Poussin – UMA DANÇA PARA A MÚSICA DO TEMPO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A pintura é a amante da beleza e a rainha das artes. (Nicolas Poussin)

A composição Uma Dança para a Música do Tempo foi encomendada pelo cardeal Giulio Rospigliosi — mais tarde se tornaria o papa Clemente IX — a Nicolas Poussin, pois ele muito apreciava as obras do pintor francês.

A obra que traz em si um enigma intelectual dá maior primazia à razão, pondo em segundo plano as emoções. Trata-se de um pequeno estudo sobre o tempo, sobre o destino e a condição de vida do homem. Na composição estão presentes quatro dançarinos que representam a Pobreza, o Trabalho, a Riqueza e o Prazer (ou Ócio) em meio a uma rica simbologia. Reproduzem, portanto, os quatro estágios pelos quais, normalmente passa o homem durante sua vida fugaz. Quando juntos, representam a Roda da Fortuna.

O Prazer é representado pela dançarina que olha diretamente para o observador, como se o convidasse para fazer parte do grupo. Uma guirlanda de rosas enfeita seus cabelos dourados que lhe caem pelas costas. Ela calça belas sandálias brancas. Segura firmemente a mão da Riqueza. Simboliza a luxúria, o hedonismo e a ociosidade.

O Trabalho é representado pelo dançarino que traz na cabeça uma coroa de louros e se encontra de costas para o observador. Ele vira ligeiramente o pescoço para fitar a Riqueza. Segura a mão do Prazer e a da Pobreza.

A Pobreza está representada pela dançarina que olha para o Pai Tempo. Ela usa roupas simples e tem um lenço de linho a cobrir-lhe os cabelos. Assim como o Trabalho, encontra-se descalça. Sua mão esquerda está segura pelo Trabalho, enquanto com a direita tenta segurar a mão da Riqueza que lhe parece fugir.

A Riqueza é representada pela dançarina mais suntuosamente vestida. Traz na cabeça uma coroa de pérolas que lhe enredam os cabelos. Também usa ricas sandálias. Enquanto tem a mão direita segura pelo Prazer, ela hesita, com a esquerda, em segurar a mão da Pobreza.

Um menininho nu, no canto esquerdo da composição, brinca com bolhinhas de sabão, o que enfatiza o conceito de “homo bulla” (homem bolha), ou seja, as bolhas lembram a efemeridade da vida humana. Outro menininho encontra-se no canto direito da composição. Ele tem na mãozinha direita uma ampulheta que simboliza o passar do tempo. Uma figura alada nua e de barba e cabelos brancos toca para que o quarteto baile na dança da vida, junto a um pedestal de pedra. Trata-se do Pai Tempo. Sua presença também representa a brevidade da vida.

À direita da composição encontra-se — sobre um pilar de pedra — o busto de Juno, deus romano, ornamentado com colares de flores. Enquanto o busto é duradouro, as flores são efêmeras, assim como o homem. Juno é representado com duas cabeças: a mais jovem vê o futuro, enquanto a mais velha olha para o passado.

No céu Apolo, o deus do Sol, passa com o seu cortejo. As Horas, suas fiéis servidoras, seguem-no. Elas simbolizam as estações que também passam como se fossem uma dança, como a que acontece embaixo. Apolo carrega nas mãos um imenso círculo que não tem princípio e nem fim, representando a Eternidade. À frente de Apolo e seu séquito está Aurora, a deusa do amanhecer, a mostrar-lhe o caminho. Sua função é apanhar as nuvens escuras da noite e abrir a entrada da manhã. Enquanto segue à frente do cortejo, Aurora vai espalhando flores pelo caminho.

A estrutura geométrica da pintura é muito bem elaborada — característica comum às obras de Poussin. A dança desenvolve-se num movimento circular que, por sua vez, encontra-se dentro de um triângulo. A Riqueza divide o círculo e o triângulo ao meio, ou seja, ela é a figura central da composição. Ao colocar em evidência as quatro figuras alegóricas que de mãos dadas dançam numa roda com os corpos voltados para fora da roda, e de costas umas para as outras, o pintor destaca o conceito de que:

  • as circunstâncias da vida formam opostos (Pobreza x Riqueza, Trabalho x Ócio);
  • ainda que de costas uma para outra, mesmo assim estão ligadas, pois sem Pobreza não há Trabalho, mas sem Trabalho não há Riqueza, e sem Riqueza não há Ócio.

