TRAPAÇA DA LOUCURA

  Autoria de Alfredo Domingos  

louco

João Tibúrcio, falecido há pouco, coitado, era ruim dos miolos. De quando em vez surtava. Suas reações extremas iam de agitado destemperado a quieto total. Na maior parte do tempo, porém, saía do ar, ficava paradão, rígido, olhando pra nada.

Quando a loucura agitada chegava, a família endoidava também. Se a medicação não dava conta, o jeito era apelar para a ambulância do Hospital Psiquiátrico. A situação ficava fora de controle.

Em um dia desses de desequilíbrio, apelou-se para a remoção. No chegar dos profissionais, o que era doidice virou mansidão. O homem ficou, de hora para outra, petrificado.

O pitoresco, se não fosse trágico, foi que a pobre mãe, de tanto desespero, estava toda descabelada, descalça e de camisola, e ele na postura impassível, apenas observando, acabou passando despercebido.

Resultado: num descuido, ela foi posta na ambulância enquanto João Tibúrcio ajudou no fechamento da viatura. O louco era outro!

Vá entender…

Nota: Imagem copiada de http://pt.dreamstime.com

Views: 21

Michelangelo – HIST. DO GÊNESIS / CAPELA SISTINA (III)

Autoria de Lu Dias Carvalho

sale123

 sale1234  sale123456  sale1234567

                                                             (Clique nas imagens para visualizá-las)

Começamos o estudo dos afrescos do teto da Capela Sistina pela parte relativa ao Gênesis, que se divide em três grupos, num total de nove histórias, representando a origem do universo, do homem e do mal. No esquema acima, o leitor poderá acompanhar a localização dos afrescos, que correspondem à cor azul-piscina, relativa aos números 9, 13, 17, 21, 25, 29, 33, 37 e 41.

Terceiro grupo:

  • O Dilúvio
    S
    egundo um dos biógrafos de Michelangelo, o Dilúvio foi uma das primeiras cenas a serem pintadas no teto da Capela Sistina. Retrata a ira de Deus para com a humanidade pecadora e corrupta, enviando-lhe o dilúvio como castigo. A arca, construída por Noé, encontra-se ao fundo, levando os escolhidos, enquanto as outras pessoas, em grande desespero, fogem com suas famílias da turbulência das águas, que sobem sem parar. No primeiro plano, estão famílias tentando salvar parentes e coisas, em busca de terra firme. A tragédia é vista por toda parte e em todos os detalhes. (Localização 13)
  • O Sacrifício de Noé
    Michelangelo apresenta o construtor da arca agradecendo a Deus por ter dado fim ao dilúvio, depois de chover quarenta dias e quarenta noites ininterruptamente, preservando a vida de sua própria família e de certas espécies do reino animal. (Localização 17)
  • A Embriaguez de Noé
    Trata-se do último episódio cronológico no ciclo. A cena representa a recaída do homem no pecado, depois de ter feito uma aliança com Deus. Noé, a quem coube a tarefa de repovoar a terra, é encontrado nu e embriagado junto à prensa de uva. Os três filhos aproximam-se dele. Seu filho Sem cobre-lhe o corpo com um manto, enquanto Jafé censura seu irmão Cam que zomba do pai. Ao fundo, no lado esquerdo da composição, vemos Noé plantando a vinha que lhe trará depois grande aborrecimento e vergonha. O que se enfatiza na cena não é a nudez de Noé, mas a blasfêmia de seu filho Cam. Embora simples, há na composição uma forte tensão moral. (Localização 9)

Fontes de pesquisa:
Renascimento/ Taschen
Gênios da Arte/ Girassol
Tudo sobre Arte/ Sextante
Arte em Detalhes/ Publifolha
Grandes Pinturas/ Publifolha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann

Views: 23

A SECA DO CEARÁ (2ª parte)

Autoria de Leandro G.de Barros

a sece

O gado urra com fome,
Berra o bezerro enjeitado,
Tomba o carneiro por terra
Pela fome fulminado.
O bode procura em vão,
Só acha pedras no chão,
Põe-se depois a berrar.
A cabra em lástima completa,
O cabrito inda penetra
Procurando o que mamar.

