TAIGUARA (II) – DITADURA E SONHO DE LIBERDADE

Autoria de Edward Chaddad tai

Geisel iniciou seu governo em 1974, posicionando-se no sentido de permitir, mesmo que de uma forma tênue, a abertura política, amenizando a dureza ditatorial, no que foi fortemente combatido pela linha dura do regime. Lembro ao leitor que o novo ditador, mais tarde, em 1985, inclusive apoiou a candidatura civil de Tancredo Neves. O que animou Taiguara que, em 1975, retornou ao Brasil, oriundo de seu primeiro autoexílio, com muita esperança, e fez uma notável gravação, Imyra, Tayra, Ipy, em parceria com Hermeto Paschoal. Era um espetáculo extraordinário, embalado por uma orquestra sinfônica, com cerca de oitenta músicos, com participação de Jacques Morelenbaum, Zé Eduardo Nazário, Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Novelli. Infelizmente, a censura novamente agiu e todos os seus discos foram recolhidos rapidamente pela Ditadura Militar, abortando outra vez o limiar de seu sonho. Ainda não era momento certo para a volta de Taiguara que, abatido e triste, não conseguiu aqui permanecer e novamente preferiu o exílio.

Em 1979, Figueiredo, apoiado por Geisel, foi eleito indiretamente, pelo colégio eleitoral, como candidato da Arena e, como continuidade do que intencionava o governo anterior, foi logo dizendo na sua posse que “faria deste país uma democracia”. No entanto, acredito eu, as forças extremistas da ditadura não aceitavam a abertura, sem a garantia de que não haveria uma vindicta, uma revanche pela privação da liberdade e pelo sofrimento impostos ao povo, máxime o horror dos atos desumanos praticados pelo regime, nos porões do DOI CODI.

Para cumprir a sua promessa e acalmar a dissidente linha dura, logo no início de seu governo, Figueiredo editou a Lei da Anistia – como ficou chamada – a lei 6.683, de 28 de agosto de 1979 que, a pretexto de anistiar aqueles que haviam cometidos crimes políticos contra o regime ditatorial, com habilidade alcançava também ainda os criminosos do próprio regime militar. Isso não bastou. O caminho foi triste e longo, machucando cada vez mais o espírito democrático que habitava e habita o coração de nosso povo.

Menciona o Coronel Dickson Melges Grael, em seu livro histórico, “Aventura, Corrupção e Terrorismo – À Sombra da Impunidade“, lançados em 1985, pela Editora Vozes, de Petrópolis:

“A partir de 1980, uma série de atentados a bombas foram registrados pela imprensa do país. Na quase totalidade, os alvos eram a oposição ao governo, fossem os da extrema esquerda ou os moderados” (fls. 79).

Certamente, eram os militares que se opunham à abertura política. E o Coronel Dickson enumera, em fls. 79 a 81 em seu corajoso livro, uma série de 40 atentados, nunca esclarecidos, e que durou até 1981, quando ocorreu o maior deles, o atentado do Riocentro. No seu livro, o principal objeto do item, o Terrorismo no país, foi esse atentado, onde a coragem do Coronel Dickson foi extraordinária, revelando muitos fatos importantes, que foram desprezados por inconvenientes à justiça do regime da época.

E tal atentado, que também até hoje não foi pela Justiça esclarecido, foi aquele que, pela sua repercussão no país e internacionalmente, parece-me, fez cessar aquela onda de revolta da linha dura contra a intenção do governo Figueiredo de proceder a abertura democrática. Foi responsável por provocar, com certeza, a maior onda de ojeriza ao regime ditatorial e, paradoxalmente, ao contrário daqueles que, pelo terror, buscavam a manutenção do regime fechado, tenha sido a rua pavimentada para o retorno à Democracia.

Mais adiante, veríamos que, se não houve eleição direta para presidente, pelo menos Figueiredo conseguiu realizar, em 1985, uma eleição indireta com candidatos civis, ainda por colégio eleitoral, agora formado por novos partidos, com a eleição de Tancredo Neves.

Confiante na promessa de Figueiredo, mesmo em meio de uma intensa revolta do segmento mais radical da ditadura brasileira, Taiguara fez um novo retorno, agora do segundo autoexílio, em meados de 1980. E nesse palco de muita agitação, de atentados a  bomba, o artista, sem medo, tornou a cantar no Brasil e a pregar a liberdade, a sua aspiração tão esperada e que, após alguns anos depois de seu retorno, começara a se tornar realidade.

