Michelangelo – PROFETAS / TETO DA CAPELA SISTINA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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São sete os profetas pintados por Michelangelo na abóbada da Capela Sistina:

1-      Jonasmostra-se temeroso.

2-      Isaias – -é o mensageiro de Deus, que guarda com prudência a sua sabedoria, tendo nas costas dois anjos.

3-      Jeremias – é para alguns, o profeta aqui representado, imerso na meditação de seus infortúnios. É o autor do Livro das Lamentações. Trata-se de um autorretrato do pintor, com seu semblante angustiado, em conflito entre sua concepção de arte e de beleza e as leis morais infundidas pela fé.

4-      Ezequiel – é o terceiro dos chamados profetas maiores. É representado como um forte ancião a conversar com um querubim.

5-      Zacarias – folheia seu livro com grande interesse, tendo perto de si dois curiosos querubins. Parece estar buscando por algo. Está representado como um ancião de cabeça calva e de longas barbas brancas.

6-      Joel – encontra-se concentrado na sua leitura.

7-      Daniel – é o mais jovem dos profetas representados, é ajudado por um dos putti (crianças nuas), que segura para ele o pesado livro. Atrás de seu ombro esquerdo vê-se a cabeça coberta de uma figura.

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural

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A Rev. dos Bichos (17) – PORCOS E HOMENS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Senti que a história do meu amigo George Orwell estava chegando ao fim pela maneira como sua voz ia se tornando cada vez mais cansada, numa espécie de desalento e alquebramento com os fatos, como se tudo na vida fosse cíclico, ou seja, o estado inicial é tal e qual o estágio final. Eu também me senti extremamente acabrunhada, pois o acompanhara bebendo-lhe as palavras e refletindo sobre elas ao me deitar. De certa forma, também fizera parte da Revolução e da crença dos bichos num mundo, onde todos fossem tratados com igualdade. Mas vamos aos finalmentes, já que tudo é o que é, e não o que parece ser.

Napoleão, o usurpador, engordava cada vez mais. Agora tinha um aposento só para si, era tratado com todo o aparato dos demagogos e tiranos. Serviam-no com o que havia de melhor na granja e na casa-grande, inclusive sua comida era posta à mesa em recipientes de porcelana.

Muitos animais que participaram da Revolução estavam mortos, quer pela idade quer pelo excesso de trabalho. Outros ou estavam com a memória fraca, ou preferiam esquecer o passado de tantos sonhos e dedicação. Os animais novos nada sabiam do passado do que os precederam, uma vez que nada ficara por escrito. E mesmo se os tratados políticos e filosóficos da Revolução existissem, de nada serviriam, pois, o analfabetismo grassava solto. Não mais havia preocupação com o saber, talvez porque a educação das massas constituísse um grande perigo para o poder. Apenas os porcos continuavam exercendo sua intelectualidade e os cães a sua força física, num duo de extrema importância para o exercício do poder.

O moinho, que tanto sofrimento causara na sua construção, tal e qual as pirâmides do Egito, tinha agora desvirtuada a sua função. Em vez de aquecer os animais nos rigorosos invernos, era usado para gerar energia elétrica para moer cereais que seriam vendidos para os granjeiros, pois dava muito dinheiro, e o lucro era o que contava para os porcos.

Os porcos amanheceram um dia andando sobre as duas patas traseiras, imitando os homens. Napoleão trazia na mão direita um chicote, como símbolo de seu poder, além de ter se tornado um grande amigo dos granjeiros, com quem travava os mais escusos negócios. Por sua ordem, a granja não era mais a Granja dos Bichos, mas a Granja Solar.

Um novo slogan passou a ser repetido diariamente: Quatro pernas bom, duas pernas melhor!

E, para jogar uma pá de cal no passado, na parede onde estavam escritos os Sete Mandamentos estava agora:

Todos os animais são iguais,
mas alguns animais são
mais iguais do que outros.

Dali por diante, não mais foi possível distinguir os porcos dos homens.

