Historiando Chico Buarque -TEM MAIS SAMBA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Vem que passa/ Teu sofrer/ Se todo mundo sambasse/ Seria tão fácil viver. (Chico Buarque)

Maria Abigail botava seu vestido verde decotado, ajeitava os cabelos negros como a asa da graúna e enfeitava-os com um laço do mesmo tecido, como gostava Juvenal, e ficava olhando através da janela de seu barraco, com os olhos marejados de saudade. E ali permanecia desde o surgir ao esconder-se do sol, à espera de seu homem. Eram salgadas as águas do mar assim como as que desciam de seus olhos amendoados. Seu coração era um ferida viva sangrando por todos os lados, adornado por um fiozinho de esperança.

Juvenal levantara-se ao amanhecer, quando um vento frio ainda se enfiava pela cobertura do barraco. Tomou uma caneca de café forte, deu um abraço e um beijo demorados na mulher, e saiu coberto por um manto encardido de velhas redes de pesca, trançadas por suas mãos calejadas pelo exaustivo trabalho. Não era fácil a vida de pescador, mas era a única que tinha. E o que tem que ser feito ainda está por fazer. Pegou remo, ainda no escuro, e pôs-se a caminho. Os companheiros esperavam-no em suas toscas canoas.

Ao entardecer daquele dia, Maria Abigail e as outras mulheres, como sempre faziam, esperavam prazenteiras por seus homens na praia, entre cantorias e risadagens. Mas Juvenal não estava entre eles. Fora tragado por um turbilhão de água, no meio da tempestade. Toda procura resultara em vão. Agora habitava o reino de Iemanjá. Ela nunca mais sentiria seu aconchego e o suor de seu corpo.

O poeta, para minimizar a tristeza de Maria Abigail, contou para ela que “Tem mais samba: no encontro que na espera/ a maldade que a ferida/ no porto que na vela/ o perdão que a despedida/ nas mãos do que nos olhos/ no chão do que na lua/ no homem que trabalha/ no som que vem da rua/ no peito de quem chora/ no pranto de quem vê”. Disse-lhe também, que na alegria, cultivasse a memória de seu bem-querer, pois “Que o samba não tem lugar nem hora/ O coração de fora/ Samba sem querer”. E finalizou: “Vem que passa/ Teu sofrer/ Se todo mundo sambasse/ Seria tão fácil viver”.

Obs:. ouça a música – TEM MAIS SAMBA

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Rubens – O RAPTO DE GANIMEDES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada O Rapto de Ganimedes é uma obra do pintor barroco Peter Paul Rubens, o mais importante de todos os pintores flamengos do século XVII. Ele tinha na mitologia um de seus principais temas.

Rubens retrata o momento em que Ganimedes — o príncipe troiano — é raptado por uma águia negra, na qual Zeus metamorfoseara-se para aproximar-se do jovem por quem se apaixonara perdidamente. De frente para o observador e com a cabeça voltada para a esquerda, a águia nas nuvens, com suas grandes asas abertas, carrega o jovem para o Monte Olimpo, morada dos deuses.

Ganimedes nu, com um manto vermelho a cobrir-lhe a púbis, apoia-se na asa direita da ave. Ele tem a cabeça voltada para a esquerda, acompanhando a mesma direção da cabeça da águia. O jovem recebe de Hebe, a deusa da juventude, uma bebida num cálice de ouro, um sinal de que ele a ajudará a servir o néctar dos deuses, tornando-se seu ajudante nessa tarefa.

Uma segunda cena acontece à esquerda, na parte superior, mostrando os deuses reunidos no palácio de Zeus em torno de uma mesa no Olimpo, sendo servidos por pequenos cupidos — lugar para o qual será levado o jovem raptado.

Conta o mito que Zeus (Júpiter) ao ver Ganimedes, príncipe troiano, quedou-se de amores por ele, quando esse cuidava do rebanho do pai. O deus dos deuses que sempre fora liberal quanto ao sexo, logo tratou de arrumar um meio para aproximar-se do mortal. Como tinha o poder de metamorfosear-se naquilo que bem quisesse, Zeus tomou a forma de uma águia e raptou o moço, possuindo-o em pleno voo, tamanha era a sua cupidez. E mesmo tendo conhecimento do ciúme doentio de sua esposa Hera (Juno), levou o belo para o Olimpo. Ali Ganimedes passou a servir o néctar dos deuses, bebida responsável pela imortalidade desses.

