Bosch – JUÍZO FINAL (III)

Autoria de Lu Dias Carvalho

feno12

A parte central do tríptico Juízo Final representa o tema principal da obra: o julgamento do Último Dia e a punição recebida pelos pecadores.

Cristo aparece na parte mais alta da pintura, envolto por uma claridade, sentado sobre um arco-íris e rodeado pelos bem-aventurados, que são em número muito pequeno, se comparados àqueles que estão no mundo da perdição. Atrás dele estão a Virgem Maria, São João Batista e quatro anjos tocando trombetas. Ele ocupa pequena parte desta tábua.

Além dos castigos impingidos pelos demônios, catástrofes arrasam a Terra, sendo ela destruída pelo fogo. Inúmeros corpos nus estão sendo castigados das mais cruéis maneiras. Alguns são despedaçados, outros picados por víboras, mais outros torturados em satânicas máquinas. Vejamos:

1. um homem está sendo assado num espeto, enquanto um demônio joga óleo sobre ele;
2. outro pecador está sendo frito numa gigantesca frigideira, tendo dois ovos próximos ao algoz, para complementar a refeição;
3. outro caminha num círculo de pregos;
4. uma cabeça humana é vista dentro de um barril de vinho, com um demônio verde próximo, segurando uma faca;
5. um demônio em forma de pássaro carrega um homem pendurado num pau, com pés e mãos amarrados;
6. três pessoas, penduradas numa árvore seca, são flechadas por diabos;
7. um homem é obrigado a beber o líquido de um barril, que parece ser xixi, vindo de uma janela;
8. um homem puxa as rodas de uma carroça;
9. outros são pendurados com ganchos de açougues ou empalados;
10. uma mulher, sobre um edifício, é acariciada por um monstro;
11. duas vítimas são ferradas como se fossem cavalos, enquanto outra queima-se no fogo;
12. outra escorrega por uma ponte de prego, etc.

A prova de que Bosch considerava a maior parte da humanidade pecaminosa é o pequeno número de eleitos que subiram ao Céu, ladeando o Criador.

Ficha técnica
Ano: c. de 1482
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 163,7 x 127 cm
Localização: Akademie der Bildende Künste, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Bosch/ Abril Coleções
Bosch/ Taschen

Views: 12

A LENDA DA MÃE-DA-LUA

Recontada por Lu Dias Carvalho

CHINA123

A mãe-da-lua possui muitos nomes, sendo o mais conhecido o de “urutau”, mas, qualquer que seja ele, lembra uma história muito triste de uma sertaneja, história essa passada há muitos anos, quando a humanidade achava que só a formosura física tinha razão de existir. Mas o fato é que essa criatura nasceu deserdada de qualquer traço de belezura. Tudo em seu corpo físico estava atrelado à fealdade. Ninguém fazia caso dela, embora fosse uma boa filha para seus pais idosos, e, para quem dela precisasse. Seus pais temiam que ela pudesse ficar desvalida no mundo. Tinha também uma inteligência superior à das outras sertanejas do povoado. Mas isso não contava. Todos só viam sua feiura e, por isso, desprezavam-na.

Assim como a maioria das donzelas daquela época, a nossa personagem sonhava em se casar com um bom moço, porém, todos a rejeitavam, alguns com cautela e outros com zombaria e judiação. Mas seu ser inocente não perdia a esperança. Até que, cansada de tanto esperar, resolveu tomar seu cachorro e a noite como companheiros. Parecia que todas as coisas da natureza ficavam cheias de contentamento com a presença dela, pois eram capazes de sentir a bondade de sua alma. Só quando o dia começava a clarear é que voltava para casa, para cuidar de seus pais.

Certa noite, quando a lua mal e mal rasgava a escuridão, ouviu o tropel de um cavalo. Dele desceu um jovem, que lhe pediu informações sobre certo lugar nas cercanias. E durante um tempo caminharam juntos. Ele se encantou com a voz e a inteligência da moça. Disse-lhe que era um príncipe e desejava se casar com ela. Mas mal um feixe de luz alumiou seu rosto, o homem alegou estar com pressa, dizendo que voltaria, o mais breve possível, para se casarem. Partiu a galope, sem olhar para trás.