Atenção: Não percam o último capítulo: REENCONTRANDO GEORGE ORWELL

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

Nota:  Imagem copiada de blogs.estadao.com.br

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RANKING – MAIS 100 BONS FILMES / AÇÃO

Autoria de Moacyr Praxedes

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Vários amantes do Cinema escolheram os melhores filmes de todos os tempos do gênero Ação, dando-lhes uma nota de 1 a 10, conforme explica o blog Mellhores Filmes:

Para chegar a esta lista de filmes, foi realizada uma pesquisa minuciosa com livros de cinema, em sites e revistas internacionais especializadas, e levou-se em consideração também a premiação em festivais e críticas em importantes veículos mundiais. A cada filme, foi atribuída uma nota, de acordo com a média formulada a partir da pesquisa inicial e do peso que cada obra contém na história do cinema mundial. (http://melhoresfilmes.com.br/generos/ação)

Ranking / Filme / Diretor

101º – O Tigre e o Dragão  (Ang Lee)
102º – Tropa de Elite  (José Padilha)
103º – Mad Max  (George Miller)
104º – Os Canhões de Navarone  (J. Lee Thompson)
105º – Diva – Paixão Perigosa  (Jean-Jacques Beineix)
106º – Titanic  (James Cameron)
107º – Gunga Din  (George Stevens)
108º – Os Três Mosqueteiros  (Richard Lester)
109º – O Fantasma do Futuro  (Mamoru Oshî)
110º – A Cruz de Ferro  (Sam Peckinpah)
111º – Akira  (Katsuhiro Ôtomo)
112º – Gangues de Nova York  (Martin Scorsese)
113º – Neon Genesis Evangelion: The End of Evangelion  (Hideaki Anno)
114º – Máquina Mortífera  (Richard Donner)
115º – O Preço da Glória  (William A. Wellman)
116º – A Taverna do Caminho  (Jean Negulesco)
117º – Assalto ao 13o. DP  (John Carpenter)
118º – Um Golpe à Italiana  (Peter Collinson)
119º – Cinzas do Passado  (Wong Kar-Wai)
120º – O Túnel  (Roland Suso Richter)
121º – Avatar  (James Cameron)
122º – Nove Vidas  (Arne Skouen)
123º – Interstella 5555  (Leiji Matsumoto)
124º – A Caçada ao Outubro Vermelho  (John McTiernan)
125º – Metrópolis  (Rintaro)
126º – Musashi Miyamoto  (Hiroshi Inagaki)
127º – O Desafio das Águias  (Brian G. Hutton)
128º – 007 Contra o Satânico Dr. No  (Terence Young)
129º – A Fantástica Fábrica de Chocolate  (Mel Stuart)
130º – Fugindo da Morte  (Nils Gaup)
131º – A Raposa do Mar  (Dick Powell)
132º – White Sun of the Desert  (Vladimir Motyl)
133º – Labaredas do Inferno  (Michael Anderson)
134º – O Fugitivo  (Andrew Davis)
135º – Fullmetal Alchemist  (Seiji Mizushima)
136º – Tarzan e Sua Companheira  (Cedric Gibbons)
137º – Fudoh: The New Generation  (Takashi Miike)
138º – A Marca do Assassino  (Seijun Suzuki)
139º – Paixão de Bravo  (Nicholas Ray)
140º – A Carga da Brigada Ligeira  (Michael Curtiz)