Grandes cavalos de selas
De muito grande valor,
Quando passam na fazenda
Provocam pena ao senhor.
Como é diferente agora
Aquele animal de que outr’ora
Causava admiração,
Era russo hoje está preto,
Parecendo um esqueleto
Carcomido pelo chão.

Hoje nem os pássaros cantam
Nas horas do arrebol.
O juriti não suspira
Depois que se põe o sol.
Tudo ali hoje é tristeza,
A própria cobra se pesa
De tantos que ali padecem.
Os camaradas antigos
Passam pelos seus amigos,
Fingem que não os conhecem.

Santo Deus! Quantas misérias
Contaminam nossa terra!
No Brasil ataca a seca,
Na Europa assola a guerra.
A Europa ainda diz
O governo do país
Trabalha para o nosso bem.
O nosso em vez de nos dar
Manda logo nos tomar
O pouco que ainda se tem.

Vê-se nove, dez, num grupo
Fazendo súplicas ao Eterno.
Crianças pedindo a Deus
Senhor! Mandai-nos inverno.
Vem, oh! grande natureza
Examinar a fraqueza
Da frágil humanidade.
A natureza a sorrir
Vê-la sem vida a cair
Responde: o tempo é debalde.

Mas tudo ali é debalde,
O inverno é soberano,
O tempo passa sorrindo
Por sobre o cadáver humano.
Nem uma nuvem aparece,
Alteia o dia o sol cresce,
Deixando a terra abrasada,
E tudo a fome morrendo,
Amargos prantos descendo,
Como uma grande enxurrada.

Os habitantes procuram
O governo federal
Implorando que os socorra
Naquele terrível mal.
A criança estira a mão,
Diz senhor tem compaixão,
E ele nem dar-lhe ouvido.
É tanto a sua fraqueza
Que morrendo de surpresa
Não pode dar um gemido.

Alguém no Rio de Janeiro
Deu dinheiro e remeteu,
Porém não sei o que houve
Que cá não apareceu.
O dinheiro é tão sabido,
Que quis ficar escondido,
Nos cofres dos potentados
Ignora-se esse meio.
Eu penso que ele achou feio
Os bolsos dos flagelados.

O governo federal
Querendo remiar o Norte,
Porém cresceu o imposto,
Foi mesmo que dar-lhe a morte.
Um mete o facão e rola-o.
O Estado aqui esfola-o,
Vai tudo dessa maneira.
O município acha os troços
Ajunta o resto dos ossos
Manda vendê-los na feira.

Nota:   Criança Morta, Cândido Portinari

Views: 7

COMO TRATAR A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL

Autoria do Dr. Telmo Diniz

cand1234 (*)

A constipação intestinal ou a popular “prisão de ventre” é queixa frequente no consultório médico, em especial, nas mulheres. Considera-se, para efeitos didáticos, que a prisão de ventre ocorre quando a pessoa evacua, no máximo, três vezes por semana. Porém, também podemos considerar como pessoas constipadas aquelas que têm evacuação dolorosa com fezes ressecadas.

Recebo no consultório pessoas que relatam a ida ao banheiro somente uma vez por semana, com a “ajuda” de medicações, e ainda acham isso normal. Um intestino que não funciona diariamente pode trazer sérios problemas no médio e longo prazo.

É através do trato digestivo que ocorrem os processos de digestão e absorção dos nutrientes. Uma pessoa com constipação intestinal geralmente apresenta alteração destes processos e, por consequência, alteração em sua saúde. Se formos dissecar o intestino de um adulto, sua área de absorção é comparável ao tamanho de uma quadra de tênis. Portanto, tudo que ingerimos passa por ele. Devemos, pois, saber como cuidar dele.

Consequências

Uma pessoa com intestino preso de forma crônica, geralmente tem alterações do humor (daí a palavra enfezada ou cheia de fezes) com irritabilidade, falta de disposição física, quadros alérgicos inespecíficos, tendência à formação de acne do adulto, piora do sistema imunológico devido à alteração da flora bacteriana local, doença diverticular, colites, ganho de peso ou dificuldade para perdê-lo, entre outras.

