Arte de Rua – NUNCA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Sempre me olho no espelho para pintar o olhar de uma personagem. Vejo-me como um registro ambulante de minhas experiências e procuro criar olhares claros e sutis. (Nunca)

Nunca é o nome artístico usado pelo grafiteiro paulista Francisco Rodrigues da Silva. O apelido tem a ver com a postura do artista diante dos rótulos que a mídia costuma impor à arte. Segundo ele, “nunca” irá restringir seu trabalho às restrições culturais ou mentais, pois o artista deve sempre estar aberto ao novo. Se alguns dizem que “nunca” é uma palavra que não deveria existir, aí está o artista desmentindo tal conceito, pelo menos até agora. Começou a trabalhar com o grafite a partir de 1994.

O mocinho é tão bom no que faz que no livro 2005 Graffiti Brasil, teve nada menos que um capítulo consagrado à sua obra, coisa que poucos conseguem. E tem como companhia gente de grosso calibre como Os Gêmeos e Nina Pandolfo. Foi com eles que participou de uma exposição de street-art (arte de rua) na Modern Tate Gallery, em Londres, em 2008, quando foi convidado por uma das galerias mais reconhecidas do mundo.

Assim como os amigos, Nunca tem visto seu trabalho ser cada vez mais reconhecido no Brasil e internacionalmente, principalmente na Europa. Seu desenho parece improvisado, sem se ater a cálculos precisos, mas são muito elaborados e passam uma mensagem bastante forte. É impossível ficar imune a eles. Nunca já fez trabalhos para marcas reconhecidas como a Nick e a Ray-Ban

Fontes de pesquisa
http://esteticaarte2009.blogspot.com.br/2009/08/uma-excelente-viagem-pelo-mundo-da-arte.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Francisco_Rodrigues_da_Silva

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Rubens – LA PETITE PELISSE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada La Petite Pelisse ou Elena Fourment com Peles é uma obra do pintor barroco Peter Paul Rubens, o mais importante de todos os pintores flamengos do século XVII. Na tela ele retrata sua segunda esposa, como se fora ela uma deusa mitológica com peles.

Rubens casou-se com Elena Fourment quando essa estava com 16 anos, a mesma idade do filho mais velho do pintor com sua esposa Isabella Brant que morreu aos 34 anos. Quando se casou pela segunda vez o artista contava com 50 anos. Apesar da grande diferença de idade, eles foram imensamente felizes. Elena serviu de modelo para várias telas do marido. O pintor barroco pintou-a muitas vezes, sozinha ou ao lado de seus filhos, sendo La Petite Pelisse a sua obra preferida, tanto é que a manteve sempre consigo. Em seu testamento deixou-a para sua esposa Elena.

Na composição La Petite Pelisse Elena encontra-se de pé com o corpo quase nu. Apenas parte dele está coberto por um casaco escuro de pele. Ela olha diretamente para o observador. No gesto de ajuntar os seios, como se estivesse a ocultá-los, mostra certa inocência.

Ficha técnica
Ano: 1638
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 176 x 83 cm
Localização: Kunsthistoriesches Museum, Viena Áustria

Fontes de pesquisa
Rubens/ Taschen
http://www.francetvinfo.fr/culture/expos/louvre-lens-trois-cles-pour-comprendre

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Pieter Bruegel, o Velho – PROVÉRBIOS HOLANDESES

Autoria de Lu Dias Carvalho
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A composição denominada Provérbios Holandeses é uma pintura do artista Pieter Bruegel, o Velho, em que ele faz a ilustração de mais de uma centena de provérbios holandeses e expressões idiomáticas, sendo muitos deles usados até os dias de hoje. A base para a pintura, assim como a de todo pensamento medieval, foi a Bíblia. O pano de fundo do quadro é a moral da época. E o artista, que era muito religioso, exercia em seus quadros a função de alertar as pessoas em relação ao pecado, responsável por levá-las para o inferno.

