CINQUENTA TONS… – E.L. JAMES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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As mulheres não querem e não devem ser submissas. Mas estamos falando aqui do que acontece no quarto, a portas fechadas. (E.L. James)

O livro trata de uma relação consensual entre dois adultos. Não me incomoda que apliquem a palavra “porn” a ele, porque ela perdeu todo o sentido de pornografia de fato, no seu cunho abjeto e explorativo. Hoje em dia tudo é “porn”. (E.L. James)

Não quero nem imaginar meus garotos lendo Cinquenta Tons. Nem eles, claro: mãe e sexo são duas ideias que não vão bem juntas. (E.L. James)

Os livros fazem parte de um universo bem complexo em que muitas vezes não sabemos o que leva esse ou aquele a fazer um tremendo sucesso. E por falar nisso, trazendo alguns sucessos mais recentes, quem não se lembra da febre infantojuvenil de Harry Porter, de J.K. Rowling? Ou das conspirações de O Código Da Vinci, de Dan Brown? Ou ainda do romantismo adolescente gótico de Crepúsculo, de Stephenie Meyer? A trilogia erótica Cinquenta Tons (Cinquenta Tons de Cinza, Cinquenta Tons Mais Escuros, Cinquenta Tons de Liberdade), que mescla romantismo com sadomasoquismo, é um desses fenômenos inexplicáveis, pelo menos para quem gosta de uma boa leitura.

E.L. James é uma escritora londrina, filha de mãe chilena e pai escocês, que ainda não chegou aos 50 anos. É casada e possui dois filhos adolescentes. Ela mesma está surpresa com o sucesso que se iniciou como uma brincadeira na internet, inspirada na série Crepúsculo que tem como alvo o público adolescente. Ela explica que começou escrevendo sobre dois personagens que lhe vieram à cabeça, por mero acaso, e foi sendo conduzida pela história deles.

A hoje escritora da trilogia Cinquenta Tons era antes gerente de produção de TV onde, segundo ela, estava se sentindo muito infeliz e, ao ver o primeiro filme da série Crepúsculo, ficou tão encantada que pediu ao marido o livro de presente, e acabou ganhando toda a série. Foi então que começou a escreverpara se consolar da insatisfação no seu trabalho. E o que era apenas uma válvula de escape foi ganhando forma. Mas esses livros ainda não foram publicados. O primeiro trata-se de um romance erótico e o segundo tem como tema elementos sobrenaturais, bem diferentes de Cinquenta Tons.

Segundo E.L. James, ela descobriu na internet sites em que fãs de determinado livro (fan fiction) escrevem contos ou livros tomando o original como inspiração. E foi aí que nasceu a sua vontade de escrever Cinquenta Tons, somente como passatempo. O primeiro livro, Cinquenta Tons de Cinza, foi publicado em forma de “e-book” ou de edição impressa sob encomenda, por uma pequena editora australiana. O sucesso chegou sem que ela se desse conta, sendo hoje disputada pelas editoras gigantescas do mercado.

Cinquenta Tons, escrito de uma forma bem simples e de fácil compreensão, sem nenhuma preocupação para com as convenções literárias, conta a história do jovem milionário Christian Gray que se apaixona pela estudante Anastasia Steele (ou Ana), que ainda é virgem. Mas, ao contrário de Crepúsculo, os protagonistas da trilogia são responsáveis por cenas de sadomasoquismo, descritas nos mínimos detalhes, em que Christian domina Ana sexualmente. A combinação estranha de romantismo e sadomasoquismo deu origem ao novo termo inglês “mommy porn” (pornô para mamães).

Uma das críticas feitas à trilogia reside no fato de que na relação a dois é o macho, Christian, quem submete a fêmea, Ana, à dominação sexual. Mas a escritora rebate que a submissão da personagem só se dá no quarto, a quatro paredes, com Ana experimentando coisas diferentes com seu companheiro. Ela não aceita o rótulo de que esteja contribuindo para um atraso na condição da mulher, como vem sendo dito. Segundo ela, as mulheres ainda não estão preparadas para lidar com o sadomasoquismo, que ainda é um tabu dentro da sociedade. E alude a isso como um dos fatores de sucesso de seus livros.