Alguns dizem que o jovem Ganimedes tomou o lugar da deusa Hebe, outros que apenas tornou seu ajudante. Ele passou depois a fazer parte da constelação de Aquário, ali colocado por Zeus.

Curiosidades
• Segundo Platão, o mito de Ganimedes foi inventado pelos cretenses com a finalidade de legitimar as relações eróticas entre homens e meninos.
• Xenophon dizia que o mito simbolizava a superioridade do espírito em relação à carne.

Ficha técnica
Ano: 1611-1612
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 203 x 203 cm
Localização: Palácio Schwarzenber, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Rubens/ Editora Taschen
http://www.liechtensteincollections.at/en/pages/artbase_main.asp?module

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CAMPANÁRIOS DE MINAS GERAIS

Autoria de Luiz Cruz

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Os campanários, os sinos e seus toques representam um dos traços mais expressivos da nossa cultura. Tanto que o “Toque dos Sinos”, em Minas Gerais, foi reconhecido como Patrimônio Nacional, através do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e inscrito no Livro das Formas e Expressões, em 2009, tendo como referência as cidades de Catas Altas, Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Tiradentes. O “Ofício de Sineiro” também foi reconhecido como Patrimônio Nacional pelo IPHAN, e inscrito no Livro de Registros dos Saberes, no mesmo ano.

O Brasil herdou de Portugal a tradição dos sinos, que aqui logo foi assimilado como exímio instrumento de comunicação. Por isso, teve que ser instalado em locais mais elevados, para que o som alcançasse os mais longínquos lugares. E, para cumprir bem sua função, foram levados para o alto das torres. Porém, nem todos, ao circular pelos mais bucólicos cantos de Minas, podem apreciar curiosas soluções de campanários, entre elas destacam-se as aplicadas ao da Capela de Sant’Ana, em Mariana, instalado no adro, mas afastado da edificação e utilizando-se apenas de madeira e um pequeno telhado. Ou ainda o da Capela de São João, em Ouro Preto, uma das mais antigas da localidade. O sino foi afixado ao lado do templo, elevado apenas por uma coluna de alvenaria e protegido por um telhadinho. Sua colocação próxima aos fiéis e visitantes de forma tão simples, mas com graça, encanta-nos.

Há diversas soluções arquitetônicas singelas para os campanários, mas há também projetos altamente sofisticados e de autoria dos melhores arquitetos, ou mestres pedreiros, como os da Capela de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, criação do Mestre Aleijadinho. A cidade possuiu outros interessantes como os das capelas de Nossa Senhora do Carmo e do Rosário ou ainda o da Casa de Câmara e Cadeia – o atual Museu da Inconfidência. É importante salientar que ao longo dos séculos XVIII e XIX os sinos foram os instrumentos de comunicação tanto da Igreja quanto do “Poder Público”. Ainda merecem destaque os campanários das capelas de Nossa Senhora do Carmo, São Francisco de Assis e o da Casa de Câmara e Cadeia da cidade primaz de Minas – Mariana – tanto pela sofisticação arquitetônica quanto pela harmonia com que compõem uma das mais significativas paisagens mineiras.

São João del-Rei destaca-se no universo de campanários com soluções arquitetônicas bem peculiares e belas. Os campanários das capelas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo são em cantaria de pedra, têm os elementos decorativos em xistos verdes. São sólidos como fortalezas. Os campanários da Matriz de Nossa Senhora do Pilar foram edificados em cantaria de pedra, com espacialidade moderna para o período de sua construção, cujo acesso é através de uma complexa estrutura de madeira, que contrasta com a cantaria, cativando nossa atenção. Provavelmente, os campanários, os sinos e seus toques constituem um dos maiores atrativos da Semana Santa de São João del-Rei, que atualmente é considerada a mais completa do Brasil. Vale a pena visitá-la neste período e conferir este marco da cultura são-joanense.

