cerca de quatro anos. Foi responsável pela criação de retábulos monumentais, abundantes em figuras e em ações.

A gigantesca composição religiosa intitulada Adoração do Nome de Jesus é uma obra do artista. Trata-se da tela central do retábulo do altar-mor da igreja jesuíta da cidade de Sevilha. A pintura está dividida em duas zonas: a celestial e a terrena – estrutura muito comum em toda a Europa católica e especialmente em Sevilha. O artista trabalhou de modo que a fusão entre estas duas partes fluísse delicadamente.

Na zona terrena a Sagrada Família ocupa o centro da tela. Outras quatro figuras masculinas ali se encontram presentes. As figuras humanas apresentam formas arredondas e mostram leveza e graça em seus gestos, sendo destacadas pelo fundo escuro. Possuem expressões vivas e variadas. O artista usou um controlado jogo de luz e sombra para enfatizar o efeito dramático.

A zona celestial que desce até o canto direito da tela – como se ali estivesse uma janela – está tomada por inúmeros anjos. O cristograma IHS – Jesus Salvador dos Homens – ocupa o centro superior da tela, sobre um fundo dourado. A cabecinha de inúmeros anjos alados surge por entre seus raios. Os anjos mais velhos – todos vestidos – tocam instrumentos musicais ou estão a indicar o cristograma, enquanto os pequeninos, nus, cargam buquês de flores.  As duas figuras abaixo também trazem impressas no peito o mesmo monograma – IHS.

A presença de uma mesa com toalha vermelha na cena e sobre ela uma bacia, tendo ao lado um homem – provavelmente um rabino – com uma toalha branca suja de sangue e uma faca nas mãos, leva-nos a crer que o Menino tenha sido circuncidado. Dois anjos, à direita, também parecem portar toalhas.

Ficha técnica
Ano: 1604/1605
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 534 x 335 cm
Localização: Capela da Universidade de Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições

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OS PROVÉRBIOS E AS OBRIGAÇÕES DA MULHER

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Autoria de Lu Dias Carvalho

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Segundo muitas culturas e, conforme mostram os provérbios nas mais variadas sociedades, a mulher deve efetuar suas tarefas caseiras no mais absoluto silêncio. E quais são essas tarefas? Em primeiríssimo lugar deve tratar de seu digníssimo esposo (companheiro) com a maior veneração, acima de qualquer outro ser existente na face do planeta Terra, conforme reza o provérbio japonês: “Encorajado pela galinha, o galo anuncia o dia”. Depois disso vem os cuidados com os filhos, a limpeza da casa, as tarefas da cozinha, os trabalhos manuais e o que mais houver para fazer.

Quem entra numa casa limpa e se senta à mesa não sabe o que custa”. Mas o que significa tal provérbio? Pois,  “Se o homem tem cozinheira, por que iria queimar os dedos?”. Além disso todos sabem que “A mulher foi criada para o lar”. A prepotência do machismo é tamanha que um provérbio persa diz que “A confiança em Deus é masculina, os cuidados terrenos são femininos”. Até o Criador tomou parte na história.

Ao dizer que “A mulher é uma roda em movimento; o homem é quem traz dinheiro para casa” está implícito no pensamento machista que cabe a ela os serviços domésticos. Até mesmo  quando ajuda o marido é motivo de troça: “A mulher do pasteleiro quando não está vendendo, está comendo”. E não adianta reclamar, pois, “Por muito inteligente que seja, a mulher acabará na cozinha”, diz um provérbio indonésio. “A panela e a mulher, na cozinha é que se quer dispara um provérbio chileno.

Segundo um provérbio argelino, para escolher uma boa companheira o homem deve “Ver como ela lava e torce roupa na fonte”. E não adianta a dita querer cantar de galo, pois ele sabe que,  “Quando a mulher veste calças, o marido esfrega o chão”. O macho reconhece também que “Mulher de avental não tem tempo de fazer mal”. É preciso também ficar de olho no que ela faz, uma vez que “A mulher, quanto mais se olha no espelho, menos tem olhos para a casa”. E se sobra tempo para a coitada, nada como tecer, fiar e bordar. O homem é extremamente agradecido à mulher, por isso, ele lhe diz: “Trabalha, esposa, e cavarei a tua sepultura com uma pá de ouro”, conforme reza um provérbio tuniziano. Que agrado maravilhoso!

Algumas culturas chegam até a reconhecer o trabalho duro que tem a mulher. Vejamos:

  • Tudo acaba, exceto o trabalho da mulher e os tormentos do inferno.(Dinamarquês),
  • As mãos da mulher e os dentes do cavalo nunca estão ociosos. (Holandês)
  • Jovem esposa de noite, besta de carga de dia. (Árabe)
  • Esposa minha, mula minha. (Russo)
  • O trabalho que cansa a mulher, derruba um homem. (Camarões).
  • Se uma mulher não canta, não trabalha. (?)
  • Se uma mulher quer que a respeitem, deve fazer seu trabalho com prazer. (?)