Ficha técnica:
Ano: c. 1638
Dimensões: 82,5 x 104 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Wallace Collection, Londres

Fontes de pesquisa:
Artes em detalhes/ Publifolha
Rubens/ Taschen

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Mestres da Pintura – NICOLAS POUSSIN

Autoria de Lu Dias Carvalho

Poussin O primeiro requisito mental para todos os outros é que o tema e a narrativa sejam grandiosos, batalhas, atos heroicos ou motivos religiosos. (Poussin)

O pintor francês Nicolas Poussin (1594 – 1665) nasceu em Les Andelys, um vilarejo da Normandia, sendo oriundo de uma família humilde. Segundo o escritor David Gariff, “Nicolas Poussin foi o principal defensor do Classicismo na pintura barroca europeia. (…) Suas pinturas exerceram enorme influência sobre a Academia Francesa por mais de um século, onde seus seguidores tornaram-se conhecidos como “poussinistas”.

Poussin aspirava muito mais que a formação recebida em sua terra e, por isso, mudou-se para Paris, onde se fixou por mais de dez anos, sobrevivendo com dificuldade. Provavelmente deve ter estudado com Georges Lallement e Ferdinand Elle. Ali se sentiu atraído pela arte clássica e pelos grandes mestres do Renascimento. Esteve em Veneza e Roma, onde se sentiu atraído pela arte clássica e pelos grandes mestres do Renascimento, dentre os quais estavam Rafael Sanzio com seus belos temas de inspiração clássica e Ticiano com suas cores vibrantes. O artista é tido como o fundador do Neoclassicismo francês, tendo produzido pinturas históricas, mitológicas, retratos e paisagens.

Insatisfeito com a sua condição em Paris, Poussin partiu para Roma, já se encontrando na casa dos 30 anos, onde poderia se dedicar com mais afinco à sua paixão: o Classicismo e trabalhar com temas clássicos e religiosos. Em Roma ele estudou peças da Antiguidade e as obras-primas da Renascença, principalmente as de Rafael e Ticiano. Tornou-se amigo dos mais renomados intelectuais e antiquários da cidade em razão do patrocínio recebido de Francesco Barberini, sobrinho do papa.

Ao se dedicar intensamente ao Classicismo em suas obras, o artista viu que sua arte distanciava-se cada vez mais de seus contemporâneos, tendo dificuldades de aceitação não só por parte da Igreja, como por parte dos mais importantes mecenas de Roma. Em contrapartida, foi bem aceito pelos franceses da corte do rei Luís XIII. Tanto é que, a convite, voltou a Paris,  dois anos mais tarde, onde trabalhou como primeiro pintor do rei, ainda que por um breve tempo. Seu estilo aprimorava-se cada vez mais, com composições que refletiam clareza de concepção, solenidade intelectual e moral, qualidades recebidas com admiração pelos membros da Academia Francesa.

Em Paris os seguidores de Poussin (pussinistas) que aceitavam a proposta clássica e a superioridade do traço, divergiam dos seguidores de Rubens (rubenistas) que asseguravam a importância da cor e da emoção na pintura. Poussin gostava de pintar telas pequenas, normalmente para colecionadores privados e eruditos, onde tratava de narrativas históricas, baseadas em textos antigos, mitos, lendas e relatos bíblicos, predominando uma rigorosa organização e o uso de cores vibrantes. Dizem que o artista era tão perfeccionista que elaborava diminutos palcos, onde inseria os modelos de cera, como modelo para suas composições.

Sentindo-se infeliz em Paris, Nicolas Poussin voltou para Roma, sua cidade adotiva, e ali permaneceu até o final de sua vida. Foi enterrado na igreja de San Lorenza in Lucina, em Roma. Mas apesar de ter passado grande parte de sua vida em Roma, inclusive tendo morrido ali, o artista é tido como o mais destacado pintor francês do século XVII, fundador do neoclassicismo francês.