Como os sinos são instrumentos que compõem o universo dos objetos litúrgicos, devem ser considerados também patrimônio e obras de arte, com certeza, precisam de cuidados para sua conservação e proteção:
• Todo sineiro deve aprender a usá-los com segurança pessoal, para sua proteção e conservação, buscando conhecer a história do sino para melhor desempenhar sua função.
• Conhecer os toques tradicionais dos sinos para assegurar a preservação dessa linguagem.
• Evitar dar manutenção sem o auxílio de profissional especializado, principalmente no badalo, pois bater o sino fora do batente traz um risco muito alto de rachá-lo ou trincar a bacia.
• Usar, preferencialmente, tiras de couro cru retiradas da barriga do boi para amarrar o badalo.
• Evitar intervenções na estrutura do corpo do sino para não comprometer o ajuste entre o corpo e a bacia, nem colocar pregos, pois aceleram a infiltração de águas na madeira.
• Buscar ajuda especializada para orientar a troca de peças para a manutenção do sino.
• Lubrificar, periodicamente, com graxa o eixo e o mancal do sino.
• Manter as torres limpas e fechá-las com tela evitando a presença de aves e outros animais.
• Amarrar a corda de couro no garfo, passando pela argola do badalo para os repiques, evitando-se o uso de arames ou cordas de nylon.
• O corpo do sino deve ser pintado para a proteção da madeira. A tinta feita com óleo de linhaça é mais indicada para melhor impermeabilização.
• Cobrir e proteger o sino quando ocorrerem obras na torre ou na sineira.
• Evitar dobres muito acelerados, pois, além de atípicos, trazem o risco de rachaduras e consequentemente o fim de sua utilização.

Nota: Campanário da Capela de Sant’Ana, em Mariana e Capela de São João, em Ouro Preto. Fotografia: LC

Referência
CRUZ, Luiz Antonio da. e BOAVENTURA, Maria José. Manual de Técnicas de Preservação e Manutenção de Patrimônio. Tiradentes: IHGT, 2016.
CRUZ, Luiz Antonio da. e BOAVENTURA, Maria José. Glossário do Patrimônio de Tiradentes. Tiradentes: IHGT, 2016.
DANGELO, André Guilherme Dornelles. BRASILEIRO, Vanessa Borges. Sentinelas sonoras. Belo Horizonte: e.43, 2013.
MARTINS, Judith. Dicionário de Artistas e Artífices dos séculos XVIII e XIX de Minas Gerais. Rio de Janeiro: MEC, Revista do IPHAN, 1974.

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SOMÁLIA – MODELO SOMALI FALA SOBRE SUA MUTILAÇÃO GENITAL

Autoria de Amanda Campos*

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Fechei meus olhos e rezei para que fosse rápido. E foi, já que desmaiei de tanta dor e só acordei quando já havia acabado. Foi horrível. Senti como se tivesse perdido um braço. (Waris Dirie)

Grande parte da população somali é analfabeta. Claro que acreditam em várias tradições. As mulheres não têm status social e são abusadas em todo a sua vida. Essa realidade precisa mudar. (Waris Dirie).

Waris Dirie tinha 5 anos quando foi circuncidada com navalha. O som rítmico dos tambores ainda ecoa nas suas lembranças, cada vez que ela ouve falar sobre mutilação genital feminina. Ela foi acordada pela mãe no meio da noite e levada a um local ermo. Quando viu uma mulher seguir em sua direção com uma lâmina de barbear quebrada, não teve dúvida: seria mutilada.

Depois do procedimento, Waris passou duas semanas recuperando-se com hemorragia e febre alta. Para acelerar a cicatrização, a criança teve pernas e tornozelos atados com tiras de pano por quase um mês. “Mesmo sendo apenas uma garotinha, sabia que aquilo era errado. Deus me fez perfeita. Não precisavam ter tirado uma parte de mim”, diz ela.

Apesar do sofrimento, Waris jamais se rebelou contra os pais. Pelo menos até os 13 anos de idade, quando a família avisou que ela teria que se casar com um homem bem mais velho. Na noite que antecedeu o matrimônio, a jovem fugiu de casa e buscou abrigo junto a um tio que trabalhava em uma embaixada. Levada por ele para Londres, na Inglaterra, ela se tornou empregada doméstica na casa do embaixador da Somália, mas fugiu depois de meses sem qualquer remuneração. Instalada em um albergue, a jovem conseguiu emprego em um restaurante do McDonal’s, onde acabou sendo descoberta pelo fotógrafo Terence Donovan e iniciou seu trabalho como modelo.

