Autoria do Dr. Telmo Diniz

Todos nós, ou pelo menos a maioria, sabemos que a falta de vitamina D provoca fragilidade óssea com consequentes fraturas, em especial na terceira e quarta idades. Entretanto, vários estudos e evidências científicas têm apontado no sentido de que a hipovitaminose D pode ser causa ou fator de piora de inúmeras doenças.
Nos anos 80, éramos estimulados a ficar por horas a fio debaixo do sol escaldante e, não satisfeitos, também fomos induzidos a usar bronzeadores solares. Tínhamos que ficar com aquela pele dourada, tipo churrasco! Com o surgimento dos cânceres de pele, devido a este mau comportamento, foi o sol relegado a instâncias inferiores de importância. Se não bastasse não tomar sol, fomos estimulados a usar protetor/bloqueador em todo o corpo. Não haveria nada de errado com as providências tomadas, porém, as decisões extremadas têm suas consequências. E a principal delas foi a deficiência desta importante vitamina.
Quase todos os tecidos do corpo possuem receptores de vitamina D, entre eles intestinos, cérebro, coração, pele, órgãos sexuais, mamas, linfócitos, placenta, etc. Sabe-se que essa vitamina, que atua como um hormônio, influencia a expressão de mais de 200 genes. Portanto, teoricamente, várias doenças podem estar ligadas à sua deficiência. Existem fortes evidências que sugerem que a falta de vitamina D desempenha um papel na asma, na fadiga muscular, no diabetes tipo II, em doenças autoimunes como a esclerose múltipla e a artrite reumatoide. Distúrbios neuropsicológicos como o autismo, a esquizofrenia, a depressão e a perda de memória têm também relações pontuais com essa hipovitaminose.
Parcimônia
É importante que o leitor entenda onde podemos adquirir esta vitamina. Ela está presente no óleo de fígado de bacalhau e em peixes de água gelada (salmão, sardinha, anchovas, atum e cavala). O primeiro tem um gosto horrível e, no segundo grupo, não temos peixe fresco desta qualidade, nas nossas Minas Gerais. Nutricionalmente falando, podemos consumir alimentos que são enriquecidos com essa vitamina, especialmente o leite, que também teve seu consumo reduzido na população em geral. Por fim, sobrou-nos o sol. Sem ele, não há vitamina D ativa, ou seja, mesmo que a gente consuma alimentos ou suplementos com vitamina D, essa só estará ativa na sua forma biológica, caso tenha o estímulo dos raios ultravioleta. Porém, muito sol é risco de câncer de pele. Pouco ou nada de sol, vários problemas à vista. Pense sempre no que é razoável. Nem oito, nem 80. Dez minutos por dia de sol, no mínimo três vezes na semana, parece ok.
Detectando-se baixos níveis da vitamina D nos exames de rotina, a suplementação, se recomendada, deve ter acompanhamento médico, pois é uma vitamina lipossolúvel e, portanto, passível de acúmulo no organismo e com potencial de toxicidade.
Nota: imagem copiada de www.europacolon.pt
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