Bosch – A MORTE DO AVARENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Morte do Avarento, também conhecida como A Morte do Avaro, é uma parábola típica da fantasia alegórica de Bosch, que chama a atenção, sobretudo, pela arquitetura interior, difícil de ser encontrada em seus trabalhos. Esta obra ainda desperta certa controvérsia sobre sua origem, mas a grande maioria dos estudiosos têm-na como uma legítima obra do artista citado. Pelo modo como se apresenta, a obra faz parte de um díptico ou tríptico que foi separado. Muitos aventam na possibilidade de que as obras O Barco dos Loucos e A Alegoria dos Prazeres sejam as outras duas partes.

A pintura não é descrita como sendo sonhos e símbolos, mas refere-se à vida e à natureza humana, que muitas vezes opõem-se à razão. O quadro apresenta um homem moribundo, à beira da morte, que ainda vacila entre a escolha do Paraíso e a do Inferno. Seu quarto é um cubículo alto e estreito, onde se encontram diferentes personagens:

1. seu anjo da guarda, que o apoia pelo ombro, tentando orientar sua atenção para o crucifixo, que se encontra na janela, e do qual jorra um facho de luz, indicativo do Paraíso;

2. o diabo, que aparece debaixo da cortina, tentando ganhar a sua atenção, oferecendo-lhe um saco com ouro, ou seja, as riquezas do mundo, simbolizando o Inferno;

3. a Morte, que aparece na porta entreaberta, armada de uma seta, direcionada para o avaro, aguardando o desfecho dos acontecimentos;

4. um demônio vestido de preto, em primeiro plano, com suas asas claras, segurando os trajes ricos do avaro. Mais abaixo estão suas armas de cavaleiro: um capacete e uma espada. O que indica que ele era rico, e agora precisa deixar tudo isso para trás;  também podem ser atributos relativos à experiência da morte, como pensam alguns estudiosos;

5. é possível ver um diabo, através do tampo aberto da arca, aos pés da cama, abrindo um saco com moedas, no qual um velho deposita moedas de ouro. O velho é a personificação do avaro, em sua indecisão, pois segura um rosário com uma das mãos e com a outra guarda o dinheirono saco aberto.

6. dois diabos, em forma de ratazanas, estão debaixo da mesa, sendo que um deles traz nas mãos um objeto;

7. um diabo observa a cena atentamente, sobre a estrutura que comporta a cortina, acima do doente.

Nota: as gravuras pequenas mostram os pormenores da composição.

Ficha técnica
Ano: c. 1494
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 92,6 x 30,8 cm
Localização: National Gallery of Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa
Bosch/ Abril Coleções
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Bosch/ Taschen

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Bosch – A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO (IV)

Autoria de Lu Dias Carvalho

O tríptico da Tentação de Santo Antão traz como tela central A Tentação de Santo Antão que mostra  o santo passando pelos piores horrores, ao ser tentado por todo tipo de demônios, que a ele se dirigem por terra, água e ar.

Na composição, Santo Antão encontra-se ajoelhado, com a mão levantada, em posição de bênçãos ou aceno, com o olhar dirigido ao observador. Ao fundo, no altar, Cristo crucificado aparece todo iluminado e traz também a mão levantada em forma de bênção. Em torno do santo, cenas estranhas acontecem atormentando sua alma. Vejamos algumas:

  • Um padre de feições animalescas, ajudado por um coroinha de rosto bizarro, oficia uma missa negra. O ajudante tem na cabeça um funil invertido, que simboliza a charlatanice. O que nos mostra que Bosch também tinha uma visão crítica sobre a Igreja.
  • Ao lado esquerdo do santo, uma sacerdotisa, usando uma mitra feita de serpentes, oferta um copo com vinho ao músico com cabeça de porco e vestes escuras, que traz sobre a cabeça uma coruja, símbolo da bruxaria. Ainda no mesmo grupo, uma criada negra levanta uma bandeja, tendo no centro uma rã, que por sua vez levanta um ovo. Perto do santo, uma mulher com touca, oferece uma taça a uma freira.
  • No grupo, que se encontra embaixo, na parte inferior da direita, um emaciado personagem-árvore, de rosto cinza azulado, está montado sobre uma ratazana, e carrega nos braços um feto atado em faixas, parecendo uma pequena múmia. Ainda no mesmo grupo, um ser bizarro de asas, carregando uma ave na mão esquerda e um escudo na direita, cavalga um monstro, que é metade tonel e metade animal. Um demônio toca um alaúde. Ao fundo, uma aldeia encontra-se queimando.

Tudo no quadro remete à maldade, a fim de amedrontar o homem possuído pelo pecado e levá-lo a pensar na salvação de sua alma. Ou seria o próprio artista tentando exorcizar os seus demônios? Esta obra de Bosch lembra-nos certas religiões (ou denominações) que, nos dias de hoje, têm como tema preferido a dimensão demoníaca e não a divina, pois o demônio é rico em bens materiais. Falar em seu nome traz mais dividendos do que falar em nome de Deus.

Na composição, nenhum demônio ataca o santo fisicamente. Portanto, os suplícios sofridos são referentes à alma, sendo os diabos a personificação dos desejos da carne, na visão de Bosch. E, mais uma vez, a Luxúria é o pecado predominante, pois segundo os religiosos medievais, ela era a mãe de todos os outros pecados.

Obs.:
São conhecidas cerca de dezesseis versões da obra descrita, consideradas réplicas ou cópias. Dentre elas, uma encontra-se no MASP (desde 1952), São Paulo, tendo sido aceita como obra de Bosch por Friedländer no seu repertório da antiga pintura dos Países Baixos, de 1937. Os estudiosos acreditam que o quadro possa ser uma primeira versão da parte central do tríptico de Lisboa.

Ficha técnica:
Data: c.1500
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 128 x 101 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa:
Bosch/ Abril Cultural
Bosch/ Coleção Folha
Bosch/ Taschen
A Historia da Arte/ E.H. Gombrich
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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PORQUE O BEIJA-FLOR TEM ESTE NOME

Recontada por Lu Dias Carvalho

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A Terra estava luxuriante, cheia das mais diferentes frutas. Os bichos passavam horas e horas comentando entre si sobre a beleza de suas cores e a gostosura de seus sabores. Ao amanhecer de certo dia, eles perceberam uma nova fruta: amarelinha, meio oval e muito cheirosa. Ninguém sabia o nome e tampouco se era comestível. Era preciso ter cuidado, pois algumas tinham apenas a função de enfeitar a natureza, como as flores, embora delas as abelhas aproveitassem o néctar. Por isso, optaram por enviar o tico-tico ao céu, para se informar com o Todo Poderoso sobre aquela belezura.

O Criador esclareceu ao tico-tico que o nome da fruta era “laranja” e que podia ser comida verde ou madura. E, como a distância a ser percorrida por ele era muito grande, para não se esquecer do nome, aconselhou-o a voltar com a cabeça abaixada, beijando todas as flores que encontrasse. Mas o bichinho não fez nem uma coisa e nem outra, encantado com a vastidão do céu. Quando chegou à floresta, não se lembrava de absolutamente nada, para tristeza dos animais, que esperavam ansiosos.

Ao beija-flor coube a mesmíssima incumbência dada ao tico-tico. Recebeu a mesma resposta do Criador e a mesmíssima ordem. A avezinha voltou cumprindo todas as instruções que lhe foram repassadas. Ao chegar à floresta, explicou aos animais tim-tim por tim-tim. Disse que o nome da fruta era “laranja”, que poderia ser comida sem receio algum, mesmo quando estivesse com a casca verde. Contou-lhes também quais foram as instruções recebidas do Divino, para que não se esquecesse da mensagem.