“Foi um choque para uma garota muçulmana que não conhecia nada do mundo como eu”, brinca Waris. “Depois disso, dei início à minha carreira. Foram muitos desfiles e trabalhos publicitários. Mas jamais esqueci da mutilação genital.” Para ajudar outras meninas que se submeteram à mutilação genital e evitar que milhares de outras sofressem a mesma dor, a ex-top model tornou-se ativista social e escreveu o livro “Flor do Deserto”, que posteriormente tornou-se filme com título homólogo e que teve a somali como co-produtora. Depois de anos como modelo, Waris passou a dedicar-se exclusivamente à “Desert Flower Foundation”, ONG que apoia mulheres afetadas pela mutilação genital e tenta proteger possíveis vítimas. Hoje, Waris mora em Viena com os filhos Aleeke e Leon.

*Nota: trecho retirado do Jornal Último Segundo.
Leiam a reportagem na íntegra acessando: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-04-23/desmaiei-de-dor-lembra-top-model-da-somalia-sobre-mutilacao-genital.html

Imagem copiada de http://www.polyvore.com/waris_dirie_hero_survivor_warrior
/set?id=36859387

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ÁFRICA – A ABLAÇÃO DA GENITÁLIA FEMININA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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 Na Somália, assim como em alguns outros países africanos e do Oriente Médio, as meninas são “purificadas” mediante uma prática considerada abominável no mundo civilizado: a ablação da genitália. Tal procedimento normalmente ocorre quando a garota completa quatro a cinco anos de idade. O clitóris e os pequenos lábios são cortados ou extraídos e toda a região é costurada, formando um cinto de castidade, mas de carne. Apenas um pequeno orifício permite a saída da urina. Ao se casar, tal costura é rasgada brutalmente para o coito, muitas vezes é cortada à faca pelo esposo.

A mutilação dos órgãos genitais da criança é anterior ao Islã, de modo que não são todos os muçulmanos que adotam tal procedimento. Assim como existem povos que o adotam, mas não são islâmicos. Na Somália, tal prática é muito usada, de modo que quase todas as meninas são submetidas à clitorectomia. A cultura do país usa o Islã como desculpa, mas, mesmo assim, os imames não desencorajavam tal prática ou a proíbem.

As garotas incircuncisas (que não foram infibuladas) são discriminadas e tidas como prostituas, possuídas pelo diabo. A maioria dos homens não se casa com garotas que não foram circuncidadas. Grande parte das moças solteiras que se engravidam, acabam se suicidando, por não aguentarem a humilhação e os castigos. Muitas se queimam vivas, antes que sejam mortas por pais ou irmãos. Uma criança, filha de mãe solteira, é tratada como pária. Sofre toda sorte de abusos e maus-tratos. É grande o número de crianças que morrem de dor e infecção, durante ou após a operação de clitorectomia. Outras complicações dolorosas acompanham as futuras mulheres pelo resto da vida, depois de serem expurgadas.

A clitorectomia é feita por pessoas comuns, sem nenhum conhecimento de medicina, tais como açougueiros, parteiras e avós. Não é usado nenhum tipo de anestésico ou antisséptico, e as crianças são instadas a não chorar, para não mancharem a honra da mãe. Até o sofrimento ali está ligado à maldita honra. Após a sutura das partes sangrando, a garota tem as pernas amarradas para facilitar a cicatrização, impedindo-a de andar. Urinar passa a ser outra tortura. As pernas são desamarradas e amarradas de novo, até que os pontos sejam tirados com a mesma brutalidade, muitas vezes com o tecido ainda inchado ou cheio de pus.

O objetivo da clitorectomia é impedir que as mulheres sintam desejos sexuais e se “transformem” em prostituas. Mas segundo informações de mulheres que já passaram por isso, e vivem agora no Ocidente, tal procedimento bestial e perverso não elimina o apetite sexual e nem a capacidade de ter prazer, como pensa a família da garota. Ou seja, não possui nenhuma outra eficácia que não seja a de mutilar fisicamente o corpo da mulher e levá-la a um sofrimento atroz, que a acompanha até a morte.