141º – Drive  (Nicolas Winding Refn)
142º – Tropa de Elite 2  (José Padilha)
143º – A Outra Face  (John Woo)
144º – Django Livre  (Quentin Tarantino)
145º – Zatoichi  (Takeshi Kitano)
146º – Fervura Máxima  (John Woo)
147º – Amor à Queima Roupa  (Tony Scott)
148º – Ronda Mortal  (Claude Miller)
149º – Uma Noite Alucinante 2  (Sam Raimi)
150º – Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge  (Christopher Nolan)
151º – Arizona Nunca Mais  (Joel Coen)
152º – Lone Wolf and Cub: Baby Cart at the River Styx  (Kenji Misumi)
153º – Wall  (Yash Chopra)
154º – Vampire Hunter D  (Yoshiaki Kawajiri)
155º – X-Men 2  (Bryan Singer)
156º – Jasão e o Velo de Ouro  (Don Chaffey)
157º – Speedy  (Ted Wilde)
158º – Operação Dragão  (Robert Clouse)
159º – Distrito 9  (Neill Blomkamp)
160º – O Gosto da Vingança  (Kim Ji-Woon)
161º – Além da Linha Vermelha  (Terrence Malick)
162º – Come Drink with Me  (King Hu)
163º – O Mestre  (Tsui Hark)
164º – Deu a Louca no Mundo  (Stanley Kramer)
165º – A Raposa do Deserto  (Henry Hathaway)
166º – O Ultimato Bourne  (Paul Greengrass)
167º – Guerra ao Terror  (Kathryn Bigelow)
168º – A Invenção de Hugo Cabret  (Martin Scorsese)
169º – Batman  (Tim Burton)
170º – O Clã das Adagas Voadoras  (Zhang Yimou)
171º – Indiana Jones e o Templo da Perdição  (Steven Spielberg)
172º – Os Vingadores  (Joss Whedon)
173º – Tombstone – A Justiça Está Chegando  (George P. Cosmatos)
174º – Afundem o Bismarck  (Lewis Gilbert)
175º – Carandiru – O Filme  (Hector Babenco)
176º – A Espada da Maldição  (Kihachi Okamoto)
177º – Uma Ponte Longe Demais  (Richard Attenborough)
178º – Plata Quemada  (Marcelo Piñeyro)
179º – Tora! Tora! Tora! – O Ataque a Pearl Harbor  (Richard Fleischer)
180º – Hombre  (Martin Ritt)
181º – Os Guerreiros Pilantras  (Brian G. Hutton)
182º – Duel at Ichijoji Temple  (Hiroshi Inagaki)
183º – De Volta para o Futuro II  (Robert Zemeckis)
184º – O Senhor das Armas  (Andrew Niccol)
185º – Cela 211  (Daniel Monzón)
186º – Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra  (Gore Verbinski)
187º – Tarzan, o Filho das Selvas  (W.S. Van Dyke)
188º – El Mariachi  (Robert Rodriguez)
189º – Testamento de um Gângster  (Georges Lautner)
190º – A Vingança dos 47  (Kenji Mizoguchi)
191º – Lupin III, o Castelo de Cagliostro  (Hayao Miyazaki)
192º – Os Duelistas  (Ridley Scott)
193º – Fuga à Meia-Noite  (Martin Brest)
194º – Herói  (Zhang Yimou)
195º – True Lies  (James Cameron)
196º – Batman Begins  (Christopher Nolan)
197º – 300  (Zack Snyder)
198º – Minority Report – A Nova Lei  (Steven Spielberg)
199º – O Imperador do Norte  (Robert Aldrich)
200º – O Espião Negro  (Michael Powell)
Vejam também: RANKING DOS 100 MELHORES FILMES / AÇÃO

