FOTO DE FORMATURA – DUBAI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A maior importância da foto de formatura é que, mais tarde, quando mais velho, você poderá se lembrar de seus colegas de classe… (Mas cadê eu?)

Digam o que quiserem, mas não há povo mais criativo do que o brasileiro. Prova disso são os e-mails enviados pela internet. E por mais cansativo que tenha sido o dia, não há como deixar de dar uma boa gargalhada. A gente ri mesmo, porque rir faz bem ao coração e à vida, já que ela é tão finita. É possível rir até das jocosas mensagens que apregoam desde o fim do Brasil ao fim do mundo, atribuídas a esse ou àquele figurão, que depois vai à tevê e diz que não possui twitter, não faz parte de rede social e nunca escreveu coisa alguma. Mas a gente ri do mesmo jeito, enquanto gira o planeta, quer em translação quer em rotação, e, enquanto estamos por aqui, uai.

Dias atrás, conversando com uma amiga que mora na Suíça há 15 anos, ela me disse que não consegue se esquecer da alegria do povo brasileiro, pois sorriso naquelas plagas é coisa rara. E se é tempo de frio, o bicho pega. Nem vizinho dá “Oi!”, mercadoria em falta no mercado europeu de modo geral, ainda mais agora com o nível alarmante de desemprego e com a inflação tomando o caminho do céu. E o meu amigo que chegou da Europa, depois de um “rolé” mundo afora, disse-me que irá brigar com quem falar mal de seu país verde e amarelo, depois do que viu, sentiu e viveu nas bandas de lá, onde a coisa está feia, numa desordem geral, pois até assalto a joalheria ele presenciou na Cidade das Luzes: Paris. E pior, foi assaltado em Roma. Será que o mundo está acabando?

Voltando ao riso, não pude contê-lo, ao receber do meu amigo Geraldo Magela, cidadão do mundo, a foto acima, com os dizeres:

A maior importância da foto de formatura é que, mais tarde, quando mais velho, você poderá se lembrar de seus colegas de classe… (Formandos de 2013 – Faculdade de Arquitetura – Universidade de Dubai)

Somente isto, acompanhado da foto. E a perspicácia de cada um complementa o resto.  Será que alguém pode ficar imune ao riso? Duvido!

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Segall – ETERNOS CAMINHANTES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A tela Eternos Caminhantes, do pintor Lasar Segall, é mais um exemplo do expressionismo construtivo do artista, com suas figuras deformadas, principalmente, nos pés%

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ALEIJADINHO, ARTE E POESIA

Autoria de Luiz Cruz

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Antônio Francisco Lisboa (1737-1814), o Mestre Aleijadinho, produziu uma das obras mais marcantes de todos os tempos, especialmente no Brasil – escultura, desenho, entalhes e arquitetura. Sua formação cultural, seu talento e sua condição social e física (ainda por desvendar) criaram situações para a construção de um mito, que tem atraído a atenção de pesquisadores, de artistas e de poetas, todos captados pela expressividade de suas obras. O mestre atraiu, ainda, a atenção de viajantes estrangeiros que percorreram pelo Brasil. Foi tema de estudos de dois grandes especialistas, Germain Bazin e John Bury, que foram responsáveis pela divulgação de sua obra internacional.

“O Brasil deu nele o seu maior engenho artístico, eu creio. Uma grande manifestação humana. A função histórica dele é vasta e curiosa. No meio daquele enxame de valores plásticos e musicais do tempo, de muito superior a todos como genialidade, ele coroava uma vida de três séculos coloniais. Era de todos, o único que se poderá dizer nacional, pela originalidade das suas soluções. Era já um produto da terra, e do homem vivendo nela, e era um inconsciente de outras existências melhores de além-mar: um aclimado, na extensão psicológica do termo.” (Mário de Andrade)

