Portinari – CATEQUESE

Autoria de Lu Dias Carvalho
catequese port.

Catequese, obra do pintor brasileiro Candido Portinari, é uma das pinturas que compõem o ciclo sobre a América Latina, formado também pelas composições Descobrimento, Desbravamento da Mata e Descoberta do Ouro, que ornamentam a Biblioteca do Congresso de Washington, EUA.

Em primeiro plano, estão três índias, todas elas agigantadas, em volta da figura de um jesuíta, que se mostra numa postura de extrema candidez. Uma delas está de pé, com um cesto de frutas na cabeça. A maior delas está assentada, de frente para o religioso, a ouvi-lo com atenção. O vermelho de seu colar chama a atenção para seu grosso pescoço. A menor das três, de vestido branco, parece tocar o jesuíta, enquanto olha para fora da tela. Os rostos femininos estão na sombra e se mostram indefinidos. Um garotinho, em primeiro plano e voltado para o observador, encontra-se aos pés do grupo.

À esquerda dos novos cristãos, outro jesuíta traz um indiozinho desnudo nos braços, com o rosto coberto por tinta de urucum, e, que o envolve com o braço direito. Mais ao fundo, à direita do mesmo grupo, outro jesuíta aparece segurando a mão de um garotinho indígena, vestindo uma camisola azul. Todas as figuras estão descalças.

Ao fundo da composição, estão três canoas com cinco índios em cada uma, navegando pelo rio de águas azuis, enquanto outras seis encontram-se ancoradas. Vários objetos estão presentes no mural: corda, escada, botija de barro, pilão, baú e até mesmo uma vaca, que parece observar a cena. Eles fazem uma referência à civilização dos índios. Não existe a presença do céu.

Ficha técnica
Ano: 1941
Técnica: pintura mural a têmpora
Dimensões: 494 x 463 cm
Localização: Acervo da Biblioteca do Congresso, Washington, EUA

Fonte de pesquisa
Portinari/ Coleção Folha

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O RIO YODO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa O Rio Yodo faz parte da série Vistas Famosas de Quioto, do artista japonês Hiroshige. Representa um barco de travessia do Rio Yodo, que navega entre as cidades de Quioto (atual Tóquio) e Osaska.

Já é noite, conforme atesta a presença da lua cheia no céu. Tanto os passageiros que regressam do trabalho em Osaska quanto os remadores, mostram-se muito cansados.

Um pequeno barco está amarrado à direita da embarcação maior, através de uma corda. Nele, uma mulher prepara comida para vender aos passageiros.

No barco maior, algumas pessoas estão reclinadas sobre suas tigelas de alimento, enquanto outras dormitam. No primeiro compartimento, uma mulher amamenta seu filhinho.

Os remadores estão em trajes sumários, o que denota a baixa condição social dos três. Aquele, que se encontra na proa, observa um cuco em frente à lua prateada. Tanto a água do rio quanto o céu estão azulados.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: c. 1834
Dimensões: 22,2 x 35,5 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Taschen

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Portinari – SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Juscelino Kubitschek, o então prefeito de Belo Horizonte, à época, propôs a modernização da cidade, criando um projeto arquitetônico-artístico denominado Complexo da Pampulha. O arquiteto Oscar Niemeyer foi o responsável pelo projeto da Igreja de São Francisco, que possui belas curvas sinuosas, enquanto o pintor Candido Portinari, no mural que ornamenta a igreja, retratou uma cena da vida de São Francisco, em que ele se despoja de suas vestes diante de sua família burguesa de comerciantes. Portinari levou em conta a mesma sinuosidade da igreja projetada pelo arquiteto.

São Francisco é a figura central da composição, cujo destaque dá-se através de cores mais fortes, em tons marrons. Em torno dele, vários grupos de personagens estão distribuídos, em cores mais sóbrias, formalizando a narrativa sobre sua vida. Embora ainda se mostre forte, o corpo do santo apresenta sulcos profundos, com os ossos descarnados. Uma aura branca cinge-lhe a cabeça.

À esquerda de São Francisco, há mulheres em oração ou em lamentação, enquanto à direita é possível distinguir um homem doente, sentado, amparado pelo santo. Possivelmente, trata-se da figura de um leproso, envolto num lençol. Um homem de batina traz uma criança ao colo. O grupo de pessoas assustadas corresponde à família do santo, diante de seu gesto. No topo do tondo (redondo, circular) alguns personagens sentem-se tocados pelo gesto de São Francisco, ao se despojar de suas vestes. O santo tanto representa o homem que acolhe o leproso quanto aquele que segura a criança.

São Francisco não é apresentado segundo a tradição, usando um hábito rústico com um cordão. Também não possui as chagas de Cristo nem a caveira Ele usa trajes rotos, possui o rosto cheio de sulcos e os braços descarnados. Seus pés e mãos são desproporcionais e rudes, como os dos trabalhadores rurais presentes na obra do artista. A presença do cão alude ao amor do santo pelos animais.