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Michelangelo – HIST. HERÓICAS / CAPELA SISTINA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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                                                               (Clique nas imagens para visualizá-las)

Em nenhuma outra parte da história da pintura o corpo humano preencheu de modo tão forte e grandioso o papel de receptáculo para a transmissão do drama humano e espiritual, com seu profundo e universal significado, combinando a teologia cristã e os protótipos clássicos. (David Gariff sobre os afrescos da Capela Sistina)

Dispostas nos quatro ângulos da abóboda da Capela Sistina estão quatro cenas retratando os heroicos e milagrosos acontecimentos da história do povo de Israel, tomando como base o texto do Antigo Testamento. Elas representam a Igreja triunfante. No esquema abaixo, a localização dos afrescos corresponde à cor azul-marinho, relativa aos números: 4, 6, 44 e 46.

  • O Suplício de Amã
    Ester era a esposa judia do rei persa Assuero. Um tio de Ester, Mardoqueu, denunciou uma conspiração contra a vida do soberano. Amã, grão-vizir do rei, incitou-o a vingar-se, matando todos os judeus, sendo que Mardoqueu seria enforcado. Mas Ester, depois de invocar a misericórdia de Deus, conseguiu a revogação do decreto e também que Amã fosse castigado. O Suplício de Amã refere-se ao Livro de Ester. A pintura representa a vitória sobre todos os inimigos da Igreja, e é assim dividida: a) à esquerda, Ester encontra-se à mesa com Assuero e Mardoqueu, e denuncia Amã; b) no centro acontece a execução de Amã; c) à direita , Assuero ouve a leitura das crônicas e pede um de seus criados para chamar Mardoqueu. (Localização 4)
  • A Serpente de Bronze
    Vagando pelo deserto, os israelitas começaram a reclamar de sede, cansaço e de fome, murmurando contra Moisés e blasfemando contra Deus. Irritado com suas queixas, Deus enviou-lhes serpentes venenosas como castigo. Os sobreviventes pediram ajuda a Moisés, a quem Deus ordenou que construísse uma serpente de bronze e a erguesse como um mastro. Bastava olhar para ela e a vítima do veneno era curada. À direita, as pessoas estão sendo picadas pelas serpentes, e à esquerda estão sendo curadas do veneno. A Serpente de Bronze refere-se ao texto do Livro dos Números. Esta cena representa o poder milagroso da Igreja. (Localização 6)
  • Davi e Golias
    A batalha de Davi e Golias é uma das histórias mais conhecidas da Bíblia. Golias era um gigante filisteu, inimigo do povo de Israel, que, confiando na sua superioridade, desafiava o exército israelita a enviar um competidor para lutar contra ele. Ninguém aceitava a proposta, até que Davi resolveu aceitar o desafio, acertando-o com uma pedrada de sua atiradeira. Esta cena representa a vitória da fé. (Localização 44)
  • Judite e Holofernes
    Judite era uma jovem e piedosa viúva, que saiu da cidade cercada, dirigindo-se ao acampamento do exército inimigo e, com sua beleza, envolveu o general assírio Holofernes, inimigo de seu povo. Ele se embriagou durante um banquete e teve sua cabeça cortada pela heroína.  Na pintura, encontra-se um guardião dormindo, enquanto Judite e sua criada carregam a cabeça do carrasco. Alguns críticos de arte julgam que a cabeça de Holofernes seja um autorretrato do Michelangelo. Esta cena representa a liberdade e a justiça divina. (Localização 46)

Fontes de pesquisa:
Renascimento/ Taschen
Gênios da Arte/ Girassol
Tudo sobre Arte/ Sextante
Arte em Detalhes/ Publifolha
Grandes Pinturas/ Publifolha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann

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O LIVRO DOS MORTOS DO ESCRIBA ANI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Nota: Antes de ler este texto, o leitor deverá conhecer o artigo O LIVRO DOS MORTOS, postado anteriormente, para melhor entendimento do tema. Clique nas figuras para ampliá-las.

O egiptólogo Sir E. A. Wallis Budge comprou em 1880, em Luxor, um rolo de papiro de 23,79 m de comprimento x 38 cm de largura, chamado de Livro dos Mortos do escriba Ani, que se encontrava dividido em 37 fragmentos. O papiro calculado em 3.000 anos de existência era cobre claro ao se desenrolar, mas escurecia assim que entrava em contato com a luz. Retrata o julgamento do escriba Ani no mundo dos mortos. Conheçamos um pouquinho sobre ele.

Ani viveu em torno de 1300 a.C., em Tebas, capital do Reino do Nilo, logo após o reinado do faraó Tutankamón. Pertencia à classe dos ricos funcionários e, por isso, podia comprar o seu Livro dos Mortos na época em que viveu.

Análise do primeiro fragmento (ilustração acima)

