A Rev. dos Bichos (8) – A EDUCAÇÃO E O PODER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Dentre os comitês criados na Granja dos Animais estava o que se encarregava de ensinar os bichos a ler e a escrever que, por sinal, seguia com muito sucesso para alguns. Podemos assim definir o sucesso ou o fracasso dos mesmos:

Os porcos, que já liam e escreviam muito bem, ocupavam o topo da pirâmide do saber. E, quanto mais dominavam a leitura, mais conhecimentos e mais poder agregavam a si. Eram olhados pelos outros animais com muita admiração e com visível respeito, de modo que tudo que faziam jamais era questionado, ao contrário, eram prontamente obedecidos.

Os cachorros, por sua vez, após aprenderem a ler modicamente, não mais se interessaram pelo aprendizado, bastando-lhes apenas dominar a leitura dos Sete Mandamentos. Para que ficar quebrando a cabeça com coisas desnecessárias – inquiriam eles – se já existiam os porcos que sabiam de tudo? Bastava-lhes apenas ler os mandamentos dos bichos para repassá-los a outros. O resto ficava por conta dos inteligentes suínos, seus camaradas intelectuais, que somente trabalhavam para o bem de todos, sem pensar em si.

Bejamim, embora soubesse ler tão bem quanto os porcos, não se importava com isso e, portanto, não exercitava a sua faculdade. Talvez isso se devesse à idade, uma vez que era o animal mais velho da granja. Todos sabem que a idade traz para alguns certo desencanto com a vida, um não saber o porquê de se fazer isso ou aquilo, enquanto outros tornam-se ainda mais ávidos pelo poder, como se fosse uma forma de se apegar à existência que escapa-lhes pelos dedos. O mesmo paradoxo humano também se encontrava em meio aos bichos da granja.

Quitéria, embora tivesse aprendido todo o alfabeto, sentia dificuldade em unir as letras na formação de palavras. A coitadinha passava as horas de repouso matutando, mas não lograva êxito na empreitada. Parecia ter um parafuso a menos na cachola. Teria sido o excesso de trabalho e a má alimentação de quando o senhor Jones era seu amo responsáveis por tal dificuldade? Ninguém mais do que ela e Sansão trabalhara naquela granja, sem falar nos muitos potrinhos que botara no mundo.

Sansão, mesmo muito esforçado, tinha sérias limitações em relação ao aprendizado intelectual, como se tivesse nascido para o trabalho pesado. Quando aprendia umas letras, esquecia-se das outras. Nunca fora capaz de memorizar o alfabeto todo. Mesmo assim, nos dias de lazer, passava horas a fio desenhando na areia, com a pata direita, as letras, apagando-as e recomeçando…

Maricota era capaz de ler melhor do que os cachorros. Lia, inclusive, à noite, pedaços de jornal encontrados no lixo, para os animais.

Mimosa era um caso à parte no seu desinteresse pelo saber. Após aprender as seis letras que compunham seu nome, deu por encerrada a sua aprendizagem. Ela o escrevia e o enfeitava com pedrinhas, flores e galhos, e ficava andando à volta, admirando-o. Mas o que esperar dos seres fúteis que só pensam em si como se fosse o centro do universo? Neste caso, não se trata de jogar pérolas aos porcos, porque esses eram os mais letrados da granja, mas de jogar pérolas à futilidade e à ignorância.

Alguns dos animais da granja não conseguiram aprender a ler, tais como galinhas, patos, ovelhas, entre outros. E pior, nem mesmo eram capazes de decorar os Sete Mandamentos que resumiam a filosofia da Animalismo. Problema de suma gravidade. Alguma coisa teria que ser feita.

Bola de Neve, preocupado com o fato de que alguns bichos não tivessem memorizado os Sete Mandamentos, achou por bem condensá-los em apenas um: “Quatro pernas bom, duas pernas ruim.”. Ele só não contava com a contestação das aves, pois sentiam que se encaixavam nas “duas pernas”.

A capacidade de dar o dito por não dito, ou de iludir os mais ingênuos, é um dos predicados de certos intelectuais. A capacidade de aceitação dos ingênuos e ignorantes possui a mesma dimensão dos primeiros. Assim, o não dito passa a ser o dito e tudo fica como Dantes no quartel de Abrantes. Dessa forma, Bola de Neve bolou uma explicação para acalmar o ânimo das aves:

– A asa de uma ave, camaradas, é um órgão de propulsão e não de manipulação. Deveria ser olhada mais como uma perna. O que distingue o Homem é a mão, o instrumento que perpetra toda a maldade.