Em razão dos inúmeros provérbios e expressões idiomáticas, podendo alguns ter múltiplas interpretações, citarei apenas alguns:

1- A mulher de vestido vermelho (cor da luxúria), ao centro, cobre o marido com uma capa azul (cor da inocência), para que ele não veja que está sendo enganado.
2- Ao mesmo tempo, a mulher de vermelho é observada por duas fofoqueiras, atrás dela, estando uma sentada.
3- Um homem de chapéu vermelho, ajoelhado dentro de uma cobertura de teto azul, com duas velas na mão, acende uma vela para Deus e outra para o diabo.
4- O homem que tosa dois quietos carneiros alude à necessidade de ser paciente como um carneiro.
5- O homem que joga rosas para os porcos ensina que não se deve atirar pérolas aos porcos.
6- O homem com uma pá fechando um buraco, mostra que é inútil agir depois do problema ocorrido.
7- O homem que traz um caldeirão nos braços tenta trazer a luz para o dia, ou seja, age inutilmente.
8- Dois cães brigando por um osso revelam que é inútil brigar por uma mesma coisa, pois nunca se chegará a um consenso.
9- Numa das janelas, vê-se um casal que se segura pelo nariz, significando que eles têm um ao outro pelo nariz, ou seja, que se traem mutuamente.
10- Próximo a essa mesma janela, um homem com roupa vermelha joga fora cartas de baralho. Simboliza que os tolos jogam fora as melhores oportunidades.
11- O globo azul virado de cabeça para baixo significa que o mundo está de ponta cabeça.
12- O homem de vermelho, acima do globo, significa que ele caga para o mundo, ou seja, não liga para nada.

Chama em especial a atenção, o modo como o pintor consegue agrupar tão grande número de diminutas e complexas cenas, culminando na criação de uma única cena de rua. Mais uma vez, Bruegel passa-nos a impressão de que observava tudo de cima.

Ficha técnica
Ano: 1559
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 117 x 163 cm
Localização: Gemäldegalerie, SMPK, Berlim, Alemanha

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
http://cargocollective.com/spreekwoorden/o-quadro-de-pieter-bruegel

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Nina Pandolfo – NINA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A artista paulista Nina é a filha mais nova de uma família com cinco mocinhas, o que deixa ao leitor uma pista de como deve ter sido a sua infância, ao lado de quatro irmãs bisbilhotando o universo feminino com seus olhos enormes, e também o porquê desse mundo fantástico ser povoado por tantas menininhas fofas, adejando pelo bairro paulista do Cambuci e por várias partes do mundo (Alemanha, Cuba, Espanha, Grécia, Estados Unidos, Índia, etc), com suas flores, gatos e vagalumes.

Nina busca na infância e na natureza inspiração para seu trabalho, sendo essa temática a mais comum em sua obra. Suas menininhas, com olhos traquinas de jabuticaba, despertam uma vontade danada de a gente entrar através deles, até chegar ao castelo encantado da alma, e ali descobrir todos os seus arrebatadores mistérios. A artista também enfoca, nos seus murais e pinturas, os animais, com predileção pelos insetos.

Nina Pandolfo já tem no mercado um livro chamado “Nina”, Editora, Master Books, onde relata a sua trajetória pessoal e artística, contada através de textos, fotos e trabalhos da autora. Trata-se de um livro de arte com uma qualidade excepcional. Um belo presente para quem o recebe. Está aí uma dica para presentes. Vamos valorizar os nossos artistas. Mas rata que sou dos “stands” de arte, confesso que nunca vi o livro da Nina, em meio a tantos estrangeiros. O que é uma pena!

