AÇÚCAR – REVOLUÇÃO, DITADURA E CIVILIZAÇÃO

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Autoria de Fernando Carvalho*

Se o açúcar fosse denunciado dos púlpitos científicos como um pecado, essa atitude comprometeria seriamente uma cultura industrial que se sustenta, mutuamente, de alimentos e medicamentos. (Robert Atkin)

A revolução do açúcar, pouco destacada na historiografia, ainda vai dar o que falar, especialmente por causa de suas implicações patológicas. Abrange a trajetória do açúcar desde o seu começo como uma estranha droga doce, vinda do Oriente, para consumo de reis e nobres europeus; sua evolução para a condição de fármaco, dando corpo e sabor doce a xaropes; o posterior avanço para a condição de especiaria apreciada pelas elites burguesas; e finalmente o salto para a mesa de refeições. Tal trajetória só foi possível graças a uma produção de açúcar que ganhou escala cada vez maior depois que espanhóis e portugueses trouxeram para o Novo Mundo a cultura da cana de açúcar.

O açúcar extraído da cana já era produzido desde a Antiguidade por indianos e persas. Os árabes apresentaram-no aos europeus, por volta do século X, como sendo uma especiaria exótica e caríssima. No século XIV um quilo de açúcar equivalia a dez cabeças de gado. Poucos séculos depois, os europeus já estavam fabricando açúcar na bacia do Mediterrâneo. Quando o Brasil foi descoberto, os portugueses já eram os principais produtores de açúcar da época. Faziam-no na Ilha da Madeira. Com a entrada em cena do açúcar produzido em larga escala no Novo Mundo, especialmente no Brasil e nas Antilhas, teve início o processo de açucaramento da mesa do europeu.

Na revolução que o uso generalizado do açúcar causou na Europa do século XVI, o Brasil, principalmente o Nordeste, desempenhou papel importante. Sabe-se que antes de 1500 o europeu adoçava seus alimentos e bebidas com um pouco de mel: desconhecia o açúcar. A comilança de açúcar na Europa foi lentamente aumentando ao longo do século XVI. O século XVII marca grande aumento de seu consumo, sobretudo depois que a população começou a consumir bebidas tropicais. O historiador alemão Edmund von Lippmann descreve a evolução do que ele chama de consumo generalizado de açúcar na Europa e cita um professor da época: “Hoje em dia, não há banquete em que não se gastem muitos artigos de açúcar, quase nada se come sem açúcar.”

Em 1633 o médico naturalista britânico James Hurt disse que ao ser usado em grandes proporções, o açúcar provoca efeitos nocivos ao corpo. Seu uso desmesurado e igualmente de outros produtos adocicados aquece o corpo, engendra caquexias e consunções do organismo humano. O aumento do consumo de açúcar causou, logo de saída, uma epidemia de cárie dentária. James Hurt provavelmente foi um dos primeiros a diagnosticar as primeiras manifestações do que seria uma nova era na história da humanidade – a era das doenças causadas pelo açúcar. Segundo Edmund von Lippmann em “História do Açúcar”, o açúcar estraga os dentes, tornando-os negros, provocando às vezes, um hálito terrivelmente desagradável. E Gilberto Freyre em “A Civilização do Açúcar” fala que “A fartura de açúcar acirrou a tendência ao açucaramento da dieta dos portugueses e dos brasileiros”. Na Europa o açúcar, tendo começado a aparecer quase exclusivamente como remédio nos boticários, passando de artigo de farmácia a especiaria, invadiu a cozinha de aristocráticas, burgueses e de toda a população.

 O advento e a expansão do açúcar de um ponto de vista geohistórico foi assim resumido pelo autor de Casa Grande & Senzala: “Com a manufatura do açúcar de cana, o açúcar tornou-se importante na alimentação do homem civilizado”. O aspecto mais imediato dessa revolução foi a substituição do mel de abelha pelo açúcar como adoçante. A revolução do açúcar desencadeou, a partir do século XVII, um processo de açucaramento de tudo que entra pela boca do ser humano. Empenhada neste processo de açucaramento da vida moderna, a sucroquímica vive a descobrir novas aplicações para o açúcar – o produto químico puro mais abundante e barato do mundo. O açúcar pode ser aproveitado na fabricação de plástico, cosmético, fertilizante, inseticida, cimento, adoçante artificial e até mesmo de explosivo.