O que vemos na Somália é uma mentalidade feudal, alavancada por conceitos tribais de honra e vergonha, onde as mulheres são literalmente mutiladas, em nome da moral. Mesmo homens somalis, moradores em países liberais, voltam para a Somália para buscarem uma esposa sob a alegação de que as somalis de fora do país de origem são muito ocidentalizadas (vestem de modo indecente, desobedecem aos maridos e se misturam livremente com homens, em suma, não são baarris).

O mais triste é constatar que mesmo em países ocidentais, como na Holanda, França e o Reino Unido, as famílias de países em que se pratica a clitorectomia, ao se exilarem, levam consigo o mesmo costume perverso, praticando em solo estrangeiro a ablação da genitália feminina. Tais famílias precisam ser denunciadas e punidas severamente, de modo a proteger, principalmente, as crianças que não podem se rebelar contra a autoridade abusiva de seus pais. Nem mesmo as mães podem protegê-las contra a ignorância de uma cultura perversa, onde a “honra” justifica qualquer tipo de abuso cometido contra as mulheres, ainda que elas seja criancinhas inocentes e desamparadas, num mundo cão. Vejam também o artigo:

ÁFRICA – AS MULHERES NA CULTURA SOMALI

Nota: imagens copiadas de forum.outerspace.terra.com.br320 × 217  e
janeentrelinhas.blogspot.com

Fontes de Pesquisa:
Reconciliação (Benezir Bhuto)
Infiel (Ayaan Hirsi Ali)
Nove Partes do Desejo (Geraldine Brooks)

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O LADO BOM DA DESOSPITALIZAÇÃO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Muita gente acredita que, caso vier a ficar doente, é no hospital que receberá um melhor atendimento. As pessoas enxergam o hospital desta forma, pois é no âmbito hospitalar que existem todos os recursos humanos e de alta tecnologia ao nosso alcance. Isto pode estar correto, dependendo do caso. Entretanto, por outro lado, o tratamento fora do hospital tem inúmeros benefícios. A desospitalização pode ser um bom recurso para todos: hospitais, planos de saúde e pacientes.

A desospitalização é uma tendência mundial. Em países de primeiro mundo, como Inglaterra e Estados Unidos, a utilização da infraestrutura de um grande hospital acontece apenas nos períodos mais críticos da doença, ou seja, o leito hospitalar somente é utilizado nas fases agudas e não em fases crônicas. Um bom exemplo para o leitor entender melhor o tema é de uma pessoa que teve um acidente vascular cerebral (AVC). Na fase aguda, ele fica no CTI, em média, cinco dias após o evento. Após este período, quando ocorre a estabilização do quadro, o paciente é transferido para uma unidade de menor complexidade e, daí, para o quarto; entretanto, continua no hospital. Nos sistemas onde a desospitalização é comum, que este paciente, saindo do quadro agudo, irá se recuperar em unidades extra-hospitalares. Sai mais barato para o plano de saúde e melhor para o paciente, que se recupera mais rápido.

Continuando com o mesmo exemplo, esse paciente com sequela de AVC e que precisa de um suporte médico, de enfermagem e de reabilitação fisioterápica, nos EUA e Europa, normalmente é encaminhado para instituições de reabilitação (chamadas de “Nursing Homes” ou “Assisted Living”). Quando o tratamento de recuperação estiver terminado, recebe alta para casa. No Brasil, alternativas são oferecidas aos pacientes e suas famílias para reduzir o tempo de internação, entre as quais, hospitais de retaguarda, o já conhecido sistema de “home care”, no qual toda a estrutura hospitalar é montada na casa da pessoa ou para as instituições de longa permanência para idosos credenciados. Estas últimas ainda não exploradas pelas operadoras de saúde, pois certamente conseguiriam liberar leitos hospitalares, reabilitar os pacientes a um custo cinco vezes menor.

O objetivo da desospitalização não é dar alta precoce ao paciente. É fornecer todo o suporte para que o tratamento tenha continuidade com êxito por meio de iniciativas de tratamento extra hospitalar. Grandes hospitais mantêm, atualmente, um serviço permanente de detecção dos pacientes que estão internados, mas clinicamente estáveis. O hospital, então, entra em contato com os médicos assistentes e se a desospitalização for um caminho viável e seguro, inicia-se uma conversa com a família sobre essa possibilidade de tratamento longe do hospital. Quando a ideia é bem aceita por todos, a alta é programada.

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