“Esse mulato de gênio / lavrou na pedra-sabão /todos os nossos pecados, / as nossas luxúrias todas, / e esse tropel de desejos / e essa ânsia de ir para o céu / e de ficar mais na terra; / Era uma vez um Aleijadinho, / não tinha dedo, não tinha mão, / raiva e cinzel lá isso tinha, / era uma vez um Aleijadinho, / era uma vez muitas igrejas / com muitos paraísos e muitos infernos, / era uma vez São João, Ouro Preto, Sabará, Congonhas,/ era uma vez muitas cidades /e um Aleijadinho era uma vez.” (Carlos Drummond de Andrade)

“No anfiteatro de montanhas / Os profetas do Aleijadinho / Monumentalizam a paisagem

As cúpulas brancas dos Passos / E os cocares revirados das palmeiras / São degraus da arte de meu país / Onde ninguém mais subiu

Bíblia de pedra sabão / Banhada no ouro das minas.” (Oswald de Andrade)

“- Mestre Lisboa tinha sessenta e dois anos quando Tiradentes, enforcado pela Coroa, teve a cabeça exposta aqui em Vila Rica – recordou a escrevente. – Nunca se envolveu com os revoltosos?
– Não quis se meter na conjuração – Observou Bretas. – Preferiu fugir do sol por suspeitar da própria sombra.” (Frei Beto)

“A mão doente parou, / Fica suspensa no ar, / Inutilizada no ar.

Lá fora os lundus dos escravos / Acordam a lua do sono. / A escultura bem que pede /
Uma força maior. / – Homem se me acabas / Eu acabo te abraçando. –

E a mão nunca chega / Até o fim do caminho / Ela está presa, bem presa, / Desde o princípio do mundo.

Então de dentro do corpo / Do homem disforme e triste / Sai uma boca de fogo, / Sopra no corpo da estátua / Que respira já prontinha, / Dá um abraço no escultor.” (Murilo Mendes)

“passo pelos Passos / e não perco minhas vistas / nas montanhas gerais

no adro / esculpe-se diálogo / profetizando eternidade.” (Júlio Castañon Guimarães)

“Obra-prima da arquitetura brasileira, a fachada de São Francisco de Assis de Ouro Preto tem um caráter único pelo extraordinário conhecimento arquitetônico que revela.”(Germain Bazin)

“A subordinação do edifício às estátuas dos profetas e o excepcional interesse que elas despertam como obras de arte costumam desviar a atenção do aspecto arquitetônico da obra propriamente dito. Para quem se aproxima da igreja a partir do Jardim dos Passos, a visão do parapeito do adro sugere a de uma fortificação, cuja estrutura básica constitui-se a partir de uma sucessão de horizontais que marcam o topo do aclive. E é aqui que as esculturas desempenham seu tradicional papel arquitetônico, formando uma série de pináculos, cujas linhas ascendentes fornecem o necessário contraste com os parapeitos planos e horizontais. Trata-se de uma solução extremamente adequada e satisfatória, pois o escultor usou as linhas e volumes de suas figuras com arrojada assimetria”(Jonh Bury)

Nota: Fotos de Luiz Cruz – Profetas, Congonhas / MG

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Segall – MENINO COM LAGARTIXAS

Autoria de Lu Dias Carvalho
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Laser Segall encontra nos negros a secreta nostalgia das raças exiladas. (Pierre Guéguen)

O pintor Lasar Segall esteve no Brasil em 1913, aqui retornando dez anos depois, dessa vez para ficar, tomando nosso país como nova pátria. E desde a primeira vez que aqui esteve, extasiou-se diante da exuberância das cores tropicais e da luz. Sendo que nos seus primeiros trabalhos na nova terra, ele abre mão dos ocres, cinza, negros e violetas, na chamada “fase brasileira”.

Ao se fixar no Brasil, o artista levou para a sua pintura as cores intensas como verdes, amarelos, rosas, vermelhos e azuis, em oposição as cores de tonalidade baixa, com as usadas nas suas pinturas europeias. Mas ainda que as cores fossem exuberantes, o comprometimento do pintor com o social também se fazia presente. Na sua nova pátria, acrescentou à sua temática de marginalizados novos elementos, sendo o negro um dos mais frequentes.

