GAROTA DE IPANEMA

Autoria de Lu Dias Carvalho

tom e vinicios
Meu amigo, que por força do trabalho é obrigado a voar pelos quatro cantos do mundo, fica sempre impressionado com o alcance mundial que tem a música Garota de Ipanema. Recentemente chegou da Coreia do Sul, e me contou que ao adentrar no Aeroporto Internacional de Incheon, um dos mais belos e organizados do planeta, a primeira canção que ouviu foi Garota de Ipanema, este maravilhoso hino da bossa-nova, e cartão de visita do Brasil em todo o mundo, mesmo depois de meio século de existência. O número de interpretações gravadas da canção ultrapassa a mais de 500 (inglês, finlandês, estoniano, esperanto, etc.)

Garota de Ipanema foi composta por Vinícius de Moraes e Tom Jobim, em 1962, quando a bossa-nova reinava em todo o país. A gravação, feita pela gravadora Verver,  saiu em 1963. É a canção mais tocada no mundo, ficando abaixo apenas de “Yesterday”, composta e cantada pelos Beatles.

A canção não nasceu Garota de Ipanema, como pensa a maioria das pessoas, mas Menina que Passa. Assim era a letra inicial composta por Vinícius de Morais:

Vinha cansado de tudo/ De tantos caminhos/ Tão sem poesia/ Tão sem passarinhos/ Com medo da vida/ Com medo de amar/ Quando na tarde vazia/ Tão linda no espaço/ Eu via a menina/ Que vinha num passo/ Cheio de balança/ Caminho do mar.

Tanto Vinícius quanto Tom não ficaram muito satisfeitos com a letra inicial feita pelo poetinha, por isso,  compositor e poeta  puseram-se a trabalhá-la, mudando uma frase aqui, trocando uma palavra acolá até que chegaram à versão definitiva:

Olha que coisa mais linda/ Mais cheia de graça/ É ela a menina/ Que vem e que passa/ No doce balançao, a caminho do mar/ Moça do corpo dourado/ Do sol de Ipanema/ O seu balançado é mais que um poema/ É a coisa mais linda que eu já vi passar/ Ah, porque estou tão sozinho? Ah, porque tudo é tão triste/ Ah, a beleza que existe/ A beleza que não é só minha/Que também passa sozinha/ Ah, se ela soubesse/ Que quando ela passa/ O mundo inteirinho se enche de graça/ E fica mais lindo/ Por causa do amor.

 A garota carioca Helô Pinheiro (Heloísa Pinheiro) foi quem serviu de inspiração para Tom e Vinícius, quando passava em frente ao bar, onde os dois se encontravam, em direção à praia de Ipanema. Em virtude da canção, ela acabou se tornando uma celebridade.

Garota de Ipanema é, sem dúvida, uma das canções mais importantes do século XX.

 Curiosidades:

  • Uma versão instrumental desta canção já foi feita para o filme Garota de Ipanema, de 1967.
  • A versão em inglês desta canção se chama The Girl from Ipanema, cuja letra foi escrita por Norman Gimbel em 1963. Já foi cantada por Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Cher, Mariza, Madonna, Sepultura (que gravou num estilo rock and roll) e vários outros artistas.
  • A cantora Astrud Gilberto, filha de mãe brasileira e pai alemão, que se casou com João Gilberto, cantou, em 1964, a versão de Garota de Ipanema em inglês.
  • Frank Sinatra regravou The Girl from Ipanema em 1967
  • A cantora Amy Winehouse fez uma versão para a música, que está no seu álbum póstumo, lançado meses após a sua morte.
  • A canção inspirou outra da banda americana The B-52’s com “Girl From Ipanema Goes To Greenland” (Garota de Ipanema Foi Para a Groelândia), presente no disco Bouncing Off the Satellites (1986). É uma metáfora, já que a Garota de Ipanema representa uma garota alegre e atraente e a Groelândia é um lugar frio, representa uma personalidade fria. Resumindo, é uma garota atraente que se torna insensível.
  • Os herdeiros de Tom Jobim e Vinicius de Moraes aprovaram a utilização de Garota de Ipanema na série “Mad men”, num filme dos irmãos Coen e em campanhas da Nike e da Calvin Klein, dentre outras consultas.