Durante os séculos XVI e XVII, quando a produção mundial de açúcar ainda se contava em milhares de sacos, aquela fartura, segundo Gilberto Freyre, originou uma tendência ao açucaramento da dieta de brasileiros, norte-americanos e europeus. Hoje a fartura de açúcar produzida anualmente, se aproxima de 200 milhões de toneladas para uma humanidade de menos de nove bilhões de bocas. Na mesa da humanidade essa tendência avançou, inexoravelmente, com a lógica de uma ditadura, num crescendo que vem até os dias de hoje. O médico americano Robert Atkins observou o processo de dois quilos de açúcar por ano passar a oitenta quilos por pessoa em apenas onze gerações. Esta pode ser, talvez, a mais drástica mudança dietética na evolução do homem em seus 50 milhões de anos de existência.

O açúcar não é um alimento inocente. É um agente químico agressor do organismo, um corpo estranho na mesa que transformou o alimento do ser humano de meio de vida em meio de doença e morte. A ditadura do açúcar, uma ditadura de pacote tecnológico, impôs goela abaixo da humanidade a dieta açucarada moderna, a ração patogênica que empurrou o ser humano para a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas. A historiadora Elsa Avancini referiu-se à sociedade colonial brasileira como uma sociedade montada para a produção de açúcar. Hoje, quinhentos anos depois, o mundo vive o apogeu da civilização do açúcar. Nas palavras do doutor Leão Zagury “uma sociedade estruturada afetivamente em torno do consumo de açúcar”.

 *Autor do livro “O Livro Negro do Açúcar”, presente no Google me PDF

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AÇÚCAR – UMA RELAÇÃO PERIGOSA

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 Autoria de Fernando Carvalho*

A moderna fabricação do açúcar nos trouxe doenças inteiramente novas. O açúcar nada mais é do que um ácido cristalizado que está provocando a degeneração dos seres humanos e é hora de insistir num esclarecimento geral. (Robert Boisler)

Desde que a humanidade existe, o organismo animal está adaptado à relação matemática existente entre alimentos e calorias. Quando o Australopitecus capturava um animal e o comia, ou um chinês, há cinco mil anos, comia uma tigela de arroz, seu pâncreas sabia qual a quantidade de insulina que deveria produzir para aquela quantidade de comida. Uma espécie de calculadora biológica combinada com uma espécie de sistema endócrino de injeção eletrônica, preparado pela evolução das espécies, entravam em ação prontamente. O organismo lidava com um bolo de alimento que ao mesmo tempo nutria e fornecia energia. Esse mecanismo biológico veio a ser perturbado depois da intromissão do açúcar na mesa da humanidade.

O açúcar não era um novo alimento que estava chegando à mesa, mas um produto químico, uma substância não nutritiva que apenas adicionava calorias aos alimentos, além de sabor doce. Calorias inúteis que se revelaram nocivas à saúde. O açucareiro deu uma cotovelada no pote de mel da mesa e se instalou como um adoçante com pretensões hegemônicas. Com o advento do açúcar na mesa da humanidade o ser humano se viu diante de uma situação nova, para a qual seu organismo não estava preparado: a de lidar com um bolo de alimentos que quebrava aquela antiga relação alimento/caloria, com a qual estava acostumado desde os tempos de seu avô Australopitecus.

O açúcar, adicionado à comida, provoca reações complexas nos sistemas hormonais endócrino, parácrino e autócrino. Com o açucaramento da dieta, a calculadora biológica entrou em pane, ao passar a lidar com um bolo de alimentos estranhamente enriquecido de calorias, o que demanda mais insulina. Conforme Arthur Guyton, o trânsito de glicose para o interior das células, quando o pâncreas secreta grandes quantidades de insulina, é dez ou mais vezes mais rápido que o normal. A dieta açucarada criou uma situação de estresse permanente no metabolismo. Segundo a médica portuguesa Luísa Sagreira, a hiperinsulinemia é responsável por alterações lipídicas e das proteínas, aumento de VLDL (colesterol ruim) e de triglicerídeos, diminuição de HDL (colesterol bom), hipertensão arterial, possibilidade de se acompanhar de tolerância diminuída à glicose e, por último, é responsável por uma mortalidade cardiovascular aumentada e prematura.