E assim, por ter beijado todas as flores que encontrou no seu trajeto, a avezinha ficou sendo chamada por todos os bichos de “beija-flor”.

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Bosch – SANTO ANTÃO EM MEDITAÇÃO (III)

Autoria de Lu Dias Carvalho

ANDARILHO1234O tríptico da Tentação de Santo Antão traz no volante direito Santo Antão em Meditação, que se depara com a Rainha-Demônio, despida, acompanhada de sua corte diabólica, tentando perverter o santo.

A rainha encontra-se debaixo de um tronco, no rio, coberto por um enorme tecido vermelho, como se fosse uma tenda, de frente para Santo Antão. À sua volta, seus demônios servem vinho. O santo desvia o olhar para a esquerda, mas dá de cara com uma festa diabólica.

No fundo da composição ergue-se a cidade da Rainha-Demônio, onde um fogaréu levanta-se da torre principal, e um diabo e outros monstros nadam no fosso.

Ficha técnica
Ano: c. 1501
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 131,5 x 53 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Fonte de pesquisa
Bosch/ Taschen
Bosch/ Abril Coleçoes

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A ORIGEM DO RIO AMAZONAS

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Conta-se que houve um tempo na história do mundo, em que o Sol e a Lua apaixonaram-se um pelo outro, querendo se casar. Chegaram a ficar noivos, mas, para infelicidade de ambos, descobriram que, se contraíssem núpcias, aniquilariam a Terra, pois a paixão abrasadora do astro-rei acabaria queimando todas as fontes de vida, e o satélite terrestre, com suas lágrimas copiosas, vertidas em razão de tão descomunal ardor, alagaria a Terra. O casal apaixonado era, portanto, incompatível, apesar do amor que os unia, só lhes restando a dor do afastamento, numa prova de amor maior ainda.

O Sol partiu para bem distante, onde não pudesse ouvir os soluços da Lua, enquanto ela chorava dia e noite o grande amor perdido. E chorou tanto a bela deusa prateada, que suas lágrimas foram gotejando na Terra. Mas o mar, enciumado, não quis receber as gotas que de seus olhos emanavam. Então, suas lágrimas caíram em solo terrestre, e foram se ajuntando, até formar o rio Amazonas, que serpenteia pela floresta, contando à fauna, à flora e aos homens a bela história de amor que um dia aconteceu entre o Sol e a Lua.

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Bosch – O VOO E A QUEDA DE SANTO ANTÃO (II)

Autoria de Lu Dias Carvalho

ANDARILHO123O tríptico da Tentação de Santo Antão traz no volante esquerdo O Voo e a Queda de Santo Antão, que mostra o santo, inconsciente, sendo carregado por dois frades e um terceiro homem vestido com roupas seculares, o que para muitos trata-se de um autorretrato do pintor.

As quatro figuras atravessam uma pequena ponte, que passa sobre um riacho de águas escurecidas, e, abaixo dela estão três figuras horrendas a conversar, tendo uma delas uma folha escrita na mão, enquanto um mensageiro, misto de homem e pássaro, aproxima-se do grupo. Na margem do riacho há um enorme ovo, de onde sai um filhote, mas a ave mãe está engolindo uma de suas crias.

À frente, na estrada onde se encontram Santo Antão e seus amigos, um grupo de diabos dirige-se para uma figura, que se encontra ajoelhada, com a parte inferior nua. Suas pernas abertas formam a entrada de um bordel.

Na paisagem ao fundo, um falso farol exerce atração sobre os navops, trazendo-os para a costa, onde serão destruídos, pois ali se encontram inúmeros cadáveres e demônios. Um monstro em forma de peixe e escorpião, com uma torre nas costas, engole outro. Na mesma tábua, Santo Antão aparece no Céu, sendo carregado por demônios e outros monstros malignos.

Ficha técnica
Ano: c. 1501
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 131,5 x 53 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Fonte de pesquisa
Bosch/ Taschen
Bosch/ Abril Coleções

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