Como não compreendessem muito bom a explanação do letrado Bola de Neve, e nem tivessem argumentos para se contraporem, as aves e os animais mais humildes e desprovidos de saber, tomaram como verdade absoluta as palavras do nobre colega.

Bola de Neve e Napoleão continuaram trocando farpas em relação à educação dos bichos. Enquanto o primeiro achava que adultos e jovens tinham direito ao saber, o segundo alegava que somente os jovens careciam de ser educados, pois papagaio velho não aprende a falar.

Nesse ínterim, Lulu e Ferrabrás pariram nove robustos cachorrinhos que foram imediatamente para as mãos de Napoleão, sob o argumento de que receberiam uma educação especial. Foram confinados num sótão, sendo esquecidos pelos demais bichos. O que viria a acontecer com eles ainda é uma incógnita.

 Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

(*) Imagem copiada de cinefilosconvergentes.blogspot.com

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RANKING DOS 100 MELHORES FILMES / COMÉDIA

Autoria de Moacyr Praxedes qmqm

Vários amantes do Cinema escolheram os melhores filmes de Comédia de todos os tempos, dando-lhes uma nota de 1 a 10. E, assim, surgiu o Ranking dos Melhores Filmes de Comédia de Todos os Tempos, conforme explica o blog Melhores Filmes:

Para chegar a esta lista de filmes, foi realizada uma pesquisa minuciosa com livros de cinema, em sites e revistas internacionais especializadas, e levou-se em consideração também a premiação em festivais e críticas em importantes veículos mundiais. A cada filme, foi atribuída uma nota, de acordo com a média formulada a partir da pesquisa inicial e do peso que cada obra contém na história do cinema mundial. (http://melhoresfilmes.com.br/generos/comédia)

Ranking / Filme / Diretor

1º – Quanto Mais Quente Melhor  (Billy Wilder)
2º – Luzes da Cidade  (Charles Chaplin)
3º – Dr. Fantástico  (Stanley Kubrick)
4º – A General  (Buster Keaton)
5º – Em Busca do Ouro   (Charles Chaplin)
6º – Se Meu Apartamento Falasse  (Billy Wilder)
7º – Tempos Modernos  (Charles Chaplin)
8º – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa  (Woody Allen)
9º – Núpcias de Escândalo  (George Cukor)
10º – Aconteceu Naquela Noite  (Frank Capra)
11º – Levada da Breca  (Howard Hawks)
12º – M*A*S*H  (Robert Altman)
13º – Manhattan  (Woody Allen)
14º – A Nós a Liberdade  (René Clair)
15º – As Três Noites de Eva  (Preston Sturges)
16º –
Ladrão de Alcova  (Ernst Lubitsch)

