EMOÇÕES X SENTIMENTOS

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Autoria de LuDiasBH

É bom escutar os sentimentos. Mas nem sempre é aconselhável segui-los cegamente. (Stefan Klein)

 As emoções ocorrem no teatro do corpo. Os sentimentos ocorrem no teatro da mente.  (Antônio Damásio)

 Enquanto os animais têm que obedecer ao que dizem suas emoções, nós somos capazes de decidir contra os nossos próprios sentimentos. (Stefen Klein)

 Embora consideremos no nosso linguajar diário as palavras sentimento e emoção como tendo igual significado, a verdade não é bem essa, pois nomeiam coisas bem diferentes. Enquanto a emoção é inconsciente e corresponde a uma resposta automática do corpo a determinada situação, o sentimento é consciente, é aquilo que vivenciamos quando percebemos a emoção de forma consciente. As emoções são passageiras, enquanto os sentimentos exigem que o cérebro receba sinais do corpo e seja capaz de processá-los, podendo gerar cicatrizes profundas, dependo do modo como o indivíduo lida com eles.

As pessoas que não se deixam guiar cegamente por suas emoções – contrariando os sentimentos provocados por elas – estão mais aptas ao sucesso, pois interagem melhor com os outros, ao não tomar tudo ao pé da letra, como algo pessoal. É fato que não se trata de uma tarefa fácil, pois se faz necessário trazer os impulsos sob a rédea curta. Para contê-los é preciso que se tenha ciência deles, uma vez que é impossível lidar com aquilo que não se conhece. Indivíduos existem, por exemplo, que chamam a si mesmos de sinceros ou francos, quando na verdade mostram um comportamento impulsivo, resvalando para a grosseria. Eles não conseguem domar seus impulsos porque não veem sua suposta “franqueza” como algo ruim e, sim, como algo positivo. Assim, vão tocando o barco, ferindo uns e outros, sem noção alguma do que fazem.  Portanto, quando nossos sentimentos não se encontram sob o escrutínio da razão, tornamo-nos pessoas inflexíveis, insensatas e não aptas ao convívio com os diferentes.

As emoções (reações do corpo) dão vida aos sentimentos, portanto, elas vêm antes dos sentimentos. Para que isso aconteça, o cérebro precisa receber sinais do corpo a fim de processá-los. Sem que isso ocorra, torna-se é impossível ter consciência de qualquer tipo de emoção, o que reforça a certeza de que nossa mente não se localiza apenas no cérebro, sendo totalmente corpórea (corpo e mente são unos). O filósofo e biofísico Stefan Klein explica que “Um espírito sem a matéria não seria capaz de sentir alegria ou tristeza”, porque não possui o corpo que seria o responsável pelo envio dos sinais ao cérebro. Contudo, ainda segundo ele, “Quem experimentou as reações corporais suficientemente consegue até simulá-las inconscientemente”, e conclui que: “Assim como a fantasia consegue produzir uma imagem mental, o hipotálamo é capaz de simular impulsos que, na realidade, nem está recebendo”, como nas vezes em que nos sentimos mal-estar só de nos lembrarmos de um determinado acontecimento que já ficou no passado, mas que nos causou forte emoção.

As nossas emoções, por serem reações inconscientes e instintivas que se processam em nosso corpo, tendem a ser visíveis, pois produzem alterações que podem ser compreendidas através da comunicação não verbalizada, ou seja, conhecidas apenas pelos sinais emitidos pelo corpo que denuncia nosso estado emocional. Elas também são passageiras, voltando o corpo ao equilíbrio de antes, uma vez que o indivíduo delas toma ciência. Os sentimentos, por sua vez, por se tratar de algo interiorizado e vivenciado de forma consciente, são duradouros e muitas vezes fáceis de serem escondidos. Pessoas há que não esquecem um aborrecimento nem que a vaca tussa e carregam-no como um pesado fardo nas costas. Entretanto, existem aquelas que se encontram num estágio mais elevado de espiritualidade, não se deixando seduzir pelos sentimentos. Racionaliza-os e passa uma borracha em tudo, dando o dito (ou acontecido) por não dito (ou acontecido). Sua saúde agradece!

O ideal é que busquemos a compreensão de como nos comportamos diante desse ou daquele tipo de emoção, pois, assim, tornamo-nos senhores de nós mesmos, sendo capazes de manter o nosso equilíbrio emocional. Na medida em que racionalizamos ou minimizamos as interferências internas ou externas que nos levam a um determinado tipo de emoção, vamos enfraquecendo-a. Não podemos permitir que os sentimentos – advindos das emoções – sejam nossos senhores. Suponhamos que você seja uma pessoa que sai do sério quando lhe fazem uma crítica negativa. Se mudar o seu comportamento em relação a isso – fazendo ouvidos moucos, por exemplo, ou até mesmo concluindo que precisa mudar –, isso não mais lhe causará uma emoção conturbadora e, em consequência, não criará sentimentos que irão afetar negativamente a sua vida, interferindo no funcionamento de seu corpo.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

2 pensou em “EMOÇÕES X SENTIMENTOS

  1. Hernando Martins

    Lu

    É um belo texto, como sempre você expressa o tema de uma forma bastante explicativa e ao mesmo tempo sucinta. Realmente, a emoção é uma expressão impulsiva e instintiva com que devemos ter um certo controle para não promover o desequilíbrio. É muito bem vinda, principalmente nas expressões artísticas e nas relações afetivas, mas é necessário domá-la para não perder o controle, do contrário, pode provocar algo que poderá fugir das nossas rédeas e causar uma tragédia.

    Pessoas que são muito emotivas costumam ter relações amorosas bastante conturbadas em virtude da tendência de serem passionais. Tanto o excesso quanto a escassez da emoção são considerados patologias. O psique de serial killer, inclusive, costuma apresentar características emotivas extremas.

    O sentimento já é algo mais consciente e cada um apresenta sua peculiariedade. Acredito que devemos também trabalhá-lo de uma forma inteligente para ter certo controle e não permitir o nosso desequilíbrio. A vida nesse mundo desigual é cruel e não é fácil, temos que ter a sabedoria de um monge para não implodir ou explodir, porque as pressões vindas de todas as direções são imensas e destrutivas. Para nos protegermos é necessário criarmos escudos através do autoconhecimento e sabedoria necessários para não permitir que as frustrações e a infelicidade do outro nos atinja e permita que saímos do nosso ponto de equilíbrio que é crucial para mantermos nossa homeostase física e mental.

    Abraços,

    Hernando

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Viver num país como o nosso em que as esperanças no exercício correto dos Três Poderes em benefício do povo minguam dia a dia, não é realmente fácil, pois a cada dia que passa temos a impressão de que tudo está a involuir. Segurar os sentimentos é tarefa árdua, pois a todo momento somos tomados pela decepção que se transforma em emoção e, consequentemente, em sentimentos arraigados de impotência. Faz-se necessário, é verdade, o desenvolvimento de um escudo que venha a nos proteger de modo a sobreviver ao buraco negro de tanta danação. A luta é diária, se quisermos manter a nossa saúde mental. Mais do que nunca, em toda a história deste país, encontramo-nos perdidos, sem saber que rumo tomar. Quem pode está deixando o país… Enquanto nós seguimos buscando sabedoria para não soçobrar diante de tanto absurdo, desesperança, pobreza e infelicidade.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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