A sertaneja voltava seguidamente ao lugar, na esperança de encontrar seu noivo. Tudo em vão. Passaram todas as fases da lua, e a moça continuou só, acompanhada apenas do cão, dos elementos da natureza e da esperança. Até que certa noite, ela se deparou com uma mulher estranha, a quem falou sobre sua longa espera pelo noivo. Disse-lhe que queria ser uma ave, para ir à procura do amado, pois ele poderia estar doente, precisando dela. Compadecida, a mulher, que era uma feiticeira, transformou-a numa ave, que voou, voou, voou, e voltou sem ter encontrado o tal príncipe.

A moça pediu à bruxa que a fizesse voltar à sua forma normal, mas a feiticeira havia se esquecido das palavras que usara para o encantamento. Assim, a rapariga ficou sendo uma ave para sempre, morando num oco de árvore, vivendo silenciosamente. Até hoje ela usa sua plumagem para camuflar-se num tronco ou galho de árvore, pois não gosta do convívio humano. Só quando a lua nasce é que grita: “Foi, foi, foi, foi”! Muitos dizem que, na verdade, ela quer dizer: Ele (o noivo) foi embora, foi, foi, foi! E foi assim que surgiu a mãe-da-lua ou urutau.

Nota: imagem copiada de redeglobo.globo.com

Views: 26

Bosch – JUÍZO FINAL (II) – PECADO ORIGINAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

feno1O tríptico Juízo Final, obra do pintor Hieronymus Bosch, quando aberto, tem ao centro o Juízo Final, que mostra os castigos sofridos pelos pecadores; à esquerda do observador, apresenta o Pecado Original; e, à direita, o Inferno. Quando fechado, o tríptico mostra nos lados exteriores de suas abas as figuras de Santiago de Compostela e de São Bravo.

Na aba que apresenta o Pecado Original, Bosch compôs as figuras humanas num jardim exuberante, com um gramado verde, árvores frondosas e frutíferas, lago e animais.

Em primeiro plano, Deus cria Eva, que se encontra ajoelhada e é segura pela mão esquerda, enquanto Adão dorme na relva. Logo depois, o casal encontra-se próximo a uma macieira, sendo tentado pelo diabo, em forma de uma serpente. Num outro plano, Adão e Eva estão sendo expulsos do jardim por um anjo, que usa roupas esvoaçantes, e traz uma espada na mão direita. Ele usa um gesto enérgico para expulsar o casal, que,  amedrontado, tenta se esconder entre as árvores. Adão leva a mão à cabeça, enquanto Eva tapa a púbis.

No céu é vista a queda dos anjos rebeldes que, após o pecado original, transformam-se em demônios. E mais acima destes está a figura do Criador e, imediatamente abaixo dele, estão os seus anjos.

Ficha técnica
Ano: c. de 1482
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 167 x 60 cm
Localização: Akademie der Bildende Künste, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Bosch/ Abril Coleções
Bosch/ Taschen

Views: 11

A LENDA DE SAPUCAIA-OROCA

Recontada por Lu Dias Carvalho

CHINA1

Conta-se que houve um tempo em que os índios de uma tribo reuniram-se na ocara de sua taba, para debater sobre a construção de uma cidade tão rica e bela, que no mundo nenhuma outra a ela se igualaria. E assim fizeram, criando a mais suntuosa, a mais fascinante de todas as cidades já vistas. O luxo do lugar estendia-se a seus habitantes. Para comemorarem a magnífica obra, eles resolveram festejar durante uma semana, com um banquete regado a finas iguarias, bebidas e danças. Com o passar do tempo, embriagados pela opulência, puseram-se a festejar dia e noite, noite e dia, sem nenhum pedacinho de tempo para trabalhar a lavoura ou refletir sobre tanta riqueza e poder.

O Deus Tupã, lá do alto, observava tudo. Vendo que os índios estavam perdendo sua antiga grandeza, enviou-lhes muitas advertências, para que retomassem o caminho da união com a natureza, onde habitava a inocência e a simplicidade. Subjugados pelo poder da ostentação, eles fizeram ouvidos moucos. Foi então que Tupã, irritado, enviou uma chuvarada que durou dias e noites, com a água subindo, e cobrindo tudo que encontrava pela frente, inclusive a cidade. Ainda assim, apaixonados pela fortuna e pela beleza, eles não arredaram pé do lugar, até serem cobertos pela água. Mas o bom Tupã, compadecido, permitiu que continuassem vivendo dentro d`água, transformando-os em seres encantados.