Nota
Cliquem no link abaixo para ouvirem Garota de Ipanema

https://www.youtube.com/watch?v=KJzBxJ8ExRk

Fonte de pesquisa:
Wikipédia
Globo.com

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Cinema – A SÉTIMA ARTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

Paradiso

Esta é a maravilha do cinema, é uma arte democrática, uma arte para todas as raças. Aqui as massas da humanidade entram através do movimento vibrante na luz que voa e na beleza que invoca o espírito da raça. (American Magazine/ 1913)

 Ao contrário das demais artes, o Cinema é ainda um bebê, que possui pouco mais de um século de vida. A maioria dos estudiosos acata a ideia de que ele surgiu em 1895, com os irmãos Lumière, quando projetaram A Saída dos Operários da Fábrica Lumière.

 O Cinema é a arte que mais tem se beneficiado com o efeito da tecnologia. Dentre as muitas novidades, está a possibilidade de congelar a imagem, para uma análise mais detalhada de uma cena, por exemplo. Foi por isso, que alguns deslizes, antes despercebidos, tornaram se visíveis. Hoje é possível ao espectador observar que em Casablanca, Ilsa usa um terninho em vez de um vestido no flashback de Paris; em Os Dez Mandamentos, um cego usa um relógio; em Spartakus, vários soldados também estão usando relógios: em No Tempo das Diligências, é possível ver marcas de pneus modernas; em Doutor Jivago, pode-se ver o reflexo do diretor David Lean e sua equipe, e assim por diante.

 É possível que nenhuma arte tenha se espalhado com tanta rapidez e se tornado tão universal quanto o Cinema. Quando tinha apenas 20 anos de existência, grandes plateias espalhadas pelo mundo, já se curvavam a seus encantos.

 Filmes Mudos

 Embora possa parecer um paradoxo, o fato de os filmes do início da história do Cinema terem sido mudos, o que configurava uma limitação da nova arte, trouxe uma grande vantagem para sua universalização. Mas como assim? – inquirirá o leitor.

 Vejamos:
1 – os filmes mudos eram acessíveis a qualquer tipo de público;
2 – seus custos eram muito baixos e por isso eram produzidos em maior escala;
3 – a simples colocação de alguns entretítulos, traduzidos para a língua local, permitia a um filme ser compreendido em qualquer lugar do mundo;
4 – o filme mudo não constituía um problema para o alto número de analfabetos existentes à época;
5 – era muito comum que os espectadores, com domínio da leitura, lessem os intertítulos para os vizinhos em apuros;
6 – os japoneses chegaram a criar a figura do benshi, que tinha como objetivo ficar ao lado da tela, e recontar a história para os espectadores;
7 – quando os filmes falados chegaram, a paixão pelo Cinema já estava enraizada, de modo que as pessoas não se sentiram desencorajadas com as barreiras impostas pela linguagem.

 Na opinião de alguns críticos, se o Cinema tivesse nascido já no modo falado, é bem provável que a sua popularização não tivesse sido tão rápida em todo o mundo.

 Gêneros do Cinema

 Os principais gêneros cinematográficos não tardaram a emergir após a criação do Cinema. Georges Miélès, o ex-ilusionista, logo após as projeções dos irmãos Lumière, já apresentava para as plateias filmes de fantasia, terror e ficção científica.

 O documentário praticamente já nasceu com o Cinema. Foi o primeiro a existir, pois bastava apontar as câmaras para o mundo em derredor e já se configurava o gênero.

 A comédia veio logo após e, depois, vieram os dramas de época, os romances, os filmes de ação, o drama psicológico, os filmes de guerra, a farsa, os épicos da antiguidade e a pornografia. Embora alguns gêneros ainda engatinhassem, em 1910 já existiam quase todos os que estão presentes nos dias de hoje.

 Em menos de meio século, o Cinema percorreu o longo caminho que vai do primitivismo ao pós-modernismo. Apesar de bem mais jovem, tornou-se a mais dinâmica e a mais democrática das formas de arte.

 É interessante saber que antes da Primeira Guerra Mundial, era o Cinema europeu que dominava o mercado internacional. França, Itália e Dinamarca eram os países possuidores de importantes indústrias cinematográficas. Os Estados Unidos, por sua vez, eram muito mais importadores do que produtores. Porém, com a chegada da guerra as coisas tomaram um novo rumo, deslocando o eixo da sétima arte.