Ficha técnica
Ano:1945
Dimensões: 750 x 1.060 cm (em tondo)
Técnica: pintura mural a têmpera
Localização: Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte, MG, Brasil

Fonte de pesquisa
Portinari/ Coleção Folha

Nota: imagem da Igreja de São Francisco de Assis, onde se encontra a obra de Portinari. Cliquem no link  IGREJA DE SÃO FRANCISCO-PAMPULHA

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A ARTE DA CARICATURA

Autoria de Lu Dias Carvalho
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A palavra caricatura é originária do italiano “caricare”, que significa carregar, no sentido de extrapolar, exagerar. Segundo o Aurélio, “a caricatura é um desenho que, pelo traço, pela escolha dos detalhes, acentua ou revela certos aspectos caricatos de pessoa ou fato, sendo o caricaturista aquele que faz caricaturas.”. O termo caricatura apareceu pela primeira vez em 1646, com o objetivo de nomear as séries de desenhos satíricos de Agostino Carracci. No início, a caricatura era vista como mero divertimento, vindo aos poucos se transformando numa importante atividade artística.

Embora seja muito comum nos depararmos hoje com a caricatura de políticos, principalmente, nos jornais e revistas, essa não é uma arte nova. As sátiras sociais, apresentadas através das caricaturas, já estavam presentes, principalmente, a partir do século XVIII, feitas por importantes artistas. É muito comum o uso de elementos caricaturais nas artes gráficas contemporâneas. Embora constitua um gênero de cunho satírico, a caricatura não é obrigatoriamente cômica.

A caricatura tem como tema um personagem (pessoa ou animal) real ou um fato, que, normalmente, encontra-se em destaque na mídia, em que certos aspectos são exagerados, com o objetivo de satirizar ou despertar o burlesco. O caricaturista, que trabalha com o desenho, enfoca a personagem ou o fato, mas exagera nas suas características, dando destaque a algumas delas, de modo a provocar o riso. Os políticos e os artistas são um prato feito para os artistas da caricatura.

Alguns estudiosos acreditam que a caricatura é “mãe” do expressionismo, movimento artístico e cultural de vanguarda, que surgiu na Alemanha no início do século XX, pois, através dela, o artista é capaz de captar as impressões deixadas na face do indivíduo, ali fixadas através dos anos, de acordo com a sua índole ou estado emocional. O mais interessante é que um bom caricaturista não precisa de muitos traços para personificar o indivíduo. Para os críticos, os atributos principais de um exímio caricaturista são o máximo de expressividade com um mínimo de traços.

O italiano Annibale Carracci é considerado um dos maiores expoentes da caricatura, sendo o pioneiro na História da Arte a fazer uso dela, abrindo mão da idealização. E Pier Leone Ghezzi foi um dos primeiros a dedicar-se, quase que integralmente, à realização de caricaturas. James Gillray e Thomas Rowlandson são dois grandes nomes da caricatura inglesa. E Honoré Daumier foi um grande artista francês dessa arte. Grandes nomes da pintura também foram caricaturistas, como Tiepolo, Puvvis de Chavannes, Picasso e, até mesmo Monet foi caricaturista no início de sua carreira. Atualmente, grandes nomes de caricaturistas destacam-se internacionalmente, tais como: Sebastian Kruger, Jan Opdebeeck, Mulatire, entre outros.

Nota: A ilustração do texto trata-se de uma caricatura de Honoré Daumier, referente à Conferência de Londres, 1830, quando foram redefinidas as fronteiras da Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos. O artista representou cada um dos embaixadores como um animal, sendo o embaixador francês, Talleyrand, a lebre.

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O RIO MIE…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa O Rio Mie perto da Estação Yokkaichi é a 44ª estação da série 53 Estações de Tôkaidô, do artista japonês Hiroshige.

A estampa apresenta um homem cheio de embrulhos nas costas e nas mão, correndo atrás de seu chapéu que é levado por uma ventania. A estrada, projetada em diagonal, traz a impressão de que o chapéu aproxima-se do observador. Numa ponte de madeira, à direita, que leva à estrada, um homem com sua capa tremulando, encolhe-se ligeiramente debaixo de seu chapelão.

Através da posição de envergadura do enorme salgueiro e dos juncos, percebe-se que o vento está deveras forte. Em meio à caótica cena, uma solitária embarcação encontra-se ancorada próxima à ponte. Ao fundo, veem-se apenas as pontas dos telhados de algumas habitações e dos mastros.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1833-1834
Dimensões: 22,7 x 35 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Taschen

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Portinari – BAILE NA ROÇA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Baile na Roça, obra do pintor brasileiro Candido Portinari, foi pintada quando ele estudava na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro.

O pintor apresenta uma cena retratada no meio rural. Nela predominam os tons avermelhados e quentes. Não há preocupação por parte do artista com o desenho. As figuras humanas são pouco delineadas, sendo mais formadas por manchas de cores. O ambiente é simples e as personagens mostram-se bem comportadas.

Vários casais estão dançando, embora apenas três deles estejam melhor visualizados. Os homens vestem calças escuras e paletós claros, com lenços nos bolsos. Também usam chapéus. As mulheres vestem vestidos longos.

Num local mais alto, está o tocador de sanfona, rígido e concentrado, com seu instrumento próximo ao corpo. À sua direita, um moço negro, com camisa amarelada e chapéu, parece concentrado no instrumento. Outras figuras, à direita do negro, são difíceis de divisar. À esquerda do músico, próxima a uma porta fechada, encontra-se uma mesa com um copo e três garrafas. Um homem de roupas escuras, chapéu, lenço vermelho no pescoço e fumando cachimbo está assentado próximo à mesa. Ele parece observar o músico.

Ficha técnica
Ano: 1923-1924
Dimensões: 97 x 134 cm
Técnica: Óleo sobre tela
Localização: Coleção Particular

Fonte de pesquisa.
Cândido Portinari / Coleção Folha

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