Na composição Menino com Lagartixas, apenas um terço da tela, na parte inferior, é destinada ao menino negro com as suas duas lagartixas amarelas. O pintor mostra somente a cabeça e a metade do tronco do garoto, que encara seriamente o observador, num misto de desafio e indiferença.

As duas lagartixas amarelas, com listras vermelhas no dorso, saem dentre a folhagem verde das bananeiras e alcançam o ombro direito do menino, que as protege com a mão esquerda. Segall usa uma variedade de gamas da cor verde. Trata-se de um dos quadros da chamada “fase brasileira”.

Todo o resto do quadro é composto pela folhagem das bananeiras. Um cacho de bananas, ainda verde, está um pouco acima do centro geométrico da composição, e outro se encontra à direita, sendo possível ver o umbigo da bananeira, na ponta do cacho.

Ficha técnica
Ano: 1924
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 98 x 61 cm
Localização: Acervo do Museu Lasar Segall

Fonte de pesquisa
Lasar Segal/ Coleção Folha

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Segall – MORTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Morte do pintor Laser Segall trata-se de uma obra expressionista. A simplicidade que ela demonstra, através de formas simples e despojadas, visivelmente influenciada pela arte primitiva, como nos apresentam os rostos que se parecem com máscaras, era o objetivo buscado pelos artistas do Expressionismo.

A tela apresenta cinco personagens, sendo três adultos e duas criança. Um dos adultos é o morto que está sendo velado. Seu corpo jaz ao fundo, em segundo plano, na horizontal. A cor cinza de seu rosto configura a presença da morte que lhe subtraiu a vida.

Em primeiro plano estão dois adultos, que se parecem com mulheres, e as duas crianças. A mulher com vestido de cor violeta, à direita, traz a mão apoiada no rosto, gesto que demonstra tristeza e desesperança. A criança maior, abraçada firmemente nela, como se sentisse amedrontada, desvia o olhar do morto que se encontra atrás de si.

A mulher com roupa azul, também em primeiro plano, à esquerda, traz as mãos em atitude de prece. Apoiada a ela está a criança menor, também de costas para o morto.

O rosto das personagens possui a forma de uma máscara. As duas mulheres trazem sulcos na testa, o que denota preocupação. As bocas abertas aludem ao choro e à dor. Todos os personagens encontram-se descalços e nenhum deles observa o morto.

Ficha técnica
Ano: 1919
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 94 x 105 cm
Localização: Acervo Fundação José e Paulina Nimirovsky, São Paulo/SP, Brasil

Fonte de pesquisa
Lasar Segall/ Coleção Folha

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Segall – ENCONTRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A marginalidade social e racial do negro brasileiro o comove a ponto de estabelecer com ele uma forte identificação. (Vera d`Horta)

Na composição Encontro, Segall encontra-se ao lado de sua primeira esposa, Margarete Clarke. Esta tela tem como base a fotografia do casal, tirada no dia do casamento, na Alemanha.

Segall apresenta-se vestindo um terno marrom esverdeado, com camisa clara e gravata cinza. O chapéu é da mesma cor do terno. Ele assume as características físicas da raça negra. Sua pele é de um marrom avermelhado, sendo possível notar seus cabelos escuros e crespos debaixo do chapéu. Os lábios grossos, o grande nariz e os olhos escuros compõem o rosto do artista. Sua testa está sulcada pelas rugas.

A pele do artista contrasta com a de Margarete, alvíssima, assim como suas mãos grandes e fortes contrastam com a mão delgada da esposa, que se encontra entre as suas. Margarete está de perfil, ereta, voltada para o esposo, enquanto ele se mostra de frente. A boca de Margarete, pintada de vermelho, é pequena e fina, em oposição à de Segall que é grande e carnuda, com uma cor arroxeada.

Apesar de se encontrar muito próximos, marido e mulher não cruzam seus olhares, que se dirigem para lados diferentes. Ambos estão silenciosos, mergulhados em suas próprias reflexões.

Ficha técnica
Ano: 1924
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 66 x 54 cm
Localização: Acervo do Museu Lasar Segall, São Paulo/SP, Brasil

Fonte de pesquisa
Lasar Segall/ Coleção Folha

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