 Como o conflito desenrolava-se na Europa, as indústrias cinematográficas europeias foram extremamente afetadas, sendo obrigadas a reduzirem a produção. Como a tristeza de uns acaba sempre redundando em alegria para outros, a emergente indústria cinematográfica norte-americana, que tinha muito dinheiro, aproveitou a deixa para se firmar no mercado mundial. Já em 1920, Hollywood assegurava para si o primeiro lugar no pódio. Além disso, com os recursos financeiros e técnicos imbatíveis, tornou-se irresistível para os cineastas talentosos europeus. Fato que ainda acontece nos dias de hoje.

 Numeração das Artes

 Esta é a numeração mais consensual sobre as artes, sendo, no entanto, apenas indicativa, onde cada uma das artes é caracterizada pelos elementos básicos que formatam a sua linguagem:

 1ª Arte – Música (som)
2ª Arte – Dança/ Coreografia (movimento)
3ª Arte – Pintura (cor)
4ª Arte – Escultura (volume)
5ª Arte – Teatro (representação)
6ª Arte – Literatura (palavra)
7ª Arte – Cinema (integra os elementos das artes anteriores mais a 8ª arte)
8ª Arte – Fotografia (imagem)
9ª Arte – Banda desenhada (cor, palavra, imagem)
10ª Arte – Jogos de Computador e Vídeo (alguns jogos integram elementos de todas as artes anteriores somado a 11ª, porém no mínimo, ele integra as 1ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª arte somadas a 11ª desde a Terceira Geração de Videogames)
11ª Arte – Arte digital (integra artes gráficas computorizadas 2D, 3D e programação).

Nota: Cena de Cinema Paradiso

 Fontes de Pesquisa:
Tudo sobre Cinema/ Editora Sextante
Wikipédia

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A CIENTOLOGIA DE TOM CRUISE

Autoria de Lu Dias Carvalho

   Tom Cruise  Autor Tom Cruise

Essa obra (Dianética) provavelmente contém mais premissas e menos evidências por página do que qualquer publicação desde a invenção da imprensa. (Isaac Rabi – prêmio Nobel da Física)

As doenças mentais são condições médicas reais que afetam milhões de americanos. (….) É no mínimo irresponsável que o senhor Cruise utilize suas viagens de divulgação do filme (Guerra dos Mundos), para promover sua visão ideológica particular e dissuadir as pessoas com doenças mentais a buscarem o tratamento de que precisam. (Comunicado: Associação Americana de Psiquiatria/ Aliança Nacional para os Doentes Mentais e Associação de Nacional de Saúde Mental)

Dentre as minhas leituras prediletas estão as biografias, mas, sempre que possível, opto pelas “não autorizadas”, pois me passam a sensação de que são as mais verdadeiras, uma vez que o escritor não se sente refém do sujeito em destaque, tendo que bajulá-lo e contar meias verdades. Foi com base em tais pontos de vista que escolhi a biografia não autorizada de Tom Cruise, escrita por Andrew Morton, escritor britânico, vencedor de inúmeros prêmios.

A escolha de tal livro não se deveu à vida do multimilionário astro norte-americano, com seus inúmeros casamentos, ou à posição de mandachuva que ostenta no seu país, tampouco pelo seu pula-pula no sofá da famosa apresentadora Oprah Winfrey. Deu-se pela ligação umbilical que o ator de Top Gun, Rain Man, Dias de Trovão, Guerra dos Mundos, entre outros filmes, tem com a seita denominada Cientologia. Sempre tive muita curiosidade em conhecer os meandros de tal culto, que comanda os menores passos de tão famoso ator e o porquê de ter amealhado tantas celebridades. E por que é idolatrada por uns e causa asco a outros.

Segundo o escritor Andrew Morton, a Cientologia trata-se de um culto fundado pelo escritor de ficção científica Lafayette Ron Hubbard, em 1954, logo após publicar seu best-seller Dianética – a ciência moderna da saúde mental, a chamada bíblia da Cientologia. Hubbard já estarreceu os incrédulos, quando, em 1947, disse num conferência para escritores de ficção: “Se você deseja se tornar um milionário, a maneira mais rápida de isso acontecer é fundar sua própria religião.”.