A escritora reclama de que a imprensa norte-americana e o público veem a trilogia Cinquenta Tons como “escandalosamente pornográfica”, como se o sexo não fosse descrito na ficção romântica americana. Para ela, isso se deve à presença do sadomasoquismo na obra, embora ela se refira ao assunto ligeiramente, bem distante do que acontece na realidade.

Os fãs de Cinquenta Tons de Cinza já podem aguardar o filme que será feito com a supervisão da autora.

Sinopses da trilogia:

Cinquenta tons de cinza
Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja — mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso — os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família —, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos.

Cinquenta tons mais escuros
Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele põe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresário e concentra-se em sua carreira, trabalhando numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propõe um novo acordo, ela não consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possível. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demônios interiores, Ana se vê diante da decisão mais importante da sua vida.

Cinquenta Tons de Liberdade
Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade.

Fonte de pesquisa:
Revista Veja/ 9-01-2013
Sinopses da Editora Intrínseca

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A Rev. dos Bichos (10) – A BATALHA DO ESTÁBULO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Corria à boca pequena as notícias dos feitos ocorridos na Granja do Solar, que se passara a chamar Granja dos Bichos. Napoleão e Bola de Neve ordenaram aos pombos e demais pássaros, que propagassem as boas novas entre os animais, inclusive, ensinassem-lhes o hino da vitoriosa Revolução. O velho Jones já havia advertido os vizinhos para o que lhe acontecera, mas ninguém lhe dera o devido crédito. Achavam que os animais não dariam contar de gerir a granja, e logo estariam guerreando entre si. Porém, aos poucos, começaram a perceber que a água não estava para peixe. Seria melhor tomar algumas providências.

Os granjeiros Pilkington e Frederick, que antes viviam trocando farpas, resolveram se unir. Começaram com os boatos perversos, coisa comum aos homens. A Granja do Solar era um campo de tortura. Os animais eram torturados com ferraduras em brasas. As fêmeas prostituíam-se, pertencendo a uns e a outros. O canibalismo era uma prática recorrente e etc. Mas, para azar deles, bicho algum acreditou naquelas lorotas. Ao contrário, aquele lugar deveria ser um paraíso sem a presença do Homem.

Os animais ao derredor da Granja dos Bichos começaram a se revoltar contra seus donos: os bois rebelavam-se, as ovelhas botavam as cercas abaixo, as vacas derrubavam os baldes cheios de leite, os cavalos refugavam, e mais, o hino da Revolução era cantado por todos, mesmo tendo como castigo as chicotadas do dono. Mas quem poderia calar os melros, os pombos e, até mesmo os sinos? E foi por essa e outras que Jones comandou uma invasão à sua antiga granja. Haveria de botar os usurpadores para correrem. Eles só não esperavam que os animais estivessem preparados para o confronto.

E assim se deu a batalha sob a chefia de Bola de Neve:

Primeira linha de ataque – os pombos voaram sobre a cabeça dos homens, defecando sobre elas; os gansos, aproveitando a confusão, avançaram usando seus bicos.

Segunda linha de ataque – Maricota, Benjamim e as ovelhas, com Bola de Neve à frente, foram para cima dos agressores, usando todas as armas pessoais: mordidas, cabeçadas e coices. Os bichos recuaram como estratégia.

Terceira linha de ataque – ao entrarem no pátio da granja, os agressores foram surpreendidos. Os cavalos, as vacas e parte dos porcos surgiram de trás do estábulo, impedindo que eles saíssem, desfechando a parte mais violenta da batalha.