Dizem ainda, que quem passa por aquele lugar, ouve galos, espíritos protetores dos índios, cantando dentro do rio, para alertar os habitantes de povoações das proximidades, para que não se deixem levar pela cobiça, para não serem castigados. Foi daí que surgiu o nome Sapucaia-Oroca, ou Sapucaia-Roca, que significa “galinheiro”.

Nota: imagem copiada de www.flogao.com.br

Views: 19

Bosch – TRÍPTICO O JUÍZO FINAL (I)

Autoria de Lu Dias Carvalho

juizofinal1  avaro123456  avaro1234567

O pintor holandês Hieronymus Bosch (c. 1450 -1516) era um artista profundamente preocupado com a maldade humana, e ficou famoso por suas aterradoras representações das forças do mal. Carregava consigo uma visão pessimista do ser humano, que, segundo a visão cristã, já vivia em pecado desde a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, tendo que se preservar na prática do bem para conseguir a salvação, pois a maioria estava condenada aos horrores do Inferno. Considerava a luxúria o primeiro dos pecados. A sua composição O Juízo Final representa a sua preocupação com os horrores que seriam vividos por aqueles que não salvassem a sua alma.

A obra é um tríptico, que, quando aberto, tem ao centro o Juízo Final, que mostra os castigos sofridos pelos pecadores; à esquerda do observador, apresenta o Pecado Original; e à direita, o Inferno. Quando fechado, o tríptico mostra nos lados exteriores de suas abas as figuras de Santiago de Compostela e de São Bravo (figuras à direita), pintadas em tons de cinza, branco e preto.

Nota: a seguir, neste blog, estudaremos cada parte do tríptico.

Ficha técnica
Ano: c. de 1482
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 163,7 x 127 cm
Localização: Akademie der Bildende Künste, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Bosch/ Abril Coleções
Bosch/ Taschen
1000 obras da pintura europeia/ Könemann

Views: 18

Bosch – O CAMINHO DA VIDA

Autoria de Lu Dias Carvalho

ANDARILHO

A composição O Caminho da Vida, também conhecida como O Mercador ou O Vagabundo, obra do pintor medieval Hieronymus Bosch, faz parte de uma aba exterior do tríptico Carro de Feno.

No primeiro plano está um homem, aparentemente de meia-idade, magricela e com vestimenta rota, tendo uma das pernas da calça com grande rasgo no joelho, andando por um caminho muito perigoso. Ele leva às costas um cesto de vime e ampara-se, com as duas mãos, num cajado. Um cão raivoso rosna à sua passagem. À sua direita veem-se ossos espalhados e duas aves escuras. Ele se encontra próximo a uma frágil tábua, usada como ponte, que cobre um pequeno riacho, onde patos nadam e uma garça busca alimento.

Ao fundo, à esquerda, três ladrões assaltam um viajante, despojam-no de suas vestes, amarram-no a uma árvore e roubam suas posses. À direita do viajante, um casal de camponeses dança ao som de uma gaita, tocada por um homem assentado perto de uma árvore. Mais acima, no cume do morro, um grande número de pessoas rodeia uma forca, na qual se escora uma enorme escada. Mais abaixo está um mastro, tendo no topo uma roda, usada para expor os corpos dos malfeitores executados. Uma bela paisagem desenrola-se ao fundo, onde é possível divisar uma cidade com casas e uma igreja, montes e árvores esparsas.

Na Idade Média, época em que viveu o pintor, a Igreja ensinava que todo homem era um peregrino vivendo num mundo violento e perigoso, à procura da pátria perdida. Por isso, até mesmo o casal de camponeses a dançar constituía uma ameaça moral, pois estava sucumbindo ao apetite sexual.

Para muitos estudiosos, Bosch, com esta composição, tenta mostrar que a caminhada do homem na Terra é cheia de perigos, aqui representados pelo cão, ladrões, execução, tábua frágil, música, dança, etc. E, que apesar do fardo (cesto de vime) que carrega, ele deve manter longe todas as ameaças a uma vida de retidão, através da fé (simbolizada pelo bastão).

Ficha técnica
Ano: c. de 1516
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 135 x 90 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fonte de pesquisa
Bosch/ Taschen

Views: 38