Nota:  Autorretrato/ 1650

Fonte de pesquisa:
Os pintores mais influentes…/ Girassol
A história da arte/ E.H. Gombrich
1000 obras-primas…/ Konemann
Arte/ Publifolha
501 grandes artistas/ Sextante

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É PRECISO HUMANIZAR A SAÚDE

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Humanização da saúde

Humanização da saúde significa tratar da pessoa, do ser humano e não só de seus sintomas. O foco deixa de ser a doença e a pessoa passa a ser vista como um todo – corpo, mente e espírito. Os trabalhadores da área de saúde, independentemente da função que ocupam, seja na cozinha, nos serviços gerais, na lavanderia, no consultório, nas salas de cirurgia ou no setor de enfermagem, todos devem fazer parte de uma máquina única, onde devem funcionar de forma integrativa, para que o paciente tenha um atendimento digno e mais humano.

O rápido desenvolvimento da tecnologia da medicina fez que nós, médicos, nos distanciássemos do paciente. Emoções, crenças e valores ficaram em segundo plano, passando a doença a ser o objeto central do saber.

O ato médico se desumanizou. No mesmo processo, ocorreram transformações na formação médica, cada vez mais especializada, e nas condições de trabalho, restringindo a disponibilidade do médico tanto para o contato com o paciente quanto para a busca de formação mais abrangente. As atuais condições do exercício da medicina não têm contribuído para a melhoria do relacionamento entre médicos e pacientes e para o atendimento humanizado e de boa qualidade. Esse quadro estende-se tanto a outros profissionais da área como a instituições de saúde.

Atualmente, têm sido propostas diversas ações visando à implantação de programas de humanização nas instituições de saúde, especialmente nos hospitais. Os profissionais devem entender que a pessoa/paciente tem um nome e não pode ser rotulada por um número de quarto ou de um prontuário.

Há instituições que acham que estão sendo humanizadas por estarem melhorando a estrutura física dos prédios. Sem dúvida, são medidas relevantes numa instituição. No entanto, as relações interpessoais são de fundamental importância neste contexto. Tanto é que uma das principais queixas dos pacientes em relação aos médicos é a falta ou ausência de uma comunicação mais clara.

A atenção e respeito devem ser mantidos sempre. As reflexões sobre a tarefa assistencial conduzem também ao campo ético. Para que haja ética é preciso ver o outro. Diversos estudos demonstram que uma boa relação médico/paciente é de sua importância na boa evolução e adesão ao tratamento proposto.

Sensibilidade

É fundamental que os profissionais de saúde incorporem em seu aprendizado os aspectos interpessoais do atendimento, conhecendo os fenômenos psicológicos que nele atuam. Isso não significa que tenham que se transformar em psiquiatras ou psicólogos, mas que, além do suporte técnico, utilizem a sensibilidade para conhecer melhor o paciente, ouvir suas queixas e encontrar, junto com ele, estratégias que facilitem a aceitação do tratamento. Daí a importância da formação dos médicos e de outros profissionais da área no âmbito das faculdades e em programas de educação continuada.

A humanização é um processo amplo, demorado e caro, que depende da contratação de profissionais suficientes para atender a demanda da população; aquisição de novos equipamentos hospitalares; abertura de novos serviços, melhoria dos salários, das condições de trabalho e, acima de tudo, a formação de novos profissionais com foco na ética e no respeito para com o próximo. Com isso, teremos uma saúde mais humana.

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EUA – A BONECA BARBIE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A boneca Barbie vem encantando as crianças por anos a fio. É difícil visitar um quarto de menina onde não haja pelo menos uma, ainda que obtida de segunda mão. Continua sendo um dos pedidos mais constantes no Natal ou nos aniversários. Algumas garotinhas chegam a possuir uma coleção da tão encantadora boneca. Outras similares já apareceram no mercado, mas nenhuma conseguiu desbancar a poderosa Barbie.