17º – Diabo a Quatro  (Leo McCarey)
18º – Contrastes Humanos  (Preston Sturges)
19º – A Primeira Noite de um Homem  (Mike Nichols)
20º – Jejum de Amor  (Howard Hawks)
21º – O Grande Ditador  (Charles Chaplin)
22º- Cupido É Moleque Teimoso  (Leo McCarey)
23º – Ser ou Não Ser  (Ernst Lubitsch)
24º – Ninotchka  (Ernst Lubitsch)
25º – Tootsie  (Sydney Pollack)
26º – Trainspotting, Sem Limites  (Danny Boyle)
27º – Vamos à América  (Leo McCarey)
28º – Milagre na Rua 34  (George Seaton)
29º – Hannah e Suas Irmãs  (Woody Allen)
30º – Minha Querida Dama  (George Cukor)
31º – Irene, a Teimosa  (Gregory La Cava)
32º – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain  (Jean-Pierre Jeunet)
33º – O Galante Mr. Deeds  (Frank Capra)
34º – Sherlock Jr.  (Buster Keaton)
35º – Mulher de Verdade  (Preston Sturges)
36º – Discreto Charme da Burguesia  (Luis Buñuel)
37º – A Loja da Esquina  (Ernst Lubitsch)
38º – Suprema Conquista  (Howard Hawks)
39º – O Mistério da Torre  (Charles Crichton)
40º – Ama-me Esta Noite  (Rouben Mamoulian)
41º – O Milhão  (René Clair)
42º – A Vida de Brian  (Terry Jones)
43º – Meia-Noite  (Mitchell Leisen)
44º – Jovem Frankenstein  (Mel Brooks)
45º – Crimes e Pecados  (Woody Allen)
46º – Sob os Tetos de Paris  (René Clair)
47º – Maridos e Esposas  (Woody Allen)
48º – O Picolino  (Mark Sandrich)
49º – Muito Além do Jardim  (Hal Ashby)
50º – Badaladas à Meia-Noite  (Orson Welles)
51º – Pequeno Grande Homem  (Arthur Penn)
52º – Primavera para Hitler  (Mel Brooks)
53º – A Costela de Adão  (George Cukor)
54º – Papai por Acaso  (Preston Sturges)
55º – Jantar às Oito  (George Cukor)
56º – Quatro Casamentos e um Funeral  (Mike Newell)
57º – Que Espere o Céu  (Alexander Hall)
58º – As Férias do Sr. Hulot  (Jacques Tati)
59º – De Volta para o Futuro  (Robert Zemeckis)
60º – Pigmalião  (Anthony Asquith)
61º – Brazil – O Filme  (Terry Gilliam)
62º – O Homem Mosca  (Fred C. Newmeyer)
63º – Golpe de Mestre  (George Roy Hill)
64º – Uma Noite na Ópera  (Sam Wood)
65º – A Mulher do Padeiro  (Marcel Pagnol)
66º – A Princesa e o Plebeu  (William Wyler)
67º – Pasqualino Sete Belezas  (Lina Wertmüller)
68º –O Guarda  (Edward F. Cline)
69º – Quero Ser John Malkovich  (Spike Jonze)
70º – O Crime do Sr. Lange  (Jean Renoir)
71º – Felicidade  (Todd Solondz)
72º – Boêmio Encantador  (George Cukor)
73º – Tampopo – Os Brutos Também Comem Spaghetti  (Juzo Itami)
74º – Nossa Hospitalidade  (Buster Keaton)
75º – Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu   (David Zucker)
76º – A Ceia dos Acusados  (W.S. Van Dyke)
77º – As Mulheres  (George Cukor)
78º – Mister Roberts  (John Ford)
79º – O Bom Pastor  (Leo McCarey)
80º – Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos  (Pedro Almodóvar)
81º – O Homem Invisível  (James Whale)
82º – A Mocinha da Fábrica de Fósforos  (Aki Kaurismäki)
83º – O Dorminhoco  (Woody Allen)
84º – Minha Vida de Cachorro  (Lasse Hallström)
85º – Underground – Mentiras de Guerra  (Emir Kusturica)
86º – Sorrisos de uma Noite de Amor  (Ingmar Bergman)
87º – O Quinteto da Morte  (Alexander Mackendrick)
88º – Os Eternos Desconhecidos  (Mario Monicelli)
89º – Herói de Mentira  (Preston Sturges)
90º – Domícilio Conjugal  (François Truffaut)
91º – Faça a Coisa Certa  (Spike Lee)
92º – Boudu Salvo das Águas  (Jean Renoir)
93º – A Roda da Fortuna  (Vincente Minnelli)
94º – Os Amores de uma Loira  (Milos Forman)
95º – Quem É o Infiel  (Joseph L. Mankiewicz)
96º – O Artista  (Michel Hazanavicius)
97º – Esperança e Glória  (John Boorman)
98º –  (Blake Edwards)
99º – It’s a Gift  (Norman Z. McLeod)
100º – Melhor É Impossível  (James L. Brooks)
Vejam também: RANKING – MAIS 100 BONS FILMES / COMÉDIA

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RANKING DOS 100 MELHORES FILMES / AÇÃO

 Autoria de Moacyr Praxedes

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Vários amantes do Cinema escolheram os melhores filmes do gênero Ação de todos os tempos, dando-lhes uma nota de 1 a 10. E assim surgiu o Ranking dos Melhores Filmes de Ação de Todos os Tempos, conforme explica o blog Melhores Filmes:

Para chegar a esta lista de filmes, foi realizada uma pesquisa minuciosa com livros de cinema, em sites e revistas internacionais especializadas, e levou-se em consideração também a premiação em festivais e críticas em importantes veículos mundiais. A cada filme, foi atribuída uma nota, de acordo com a média formulada a partir da pesquisa inicial e do peso que cada obra contém na história do cinema mundial. (http://melhoresfilmes.com.br/generos/ação)

Ranking / Filme / Diretor

1º – Os Sete Samurais  (Akira Kurosawa)
2º – Apocalypse Now  (Francis Ford Coppola)
3º – O Tesouro de Sierra Madre  (John Huston)
4º – Guerra nas Estrelas: Episódio 4 – Uma Nova Esperança  (George Lucas)
5º – Ran  (Akira Kurosawa)
6º – No Tempo das Diligências  (John Ford)
7º – Sem Novidades no Front  (Lewis Milestone)
8º – King Kong  (Merian C. Cooper)
9º – Os Caçadores da Arca Perdida  (Steven Spielberg)
10º – As Aventuras de Robin Hood  (Michael Curtiz)
11º – Trono Manchado de Sangue  (Akira Kurosawa)
12º – Guerra nas Estrelas: Episódio 5 – O Império Contra-Ataca  (Irvin Kershner)
13º – Alexandre Nevski  (Sergei Eisenstein)
14º – Operação França  (William Friedkin)
15º – Cidade de Deus (Fernando Meirelles)
16º – Platoon  (Oliver Stone)
17º – Rio Vermelho  (Howard Hawks)
18º – O Inimigo Público  (William A. Wellman)
19º – Yojimbo – O Guarda-Costas  (Akira Kurosawa)
20º – Era uma Vez no Oeste  (Sergio Leone)
21º – Aliens – O Resgate  (James Cameron)
22º – Ben-Hur  (William Wyler)
23º –  Spartacus  (Stanley Kubrick)
24º – O Resgate do Soldado Ryan  (Steven Spielberg)
25º – O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final  (James Cameron)
26º – O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei  (Peter Jackson)
27º – Guerra nas Estrelas: Episódio 6 – O Retorno de Jedi  (Richard Marquand)
28º – O Indomado  (Martin Ritt)
29º – Henrique V  (Kenneth Branagh)
30º – De Volta para o Futuro  (Robert Zemeckis)
31º – O Homem Mosca  (Fred C. Newmeyer)
32º – Duro de Matar  (John McTiernan)
33º – Sem Destino  (Dennis Hopper)
34º – Os Vampiros  (Louis Feuillade)
35º – O Exterminador do Futuro  (James Cameron)
36º – O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel  (Peter Jackson)
37º – Por um Punhado de Dólares  (Sergio Leone)
38º – O Mais Longo dos Dias  (Ken Annakin)
39º – Os Doze Condenados  (Robert Aldrich)
40º – 007 Contra Goldfinger  (Guy Hamilton)
41º – O Samurai Dominante  (Hiroshi Inagaki)
42º – Perseguidor Implacável  (Don Siegel)
43º – Somente Deus por Testemunha  (Roy Ward Baker)
44º- O Trem  (John Frankenheimer)
45º – Fugindo do Inferno  (John Sturges)
46º – Corra Lola Corra  (Tom Tykwer)
47º – Por uns Dólares a Mais  (Sergio Leone)
48º – O Ladrão de Bagdá  (Raoul Walsh)
49º – Zulu  (Cy Endfield)
50º – Matrix  (Andy Wachowski)
51º – Batman – O Cavaleiro das Trevas  (Christopher Nolan)
52º – Jornada nas Estrelas II – A Ira de Kahn  (Nicholas Meyer)
53º – Moscou Contra 007  (Terence Young)
54º – Rocky, um Lutador  (John G. Avildsen)
55º – Capitão Blood  (Michael Curtiz)
56º – Auroras Nascem Tranqüilas  (Stanislav Rostotsky)
57º – Bullitt  (Peter Yates)
58º – Kill Bill: Vol. 1  (Quentin Tarantino)
59º – Peking Opera Blues  (Tsui Hark)
60º – O Senhor dos Anéis – As Duas Torres  (Peter Jackson)
61º – Beau Geste  (William A. Wellman)
62º – O Vingador do Futuro  (Paul Verhoeven)
63º – A Marca do Zorro  (Rouben Mamoulian)
64º – O Planeta dos Macacos  (Franklin J. Schaffner)
65º – O Enigma de Outro Mundo  (John Carpenter)
66º – Nikita  (Luc Besson)
67º – RoboCop – O Policial do Futuro  (Paul Verhoeven)
68º – Thelma & Louise  (Ridley Scott)
69º – Os Implacáveis  (Sam Peckinpah)
70º – Tempestade Sobre a Ásia  (Vsevolod Pudovkin)
71º – Indiana Jones e a Última Cruzada  (Steven Spielberg)
72º – Um Tira da Pesada  (Martin Brest)
73º – Agonia e Glória  (Samuel Fuller)
74º – A Fortaleza Escondida  (Akira Kurosawa)
75º – Morte Sem Glória  (Robert Aldrich)
76º – O Despertar dos Mortos  (George A. Romero)
77º – Kill Bill: Vol. 2  (Quentin Tarantino)
78º – O Matador  (John Woo)
79º – Mad Max 2 – A Caçada Continua  (George Miller)
80º – Girl Shy  (Fred C. Newmeyer)
81º – Gladiador  (Ridley Scott)
82º – Carter, o Vingador  (Mike Hodges)
83º – O Vôo da Fênix  (Robert Aldrich)
84º – A Touch of Zen  (King Hu)
85º – Superman – O Filme  (Richard Donner)
86º – Sanjuro  (Akira Kurosawa)
87º – Elegia da Briga  (Seijun Suzuki)
88º – Guerra dos Mundos  (Byron Haskin)
89º – Jurassic Park – Parque dos Dinossauros  (Steven Spielberg)
90º – Asas  (William A. Wellman)
91º – Lone Wolf and Cub: Child and Expertise for Rent  (Kenji Misumi)
92º – Sin City – A Cidade do Pecado  (Robert Rodriguez)
93º – Coração Valente  (Mel Gibson)
94º – À Queima Roupa  (John Boorman)
95º –  (Steven Spielberg)
96º – Homem-Aranha 2  (Sam Raimi)
97º – O Falcão dos Mares  (Raoul Walsh)
98º – Tempo de Glória  (Edward Zwick)
99º – O Pirata Sangrento  (Robert Siodmak)
100º – Up – Altas Aventuras  (Peter Docter)
Vejam também: RANKING – MAIS 100 BONS FILMES / AÇÃO

