A Rev. dos Bichos (4) – ANIMALISMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Vimos no texto anterior que o Major era um grande idealista que conclamava seus companheiros a lutarem contra a escravidão imposta pelo Homem aos animais, ainda que a liberdade durasse um século para chegar. Mas, para infelicidade de todos os bichos da Granja do Solar, o velho sábio morreu dormindo, três dias depois da convocação. Contudo, deixara plantada no coração de cada um a semente da liberdade.

A maioria dos animais concluiu que não poderia deixar o ideal de uma nova perspectiva de vida, tão ardorosamente defendida pelo velho mestre, morrer. Eu digo “a maioria”, porque sempre existem aqueles indivíduos omissos que, ou esperam que os outros façam a parte deles, ou põem água na fervura, tentando justificar a vida que levam, passando-se por vítimas, quando não se posicionam ao lado daqueles que os escravizam. São os tipos mesquinhos encontrados por todos os cantos deste planeta, e não é de se surpreender que também existissem na Granja do Solar. Conheça o leitor algumas das desculpas esfarrapadas apresentadas pelos tais:

  • Se seu Jones nos deixar, estaremos fadados a morrer de fome.
  • Continuará existindo açúcar depois da revolução?
  • Já que a liberdade poderá levar até um século para chegar, o que nos importa lutar por ela, se só vai acontecer após nossa partida deste mundo? Não ganharemos nada com isso.
  • Se essa revolução vai acontecer de qualquer jeito, tanto faz fazermos parte dela ou não.

Apesar da presença de uns poucos negligentes, caiu sobre os porcos, tidos como os mais preparados e inteligentes dentre os animais, a tarefa de dar continuidade aos planos da revolução. Dentre eles, estavam dois varrões, os únicos que não foram castrados: Bola de Neve e Napoleão. Enquanto o primeiro gozava de bom conceito entre os companheiros, apesar se sua aparência amedrontadora, o segundo não era visto com bons olhos, pois achavam que lhe faltava caráter. Também não posso me esquecer de Garganta, um porquinho gorducho e serelepe, que manejava a palavra com maestria e, era tão convincente, capaz de fazer acreditar que o preto era branco.

Os três personagens acima foram os responsáveis por organizar os ensinamentos deixados pelo Major, cujo conjunto veio a receber o nome de Animalismo. As reuniões continuavam a todo vapor, mal o granjeiro Jones caía no sono. Bola de Neve até se aproveitou de uma conversa com Mimosa, a égua fútil e vaidosa, para ensinar ao grupo como a escravidão pode imperar sem que percebamos, quando ela lhe questionou:

Depois da revolução eu poderei usar meus laços de fita? – indagou Mimosa.

Camarada Mimosa, os laços de fita que tanto lhe agradam, nada mais são do que as marcas de sua escravidão. A liberdade é muito mais importante do que um laço de fita – rematou Bola de Neve.

Palavras sábias do novo líder, pois foi ganhando espelhos e outros penduricalhos que os índios das Américas deixaram-se escravizar pelos invasores, embora muitas tribos tenham combatido até o último suspiro. E é também com salários de fome e a destruição de suas riquezas naturais, que trabalhadores de países pobres enriquecem os industriais do chamado Primeiro Mundo. Mas, quando se tem a noção de que se é escravizado e nada se faz, toma corpo a omissão, o pior de todos os males, porque embota a razão e faz cruzar os braços, tornando o escravocrata ainda mais forte. Vemos isso no mundo de hoje, em que se busca o lucro a qualquer preço e os valores éticos são tidos como ultrapassados.

Perdoem-me o hiato, mas é que fiquei tocada com as palavras de Bola de Neve. E, como se não tivesse nada mais a ser resolvido entre os animais, de modo que todos empunhassem a mesma bandeira, Moisés, o corvo de estimação da família do senhor Jones, espião e bajulador hábil, não querendo perder as benesses que recebia, caso mudassem as regras, achou por bem espalhar uma mentira. Mas isso veremos no próximo capítulo.

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

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EFEITO SANFONA E RETENÇÃO DE LÍQUIDO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Retenção de líquido

Não há sensação pior do que a de ter ganhado alguns quilos extras do dia para a noite. Esta é uma queixa bastante comum entre as mulheres. Mas nem sempre esse aumento de peso significa excesso de gordura no corpo. A culpa pelo inchaço repentino pode ser da retenção de líquidos pelo organismo, que acaba causando um breve, porém indesejado, “efeito sanfona”.

O que muita gente não sabe é que uma pessoa pode ganhar de 1 a 2 kg durante o dia por conta da retenção de líquidos. Inúmeros são os fatores que levam a esse aumento de peso, bastante evidente nas mulheres na época que antecede a menstruação. A retenção de líquidos, além de na TPM, pode também ocorrer em diversas situações clínicas e, portanto, as mesmas devem ser investigadas. As causas orgânicas ligadas à retenção hídrica podem ser causadas por problemas:

  • renais,
  • cardíacos,
  • hormonais
  • ou vasculares.

A insuficiência renal pode provocar edema por uma deficiência dos rins em eliminar água, enquanto a insuficiência cardíaca, por dificuldade do órgão no bombeamento sanguíneo adequado. Além disso, problemas de funcionamento da tireoide, insuficiências venosas e linfáticas também podem causar edemas.