Mas como e quando surgiu a bela Barbie, com seu jeitinho de moça? Corria o ano de 1958. Uma mãe, Ruth Hundler, acompanhava sua filhinha Barbara, já na pré-adolescência, brincando com suas bonequinhas costumeiras. Ruth começou a observar que todas as bonecas possuíam a aparência de bebês. Por que então não fazer uma com a beleza que as meninas teriam quando crescessem? Daí nasceu a ideia de criar uma boneca adolescente, com todos os atrativos de uma garota, inclusive os seios.  De posse da ideia, Ruth convenceu seu marido, Elott Handler, dono da indústria Mattel, a abraçar o projeto. Contudo, houve um problema com o primeiro lote de ninfetas, que tivera como modelo uma boneca erótica alemã de nome Lili. Como a cópia ficou muito parecida com a original, a Mattel foi obrigada a pagar uma indenização aos responsáveis pela criação da primeira.

A boneca Barbie, apelido carinhoso da filha Barbara, de Ruth Hundler, apareceu pela primeira vez em 1959, numa feira de brinquedos em Nova York. A partir daí se tornaria um objeto de desejo das meninas em todo o mundo, ou melhor, em quase todo, porque no Japão a bela não alcançou sucesso. Seria por que não tinha os olhinhos apertados das japonesinhas? Curiosos, os criadores e fabricantes começaram a pesquisar o porquê de tal rejeição. Depois de feitas as pesquisas, concluíram que a nova boneca trazia seios que não se adaptavam aos padrões estéticos das japonesas. Corrigida a causa do insucesso nas terras do sol nascente, as vendas explodiram entre as crianças japonesas.

Como uma garota charmosa não nasceu para viver só, dois anos depois, em 1961, Barbie ganhou um namorado, Ken, que teve como modelo o filho de Ruth e Eliott. Neste caso, não seria Ken e Barbie irmãos? Mas não é o que pensam as garotinhas, que veem nos dois um belo par romântico. A glamorosa possui agora três irmãs: Skipper, Stacie e Chelsea.

Curiosidades sobre a boneca Barbie:

  • Vários modelos foram criados a partir da Barbie original (dançarina, fada, cantora, pianista, médica, professora, policial, astronauta, etc.)
  • Foi a primeira boneca a ser maquiada e a receber inúmeros acessórios.
  • Sua imagem é sempre a de uma modelo de sucesso, com sua beleza e ar juvenil.
  • Ken também varia o corte de cabelo.
  • A boneca é tão famosa, que as garotas excessivamente preocupadas com a moda e a beleza passaram a ser apelidadas de Barbie.
  • Existem alguns modelos Barbie, de várias épocas ou representando mulheres famosas, como Jaqueline Kennedy, de produção limitada, que fazem a festa dos colecionadores.
  • A coleção étnica traz a boneca vestida com roupas típicas de vários países.
  • Muitas das roupas de Barbie  foram inspiradas em estilistas famosos do mundo da moda ou criadas por eles.
  • A Barbie já lançou e irá lançar vários filmes, tais como: Barbie em O Quebra Nozes, Barbie e as Três Mosqueteiras, Barbie em A Canção de Natal, Barbie Butterfly e a Princesa Fada, etc.
  • que circula pelas redes sociais afirma que a fabricante da boneca mais famosa do mundo irá lançar uma versão transexual da Barbie. Será que isso é real?
  • Boatos dão conta de que a Mattel lançará um versão transexual da boneca, com a intenção de “promover a liberdade sexual entre as crianças do mundo”.

Fontes de pesquisa:
A Casa da Mãe Joana/ Reinaldo Pimentel
http://www.boainformacao.com.br

Nota: Imagem copiada de blogdebrinquedo.com.br

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FLATULÊNCIA – O PÂNICO DO PUM

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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O ar engolido ou os gases formados no aparelho digestivo podem ser expelidos por via oral – a eructação (ou arroto) – ou pelas “vias baixas”, os chamados flatos. A maior parte deles é produzida no intestino por carboidratos (açúcares) que não são digeridos na passagem pelo estômago. Como o intestino não produz as enzimas necessárias para quebrá-los, eles são fermentados por bactérias que ali residem. Este processo é responsável pela maior produção e liberação de gases, que podem causar grande desconforto, pois provocam distensão abdominal, além é claro, do constrangimento social que podem desencadear, em especial entre as mulheres.

Nós eliminamos, “em condições normais de temperatura e pressão”, cerca de 1,5 litros ao dia de gases intestinais, onde 90% não tem odor algum. É isso mesmo! Ao contrário do que se pensa o “pum” geralmente não tem cheiro. O odor desagradável da flatulência é decorrente da ação de bactérias no intestino, que liberam pequenas quantidades de gases contendo enxofre.