Totalmente em pânico, os homens só queriam deixar a granja. Não mais aguentavam tantas chifradas, mordidas, bicadas, cabeçadas e arranhaduras. E assim, bateram vergonhosamente em retirada, deixando morta apenas uma ovelha.

A batalha recebeu o nome de “Batalha do Estábulo”. Bola de Neve e Sansão foram condecorados com a medalha “Herói Animal, Primeira Classe”. A ovelha que caiu em combate recebeu a medalha “Herói Animal, Segunda Classe”.

Mas a história ainda não acaba por aqui.

(*) Imagem copiada de blogs.estadao.com.br

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Exposição – HERANÇA DO SAGRADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É a maior mostra de arte sacra realizada no Brasil e uma das mais importantes com o acervo do Vaticano fora da Itália. (Mônica Xexéo, diretora do Museu Nacional de Belas Artes/ RJ)

A exposição proporciona amplo entendimento da singularidade de importantes períodos artísticos, como o Renascimento e o Barroco.  (Morello, pesquisador durante 30 anos na Biblioteca do Vaticano)

Não se pode negar a importância da Igreja Católica em relação às artes, pois ela foi responsável por incentivar e abrigar, especialmente na região que forma hoje a Itália, grandes mestres e suas artes, nos mais diferentes estilos e épocas, cujo apogeu deu-se no período da Renascença. Prova disso são os mundialmente famosos Museus Vaticanos, que abrigam tesouros inestimáveis, e, que se encontram entre os mais visitados do mundo.

Os Museus Vaticanos e outros ligados a dioceses e instituições católicas, assim como donos de algumas coleções particulares, emprestam 106 obras de arte para que seja realizada no Brasil a exposição Herança do Sagrado, que permanecerá em nosso país por um período de três meses. Dentre os grandes nomes da pintura estão Leonardo da Vinci, Michelangelo, Caravaggio, Fra Angelico, Guido Reni e Ticiano. Embora não se trate das obras maiores desses artistas, é uma ocasião ímpar para admirar o trabalho desses grandes nomes da pintura e escultura.

Na sala que retrata a imagem de Cristo, vê-se o Mandylion de Edessa, peça que compõe o acervo da Sacristia Secreta, sala anexa à Capela Sistina e à qual apenas o papa tem acesso. Trata-se de uma têmpera sobre linho colado sobre madeira de cedro com a imagem de Cristo datada do século III a IV dC., com moldura em ouro, prata e pérolas de Francesco Comi (1623). No Mandylion (‘tecido’ em grego), segundo a tradição católica, a imagem de Cristo não teria sido pintada, mas ‘se manifestou milagrosamente’, de acordo com Morello.

Na mesma sala, o público verá a tela ‘Salvador Mundi’ (século XVI), de Leonardo da Vinci, em que o curador apontou uma polêmica entre os historiadores da arte: o globo na palma da mão de Cristo é composto por quatro partes, diferentemente das três retratadas na época – o que indicaria que Leonardo da Vinci saberia da existência da América.

A ‘Pietà’ de Michelangelo é uma réplica de 1975, pois a original foi danificada pelo martelo de um homem em 1972 e hoje, restaurada, não sai o Vaticano. Na mesma sala, está a tela pintada a partir da imagem de Nossa Senhora Aparecida, de autor paulista desconhecido e datada de meados do século XX,  enviada à Basílica de São Pedro de acordo com a tradição de mandar pinturas e esculturas de santos coroados ao Vaticano.

A exposição é dividida em 4 módulos:

  1. O primeiro é dedicado às representações de episódios da vida de Cristo, com destaque para obras como Ressurezione, de Ticiano, e outras de Peter Paul Rubens.
  2. O segundo aborda a vida e a missão dos apóstolos Pedro e Paulo e tem como destaque achados e obras de arte provenientes da antiga Basílica de São Pedro.
  3.  O terceiro tem como tema a Virgem Maria, representada por obras significativas como Madonna del Davanzale, de Pinturicchio, datada de 1490.
  4. O quarto é formado por obras e relíquias que remetem à vida dos santos, retratados em obras de Caravaggio e Guido Reni, entre outros mestres do Renascimento.