Embora Taiguara não obtivesse o sucesso de outrora, as músicas que tiveram maior sucesso durante sua carreira, tão interrompida e tão massacrada pela censura em nosso país, continuaram a ser tocadas nos meios de comunicação, com o arrefecimento da ditadura, sobretudo as das décadas de 60 e 70, principalmente nas emissoras de rádio.

Tivemos o privilégio de ouvir músicas inesquecíveis como Hoje, Universo do teu Corpo, Piano e Viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu Sonho não Acabou, Geração 70, Que as Crianças Cantem Livres, Coisas, O Cavaleiro da Justiça, O Velho e o Novo e tantas outras.

Os sucessos mais importantes de Taiguara restaram na lembrança do País quase que apenas para a geração Baby Boomer, sendo que as novas gerações, denominadas X, Y e Z pouco conhecem aquele que foi um dos maiores compositores e intérpretes da música brasileira. E foram as suas músicas, sem dúvida, um forte apoio aos ideais de liberdade, que o povo brasileiro se apegou e conseguiu tornar realidade, com uma nova constituição em 1988, depois com eleições diretas em 1989.

O duro golpe para a MPB é que as novas gerações pouco conheceram da genialidade, da sensibilidade, do conteúdo maravilhoso das letras e da música de Taiguara, muito afastada que ficou pela mídia, que sempre se posicionou, infelizmente, na maior parte do tempo, contrária aos interesses do povo, máxime apoiando o regime ditatorial, negando espaço, esquecendo esse inesquecível artista, cujo sonho sempre fora a liberdade.

É de se lembrar e evidenciar que a mídia da época, embora altamente censurada, apoiou e muito o regime militar. Somente deu o ar da graça para as mudanças, durante as manifestações para as Diretas-já, quando então já estava praticamente consumado que o regime democrático estava voltando. Era a vontade de líderes militares sinalizando, mais dia, menos dia que a liberdade não tardaria a voltar.

É triste saber que centenas de composições de Taiguara ainda não são de conhecimento público. Restaram esquecidas, talvez porque parte da mídia brasileira, a mais significativa, o que não se pode entender, renita-se, pois, nunca se apaixonou pelo sonho desse artista comprometido com a liberdade. Há muitas músicas de Taiguara que tocam nosso coração e que, infelizmente, jazem como riquezas no fundo de um baú, que a história ainda não quis abrir.

Anos depois, em 1986, Taiguara fez na Band, esse que foi, naquele momento histórico de grande valor democrático, um especial extraordinário, memorável, onde o cantor, músico, compositor e artista, falou sobre sua vida, a ditadura que o cerceara, censurara suas obras e o fizera sofrer anos de autoexílio, não deixando de mencionar seu sonho maravilhoso, a liberdade que se iniciava com a chegada da democracia. Era esse o seu sonho e também o sonhar de toda a nação brasileira.

Taiguara veio a falecer em 1996, em virtude de um fatal câncer na bexiga, mas seu sonho permanece  até hoje.

Esta é uma das mais belas músicas do cantor e compositor:

http://www.youtube.com/watch?v=3DrzzU2iEfk

Fonte de pesquisa:

Wikipédia

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RANKING DOS 100 MELHORES FILMES / GÊNEROS DIVERSOS

Autoria de M. Praxedes

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Vários amantes do Cinema escolheram os melhores filmes de todos os tempos, dando-lhes uma nota de 1 a 10, indiferentemente de gênero. E assim surgiu o Ranking dos Melhores Filmes de Todos os Tempos, conforme explica o blog Melhores Filmes:

Para chegar a esta lista de filmes, foi realizada uma pesquisa minuciosa com livros de cinema, em sites e revistas internacionais especializadas, e levou-se em consideração também a premiação em festivais e críticas em importantes veículos mundiais. A cada filme, foi atribuída uma nota, de acordo com a média formulada a partir da pesquisa inicial e do peso que cada obra contém na história do cinema mundial. (http://melhoresfilmes.com.br/generos/gêneros diversos)