Alguns alimentos estão implicados em aumentar a formação destes gases, a citar: feijão, ovos, cerveja, leite e derivados, batata, milho, farelo de trigo, brócolis, aspargos, alho, repolho, bebidas gaseificadas em geral, couve-flor e cebola. Um modo de tentar controlar a formação dos temíveis gases é através de uma dieta cuidadosa, evitando os alimentos que sabidamente agravam o problema. Mas aí vem a pergunta: “Mas eu gosto da maioria destes alimentos. Como fica isso, doutor? Não vou poder comer mais essas coisas?” Nada de desespero! Pode ser que um ou outro alimento deva ser eliminado de início, mas sabendo também que a ansiedade, a prisão de ventre, o sedentarismo e a má digestão contribuem para a piora do problema, podemos tomar atitudes para não sermos pegos de surpresa e em situações indesejadas.

Dicas simples

A auto-medicação, muito comum e errada, com uso de substâncias à base de dimeticona, somente alivia o problema temporariamente, mas não resolve. Algumas medidas podem ser de grande utilidade e, quem sabe, a pessoa até poderá voltar a se alimentar com aquilo que antes era um transtorno.

Dicas simples como aumentar a ingestão de fibras, como aveia, linhaça, granola, pães e torradas integrais, verduras e frutas, bem como dar um incremento no consumo de líquidos (água), irá melhorar o trânsito intestinal, tratando da constipação e reduzindo a formação dos flatos.

Reduza os níveis de ansiedade e tensão, com ajuda médica, se necessário. Mexa-se! Os exercícios físicos estimulam os movimentos intestinais. Aquelas pessoas que têm problemas com a digestão com certos tipos de alimentos, que têm sensação de “empanzinamento” ou “empachamento”, podem se beneficiar com o uso de substâncias que ajudam no processo de digestão. Em alguns casos, a prescrição de substâncias pro-bióticas (lactobacilos) também ajuda no desempenho intestinal e, consequentemente, na redução da formação dos gases. Em suma, a melhora do hábito alimentar, exercícios físicos e, eventualmente uma ajuda médica com maiores orientações poderão livrar a pessoa do “pânico do pum”.

(*) Imagem copiada de play.google.com

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Michelangelo – O JUÍZO FINAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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                                                    (Clique na imagem para ampliá-la.)

Michelangelo não viverá muito tempo se não mudar de vida; trabalha muito, come pouco e mal, e também não dorme; faz alguns meses que sofre com dores de cabeça e vertigens. Tem dois males: um na cabeça e outro no coração. Para cada um deles existe um remédio; só preciso é conhecer a causa e dizê-la. (Amigo de Michelangelo)

Arte da pintura, diretamente inspirada por Deus […] mostra-nos a miséria dos malditos e a alegria dos benditos […] nele se podem ver maravilhosamente retratadas todas as emoções que a natureza humana pode experimentar […] as figuras de Micelangelo revelam pensamentos e emoções que somente ele soube exprimir. (Giorgio Vasari sobre o Juízo Final)

O papa Clemente VII confiou a Michelangelo o projeto de pintar a Queda dos Anjos Rebeldes sobre a parede do altar da Capela Sistina, mas só depois da morte desse é que o artista iniciou os trabalhos, já no pontificado de Paulo III, sendo o afresco combinado substituído por o Juízo Final. O artista tinha na época quase 60 anos de idade e continuava preferindo a escultura à pintura.

Diante da grandiosidade do projeto, o mestre pediu a ajuda de seu amigo Sebastiano del Piombo — um consagrado artista da época — que ficou responsável por acompanhar a preparação da superfície para a pintura a óleo. Mas os dois acabaram brigando, conforme relata Giorgio Vasari, pondo fim a uma amizade de cerca de 20 anos, pelo fato de Michelangelo ter dito que “queria pintar só o afresco e que a pintura a óleo era arte de mulheres ricas e de preguiçosos como Sebastiano del Piombo”.