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O NEOBARROCO DE HÉLIO PETRUS

Autoria de Merania de Oliveira

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Procuro tirar aquela densidade dramática e sofrida dos santos do barroco do século XVIII para torná-los mais alegres e joviais. Como por exemplo, os meus Sãos Franciscos trazem pássaros e não a caveira, algo comum, aliás, bem usual, nas mãos do São Francisco das nossas igrejas setecentistas. Nas talhas, também as virgens e as madonas são geralmente jovens alegres. Por isto, meu trabalho é denominado neobarroco. (Hélio Petrus)

Hélio Petrus descende dos esplêndidos autores que tornaram a ornamentação dos retábulos e das naves do século do ouro a viagem delirante a um universo de formas encantadas. Sabe como acumular a riqueza dos detalhes e alcançar as nuanças que o cedro sugere. Madonas, anjos e arcanjos circunvolam em cirandas de nuvens. À frente de uma legião seráfica, Francisco de Assis conversa com os pássaros e se eleva, em êxtase, para o voo sublime. (Ângelo Oswaldo – curador de arte e atual presidente do Instituto Brasileiro de Museus IBRAM)

O trabalho de Petrus é classificado como neobarroco, que apresenta um estilo genuíno com densa diversidade. Cada anjo tem o rosto próprio cujo entalhe traz uma encarnação sempre diferente. (Roselli Santaella – doutora em história)

Embora tardia a vocação de Hélio Petrus para a arte do entalhe, ele se consagrou como grande ícone na arte sacra. Seu trabalho é reconhecido como neobarroco, além de ser professor e descobridor de talentos. Homem culto, amável e de muita fé, assim é conhecido o mestre do entalhe de Mariana, Hélio Petrus Viana, 70 anos.  Nasceu em Felipe dos Santos, povoado distante 50 km de Mariana, para onde foi ainda criança residir, fazer o curso primário e depois o seminário.  Ele se inspira em obras dos mestres Aleijadinho, Vieira Servas e Manoel da Costa Ataíde para produzir seus trabalhos, cujo tema preferido é a Arte Sacra.