Ficha técnica do livro
Gênero: Artes
Autora: Nina Pandolfo
Editora: Master Books
Nº de páginas: 208

Fontes de pesquisa:
http://ffw.com.br/noticias/moda/expoente-da-arte-de-rua-nina-pandolfohttp://luxo.ig.com.br/objetosdedesejo/nina-pandolfo-arte-em-grafite-das-ruas
https://www.escritoriodearte.com/artista/nina-pandolfo/

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Caravaggio – O SEPULTAMENTO DE CRISTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada O Sepultamento de Cristo — também conhecida por A Deposição no Túmulo ou O Santo Enterro e ainda Enterro de Cristo — trata-se de uma obra do pintor barroco italiano Caravaggio. É tida como uma das pinturas mais monumentais de seu reconhecido trabalho. Na sua tela o artista colocou um grupo compacto e simétrico de seis figuras sobre uma laje de pedra, formando uma diagonal, a partir da direita superior.

O corpo seminu e sem vida de Cristo, já com o rosto arroxeado e a boca aberta, com ossos, músculos e veias salientes sob a pele lívida, está cingido por um pano branco que lhe cobre a região pubiana. Sua mão esquerda encosta-se na pedra, sobre o ângulo que vai em direção ao observador, enquanto a direita dobra-se sobre a barriga. Ele está seguro pelas pernas e tronco por dois de seus apóstolos, João Evangelista, com seu manto vermelho, e Nicodemos, apoiado na beirada da laje. O primeiro apoia o corpo sem vida do Mestre em seu joelho direito.

No meio do compacto grupo está Maria, a mãe de Jesus, com os braços abertos e com os olhos voltados para o filho morto. Seu rosto sem viço expressa uma profunda dor e sua mão direita parece tentar alcançá-lo ou abençoá-lo. Ao seu lado está Maria Madalena, com os cabelos divididos ao meio e trançados, também com a cabeça baixa e os olhos direcionados para o corpo inerte do Mestre. Ela chora e limpa as lágrimas com um lenço. Atrás dela, Maria de Cleofas ergue as mãos e os olhos para o céu em sinal de desespero e súplica, destoando do comportamento contido dos demais personagens.

Mais uma vez o magistral Caravaggio busca entre o povo os modelos para sua pintura. Recusa-se a pintar Cristo e seu grupo como belos e divinos. Ao contrário, retrata-os em sua humanidade, como gente do povo sofrida e simples. As figuras estão dobradas ou reclinadas sobre o corpo nu e amortalhado de Jesus Cristo, excetuando o apóstolo e a jovem mulher que, emocionada, levanta suas mãos e olhos para cima. O branco da mortalha destaca ainda mais o corpo sem vida do Mestre. O contraste entre o vermelho, o verde-escuro e o castanho brilhante de um lado e do outro o marfim e o branco torna a cena muito forte.

Ao contrário de outros artistas, que pintaram a descida do corpo de Cristo da cruz ou o seu sepultamento, Caravaggio deu um novo enfoque à sua magistral composição. Não mostrou nem uma coisa e nem outra, mas apenas o momento em que o corpo do Mestre está sendo colocado por João Evangelista e Nicodemos sobre a “Pedra da Unção” (antes vista como a porta do túmulo), ou seja, a pedra usada para apoiar o corpo de Jesus, enquanto ele era ungido e vestido para seu sepultamento. Presentes no momento estão também as três Marias: Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e Maria de Cleofas. Foi somente a partir do século XVII que esta tela passou a ser vista como uma cena do sepultamento de Cristo.

O fundo escuro da composição põe ainda mais em evidência o grupo escultural que parece projetar-se na direção do observador. No canto inferior esquerdo da tela Caravaggio pintou uma pequena planta denominada verbasco.

Ficha técnica
Ano: c. 1602 – 1604
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 300 x 2003 cm
Localização: Pinacoteca Vaticana, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Barroco/ Taschen
Caravaggio/ Coleção Folha
Caravaggio/ Abril Coleções
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Sepultamento_de_Cristo_%28Caravaggio%29

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Albrecht Altdorfer – A BATALHA DE ISSUS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O artista foi fiel à verdade histórica somente quando lhe convinha, quando fatos históricos eram compatíveis com as exigências de sua composição. (Rose-Marie Hagen)

A composição denominada A Batalha de Issus, também conhecida como A Batalha de Alexandre em Issus, ou ainda Vitória de Alexandre, é uma obra do artista alemão Albrecht Altdorfer que retrata o momento da vitória de Alexandre, o Grande, sobre Dario III, da Pérsia, em 333 a.C. A obra foi encomendada ao pintor pelo duque da Bavaria, Guilherme IV. A Batalha foi travada às margens do Rio Issus. Encontra-se entre as 50 pinturas mais famosas do mundo.