O açucaramento da dieta humana tem sido progressivo. O doutor Atkins adverte: “Quanto mais açúcar você come, mais anormal torna-se a resposta do organismo ao açúcar”. Ante a dieta açucarada, o pâncreas reage produzindo uma quantidade maior de insulina para fazer face às calorias extras, funcionando em ritmo de trabalho forçado. A insulina ajuda a transformar o açúcar extra em gordura, gerando obesidade e seus corolários mórbidos. A continuidade desse processo torna a insulina cada vez menos eficaz. Essa resistência insulínica provoca pane no próprio mecanismo de administração da insulina.

Ao perturbar o funcionamento do metabolismo do corpo, através da dieta açucarada, a revolução do açúcar inaugurou na história da humanidade a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas, uma série de novas doenças não transmissíveis para as quais a medicina não estava preparada. Começando pelas cáries dentárias, o açúcar abre caminho para o lento desenvolvimento de doenças, num leque bem conhecido: sobrepeso, obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Tais doenças são tão relacionadas entre si que a medicina já criou o conceito de Síndrome X ou plurimetabólica que empacota várias delas.

Quando você ler ou ouvir a palavra “açúcares” tome cuidado, pois estão querendo enganá-lo: trata-se da “teoria dos açúcares”. Segundo ela, existem diversos tipos de açúcar. Sem contar aquela história de que tudo o que você come (pão, batata, verduras e legumes, etc.) em sua barriga vai tudo virar açúcar. O objetivo dessa teoria complexa é ocultar por mimetismo o único açúcar que faz mal ao ser humano. Ele mesmo, o açúcar propriamente dito, o habitante do açucareiro que os químicos chamam de sacarose refinada. O açúcar encontra-se camuflado na floresta dos açúcares, mas o objetivo do meu livro é justamente segurá-lo pelo rabo, sacudi-lo e denunciá-lo, como sendo o único açúcar nocivo à espécie humana.

Açúcar de verdade, aquele de que seu corpo necessita e que fornece energia para você
viver, só existem dois: a glicose e a frutose. Apenas esses dois açúcares foram preparados pela natureza para consumo humano. Glicose e frutose são chamadas de açúcares simples porque já estão prontos para ser utilizados pelo organismo. Do jeito que esses açúcares forem ingeridos, serão assimilados, porque não sofrem nenhuma ação de enzimas digestivas, não dão trabalho ao organismo. A cana de açúcar, por exemplo, depois que é cortada no canavial, tem que ser levada às pressas para a usina, a fim de ser espremida e misturada com produtos químicos, antes que a sacarose comece a transformar-se em açúcares redutores (glicose e frutose), como dizem os químicos. A sacarose em estado natural, como no caldo de cana, por exemplo, acompanhada de nutrientes, é digerível. O problema é a sacarose refinada. A cana e a beterraba em si são alimentos; a sacarose refinada é apenas a parte combustível do alimento cirurgicamente isolada. Outro problema é que todos os alimentos já fornecem energia, de modo que o açúcar acrescentado transforma os alimentos açucarados numa bomba calórica patogênica. O açúcar corresponde a 99,5% de sacarose e os outros 0,5% sequer são cana, mas lixo químico fino, cinzas e outros produtos tóxicos, inclusive metais pesados.

Resta à humanidade lutar contra essa situação patológica através do movimento Açúcar zero. Ele não defende nenhuma dieta nova, apenas recomenda que se elimine o açúcar da mesa. Quanto ao mais, cada um deve comer de acordo com suas inclinações, apetite, idade, sexo, trabalho, clima, geografia, cultura, etnia, etc. Se for guloso será gordo, porém saudável. É o açúcar que gera doentes gordos ou magros. O movimento Açúcar zero luta para contestar a ditadura do açúcar. É uma batalha contra a imposição da dieta açucarada. Como primeiro passo basta que você, por exemplo, pare de comer açúcar e, além disso, ajude a causa tirando o doce da boca das crianças.

*Autor do livro “O Livro Negro do Açúcar”, presente no Google em PDF.