A vocação artística despertou-se somente aos 25 anos, quando cursava Letras. A partir deste momento, passou a estudar e conhecer o barroco com mais profundidade, principalmente a obra de Aleijadinho, Vieira Servas e Athayde, os grandes artistas mineiros do século XVIII. A descoberta da obra desses mestres inigualáveis, ali tão perto, fê-lo se encantar com a beleza barroca e se apaixonar pela arte. Sentiu-se motivado e começou a executar os primeiros trabalhos, os querubins, e a produzir certos detalhes que via nas igrejas marianenses. Anos mais tarde, aprofundou seu estudo sobre o barroco europeu, principalmente o italiano. Com isto, passou a utilizar tons mais claros denominados pátina.

Petrus já esculpiu obras famosas como a Madona de Cedro, que a Rede Globo de Televisão usou para filmar a minissérie de mesmo nome em 1994. Tem realizado obras para a ornamentação de capelas e igrejas e para acervo de colecionadores particulares, como a capela do padre cantor, Fábio de Melo. Sua mais nova alegria é saber que o Papa Francisco que virá ao Brasil neste mês, receberá como presente, um São Francisco esculpido por ele, Petrus. É mais um coroamento do seu grande êxito. Para o presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, Roque Camêllo, “Hélio imprime em suas obras o caráter espiritual de sua própria vida plasmada em suas raízes familiares e entre as paredes do tradicional Seminário de Mariana, ícone da sabedoria e da religiosidade. É fruto também deste cenário vivo da cultura que são nossas cidades Históricas. Agora, Hélio vai para o Vaticano com seu São Francisco como já foi para o mundo com suas mãos abençoadas”.

Quando se deu, em 1999, o incêndio do Santuário do Carmo de Mariana, foi contratado para produzir réplicas de imagens consumidas pelo fogo. Seus trabalhos se encontram em vários estados brasileiros e em outros países como Portugal, França, Bélgica, Itália, Suíça, Japão e Estados Unidos.

Hoje, Petrus tem um rico acervo de obras barrocas e o ateliê, no Centro de Mariana, onde trabalham com ele jovens artistas. Ao longo desses anos, procurou identificar talentos, partilhando com esses sua arte, orientando-os no aprimoramento do estilo barroco, na talha e na escultura em madeira. Seus seguidores fazem questão de chamá-lo de mestre. Em sua simplicidade afirma: “Foi uma gratificação muito grande esta inspiração que eu tive em associar a meu trabalho talentos jovens”. Sendo a obra na madeira demorada, porque exige paciência e precisão no corte do entalhe, Petrus associou jovens habilidosos ao seu trabalho. Assim, conseguiu três coisas: primeiro o aprimoramento, depois uma produção suficiente para fazer exposições e uma terceira que é dar oportunidade e incentivar os aprendizes. Segundo o artista “não basta ter apenas habilidade, é necessário muita aplicação”.

 O turista que vai a Mariana se extasia diante de igrejas e monumentos do século XVIII, mas sua visita será mais completa se conhecer Hélio Petrus e seu ateliê, ali na rua Dom Silvério, que o povo continua chamando rua Nova, porque foi a última a ser construída quando Dom João V mandou planejar a cidade, em 1745. No meio desse ambiente de História e vizinho de nomes comuns da antiga Vila do Ribeirão do Carmo como Athayde, Aleijadinho, Servas e outros, é que vive Hélio Petrus, um nome do presente que o futuro incluirá entre aqueles. Já consagrado, não perde a simplicidade, o bom humor e a fidalguia em receber, com um sorriso constante e um coração generoso todos que o procuram.

Marlene Maia, presidente do Movimento Renovador de Mariana afirma: “O artista não tem pátria porque a arte é universal, mas Hélio Petrus não tem como negar que sua obra revela a alma e o sentimento de Mariana”.

A acadêmica e especialista em História da Arte, e especialmente em arte barroca, professora Regina Almeida, afirma que: “A arte de Hélio Petrus transporta o céu para a terra e nos conduz, da terra, ao céu. É arte que enleva e eleva!”.

Nota: São Francisco que foi doado ao Papa Francisco.