A pessoa com queixa de constipação deve ser avaliada em seus hábitos de vida. A alimentação é preponderante, pois o baixo consumo de fibras reduz o trânsito intestinal. A hidratação é outro importante fator. As pessoas se esquecem de beber água durante a sua rotina diária. O sedentarismo é outra causa que reduz a motilidade do intestino. Já o uso de inúmeros medicamentos pode causar constipação intestinal e doenças neuropsiquiátricas, como ansiedade, depressão e estresse, também colaboram para piora do problema.

Hábitos

De posse de um histórico completo da pessoa, podemos trilhar qual o melhor tratamento. E não necessariamente ele deve ser medicamentoso. Simples alterações de hábitos geralmente corrigem o problema, sem ter necessidade de lançarmos mão de medicamentos laxantes. Portanto, o aumento no consumo de fibras é essencial (mamão, bagaço da laranja, granola, farelo de trigo, linhaça, etc.), pois são elas que vão reter mais água no bolo fecal, facilitando o trânsito intestinal. Passe a ter o hábito de tomar mais líquidos (ponha o copo de água na sua frente, peça para a “moça do cafezinho” servir-lhe água a cada hora ou ponha o celular para lembrá-la. Procure o seu jeito!).

Inicie uma atividade física, em especial aquela de que você gosta. Uma drenagem linfática pode ser de grande utilidade. Há casos em que a reposição de lactobacilos pode ser necessária. Como colocado anteriormente, o uso de laxantes ficará restrito a casos mais sérios e com acompanhamento médico. Não entre na farmácia para ir ao banheiro. Mude seus hábitos e procure orientação médica e nutricional.

(*) Imagem copiada de silvana-matos.blogspot.com

Views: 88

A Rev. dos Bichos (16) – A MORTE DE SANSÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

asaaGarganta surgiu, apavorado e mais falante do que era, avisando os bichos que o grande líder Napoleão fora envenenado por Bola de Neve. O chefe estava muito mal, e nem mesmo conseguia abrir os olhos. Antes que eu dê prosseguimento à história, devo dizer que na adega da casa-grande, lugar até então desconhecido dos porcos, fora encontrada uma caixa de uísque. E, assim, à medida que passava a bebedeira, Garganta repassava aos companheiros a boa notícia de que o chefe estava se recuperando, ou seja, o inimigo não fora vitorioso em seu intento de matá-lo.

Um dos Sete Mandamentos que resumia a filosofia dos animais rezava: “Nenhum dos animais beberá álcool.”, mas não foi de se estranhar quando os bichos encontraram Garganta com um pincel e uma lata de tinta. O mandamento agora era: “Nenhum dos animais beberá álcool, em excesso.”. A seguir, Napoleão ordenou que uma parte da granja fosse arada para o plantio de cevada.

Reerguer o moinho pela terceira vez não estava sendo fácil. O alimento diminuía, menos para os porcos e para os cachorros. Sabidamente os governantes e seu staff nunca passam por privação, pois, eles precisam viver uma vida faustosa para darem contar da difícil tarefa de governar as massas. Portanto, Napoleão e seus capangas viviam faustosamente, enquanto o resto passava fome e frio.

Na luta para reerguer o moinho de vento, Sansão, que representava a força braçal da Granja dos Bichos, tombou. Um filete de sangue escorria-lhe pela boca abaixo. Os pulmões davam sinal de que não mais aguentavam o árduo trabalho. Os animais entraram em pânico ao verem o bom amigo tão mal. O líder foi chamado, mas quem veio dizer que Napoleão estava preocupadíssimo foi o vassalo Garganta, e que o doente seria levado para o hospital de um cirurgião veterinário e logo estaria bom.