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AÇÚCAR x CÁRIES DENTÁRIAS

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Autoria de Fernando Carvalho*

       

Se a humanidade quiser erradicar esta que é a mais vergonhosa, disseminada e humilhante de todas as epidemias, a solução está ao alcance da mão. Se o objetivo é resolver definitivamente o problema, deveríamos optar pela eliminação total do açúcar. (Dr. Andrew Pacheco)

Há muito tempo que se desconfia da relação entre o consumo de açúcar e a formação de cárie. No Brasil colonial, por exemplo, Gilberto Freyre e cronistas estrangeiros já haviam notado que o pessoal da Casa Grande, que comia muitos doces, tinha péssimos dentes, enquanto os escravos das senzalas, que chupavam cana com os dentes, os tinham brancos e saudáveis. Silva Mello cita uma pesquisa motivada pela relação observada entre péssimos dentes, comuns entre empregados de confeitarias. Por essa pesquisa, realizada in vitro, empregou-se uma solução fermentada de açúcar sobre a coroa de um dente que foi capaz de atacar e tornar áspera (desmineralizar, digo eu) a superfície da coroa dentária em um período de apenas 17 horas. Silva Mello em Alimentação, instinto e cultura, diz que, segundo investigações feitas em crânios de poucos séculos atrás, em diversas regiões da Europa, as cáries são raríssimas, e isso apesar da diversidade de alimentação e da ausência de toda e qualquer utilização de higiene dentária. O médico americano Weston Price, autor de Nutrition and phisical degeneration, pesquisou e descobriu que o índice de cáries entre os povos primitivos é de 1%.

Hoje é científico, sabe-se que, sem sombra de dúvidas, a cárie dentária resulta da combinação dos fatores: dente + bactérias cariogênicas. A participação dos microrganismos ficou demonstrada por pesquisas em ratos nascidos por cesariana e criados em câmaras assépticas, portanto livres de germes. Nesses animais não se formava a cárie, embora recebessem dieta cariogênica rica em carboidratos. Se, entretanto, na saliva eram introduzidas bactérias, ao cabo de certo período apareciam indícios de cárie. Ficou constatado que a cárie não aparecia quando a dieta cariogênica era levada diretamente ao estômago dos animais através de sondas. Por meio dessas pesquisas chegou-se à brilhante conclusão de que a existência das cáries se deve ao binômio bactérias/carboidratos. O que faz com que os carboidratos sejam cariogênicos é a presença do açúcar refinado. A sacarose é a única molécula capaz de produzir a placa bacteriana.

A bactéria mais popular é a Streptococcus Mutans, tão generalizada na boca de todos, graças dieta açucarada que constitui a flora bacteriana bucal. Em colônias chamadas placas bacterianas, com a ajuda do açúcar, elas produzem ácidos que irão desmineralizar o esmalte dos dentes e depois furá-lo. Outras bactérias são atraídas para essa festa, aumentando a espessura da placa e conferindo-lhe consistência gelatinosa. O personagem principal é o açúcar – sem ele o espetáculo não acontece. Mas se você tiver uma boca cheia de dentes e de bactérias e não ingerir açúcar, as bactérias não conseguem produzir cárie. Sem açúcar na comida você pode se dar ao luxo de jantar e ir dormir sem necessidade de escovar os dentes. Você não pode comer também porcarias açucaradas tipo refrigerantes, sorvetes, bolos, balas, biscoitos recheados, doces, etc.

O açúcar é condição sine qua non para que a cárie seja produzida. A sacarose serve de substrato para que as bactérias se fixem na superfície dentária. Sendo altamente energética, a sacarose ajuda a Streptococcus Mutans a produzir mais ácidos que irão destruir o esmalte dos dentes. Você pode consumir quaisquer outros açúcares (frutose, glicose, galactose, maltose, lactose, etc.) que com eles a dona S. Mutans não conseguirá produzir cáries. É um caso pessoal, o parceiro dela é o açúcar refinado e fim de papo.

O doutor Andrew Pacheco explica: “Se não houver açúcar na dieta do bebê, os tipos de bactéria que vão iniciar a colonização sobre os dentes não são cariogênicos. Quanto mais tempo essas bactérias não cariogênicas puderem permanecer na boca, sem que as bactérias causadoras de cárie se estabeleçam, melhor. Os dentes vão se tornar mais fortes através de uma maior maturação do esmalte dentário. Os dentes, logo que erupcionam são mais passíveis de se cariarem. O tecido dentário é mais poroso nessa época, menos mineralizado, e, portanto, se logo ao nascerem já houver açúcar na alimentação, a cárie se instala rapidamente e destrói os dentes. As bactérias normais da flora bucal vão competir e tentar impedir que as bactérias cariogênicas se instalem, mas vão perder, graças ao açúcar”.