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A Rev. dos Bichos (7) – CONHECIMENTO É PODER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Ao expulsarem o senhor Jones e família da Granja do Solar, agora denominada Granja dos Animais, os bichos tiveram que tomar para si todo o trabalho.  O recolhimento do feno foi o primeiro da lista, contando eles com muitas dificuldades, pois, as ferramentas não se adequavam à estrutura corporal da bicharada.

Todas as dificuldades inerentes aos trabalhos na Granja dos Animais foram resolvidas com a engenhosidade dos porcos, tidos como os animais mais inteligentes. E, como os mais preparados intelectualmente precisam estar à frente de tudo, em tese, os porcos não podiam botar mãos à obra, digo, pés, uma vez que tinham que dirigir e supervisionar o trabalho feito por todos os outros. Que tarefa cansativa é mandar e mandar! Aposto que eles desejavam estar lá, com a mão na massa, digo, no feno. Será?

Nenhum animal escapulia do trabalho na granja. Os cavalos, como conheciam cada cantinho do lugar, tomaram para si a tarefa mais pesada. Patos e galinhas iam e viam com pequeninos feixes de feno presos no bico, sem desperdiçar um só talinho. Nenhum dos animais abocanhou aquilo que não lhe era devido, de modo que foi a maior safra de feno que a granja já tivera, deixando os bichos alegres com tanta fartura. Tudo agora era produzido por eles e para eles, sem intermediários ou sonegadores. E ainda tinham tempo para o divertimento.

Sansão, o cavalo, era um exemplo para todos. Com seus músculos rijos, ele sempre fora muito trabalhador, mas agora fazia o serviço de três, tão entusiasmado que estava com a nova situação. Nem percebia que o trabalho mais pesado ficava sempre para ele. Chegou a pedir aos galos que o acordassem meia hora mais cedo para, nesse tempo, fazer trabalho voluntário. Mesmo quando estava caindo de cansaço, murmurava seu lema: “Trabalharei mais ainda!”. Nunca vivera uma situação de tanta paz junto aos companheiros. Não mais havia mordidas, ciúmes, discórdias e outras coisas tão desagradáveis, mas corriqueiras nos tempos do senhor Jones. Agora, era preciso manter o progresso e a paz.

A vida dos bichos é bem parecida com a dos homens. Tanto lá como cá, existem sempre os omissos e os espertalhões que querem sempre encarapitar-se no ombro dos ingênuos. Minha mãe já dizia que “Cacunda de bobo é poleiro de esperto”. De modo que Mimosa, a égua, estava sempre arranjando desculpas para não trabalhar, assim como o gato que dava uma de perdido, só aparecendo na hora das refeições ou ao final do trabalho. Enquanto Bejamim, o burro, continuava o mesmo de antes, fazia sempre a sua parte, mas sem se interessar pelos trabalhos extras. Parecia não carregar muito contentamento com a vida.

Na Granja dos Animais não se trabalhava durante os domingos, dia dedicado ao hasteamento da bandeira: uma toalha verde de mesa, pintada com um chifre e uma ferradura no centro. A seguir vinha a Reunião, sempre dirigida pelos porcos, onde eram planejadas as ações da semana seguinte. Bola de Neve e Napoleão eram sempre os mais aguerridos e combativos, embora um estivesse sempre se contrapondo ao outro.

Os porcos, como os mais inteligentes, é bom que se diga, definiram que o depósito de ferramentas passaria a ser a sede da direção, composta por eles mesmos, onde os animais aprenderiam a ler e escrever mecânica, carpintaria e outras artes necessárias, através dos livros retirados da casa-grande. E assim, foram formados os mais diversos comitês, sendo que um deles tinha por finalidade domesticar as criaturas selvagens, que acabou não logrando êxito, pois, apesar do palavrório, pardal algum tinha coragem de se assentar perto de um gato.

Será que a inteligência dos porcos seria o único referencial para levar avante A Revolução dos Bichos?

 Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

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A Rev. dos Bichos (6) – OS 7 MANDAMENTOS DO ANIMALISMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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As revoluções costumam acontecer quando menos se espera. É certo que muitos sinais são vistos aqui e acolá, mas quem escraviza, inebriado pelo poder e sustentado pelas forças das armas, jamais imagina que algo lhe possa acontecer. Mas, como diz um velho ditado popular “Quem bate esquece, mas quem apanha, jamais.”. E é assim que os grandes ditadores são enxotados do cargo que ocupam, ainda que dure mais tempo do que os oprimidos esperam. Levando em conta que ver os opressores caídos é o que esperam os opressos, nada como a impermanência de nosso existir. E foi assim que se iniciou A Revolução dos Bichos da Granja do Solar.