No terceiro dia, o carroção chegou enquanto os animais estavam no trabalho. Bejamim, ao perceber que vieram buscar o amigo, correu para avisar os demais. Quando chegaram, Sansão já estava dentro da condução. Os animais sentiram-se aliviados, sabendo que o companheiro iria se tratar. Mas somente Bejamim foi capaz de ver o que estava escrito no carroção, contando aos amigos:

Alffred Simmonds, Matadouro de Cavalos, Fabricante de Cola/ Wellington Peles e Farinha de Ossos. Fornece para Canis.

Os bichos começaram a gritar para que Sansão pulasse dali e fugisse, mas ele somente olhou para trás com os olhos lacrimejantes. Sem forças, continuou dentro do carroção até desaparecer.

Cerca de três dias depois, chegou a notícia, via Garganta, que Sansão havia morrido no Hospital Veterinário, após um intenso tratamento. Mas o coitado não resistira. O lambe botas explicou que aquilo que fora lido no carroção tratava-se do seguinte: a carroça pertencera a um carniceiro, até ser comprada pelo cirurgião veterinário, que ainda não tivera tempo de remover a escrita. Talvez por medo, talvez por ignorância ou omissão, o fato é que os bichos acreditaram que assim fora, e continuaram a levar a vida de antes.

O fato relatado levou-me a certos políticos de meu país que são tão pérfidos e mentirosos quanto Napoleão, e sempre possuem um bando de lambe-botas para mentirem por eles.

Ainda falaremos mais sobre isso.

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

Views: 23

Michelangelo – HIST. DO GÊNESIS / CAPELA SISTINA (II)

Autoria de Lu Dias Carvalho

sa123456

sa1234567  sale1  sale12

                                                              (Clique nas imagens para visualizá-las)

Começamos o estudo dos afrescos do teto da Capela Sistina pela parte relativa ao Gênesis, que se divide em três grupos, num total de nove histórias, representando a origem do universo, do homem e do mal. No esquema acima, o leitor poderá acompanhar a localização dos afrescos, que correspondem à cor azul-piscina, relativa aos números 9, 13, 17, 21, 25, 29, 33, 37 e 41.

 Segundo Grupo:

  • A Criação de Adão
    É o afresco mais famoso da Capela Sistina. A cena é reconhecida até pelo detalhe dos dois dedos prestes a se tocarem. Mostra o momento em que o dedo do Criador quase toca o de Adão, para lhe dar vida. Representa a criação do primeiro homem após a criação da luz, da água, do fogo, da terra e de todos os animais e vegetais. Adão recebe autorização de Deus para governá-los através de sua inteligência. O Criador está sustentado por anjos, envolto em um manto esvoaçante, com o braço direito estendido na direção de Adão que, por sua vez, estende sua mão esquerda para Deus, para receber o sopro da vida. Michelangelo representa Deus Pai como sendo uma figura dinâmica, que repassa para Adão a sua força física e espiritual. A criatura tem corpo atlético e rosto formoso. (Localização 29)
  • A Criação de Eva
    A Criação de Eva
    situa-se no centro da abóbada. O Criador, envolto numa vestimenta sólida, dá a Adão, sua primeira criatura, uma companheira. Com a perna direita próxima a Adão, uma graciosa Eva parece sair de sua costela. O primeiro homem encontra-se deitado, dormindo perto de um tronco, alheio ao que está acontecendo. Eva agradece ao Criador pela vida que recebeu. Ele parece pedir que ela se levante. Também pode ser que esteja abençoando o casal. (Localização 25)
  • O Pecado Original
    Mostra a tentação de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso. São apresentados dois momentos, tendo como divisória a simbólica árvore da vida, situada no centro da cena, funcionando como um eixo para as duas cenas que se harmonizam. A árvore traz em seu tronco uma serpente enroscada, que toma a forma feminina. À esquerda da árvore estão Adão e sua companheira Eva, que recebe a maçã das mãos da serpente, e à direita, o casal envergonhado e arrependido sendo banido do Jardim do Éden pelo arcanjo Miguel. (Localização 21)

Fontes de pesquisa:
Renascimento/ Taschen
Gênios da Arte/ Girassol
Tudo sobre Arte/ Sextante
Arte em Detalhes/ Publifolha
Grandes Pinturas/ Publifolha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann

Views: 9