Ranking / Filme / Diretor

1º – Cidadão Kane / Orson Welles
2º – A Regra do Jogo / Jean Renoir
3º – Um Corpo Que Cai / Alfred Hitchcock
4º – 8 ½ / Federico Fellini
5º – 2001, uma Odisséia no Espaço / Stanley Kubrick
6º – O Poderoso Chefão 2 / Francis Ford Coppola
7º – O Encouraçado Potekim / Sergei Eisenstein
8º – Cantando na Chuva / Stanley Donen
9º – O Poderoso Chefão / Francis Ford Coppola
10º – Era Uma Vez em Tóquio / Yasujiro Ozu
11º – Os Sete Samurais / Akira Kurosawa
12º – Rastros de Ódio / John Ford
13º – A Aventura / Michelangelo Antonioni
14º – Ladrões de Bicicletas / Vittorio De Sica
15º – A Paixão de Joana D’Arc / Carl Theodor Dreyer
16º – Lawrence da Arábia / David Lean
17º – O Touro Indomável / Martin Scorsese
18º – Acossado / Jean-Luc Godard
19º – A Doce Vida / Federico Fellini
20º – Quanto Mais Quente Melhor / Billy Wilder
21º – O Atalante / Jean Vigo
22º – Luzes da Cidade / Charles Chaplin
23º – Aurora / F.W. Murnau
24º – Psicose / Alfred Hitchcock
25º – Rashomon / Akira Kurosawa
26º – Dr. Fantástico / Stanley Kubrick
7º – Casablanca / Michael Curtiz
28º – A General / Buster Keaton
29º – Crepúsculo dos Deuses / Billy Wilder
30º – Uma Mulher para Dois / François Truffaut
31º – Fanny & Alexander / Ingmar Bergman
32º – Taxi Driver / Martin Scorsese
33º – Contos da Lua Vaga / Kenji Mizoguchi
34º – Pacto de Sangue / Billy Wilder
35º – A Marca da Maldade / Orson Welles
36º – Sindicato de Ladrões / Elia Kazan
37º – A Canção da Estrada / Satyajit Ray
38º – Chinatown / Roman Polanski
39º – Morangos Silvestres / Ingmar Bergman
40º – A Grande Ilusão / Jean Renoir
41º – O Boulevard do Crime / Marcel Carné
42º – Ivan, o Terrível – Parte I / Sergei Eisenstein
43º – Apocalypse Now / Francis Ford Coppola
44º – Ouro e Maldição / Erich von Stroheim
45º – A Grande Testemunha / Robert Bresson
46º – O Sétimo Selo / Ingmar Bergman
47º – Intriga Internacional / Alfred Hitchcock
48º – O Terceiro Homem / Carol Reed
49º – Em Busca do Ouro / Charles Chaplin
50º – O Tesouro de Sierra Madre / John Huston
51º – Soberba / Orson Welles
52º – O Desprezo/ Jean-Luc Godard
53º – Metrópolis / Fritz Lang
54º – A Lista de Schindler / Steven Spielberg
55º – A Palavra / Carl Theodor Dreyer
56º – Matar ou Morrer / Fred Zinnemann
57º – Janela Indiscreta / Alfred Hitchcock
58º – Os Incompreendidos / François Truffaut
59º – Se Meu Apartamento Falasse / Billy Wilder
60º – Guerra nas Estrelas 4 – Uma Nova Esperança / George Lucas
61º – M, o Vampiro de Dusseldorf / Fritz Lang
62º – Um Estranho no Ninho / Milos Forman
63º – O Conformista / Bernardo Bertolucci
64º – Tempos Modernos / Charles Chaplin
65º – Amarcord / Federico Fellini
66º – A Malvada / Joseph L. Mankiewicz
67º – A Estrada da Vida / Federico Fellini
68º – Andrei Rublev / Andrei Tarkovsky
69º – A Ponte do Rio Kwai / David Lean
70º – Os Bons Companheiros / Martin Scorsese
71º – A Felicidade Não Se Compra / Frank Capra
72º – Persona / Ingmar Bergman
73º – Tempo de Violência / Quentin Tarantino
74º – O Intendente Sansho / Kenji Mizoguchi
75º – Viridiana / Luis Buñuel
76º – O Leopardo / Luchino Visconti
77º – Amadeus / Milos Forman
78º – A Batalha de Argel / Gillo Pontecorvo
79º – Ran / Akira Kurosawa
80º – Blade Runner, o Caçador de Andróides / Ridley Scott
81º – Desencanto / David Lean
82º – Embriaguez do Sucesso / Alexander Mackendrick
83º – Relíquia Macabra / John Huston
84º – O Espelho / Andrei Tarkovsky
85º – Napoleão / Abel Gance
86º – O Mágico de Oz / Victor Fleming
87º – Onde Começa o Inferno / Howard Hawks
88º – Laranja Mecânica / Stanley Kubrick
89º – E o Vento Levou / Victor Fleming
90º – Uma Aventura na África / John Huston
91º – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa / Woody Allen
92º – Meu Ódio Será Sua Herança / Sam Peckinpah
93º – ET – O Extraterrestre / Steven Spielberg
94º – Núpcias de Escândalo / George Cukor
95º – As Oito Vítimas / Robert Hamer
96º – Rocco e Seus Irmãos / Luchino Visconti
97º – Aconteceu Naquela Noite / Frank Capra
98º – Coronel Blimp – Vida e Morte / Michael Powell
99º – O Mensageiro do Diabo / Charles Laughton
100º – Levada da Breca / Howard Hawks