Jones, embora fosse um patrão cruel, era hábil naquilo que fazia. Mas, em razão dos problemas inerentes à vida humana, aos quais todos estamos sujeitos, acabara perdendo muito dinheiro, motivo que o levou a se descambar para a bebida, pois não é qualquer indivíduo que tem força moral para não sucumbir à perda do vil metal que hipnotiza a maioria dos seres humanos. Assim, o granjeiro assava dias e dias bebendo, acompanhado por Moisés, o corvo de estimação, que ia comendo as cascas de pão molhadas na cerveja. Os peões, vendo o mau exemplo do patrão, pouco ou nada se importavam com a granja. Os animais estavam a passar fome, em consequência do acabrunhamento moral e bebedeira do dono. Como sempre acontece, os inocentes acabam pagando o pato.

Certo dia, Jones voltou mais bêbado da cidade do que de costume, trocando as pernas num cai aqui ou cai acolá, com o corpo e o espírito ávidos por uma cama. Os ajudantes, por sua vez, estavam a caçar lebres, sem ao menos terem alimentado os animais. E foi aí que a vaca foi para o brejo, ou seja, que o patrão levou a pior. Revoltada, uma das vacas, cujo nome não me foi dado a conhecer, arrebentou a porta de onde ficavam os alimentos e pôs-se a comer com os outros animais. Jones, que conseguiu se levantar a duras penas, e seus peões que tinham acabado de chegar, como castigo, começaram a chicotear os bichos, sem dó ou piedade, sem compreenderem que a fome pode transformar os conceitos morais e éticos de um homem ou de um bicho. Revoltados, os animais pressentiram que era preciso tomar uma decisão naquele instante, antes que fossem comida de chicote, embora continuassem famintos. Assim, puseram-se a revidar os maus-tratos de todas as formas que podiam: coices, chifradas, dentadas, unhadas, bicadas e coisa e tal. Surpresos, desorientados e machucados, os agressores saíram correndo, tendo a bicharada atrás. Os últimos a desertarem foram a mulher de Jones e o corvo Moisés, que sempre se julgou membro da família.

A Granja do Solar passou a pertencer somente aos animais, ora livres do jugo humano. Era preciso, portanto, eliminar os apetrechos malditos da servidão. Aproveitaram então para jogar freios, argolas de nariz, correntes de cachorro, facas de castrar porcos e cordeiros, tudo no fundo do poço, enquanto rédeas, cabrestos,  antolhos,  relhos,  bornais e até mesmo as fitas de Mimosa eram queimados na fogueira feita no pátio, pois, todos os animais deveriam andar nus e livres como nasceram, sem temer sol ou chuva, frio ou calor.

Napoleão e Bola de Neve, os dois porcos que assumiram o comando após a morte do Major, chamaram os camaradas para um novo encontro. Contaram-lhes que tinham aprendido a ler e escrever, depois de encontrarem no lixo uma cartilha dos filhos de Jones. E que, portanto, iriam escrever em uma das paredes da granja, agora Granja dos Animais, os sete mandamentos do Animalismo, que em hipótese alguma poderiam ser desobedecidos, para o bem de todos os bichos:

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
  3. Nenhum animal usará roupas.
  4. Nenhum animal dormirá em cama.
  5. Nenhum animal beberá álcool.
  6. Nenhum animal matará outro animal.
  7. Todos os animais são iguais.

Após escreverem na parede os princípios da doutrina, os porcos foram ordenhar as vacas que já se encontravam incomodadas com seus úberes cheios. Cinco baldes de leite foram tirados, mas não foi explicado o que seria feito com eles. Enquanto Napoleão resolvia o que fazer com o leite, os demais animais rumaram para o campo para a colheita do feno. Agora seriam senhores de si, donos de suas próprias ações, trabalhando em conjunto para fazerem a granja prosperar. Mas seriam os bichos capazes de levar a revolução adiante? Isso é o que veremos nos próximos capítulos da história.

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

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