Para finalizar os provérbios de hoje, eu não poderia deixar de citar esta pérola da cultura chinesa: “Uma família prospera se a mulher souber fazer o trabalho do homem e entra em decadência se o homem tentar fazer o trabalho da mulher.”

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

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OS PROVÉRBIOS E A INFIDELIDADE

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Autoria de Lu Dias Carvalhogandhi1345

A fidelidade diz respeito à constância nas afeições. Se entre amigos ela já é bastante exigida, imaginemos então na vida dos casais. E é justamente aí que a porca torce o rabo. Embora nas culturas monogâmicas a fidelidade seja igualmente cobrada a homens e mulheres, noutras que aceitam a poligamia o macho fica solto igual o diabo gosta, sob o argumento de que em “homem nada pega”, cantilena que tem atravessado gerações. Quem nunca ouviu isso em sua família?

É exatamente no trato com a fidelidade que estão os mais pitorescos provérbios. Através deles podemos fazer uma viagem no tempo pelas mais diferentes culturas. E mais uma vez o homem leva vantagem, sob a premissa de que é especial. Diz um provérbio vietnamita que “O homem pode ter mais de uma mulher; mas uma mulher decente só tem um homem”, e um estoniano completa: “Se um homem peca, é como cuspir pela janela; se fora a mulher a pecar, é como lançar o escarro de fora para dentro da casa“. Como pode se ver, a infidelidade do homem é tida como insignificante, enquanto a da mulher torna-se um crime imperdoável, como diz um provérbio russo: “O pecado do marido fica fora da soleira, o da mulher entra na casa“.

Se o fruto é do vizinho, o melhor é passar bem longe de seu quintal. O corporativismo do macho reza que “Não se deve provar a mulher de outro homem”, pois respeito é bom e ele gosta e um homem precavido “Não põe o pé em sapato alheio” e muito menos “Cobiça a comida alheia” ou “Deseja a galinha de outro”.

A mulher é sempre vista como objeto: fruto, sapato, comida e até mesmo como galinha. E, para dar maior visibilidade aos privilégios do macho, um provérbio indiano amedronta o mais afoito: “É melhor caçar uma serpente e chupar seu veneno do que ter uma ligação com a mulher de outro homem”, embora “O prato mais saboroso é o da casa alheia”, o que não compensa a indigestão que virá depois, pois, conforme ensina um provérbio do antigo Egito “Quem dorme com mulher casada é morto à porta da casa”, portanto, “Quem quiser mulher casada não deve temer a morte”.

A coisa complica-se quando é a infiel que atraiçoa o marido. Aí a cobra fuma para ela, é claro. E se por uma infelicidade é o macho que saiu da relação com o coração ferido, ele não deve se preocupar, pois “As mulheres são como ônibus: parte um, chega outro”, diz um provérbio venezuelano. E um peruano confirma que “As mulheres são como as rãs: para cada uma que afunda no brejo, quatro sobem à superfície”. E, para fechar tamanha provocação, um provérbio brasileiro reza que “As mulheres são como as balas de um revólver: sai uma pelo cano e a outra já está preparada no tambor.”. Que danura, sô!

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

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Vicente do Rego Monteiro – O BOTO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada O Boto é uma obra do artista brasileiro Vicente do Rego Monteiro, que retrata uma lenda muito conhecida na região Norte do país, sobre o boto, também conhecido como peixe-boto. Segundo a lenda, o peixe-boto transforma-se num belo rapaz para seduzir as mulheres.

Em sua obra, feita em aquarela e nanquim, o artista retrata o boto já transformado em homem. Nos seus braços possantes, ele carrega uma jovem índia nua, cujo corpo rígido e imóvel  corta uma das diagonais da tela. Sua cabeça pende-se para a esquerda, em direção à do jovem. Um adorno de corda cinge-lhe a perna direita.

O jovem homem (boto) dividide a composição ao meio. Na cabeça traz um majestoso ornamento. Usa uma tanga com adornos que descem pela frente e por trás do corpo. No pescoço traz um colar. Ambas as figuras são alongadas, e os traços do rosto estão em conformidade com os das gravuras japonesas dos séculos XVIII e XIX, evidenciando a influência recebida pelo artista.

O homem é retratado na água, onde dois círculos formam-se em torno de suas pernas, imersas até os joelhos. Na parte superior da tela, atrás dos dois personagens, encontra-se um grande círuculo colorido, com dez hastes em volta, como se fosse um sol, mas ao mesmo tempo enfeita o boto, como se dele fizesse parte, ou tivesse a intenção de mostrar a sua imponência e força.

Atrás das figuras em segundo plano há o que parece ser um rio, cortado por afluentes e também montanhas. Presume-se que seja o palácio do boto. Para conhecer a lenda consulte o índice do site.

Ficha técnica
Ano: 1921
Técnica: aquarela e nanquim sobre o papel
Dimensões: 35,4 x 26 cm
Localização: Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Vicente do Rego Monteiro/ Coleção Folha

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