O açúcar é tão cariogênico que não precisa sequer tocar nos dentes para provocar cárie. Não nos esqueçamos também que a saúde começa pela boca e que a cárie dentária abre essa porta por onde passam muitas outras doenças. A bactéria cariogênica  Streptococcus mutans passou a colonizar a cavidade bucal depois da queda no pH promovida pela ração açucarada. Ela foi descoberta pela primeira vez na boca de um menino inglês no século XIX. A cárie é uma doença infecciosa crônico-degenerativa. O que faz com que ela se multiplique e seja promovida ao time das bactérias indígenas, passando a ser dominante na flora bucal é o “doce” ambiente proporcionado pela dieta açucarada moderna. Ou seja, o açúcar primeiro cria o exército inimigo e ainda oferece as armas para a produção da cárie dentária.

*Autor do livro “O Livro Negro do Açúcar”, presente no Google em PDF.

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VIVA COM MAIS LEVEZA

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração. (Cora Coralina)

Trânsito parado, engarrafado, pessoas correndo de um lado ao outro, buzinas dos automóveis a mil, almoços intermináveis de reunião, contas para pagar, etc. Esse é o cenário típico da vida nas grandes cidades. É bem difícil levar uma vida mais leve assim. É mais comum sentirmo-nos fortes e dispostos quando temos algo com que nos preocupar, questões a solucionar e problemas que precisam da gente para serem resolvidos. Levar uma vida mais leve pode ser difícil nos dias de hoje, mas não impossível.

Uma vida leve é uma vida com menos estresse e mais momentos alegres, menos preocupações e mais otimismo, menos pressa e mais entusiasmo, menos vergonha e mais bom humor, menos procrastinação e mais vontade de fazer. Quando falamos em “viver com leveza” estamos falando sobre viver melhor. Mas como é possível encaixar leveza em um cotidiano tão conturbado como o nosso? Aprimorar processos internos como gentileza, amizade, altruísmo e generosidade ajuda, e muito, nas relações humanas e, consequentemente, a obter uma vida mais leve.

Existem algumas formas de tornar a vida menos pesada. Por exemplo, quando terminar aquele trabalho, que vinha consumindo seu tempo há meses, considere alguns dias retirados da cidade e dos afazeres, em um local que seja aprazível a você. Mude sua rotina, saia do mesmo trajeto que faz todos os dias para o trabalho. Pare para tomar um café. Dê uma volta no quarteirão. Tome um banho de piscina ou de sauna no meio da semana. Vá cozinhar em família, fazer aquele prato que agrade a todos. Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. A vida não pode estar restrita apenas aos finais de semana.

Tornar a vida mais alegre de ser vivida é um esforço diário para mudança de hábitos. Somente assim teremos satisfação para continuar exercendo nossas funções rotineiras com vigor. É importante lembrar que o lazer e a satisfação pessoal são ingredientes riquíssimos na busca por uma vida equilibrada. Como o corpo precisa de alimento, o espírito precisa da necessária leveza no dia a dia. Alguns pontos são importantes para uma vida mais leve:

• Não reserve o lazer e as realizações apenas para o final de semana. Coisas boas podem e devem acontecer de segunda a sexta-feira.
• Reúna pessoas das quais se gosta é uma boa forma de interagir com o próximo (lembre-se que a felicidade sempre ocorre junto de pessoas – nunca sozinho).
• Faça algo ao próximo sem esperar retorno. A devolutiva nunca será em dinheiro, mas em satisfação interna.
• Diminua um pouco o seu ritmo e disperse a ansiedade.
• Conviva mais com pessoas que o fazem rir. Dar gargalhadas faz bem, deixa a vida mais leve, traz disposição e afugenta o estresse.
• Procure ficar ao lado de pessoas engraçadas e espontâneas. Da mesma forma, evite pessoas com carga negativa e mal-humoradas.

Uma frase atribuída a Cora Coralina reflete bem todo o texto: “Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração.”

Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. A vida não pode estar restrita apenas aos finais de semana

Nota: Baile Popular, obra de Di Cavalcante

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LIVRE-SE DA INSEGURANÇA

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

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A insegurança é um sentimento de mal-estar geral associado a um incontrolável temor, normalmente desencadeado por uma instabilidade emocional que ameaça a imagem da pessoa. Alguém que é inseguro não tem confiança em si, teme que coisas boas do presente sejam temporárias ou, ainda e pelo contrário, que coisas ruins possam acontecer a todo o momento. O inseguro típico tem receio tanto de coisas boas quanto ruins. Este texto fala sobre este estado emocional e como podemos dominá-lo.

O traço característico do inseguro é a presença de um medo sem fundamento, como, por exemplo, medo de ser rejeitado, medo de que as coisas não deem certo, medo de ficar só, medo de ficar pobre (e também de ganhar dinheiro e não saber como lidar com isso), etc. Você percebe que uma pessoa pode ser insegura quando ela fica procrastinando, ou seja, fica adiando as coisas – “mais tarde eu faço”. Adia uma conversa importante, adia tarefas na escola ou no trabalho, adia uma compra, adia uma atitude, adia fazer um curso, etc. O inseguro tem medo de “fazer acontecer”, sente-se refém dos outros e do destino. Do mesmo modo acha que só conseguirá uma promoção se o chefe assim o quiser, só fará um curso se alguém convidar, só conversará com alguém se o outro puxar conversa. E daí vai.

Existem formas de dominarmos nossas inseguranças. Primeiramente, devemos parar de nos comparar com outras pessoas. Se você realmente quer melhorar suas inseguranças, é hora de aceitar que cada pessoa tem seus pontos fortes e fracos e, portanto, que você tem capacidades próprias que outras pessoas não têm. Só porque alguém é melhor que você em algo, não quer dizer que você é ruim em tudo. Pelo contrário, você tem capacidades individuais que as outras pessoas não possuem. Pense nisso!

Permita-se errar. Quem não erra, nunca vai acertar. A pessoa insegura tem a tendência de nunca arriscar, justamente pelo medo de falhar. Uma vez que você se aceitar, terá dado o primeiro passo em direção ao crescimento pessoal. Ao perceber que ninguém é perfeito, e que é passível de errar, poderá arriscar mais. Ao aprender a aceitar-se, irá perceber que outras pessoas aceitá-lo-ão também. E a autoconfiança é o melhor remédio para deixar a pessoa mais atraente. E pessoas atraentes têm mais oportunidades de sucesso. De igual forma, permita-se vivenciar suas experiências. Toda vez que nos arriscamos e seguirmos em frente – apesar de nossas inseguranças – saímos mais experientes. Com isso, a confiança vai aumentando gradativamente. Se erros acontecerem, aprende-se a lição e o rio da vida segue seu curso.

Para finalizar, a insegurança certamente irá se desmanchar diante da autoaceitação e do reconhecimento de que cada um é um ser único. Não espere agradar a todos, isso é uma utopia. Também não busque se comparar com quem quer que seja. O melhor remédio para a insegurança é o autoconhecimento. Uma vez que você localizar a origem da insegurança que permeia sua vida, poderá seguir em frente sem carregar consigo o que ficou para trás. Enfrente seus medos e problemas e vá ser feliz.

Nota: pintura de Fernando Botero

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POR QUE AS PESSOAS GRITAM?

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Autoria de Mahatma Gandhi

CS.12.3.4.5.6.7.8

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

– Por que as pessoas gritam, quando estão aborrecidas?
– Gritamos, porque perdemos a calma – disse um deles.

– Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao lado? – questionou novamente o pensador.
– Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa ouça-nos – retrucou outro discípulo.

E o mestre voltou a perguntar:
– Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

– Vocês sabem por que se grita com uma pessoa, quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações afastam-se muito. E para cobrir essa distância, elas precisam gritar para poderem se escutar mutuamente. Quanto mais chateadas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir uma à outra, através da grande distância.

E o pensador continuou:

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes, seus corações estão tão próximos que elas nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações entendem-se. É isso que acontece, quando duas pessoas, que se amam, estão próximas.

Por fim, o pensador concluiu, dizendo:

– Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações afastem-se, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

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