Nota:
Nesse último segmento, a exposição faz uma homenagem ao Rio de Janeiro, ao mostrar o relicário que abriga os restos mortais do crânio de São Sebastião, o padroeiro da cidade.

O que poderá ser visto:

  • Ressurreição, do pintor Ticiano;
  • Quatro feições de Cristo, postadas lado a lado;
  • Uma escultura rara atribuída a Leonardo da Vinci;
  • São Pedro, obra do espanhol José de Ribera;
  • O Salvador do Mundo, de Melozzo da Forli;
  • Madonna del Davanzale, de Pinturicchio;
  • A primeira representação de Jesus Cristo, de autor desconhecido e pintada entre o terceiro e o quinto século da era cristã;
  • Relicário que abriga os restos mortais do crânio de São Sebastião
  • Antiguidades e objetos sacros de estilos e épocas diversas, etc.

A exposição Herança do Sagrado iniciou-se no dia 10 de julho e se prolongará até 13 de outubro. Trata-se do principal evento cultural da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Fontes de pesquisa:
Revista Veja/ 26-07-2013

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Nota: Foto Agência Brasil

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A Rev. dos Bichos (9) – INTIMIDAÇÃO X PRIVILÉGIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Não sei se o leitor ainda se lembra, mas ao se apossarem da granja do senhor Jones, os bichos tiveram que ordenhar as vacas, cujos úberes estavam prestes a explodir. Cinco baldes de leite fresquinho e espumante passaram por suas tetas. Os porcos foram os responsáveis por guardar o produto. Mas nenhum dos bichos ficara sabendo que fim levara aquele leite e tampouco os demais baldes de leite retirados das vacas diariamente. Assim como não sabiam o porquê de os porcos guardarem as maçãs maduras, jogadas na grama pelo vento.

Mas neste mundo de meu Deus não há nada, feito por bichos ou por homens, que fique oculto por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, as coisas acabam sendo reveladas de uma forma ou de outra. Como se desse um caráter de integridade aos fatos, os porcos acharam por bem enviar Garganta, o porco trombeta, para explicar a que fim destinavam-se o leite e as maçãs, antes que os outros bichos pudessem se rebelar. Nada como uma boa explicação para acalmar os ânimos, ainda que ela esteja abarrotada de injustiças. E, se vem acompanhada de amedrontamento e recheada de uma boa dose de terrorismo, o tiro torna-se certeiro. Assim começou Garganta:

– Camaradas, nós somos os usuários do leite e das maçãs. É sabido que muitos de nós, os porcos, nem ao menos somos chegados a tais alimentos, mas temos um dever para com a nossa gente: protegê-la, fazendo prosperar nossa granja e nos armando contra as ameaças externas. Como é de conhecimento de todos, nós somos trabalhadores intelectuais, portanto, responsáveis pela vitória de nossa organização. Estamos sempre a gastar energia mental, pensando dia e noite no que é melhor para todos. Pesquisas mostram que leite e maçãs são de suma importância para a mente e para a saúde dos porcos. Portanto, nós precisamos de tais produtos, não por sentimento de egoísmo ou privilégio, mas, para termos força e sabedoria para proteger todos vocês, dando-lhes a vida digna e honrada que merecem. Se não estivermos preparados, o senhor Jones voltará com seus peões. E tenho a certeza de que nenhum de vocês gostaria de passar por aquela vida de novo.

Era fato que nenhum dos animais gostaria de rever o opressor, que por anos e anos fizera deles escravos. E, se isso era um perigo possível de acontecer, que os porcos, seus defensores, comessem todas as maças produzidas na granja e todo o leite retirado das vacas.