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A BELA VOZ DO UIRAPURU

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Uirapuru, uirapuru/ Seresteiro, cantador do meu sertão/ Uirapuru, uirapuru/ Seresteiro cantador do meu sertão/ Uirapuru, uirapuru/ Ele canta as mágoas do meu coração/ A mata inteira fica muda ao teu cantar/ Tudo se cala para ouvir tua canção/ Que vai ao céu numa sentida melodia/ Vai a Deus em forma triste de oração/ Se Deus ouvisse o que te sai do coração/ Entenderia que é de dor tua canção/ E dos teus olhos tanto pranto rolaria/ Que daria para salvar o meu sertão. (Jacobina e Murilo Latini)

Uirapuru é o nome comum dado a várias espécies de aves passeriformes, piprídeas, principalmente as mais coloridas dos gêneros Pipra, Chiroxiphia e Teleonema. Recebe também outros nomes como: irapuru, guirapuru, arapuru, irapurá, virapuru, tangará, rendeira, pássaro-de- fandango e realejo. Os nomes: uirapuru, guirapuru, virapuru, arapuru e irapurá são originários do tupi-guarani “wirapu´ru” ou “guirapuru”, e tangará vem de “tãga´rá”.

Dentre as várias espécies chamadas de uirapuru, uma é tida como a verdadeira e, portanto, é chamada de uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus aradus). Trata-se de uma ave pequenina, medindo cerca de 10 centímetros, cujas penas variam entre os tons avermelhados e o marrom claro. Possui pés grandes e bico vigoroso e na cabeça traz manchas brancas, bem próximas aos olhos.

O uirapuru é nativo da América do Sul, presente, principalmente, em florestas e várzeas. Pode ser encontrado nos seguintes lugares: Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil. No nosso país, ele se faz presente em quase toda a Amazônia. Tanto pode viver sozinho, formar casais ou viver juntamente com outras espécies de pássaros, o que leva o caboclo a achar que seu canto melodioso é o responsável por atrair bandos de aves, mas, segundo pesquisas, ele se une a outros pássaros à cata de alimentos. Possui voos curtos, vivendo numa área limitada. Constrói seu ninho com raízes e folhas e o esconde em meio à folhagem.

Embora pareça uma ave bem comum, de plumagem bastante simples, o uirapuru está entre os pássaros que possuem um dos mais belos cantos, sendo a avezinha, inclusive, apelidada de corneta ou músico da mata. Seu canto melodioso só pode ser ouvido durante cerca de15 dias por ano, ao amanhecer ou entardecer, durante 5 a 10 minutos, enquanto trabalha na construção de um ninho para atrair a fêmea. Ele pode apresentar até sete cantos diferenciados. Macho e fêmea são dotados do belo canto, embora o macho cante melhor. O belo trinado da ave não se assemelha ao de nenhuma outra. Por isso, segundo reza uma lenda, todas as aves emudecem para ouvi-lo.