  • O escriba real encontra-se adentrando no mundo dos mortos. Apresenta-se ligeiramente inclinado em atitude de respeito. O braço direito apoiado ao peito é sinal de humildade diante dos juízes. A sala, onde são julgadas as ações do escriba no mundo dos vivos, é chamada de sala da justiça plena.
  • Tutu, a esposa de Ani, dança atrás dele (provavelmente morreu antes dele e o acompanha num trecho da jornada). Ela carrega na mão direita um instrumento de metal com que acompanhava as canções do templo, onde era sacerdotisa. Marido e esposa usam roupas de festa e perucas cerimoniais enroladas e trançadas.
  • Uma grande balança encontra-se no centro da composição e, na parte superior, encontram-se os senhores da justiça que reinam sobre a balança. São quarenta e dois juízes, correspondendo às quarenta e duas províncias do Egito.
  • O deus Anúbis (com a cabeça preta de chacal) ajoelha-se sob o braço direito da balança em que pesa o coração do escriba, tendo uma pluma de avestruz como contrapeso. Para os egípcios, o coração era a essência do homem e, por isso, não era necessário pesar a pessoa inteira.
  • Acima do braço esquerdo da balança encontra-se um uma frase de magia, chamada Fórmula para que o coração não se rebele contra o falecido no mundo dos mortos.
  • Um macaco de cócoras sobre o suporte de sustentação da balança olha para o Thoth, deus da escrita e da matemática e monitoriza o funcionamento da balança a partir do topo de sustentação dos braços, para que não haja erros.
  • Atrás do deus Thoth está o devorador de almas e de corpos, Ahmut, esperando o resultado do julgamento. Se o coração de Ani for mais pesado que a pluma de avestruz significa que sua vida não foi justa e, portanto, será entregue ao monstro que devorará seu coração e ele não mais existirá, ou seja, não mais encarnará.
  • Três divindades de baixa patente encontram-se abaixo do braço esquerdo da balança. São elas Shai (o deus do destino) e as deusas Meretseger e Renenutet (uma ao lado da outra). As duas são também deusas do destino, portanto, podem livrar Ani de suas culpas diante do tribunal dos juízes.
  • Ao lado das duas deusas, sobre o túmulo branco, está a alma de Ani que tem a forma de um homem com cabeça de pássaro. Ela está atenta ao ritual da balança que definirá o seu destino.
  • Acima de Shai está a pedra (bloco retangular em que as mulheres egípcias se ajoelhavam) do nascimento de Ani e sobre ela a cabeça da deusa Meretseger mais uma vez representada.
  • Maat, a deusa da justiça e da verdade, é simbolizada pela pluma de avestruz que repousa em um dos pratos da balança. O coração de Ani deve ser tão leve quanto o símbolo da ordem divina.
  • Thoth, o deus dos escribas, de pé atrás de Anúbis, traz na mão esquerda uma paleta de cavidade para tinta e na direita a pena. Anota na parede o resultado da balança, usando uma pena de cana de junco. O julgamento só terá validade após ser escrito.

Análise do segundo fragmento (ilustração acima)

  • Como Ani é absolvido pelos juízes, pois está em harmonia com a ordem divina, é conduzido pelo deus Hórus (com cabeça de falcão) até uma mesa onde se encontram diversas oferendas: bolos, carnes e frutas. Ao fundo encontram-se recipientes de bebidas (vinho ou cerveja).
  • De joelhos Ani oferta tais presentes ao deus Osíris, o Senhor do Mundo dos Mortos.
  • Osíris encontra-se sentado em uma embarcação, dentro de um majestoso tabernáculo de madeira (onde os deuses eram levados em procissões nos dias festivos). Atrás de Osíris estão as deusas Ísis e Néftis.
  • O Senhor da Eternidade leva nas mãos os distintivos do poder: o cajado, o flagelo e o cetro. Sobre a cabeça carrega uma coroa branca, em forma de mitra e duas penas de avestruz.
  • O Livro dos Mortos do Escriba Ani é tido como um dos mais famosos papiros já encontrados, tanto pelo seu tamanho quanto pelas representações gráficas das diferentes fases do julgamento que acontece no mundo dos mortos e por ser um dos mais completos. Encontra-se no Museu Britânico.

Fonte de pesquisa:
Los Secretos de las obras de arte/ Taschen

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O LIVRO DOS MORTOS

Autoria de Lu Dias Carvalho teo123

Grande parte das múmias egípcias encontradas trazia entre as pernas rolos de papiro com ensinamentos (feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egito) e ilustrações que tinham por finalidade guiar o falecido  pelo mundo dos mortos de modo a passar, sem grandes dificuldades, da escuridão para a luz. Tais orientações foram nomeadas pelos egípcios como o Livro da Saída para o Dia ou Livro da Chegada à Luz.

No século XIX os ladrões de túmulos, saqueadores de tumbas em busca de riquezas, deram a esses exóticos rolos de papiro o nome de Livro dos Mortos que na verdade não se tratava de um livro na exatidão da palavra, mas de escritos e ilustrações feitos em papiros ou mostrados nas paredes das câmaras mortuárias. Outra informação interessante é o fato de que jamais tais ensinamentos foram encontrados juntos, mas fragmentados em inúmeros papiros e nos corredores e paredes das câmaras mortuárias. Os textos que fazem parte hoje do Livro dos Mortos não são de autoria de uma só pessoa e tampouco pertencem à mesma época.