Confesso que, ao ouvir essa parte da história, fiquei pensando nos governantes humanos de meus país, que justificam seus altíssimos salários e gastos pessoais, dos mais variados tipos, com a desculpa de que precisam disso e daquilo, para governarem com honestidade. E se apossam das riquezas do povo de nosso país com a verborragia de que está a proteger sua gente, enquanto, na verdade, os reais trabalhadores vivem com salários minguados. Tais homens e mulheres especulam com o dinheiro público, dizendo que estão trabalhando em prol do Estado ou da Nação. Será que os porcos estavam caminhando para se tornarem humanos? Que péssimo destino!

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

Nota: Imagem copiada de lagcast.com.br 

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Michelangelo – PIETÀ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É um milagre que o que já foi uma rocha qualquer possa assumir uma forma que a natureza dificilmente cria na carne humana. (Giorgio Vasari) 

As mulheres castas se conservam com fisionomia bem jovem […], quanto mais uma Virgem que jamais apresentou o menor sinal de luxúria. (Michelangelo)

Jean Bilhères de Lagraulas, cardeal francês, embaixador do rei da França na corte do papa, possuía uma capela na Basílica de São Pedro, onde almejava ser enterrado, por isso, era seu desejo que uma escultura de mármore ornamentasse sua capela. Mas antes que selasse o contrato com Michelangelo, o artista foi enviado à cidade de Carrara, para escolher o material de sua obra. Ali, Michelangelo procurou pelo melhor mármore existente, isento de imperfeições ou impurezas. O artista concluiu sua obra no mesmo ano da morte do cardeal.

Pietà ou Piedade foi o tema escolhido para adornar o túmulo de Jean Bilhères de Lagraulas, mostrando o sofrimento de Maria, após a retirada do corpo de seu filho da cruz. Tal tema, embora fosse comum além dos Alpes, era pouco usado na pintura florentina e dificílimo de ser visto na escultura, principalmente em se tratando de uma estátua de mármore feita em tamanho natural. A estrutura do conjunto arquitetônico é piramidal, feita num bloco de apenas um metro de espessura, embora a obra repasse uma sensação de monumentalidade e profundidade.

Para esculpir a Pietà, Michelangelo usou um único bloco de mármore, pois assim haveria uma maior união na composição de Maria e Jesus. Tanto é que há uma relação perfeitamente equilibrada entre Mãe e Filho. Na sua Pietà o artista aborda o realismo doído, visto em outras obras, para esculpir a Virgem e seu Filho, com uma beleza clássica inimaginável. O rosto delicado e sereno da Virgem foge à tradição da iconografia usual em que ela era interpretada com uma expressão de dor extremada. Na época alguns notaram que Maria apresentava-se muito jovem para ter um filho de 33 anos, mas a tradição iconográfica e teológica aceitava tais discrepâncias. O corpo de Jesus em total abandono está contido dentro da figura da Virgem, desde a cabeça até os pés, como se toda ela o envolvesse.

Não existem alterações extremadas no rosto oval da Madona que é retratada como uma jovem mãe, pois sua juventude é a representação de sua castidade. Sua expressão revela aceitação, embora repasse uma profunda tristeza interior que pode ser percebida pela inclinação de seu rosto em direção ao corpo do filho. Sua mão esquerda aberta, como se mais nada pudesse fazer, mostra ao mundo seu filho morto. O estiramento do braço direito de Jesus também repassa um sentimento de abandono. É de tirar o fôlego a maestria do artista florentino no feitio do pregueado dos tecidos, assim como no polimento dado à obra.

Ao dar por terminada a sua obra, Michelangelo ficou tão maravilhado com sua beleza que colocou a sua assinatura na cinta que desce do ombro direito da Virgem, passando por entre seus seios. Essa foi a única vez em que assinou uma obra. Segundo relatos, como alguns não acreditassem que fosse ele o autor da obra, o artista ocultamente lavrou seu nome na faixa.