A Batalha de Issus chama a atenção, sobretudo, pelos milhares de soldados de infantaria, cavalos e lanças presentes na cena. Há também a presença de mulheres na batalha, o que para alguns trata-se de uma invenção do artista. Até então a história da arte nunca havia registrado tamanha grandeza. Tem-se a impressão de que o artista, para pintar o campo de batalha, posicionou-se no alto, bem acima dele. É impossível identificar qualquer figura humana no quadro, mas para identificar a batalha, o artista pintou uma tabuleta que parece esvoaçar acima do campo de guerra. A inscrição nela contida era originalmente em alemão, sendo substituída depois pela língua latina e fala sobre a vitória de Alexandre sobre Dario III.

Os homens de Alexandre são pintados com traje e armadura completos, ao contrário dos de Dario – com seus turbantes gastos e montaria incompleta. É possível observar o corpo de muitos soldados e cavalos espalhados pelo chão. Ao meio, mais para esquerda, está o rei persa em sua carruagem, puxada por três vistosos cavalos brancos. O céu ocupa grande parte do quadro. À esquerda está a lua crescente, envolta por halos de luz, cuja aparente calma é engolida pela voracidade do pôr do sol à direita, cercado por pesadas nuvens que ameaçam chuva. Enquanto os soldados de Alexandre direcionam-se para o lado do sol, os de Dario vão em direção ao da lua. Há aí uma linguagem metafórica que retrata Alexandre como o deus-sol.

Albrecht Altdorfer em sua pintura divide o cenário da seguinte maneira:

• ao meio encontra-se o Mediterrâneo oriental e a ilha de Chipre;
• o Mar Vermelho pode ser visto logo depois do istmo;
• ao lado, à direita, estão o Egito e o rio Nilo, inclusive representado com seus sete braços.
• à esquerda está o Golfo Pérsico;
• abaixo do topo da grande montanha vê-se a Torre da Babilônia.

A opção do artista pela forma vertical do quadro deveu-se ao local onde este seria exposto. Infelizmente não se sabe quando o painel sofreu um corte em seu tamanho em todos os seus lados, principalmente na parte superior, onde se avista o céu que era bem maior do que ora se apresenta. E historicamente dizendo, a Batalha de Issus foi travada entre Alexandre, o Grande, e Dário III, rei da Pérsia, na cidade antiga de Issus, no sudoeste da Ásia Menor, Turquia, tendo vencido o primeiro. Mas Albrecht Altdorfer, tido como o primeiro verdadeiro pintor de paisagens, retrata-a nos Alpes com uma cidade alemã ao fundo.

Detalhe 1 – Dario III em sua carruagem;
Detalhe 2 – Mulheres no campo de batalha;
Detalhe 3 – Soldados de ambos os exércitos;
Detalhe 4 – Cada soldado é bem detalhado e único, apesar de seu grande número.

Este é o quadro mais visitado na Pinacoteca de Munique tanto pelo seu virtuosismo quanto pelo grande número de figuras colocadas num espaço relativamente pequeno, podendo elas inclusive serem contadas. A Albrecht Altdorfer não faltava habilidade técnica e tampouco imaginação. É conhecido em alemão por “Alexanderschlacht”. Outro fato interessante é que a falta de contornos precisos nas montanhas e nas nuvens traz a impressão de que se trata de um acontecimento natural retirado da realidade.

Ficha técnica
Ano – 1529
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 158,4 x 120,3 cm
Localização: Bayerisch Staatsgemäkdesammlugen, Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Renascimento/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Battle_of_Alexander_at_Issus
https://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/altdorfer/battle-issus/

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