A Dianética de Hubbard propunha-se a ocupar o lugar da psiquiatria e da psicoterapia na vida das pessoas. Em seus argumentos ele defendia, entre outras coisas, a cura de vários tipos de doença, tais como: asma, artrite, alcoolismo, úlcera, enxaqueca, doenças coronárias, etc. Outra importância apregoada por ele (e seus seguidores) era a de que a técnica revolucionária “aumentaria a inteligência e eliminaria emoções opressivas, além de curar condições de ateísmo e a homossexualidade.”.

Para o escritor Andrew Morton, “Hubbard fundou sua própria Igreja da Cientologia não apenas para explorar o sucesso financeiro de seu livro, mas também para superar as constantes críticas advindas de psiquiatras e outros cientistas, que afirmavam que suas teorias eram pouco mais do que uma pseudociência não comprovada, além de uma poção mágica intelectual para crédulos.”.

Ao contrário dos cientistas que viam no homem um corpo físico, Hubbard atestava que o homem era na verdade um espírito reencarnado. Assim sendo, ele era o seu próprio deus. E para obter a sua natureza imortal, libertando-se do corpo, bastaria seguir a filosofia religiosa aplicada ensinada por ele. Os críticos da seita argumentavam que a preocupação não era com a alma do indivíduo, mas no reforço de seu próprio ego, pois ele era instado a se tornar o seu próprio deus.

Hubbard dava o nome de “carne-fresca” aos novos membros de sua seita. Esses deviam passar por uma auditoria (parecida com a confissão católica), onde debulhavam a própria vida, mas, para isso, pagavam grandes quantias de dinheiro. Confissões essas que eram arquivadas e usadas como suborno, para caso um membro, ao deixar a seita, falasse mal da Cientologia. O escritor Andrew Morton complementa: “Aos poucos – e muitos milhares de dólares depois – os cientologistas chegariam ao que Hubbard chamava de ‘a ponte’ para alcançar um nível de iluminação.”. E, de ponte em ponte, eles chegariam a tantos níveis superiores de iluminação que controlariam a matéria, a energia, o espaço e o tempo.

A meta principal dos líderes da Cientologia foi sempre conseguir a adesão de celebridades à seita. E, para caçá-las, existe todo um esquema montado. Houve, inclusive, tentativas para atrair John e Yoko Lennon, Michael Jackson, Paul McCartney e sua esposa Linda, mas que não obtiveram resultado positivo. O livro mostra, passo a passo, toda a estratégia que foi usada para cooptar Tom Cruise para seus quadros. Embora tenham se espalhados boatos mundo afora de que Tom Cruise seja gay, Hubbard deixou escrito sobre os homossexuais em um de seus livros: que se a Cientologia não obtivesse sucesso na recuperação desses, a solução seria “desfazer-se deles de maneira silenciosa e sem nenhum pesar.”.

Andrew Morton também conta que os cientologistas aguardam a reencarnação de seu líder Lafayette Ron Hubbard, morto em 1986. E, quando a esposa de Tom Cruise, Katie Holmes, ficou grávida, alguns fanáticos da seita “cogitavam a possibilidade de a atriz ter engravidado por meio de espermatozoides congelados do mestre Hubbard, ficando frustrados com a chegada de uma menina. E ironicamente, Hubbard havia previsto que retornaria à Terra em alguma forma, vinte anos após ter se desprendido do corpo. O certo é que uma casa é mantida impecavelmente arrumada na espera do líder.

Segundo Andrew Morton, a Cientologia reflete a personalidade paranoica de seu fundador, e tem como objetivo dominar o mundo, desprezando as outras religiões. Além disso, faz acusação cerrada aos psiquiatras e outros profissionais da área de saúde, responsabilizando-os por todas as doenças da Terra. São chamados de os “mercadores do caos”.

Obrigada, Tom Cruise e Cientologia por seus conselhos especializados em saúde mental. (O filho esquizofrênico da cientologista Elli Perkins foi impedido por ela de tomar medicamentos prescritos por sua doença, pois isso era contra sua crença. Ele terminou esfaqueando sua mãe 77 vezes no dia do aniversário de L. Ron Fubbard-  cartaz.)

Nota: O livro em questão e seu autor, Andrew Morton.

Fonte de pesquisa:
Tom Cruise – Biografia não Autorizada/ Andrew Morton
Editora Manole/ Publicado em 2008

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