O uirapuru é um pássaro que se movimenta com muita rapidez pelo solo ou entre as folhagens, com seus pés grandes e plumagem colorida. Trata-se de uma avezinha muito agitada. Aprecia as florestas tropicais, onde se alimenta de frutas e de pequenos insetos. Muitos acreditam que ele se alimenta melhor por ocasião das estações chuvosas, época em que as formigas deixam os formigueiros para atacarem os animais rasteiros, fazendo a festa da passarada.

Existem muitas superstições envolvendo o uirapuru, que durante muito tempo teve um lugar privilegiado em nosso país, mas que hoje se encontra quase que totalmente esquecido. Eis algumas:

  • Aquele que obtiver uma pena terá muita sorte na vida.
  • Quem conseguir um pedaço de seu ninho terá o amor da pessoa amada pelo resto da vida.
  • Quem ouvir seu canto deverá fazer um pedido imediatamente, e será atendido.
  • Guardar qualquer parte da ave traz sorte nos negócios.
  • A companhia de um uirapuru empalhado traz muita sorte na vida e, especialmente, no amor.

Mitos de mau gosto, especialmente os dois últimos, e de extrema gravidade, pois têm sido responsáveis pela extinção da ave, ao lado do desmatamento.

Lenda sobre o uirapuru

 Certa vez um jovem e valente guerreiro acabou se apaixonado pela esposa de um grande cacique, mas como não podia se aproximar dela, fez um pedido a Tupã, que não exatamente um Deus, mas sim uma manifestação divina representada pelo trovão, que transformou o jovem guerreiro num pássaro chamado Uirapuru e assim a noite ele se aproximava de sua amada e cantava para ela.

Entretanto, seu maravilhoso canto também chamou a atenção do cacique, que fascinado ficou e assim certo dia perseguiu o Uirapuru para capturá-lo e desta forma obter a canção somente pra ele, mas o pássaro rapidamente se escondeu em meio à escuridão da floresta e foi por lá que o cacique acabou se perdendo e desaparecendo. Assim Uirapuru, continuou a cantar para sua amada na esperança de que um dia ela percebesse o grande amor do jovem guerreiro. O mito transformou o Uirapuru num amuleto, e onde ele canta proporciona felicidade no amor e também boa caça e fartura.

Fontes de pesquisa:
Wikipédia
www.tvsinopse.kinghost.net

(*) Imagens copiadas de www.tvsinopse.kinghost.net

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Michelangelo – MOISÉS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Conta-se que após terminar de esculpir a estátua de Moisés, Michelangelo passou por um momento de alucinação diante da beleza da escultura. Bateu com um martelo na estátua e começou a gritar: Perché non parli? (Por que não falas?) (Wikipedia)

Visito diariamente o Moisés, e acho que poderia escrever umas poucas palavras sobre ele. Ao longo de três semanas solitárias de setembro, detive-me diariamente na igreja diante da estátua, estudei-a, medi-a, sondei-a, até que me veio a compreensão que só ousei expressar no papel anonimamente.  (Freud)

Moisés é uma das esculturas realizada pelo genial Michelangelo, para adornar o mausoléu de Júlio II. Esta obra, juntamente com a Pietà do Vaticano e Davi, constitui o ponto mais alto da arte escultural do artista. Embora fosse o sonho de Michelangelo terminar a monumental sepultura do papa, apenas a gigantesca estátua de Moisés de 2,35 de altura foi colocada no túmulo, o suficiente para dar ao monumento grande destaque e fama.

Moisés — profeta israelita da Tribo de Levi — encontra-se grandioso e solene,  sentado, segurando com o braço direito as duas Tábuas da Lei contendo os Dez Mandamentos ou Decálogo, enquanto o braço esquerdo descansa no seu colo. Os dois chifres, representados em sua cabeça, simbolizam os dois raios de luz que a cingem, ao descer do Monte Sinai. Com a cabeça virada para a esquerda, ele tem o olhar perdido ao longe, buscando pela figura de Deus. Sua longa e farta barba desce-lhe pelo tronco, sendo tocada por sua mão direita. Seu pé direito apoia-se firmemente no chão, enquanto o esquerdo apoia-se no chão apenas parcialmente, segurando a perna levantada. Ele se encontra elegantemente vestido, tendo suas vestes dobraduras perfeitas, com destaque para uma delicada tela que lhe cobre a perna direita.