O Juízo Final — afresco que ocupa a parede do altar da Capela Sistina —  é composto por cenas religiosas e mitológicas. Ali tudo gira em redor da figura de Cristo, de pé, como se estivesse se levantando, com o joelho direito ainda dobrado. Sua mão direita ergue-se num gesto de condenação, enquanto a esquerda chama os eleitos. O gestual de seu braço reforça a sensação de movimento giratório em toda a obra. As quatro cenas estão dispostas em quatro trechos horizontais:

  • os dois superiores pertencem à ordem celestial (onde se concentra um número maior de figuras);
  • os dois inferiores pertencem ao mundo terreno e ao Inferno (inspirados em trechos de “A Divina Comédia” de Dante Alighieri).

Existem neste afresco de Michelangelo cerca de quatrocentas figuras — entre santos, patriarcas, apóstolos, mártires, virgens, anjos, homens, etc. — que se apresentam em diferentes tamanhos, de acordo com a importância de cada personagem, sendo as figuras maiores as que representam a ordem celestial. O grupo central, onde se encontra Cristo, tem uma escala maior ainda. As figuras estão assim dispostas:

  • Na parte superior da parede — Cristo, a Virgem e dois grupos de santos e de mártires.
  • Ao centro — os anjos com trombetas e dois grupos simétricos de eleitos subindo ao céu, enquanto os condenados são lançados ao Inferno.
  • Nas duas lunetas (no alto da composição) — os anjos com os símbolos da paixão.

Na base do afresco encontram-se:

  • à esquerda — a ressurreição da carne;
  • ao centro — a boca do Inferno;
  • à direita — Coronte atravessando os condenados em sua barca em direção a Minos e outros demônios.

Na parte superior, Jesus Cristo — figura central da composição — surgindo de um nimbo de luz dourada, está sentado, acompanhado pela Virgem e rodeado pelos doze apóstolos, João Batista, anjos, eleitos e santos. Os últimos são identificáveis pelos atributos que carregam. São Pedro devolve as chaves a Cristo; São Paulo com seu semblante grave e barba branca; São Sebastião com as flechas na mão; Santa Catarina com a roda de facas; Santo André com a cruz em forma de X; São Lourenço com a grelha de seu martírio; São Bartolomeu com um escalpelo na mão direita e uma pele humana na mão esquerda, onde está modelada a face de Michelangelo que se autorretrata como um despojo humano.

Acima de Jesus Cristo e de seu grupo estão anjos carregando os atributos de sua Paixão: a cruz, a coroa de espinhos, os cravos e a coluna da flagelação. Cristo é o centro temático e simbólico da cena representada e também o centro compositivo da obra.  Ao contrário da maneira como é comumente retratado, aqui ele é visto sem barba, traz os cabelos curtos e tem o corpo atlético, quase nu, como um deus greco-romano envolto apenas por um manto que lhe cobre as costas e as partes pudendas. É uma figura musculosa e de forte gestual.

Cristo é o grande juiz cujo trono é feito de nuvens. Sua cabeça e mão direita — assim como o olhar — estão voltados para o grupo de santos que se encontra à sua esquerda. Nos pés e mãos ainda estão as marcas de sua flagelação. Há também um pequeno corte logo abaixo de seu peito direito. A mão direita levantada acima da cabeça exprime autoridade e determinação, sinal de que chegou a hora de julgar os justos e os pecadores, de modo que os primeiros ascendam aos céus e os segundos precipitem-se no inferno. Não se trata mais do Cristo misericordioso, mas de um juiz com toda a sua “terribilidade”.

Logo abaixo do Cristo juiz encontram-se os sete anjos do Apocalipse fazendo soar suas trombetas, anunciando a hora do Juízo Final para toda a humanidade. Um deles segura o Livro da Vida e o outro o Livro da Morte. À direita deles, os bons vão deixando seus túmulos, puxados por outros anjos, para ascenderem aos céus e à esquerda encontram-se os maus, empurrados por anjos e puxados pelos demônios para o inferno. O primeiro deles, com a mão no rosto em atitude de horror, é puxado por demônios até a barca que o levará para o inferno.