A princípio os textos que norteavam os passos do falecido para a vida pós-morte eram pintados nas paredes da câmera mortuária oculta da pirâmide, sendo de exclusividade dos reis e nobres. Posteriormente é que, com o uso do papiro, o direito estendeu-se aos funcionários mais ricos do Estado. Só bem mais tarde, a busca pela imortalidade tornou-se um direito de todos. Assim, todo egípcio piedoso tratava de ter o seu Livro dos Mortos que não apenas versava sobre os perigos encontrados no mundo do além, como também ensinava a maneira de contorná-los. Portanto, obter um Livro dos Mortos tornou-se uma grande preocupação daquela gente. Era possível encomendá-lo ou já adquiri-lo pronto para ser usado, sendo necessário apenas colocar o nome do dono. Como podemos observar, nem mesmo os reis estavam isentos de passar pelo julgamento do tribunal de Osíris. Neste ponto, todos se igualavam.

Consta do Livro dos Mortos 200 fórmulas mágicas (192 delas já foram identificadas e catalogadas por arqueólogos e historiadores) que ajudariam o falecido na sua jornada, se ele as pronunciasse no momento certo, é claro. Diante do tribunal dos mortos, devia recitar a sentença de número 125, onde se encontrava a “confissão negativa”:

Eu não fiz injustiça a nenhum ser humano.
Eu não maltratei nenhum animal.
Não retirei as águas transbordadas (do Nilo) na época das enchentes, etc.

Segundo estudiosos, a origem dos Dez Mandamentos está no Livro dos Mortos e na cultura egípcia que muito influenciou a Bíblia. É bom que nos lembremos de que o Egito era a pátria de Moisés, portanto, nada mais natural que tenha sido influenciado por sua cultura religiosa. As ilustrações do Livro dos Mortos também eram de suma importância para o defunto, pois, a representação de um ser vivo ou a de um objeto carregava as mesmas qualidades inseridas nesse. Assim, as estatuetas dos servos, por exemplo, permitiam que esses continuassem a servir o amo na vida após a morte.

Segundo a crença egípcia, aquele que não fosse absolvido pelo tribunal de juízes caía sob as garras de Ahmit (monstro que era uma mistura de vários animais perigosos), devorador de corpos e de almas. Se ele devorasse o coração do morto, esse sofreria uma segunda morte e deixaria de existir para sempre. Tendo, assim, a maior de todas as punições: a não reencarnação.

Os egípcios consideravam que o coração era o centro da personalidade, a morada do intelecto, a vontade e a consciência, a habitação das boas e más ações. Por isso, o momento mais temido e decisivo para o morto era a pesagem do coração, pois durante o julgamento, o seu próprio coração poderia se rebelar e testemunhar contra seu dono. Deve ser por isso que se diz que “o coração é terra que ninguém vai”. Mas, para evitar tal perigo, o Livro dos Mortos continha uma fórmula mágica denominada Fórmula para que o coração não se ponha contra o falecido no mundo dos mortos. Exemplo de um pequeno trecho da fórmula:

Meu coração, não te oponhas a mim no tribunal.
Não te mostres hostil a mim.
Não digas mentiras sobre mim na presença dos deuses, etc.

O que podemos constatar através do Livro dos Mortos é que, no Egito Antigo, a existência não findava com a morte. Cria-se na imortalidade da alma e num mundo espiritual. Através da reencarnação o homem poderia renascer e ganhar novas experiências. A morte não passava de uma espinhosa jornada que findaria com a salvação do falecido ou com a sua total destruição. Deixar de existir era o pior de todos os castigos. Daí a esperança de que o Livro dos Mortos conduzisse o morto até o paraíso, livrando-o de se transformar no nada, ainda que tivesse que ludibriar os juízes. Segundo a visão dos antigos egípcios, o Livro dos Mortos foi criado por Thoth, o deus dos escribas.

Fonte de pesquisa:
Los Secretos de las obras de arte/ Taschen

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