Michelangelo entregou a estátua totalmente acabada, tendo todas as suas partes polidas, incluindo os detalhes, além de ter apresentado uma anatomia perfeita. A escultura fica na Basílica de San Pietro in Vincoli, Roma. Segundo alguns estudiosos de arte, Michelangelo retrata o momento em que o profeta deixa o Monte Sinai, com as tábuas da lei nos braços e depara-se com seu povo adorando um bezerro de ouro. Mas o psicanalista Freud acredita que se trata do momento em que Moisés consegue controlar a sua ira e, em vez de quebrar as Tábuas da Lei, mantém-se calmo e comedido. Freud diz:

“Dessa maneira, [Michelangelo] acrescentou algo de novo e mais humano à figura de Moisés; de modo que a estrutura gigantesca, com a sua tremenda forca física, torna-se apenas a expressão concreta da mais alta realização mental que é possível a um homem, ou seja, combater com êxito uma paixão interior pelo amor de uma causa a que se devotou”.

Curiosidade:
Ao observar a estátua é possível perceber que Moisés tem um par de chifres na cabeça, logo acima dos olhos, nascendo por baixo dos seus cabelos. A explicação para isso pode estar na tradução errada de “karan” (cornos) em vez de “keren” (raios de luz), feita por São Jerônimo para o latim.

Ficha técnica:
Data: 1515
Material: mármore
Altura: 2,35 m
Localização: Basílica de San Pietro in Vincoli

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural

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A Rev. dos Bichos (5) – A MONTANHA DE AÇÚCAR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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No texto passado, eu lhes contei que dentre os animais da Granja do Solar encontrava-se Moisés, o corvo de estimação da família do senhor Jones que sequer teve interesse em comparecer à reunião convocada pelo Major. Mas ele tinha motivos para isso: não queria que o seu “status quo” mudasse. Mas a vida é assim mesmo, pois, sempre existirão aqueles que lutam de unhas e dentes para que as coisas não mudem para todos, com medo de que possam perder o lugar privilegiado que ocupam e se tornem um igual. Tais indivíduos habitam, sobretudo, no mundo da política, onde deitam e rolam. Moisés era, portanto, alguém que vestia a camisa do patrão, ainda que visse o quanto seus companheiros de granja eram escravizados. Mas aquilo não lhe doía a consciência, embaçada que estava pela posição ocupada junto ao dono, não deixando de receber, de certa forma, os respingos do poder. E tais migalhas já lhe inflavam o ego que aguardava por mais, muito mais. O que lhe importava os outros bichos? Afinal, para ele, cada um consegue o que merece. Velha cantilena dos que estão por cima.

Embora não fosse político, Moisés sabia que se a revolução proposta pelo Major a seus companheiros desse certo, ele passaria a ser apenas um deles, sem as deferências que lhe eram dadas até então. E como é difícil abrir mão dessa atenção que traz o poder! O único meio para lutar contra algo que poderia mudar drasticamente sua vida, embora fosse melhorar a de todos, seria espalhar uma mentira. Era certo que alguns bichos não acreditariam, mas existem sempre aqueles que não se informam sobre a veracidade dos fatos, e não apenas abraçam a mentira, mas a repassam como se verdade fosse. Portanto, iria remexer nas ideias e de lá tirar algo que pudesse mudar o rumo dos acontecimentos. Não poderia ficar de asas cruzadas, esperando as coisas acontecerem. E há muito ouvira falar que o mundo era dos espertos. E, até provar em contrário, ele era um deles.

Moisés, o espião mexeriqueiro e ladino, que só ficava contando potocas, sem jamais fazer coisa alguma, teve um plano, ainda que estrambótico: começou a espalhar que após a morte, os bichos iam para um lugar fantástico, onde se encontrava uma Montanha de Açúcar. Tal lugar situava-se num certo canto do céu, logo depois das nuvens. Ali não havia os dias da semana, mas somente o domingo. Tudo era permanente: campos floridos, bolos de linhaça, torrões de açúcar e coisa e tal. E, como pensara, alguns ingênuos caíram na sua parolagem, tendo os porcos que suar o focinho para convencê-los de que aquilo era mentira. Trocando em miúdos, ele queria dizer que não importava o sofrimento terreno, pois o céu maravilhoso compensaria os animais por tudo. Que lutar aqui na Terra seria perda de tempo. O melhor seria deixar as coisas como estavam, aguardando apenas o prêmio eterno.