A Pietà é tida como a primeira obra-prima do gênero e como uma das mais fascinantes esculturas de todos os tempos que retrata a mãe do Salvador com uma pureza jamais vista. De forma o artista cumpriu sua palavra, quando disse que “seria uma obra tal que nenhum mestre da época poderia fazê-la melhor”.

Nota: A Pietà que faz parte de exposições não é a verdadeira que foi danificada por um homem com um martelo. A verdadeira, restaurada, não mais deixa o Vaticano.

Ficha técnica:
Data: c. 1497 – 1499
Dimensões: 1,74 m de altura e 1,95 m de base e 69 cm de profundidade
Localização: Basílica de São Pedro, Vaticano, Itália

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural

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O RONCO E A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Uma em cada quatro pessoas ronca habitualmente. O problema é mais frequente em homens e obesos. O som ruidoso do ronco ocorre quando há uma obstrução à livre passagem do ar através de estruturas localizadas na parte de trás da boca e do nariz. Essa é a área de colapso das vias aéreas, onde a língua e as partes superiores da garganta encontram o palato mole (céu da boca) e a úvula (campainha). O ronco ocorre quando essas estruturas batem umas nas outras e vibram durante a respiração. O excesso de tecido, no fundo da garganta, estreita a passagem do ar e contribui para a produção do ronco, como ocorre com os obesos.

Do ponto de vista médico, o ronco perturba o padrão de sono e priva o roncador do descanso adequado, o que pode causar sérios problemas de saúde ao paciente ao longo do tempo. Cerca de 5 % dos roncadores apresentam a apneia obstrutiva do sono, caso em que o ronco é interrompido bruscamente por episódios frequentes de parada respiratória, que podem durar mais de 10 segundos e podem ocorrer mais de cinco vezes a cada hora. Esses episódios podem reduzir a saturação de oxigênio no sangue, aumentando o trabalho do coração e expondo o paciente a graves riscos cardiológicos e neurológicos, tais como:

  • hipertensão arterial,
  • arritmias cardíacas,
  • infarto agudo do miocárdio
  • e derrames cerebrais.

A apneia faz também com que o roncador não tenha um sono reparador, o que causa sonolência diurna e traz uma série de riscos, como acidentes de trânsito, por exemplo; além da redução na capacidade de trabalho.

Sintomas

Sintomas comuns da apneia obstrutiva do sono durante a noite incluem:

  • ronco alto,
  • sono agitado,
  • paradas respiratórias,
  • engasgos, pesadelos
  • e acordadas frequentes para urinar.

Já durante o dia, a pessoa pode apresentar:

  • sonolência diurna com sensação de cansaço,
  • dificuldade de concentração,
  • irritabilidade,
  • redução da libido,
  • dor de cabeça matinal
  • e boca seca ao acordar.

Pessoas que roncam com facilidade, em qualquer posição, devem procurar um médico. Através de um exame completo do nariz, boca, garganta, palato e pescoço, o otorrinolaringologista realizará o diagnóstico e indicará o tratamento adequado. Para um diagnóstico completo do ronco é necessário a polissonografia, um exame que determina a gravidade do ronco e da apneia, bem como o efeito sobre a saúde do paciente.

Dentre os tratamentos existentes podemos destacar:

  • orientação dietética para redução do peso,
  • adaptação de aparelhos intra-orais,
  • adaptação de aparelhos de respiração (PAPs),
  • tratamentos cirúrgicos.

O tratamento escolhido será decidido de acordo com cada caso.

Dicas

Vão aí algumas dicas para os roncadores:

  • perder peso com exercícios físicos e adotar um padrão de alimentação saudável,
  •  não ingerir tranquilizantes, soníferos, ou anti-histamínico antes de dormir,
  • evitar álcool, lanches ou refeições pesadas, pelo menos, quatro horas antes de deitar-se,
  • dormir de lado ao invés de “barriga pra cima”
  • e manter a cabeceira da cama 10 cm elevada.

(*) Imagem copiada de linguaportuguesatiade.blogspot.com

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