A Virgem Maria — bem menor do que a figura do Filho e em forma serpenteada — encontra-se assentada à sua direita em atitude de súplica, implorando-lhe clemência para com a humanidade, enquanto olha entristecida para o mundo terreno abaixo. Mas ele não escuta as súplicas da Mãe. À esquerda, na parte inferior da composição, as almas dos justos deixam seus túmulos para subirem aos céus, enquanto à direita, Coronte — figura mitológica — carrega em sua barca os condenados, tendo Mino, ser infernal, cujo corpo está envolto por serpentes, à frente.

O barqueiro dos mortos abandona os condenados na porta do submundo. É ajudado por demônios a expulsar as miseráveis almas de seu barco. Na cena estão presentes monstros, cadáveres, esqueletos e fogo que recriam com horror o castigo das almas condenadas que formam o grupo de figuras mais dramáticas do Juízo Final. E, como escreveu Dante: “Coronte em forma demoníaca, apanha todos/ Acenando, bate seu remos em todos os que tardam.”. Michelangelo era um leitor do escritor.

As cenas da ressurreição situam-se na parte inferior da composição à esquerda. Nela um grupo de anjos com suas cornetas acorda os mortos que saem de seus túmulos em movimentos lerdos e entorpecidos. Os esqueletos estão sendo encobertos pela carne.  Ao fundo figuras de corpos robustos movimentam-se, deixando um vazio no centro, onde se destaca um grupo de anjos com suas trombetas, anunciando que é chegada a hora do Juízo Final.

A pintura em questão ocupa toda a imensa parede do altar da Capela Sistina, com um espaço aberto e ilimitado que traz a sensação de um vazio abismal, onde flutuam os corpos dos inssurretos. Todas as figuras flutuam no espaço sem gravidade, tendo por fundo um maravilhoso céu de lápis-lazúli, excetuando as cenas da ressurreição da carne e a do inferno. Enquanto algumas pessoas ascendem ao céu, outras, aterrorizadas, lutam para não serem empurradas para o inferno. Dentre as últimas, a cabeça da alma condenada que brilha como um fantasma da morte na escuridão é uma das imagens mais fortes da composição.

O julgamento do afresco Juízo Final já acontecia antes mesmo de a obra ter sido terminada. Era a época terrível da Contra Reforma. A presença de corpos nus deu munição para que a intolerância religiosa acusasse o artista de imoralidade, alegando que os nus eram antidogmáticos. George Vasari comenta que o mestre de cerimônias do papa, Biagio da Cesena, manifestou-se dizendo que aquilo “era uma coisa muito desonesta em lugar tão honrado, ter feito tantos nus que desonestamente mostram suas vergonhas e que não era obra para uma capela de papa, mas de termas e tabernas”. Para se vingar do santilão, Michelangelo retratou-o com a aparência do demônio Minos, com uma serpente enrodilhada no seu corpo e a morder-lhe os genitais. O poeta Pietro Aretino sugeriu que se fizesse uma fogueira com a obra.

O Juízo Final que mostra um turbilhão cósmico desencadeada pelo gesto do grande Juiz,  foi também muito elogiado. Mas a falsidade dos supostos vestalinos acabou ganhando terreno, de modo que, algum tempo depois, “as vergonhas” dos nus do afresco foram cobertas por Daniele Volterra — um dos assistentes do artista, a mando do papa Paulo IV.  Ao longo dos anos os nus de Michelangelo continuaram a receber vestimentas. Mas, para a pujança da arte, em 1980, quando as pinturas do Juízo Final foram restauradas, todas as vestimentas acrescidas foram retiradas, deixando o afresco como fora originalmente pintado.

Esta pintura que demorou cinco anos para ser completada em razão de suas imensas proporções  e que dispensou qualquer elemento arquitetônico para moldar as cenas, confrontando apenas figuras e espaço, cobre toda a parede logo atrás do altar  e mostra o fim da raça humana, com a redenção de uns e a condenação de outros à escuridão eterna. Ou seja, os bem-aventurados estão à esquerda, a subir, e os condenados, à direita, a mergulharem no inferno. Todos em movimento circular, girando em torno da grandiosa figura do Cristo regressado.

Ficha técnica:
Ano: 1533 – 1541
Afresco
Dimensões: 13,70 x 12, 20 m  (cerca de 167 metros quadrados)
Localização: Capela Sistina, Palácios do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural
Enciclopédia dos Museus

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