Moisés, se nos dias de hoje vivesse, estaria habilitado a dirigir muitas seitas religiosas, cujos mandachuvas vivem no bem bom, enquanto aconselham seus fiéis a aceitarem a miserabilidade e todas as injustiças do mundo, isso quando não lhes tiram tudo, enquanto aguardam os louros da eternidade. Por que não viver bem aqui e lá?

Façamos uma reflexão sobre os tais “especiais”, que pululam em todos os terreiros, enquanto aguardamos um novo capítulo.

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Michelangelo – DAVI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É certo que as partes da arquitetura têm relação com as partes do homem. Quem não sabe reproduzir a figura humana e não é especialista em anatomia também não entenderá de arquitetura. (Michelangelo)

O jovem artista ficou profundamente impressionado ante a vista de todas aquelas rochas de mármore de Carrara, as quais pareciam esperar pelo seu cinzel para se converterem em estátuas como jamais o mundo vira. ] …] Queria libertar as figuras do cerne das pedras, onde estavam adormecidas. (E.H. Gombrich)

A pedra marmórea, da qual Michelangelo fez nascer seu Davi, já havia sido fustigada por outros escultores, dentre eles Agostino de Duccio que a abandonou por sentir-se incapaz de esculpi-la. Foi então que a Irmandade de Santa Maria del Fiore — dona do bloco de mármore —  repassou a Michelangelo a tarefa de dar vida ao herói hebreu, Davi, tomando Hércules como inspiração, para que se transformasse no símbolo das virtudes da cidade de Florença.

Outros escultores já haviam esculpido Davi, tais como Donatello e Verrochio, mas foi Michelangelo o responsável por uma das mais belas e perfeitas estátuas do jovem herói, considerada uma obra-prima da história da arte. Nas obras de Donatello e Verrochio, Davi é retratado sobre a cabeça decepada de Golias, ao contrário da obra de Michelangelo, esculpida como se ele estivesse a sondar o inimigo feroz, aguardando o momento certo para usar a sua funda contra ele.

O Davi de Michelangelo carrega um semblante franzido e olhos perscrutadores, misto de força e ira. Seu rosto não denota nenhum temor, confiante que está na sua vitória. Ao virar sua cabeça para a esquerda, a tensão ressalta os músculos do pescoço. Seu olhar firme, sobrancelhas contraídas e os lábios fechados mostram a máxima concentração em que se encontra. A tensão da mão esquerda que se levanta até o ombro e prende a funda com os dedos flexionados mostra que ele está pronto para atirar a pedra contra o gigante. O braço direito está estendido ao longo do flanco e a mão oculta em sua palma a pedra, que será atirada contra o feroz inimigo. Maravilhosamente trabalhada, a mão direita mostra detalhes realistas: a unha do polegar, os nós dos dedos, as veias salientes e as articulações flexionadas do pulso (imagem menor). Os músculos abdominais também são magistralmente trabalhados.

Davi, com seu belo corpo nu de músculos e veias visíveis, foi chamado de o “gigante” pelo povo de Florença. E, embora sua pose seja ereta, concebida para a visão frontal, não há rigidez nela. O tronco tem uma ligeira inclinação, estando o ombro esquerdo um pouco mais alto do que o direito. O rosto do herói está emoldurado por cabelos cacheados e fartas sobrancelhas.

Após a expulsão dos Médici, a estátua de Davi transformou-se no símbolo da República, uma vez que a situação política de Florença era favorável aos republicanos. E, embora uma comissão de artistas famosos, entre os quais se encontravam Botticelli, Andrea della Rubbia e Leonardo da Vinci, tivesse estabelecido que ela fosse colocada na Piazza della Signoria, pois suas gigantescas dimensões tornavam inviável sua permanência num lugar fechado, foi necessária a sua transferência para a Galleria dell’Academia em 1873 em razão da degradação do mármore. No seu lugar foi colocada uma réplica.

Curiosidade:

Davi, herói bíblico, é retratado por Michelangelo com impressionante realismo anatômico, sendo extraído de um único bloco de mármore. À época a estátua teve que contar com um corpo de vigilância para protegê-la contra a raiva dos difamadores.

Ficha técnica:
Data: 1501 – 1504
Altura: 4,34 m
Material: mármore
Localização: Galleria della Academia. Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural

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