Estresse

É de extrema importância saber do nível de estresse emocional da pessoa. Quanto maior é o grau de estresse, maior é a liberação de cortisol na circulação, que é um hormônio que aumenta a retenção de líquidos. A mensuração do cortisol pode ser feita por simples coleta de sangue ou saliva e medida em laboratório.

Excluindo as causa orgânicas, as queixas de retenção de líquidos geralmente refletem um desconforto corporal relacionado ao excesso de peso, sedentarismo, má alimentação e dificuldade de retorno venoso e/ou linfático.

Os locais onde ocorre uma maior evidência desse inchaço são mãos, pernas e glúteos, porém, há pessoas que apresentam retenção hídrica generalizada, sentindo-se também inchadas nas mamas e na barriga. Além do inchaço, a retenção de líquidos pode apresentar outros sintomas como:

  • dores de cabeça,
  • pressão alta
  • vista embaçada,
  • além, é claro, do temido ganho de peso corporal.

Dietas com excesso de sal, ricas em proteína animal e baixa ingestão hídrica podem piorar os sintomas. Por isso, se faz necessário uma dieta balanceada para a melhora dos sintomas.

Cuidados

Sumarizando, a retenção de líquidos pode ser amenizada observando-se alguns pontos:

  • reveja sua dieta, reduzindo o consumo de sal e de proteínas animais, além de aumentar o consumo de água;
  • a prática de exercícios físicos contribui para uma melhora geral da circulação e, portanto, na mobilização dos líquidos;
  • a drenagem linfática é bastante útil, principalmente durante o período pré-menstrual, ajudando a eliminar líquidos e toxinas;
  • em caso de grande retenção hídrica, com grande incômodo para a pessoa, faz-se necessário uma consulta médica para uma análise detalhada e tratamento individualizado.

É muito comum vermos também, nesses casos, o hábito da automedicação com diuréticos. Sem um acompanhamento médico, isso pode acarretar problemas de saúde a médio e longo prazo. Pense nisso!

(*) Imagem copiada de www.abril.com.br

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Michelangelo – TONDO DONI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Esta pintura foi encomendada a Michelangelo, em 1500, por um florentino de nome Agnolo Doni, por ocasião de seu casamento com Madalena Strozzi. O nome da obra, portanto, refere-se ao formato do quadro (tondo: redondo, circular) e ao sobrenome do cliente. A pintura é também conhecida como uma das primeiras obras pictóricas do artista.

Trata-se de uma composição complexa, com cores vibrantes e figuras monumentais. É tida como uma das obras-primas da arte ocidental. Nela não existe nada a lembrar-nos de que se trata de uma arte sacra. O pintor usou a forma piramidal, em vez de triangular, para resolver os problemas da corporalidade e do movimento das figuras, centralizando a Sagrada Família na composição. A obra foi executada como se fosse uma escultura, como se as figuras tivessem sido esculpidas num bloco de mármore.

O tema da obra é a Sagrada Família, que está unida de modo a criar uma composição viva. Em primeiro plano, a Virgem Maria, com os braços nus, levanta seu vigoroso Menino, usando uma torção difícil, para repassá-lo a seu esposo São José, que se mostra bem envelhecido, com suas longas barbas brancas e escassos cabelos, contrastando com a juventude exuberante da Virgem.

Próximo ao muro, entre a Sagrada Família e os nus, está o pequenino João Batista, quase esboçado, com suas vestes de pele de ovelha, segurando um galho seco, como se separasse o mundo pagão do divino, olhando extasiado para a Virgem Maria, São José e o Menino. Sua presença na pintura lembra que ele é o percussor da salvação, que virá através de Jesus Cristo.

Ao fundo está um grupo de cinco nus esculturais, que exibem belos músculos e apresentam luz sobre a superfície do corpo. Alguns críticos interpretam-nos como um grupo de neófitos, já despidos, esperando pelo sacramento do batismo. O fato é que a presença dos nus tem sido interpretada de maneiras diferentes. Para alguns, tratam-se de símbolos pagãos, simbolizando o mundo clássico, antes da chegada do Salvador, enquanto para outros tratam-se de figuras angelicais. Dizem também se tratar de figuras proféticas, anunciando a chegada da Igreja, que é simbolizada pela Virgem Mãe e São José, enquanto o Menino simbolizaria o mundo sob a graça de Deus. E São João Batista simbolizaria a união entre o mundo clássico e o cristão.

A Virgem é a figura mais volumosa da obra. Sua cabeça esta voltada para a direita, em direção ao filho, que brinca despreocupadamente com seus cabelos. São José, agachado, traz o corpo inclinado para a direita, com uma perna dobrada e a outra espichada. Ao longe, podem-se ver montanhas e um rio, possivelmente uma referência ao rio Jordão. O uso das cores vermelha, azul e amarela, matizadas nas zonas de intensa claridade, provocando diferenças tonais, será mais tarde vista nos maravilhosos afrescos da Capela Sistina.

Ficha técnica:
Data: c. 1504 -1506
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 120 cm de diâmetro
Localização: Galeria dos Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural

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A Rev. dos Bichos (3) – O MAJOR E SUA PRELEÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Major, personagem central de nossa história, era o maior idealista da Granja do Solar. Até quando dormia, sonhava com um mundo melhor para si e para seus companheiros. Ele tinha consciência da finitude da vida e principalmente da sua própria, pois, os 12 anos de vida já lhe pesavam nas costas volumosas. Aprendera muita coisa com o mundo e já era hora de transmitir tais conhecimentos a seus amigos. Preocupava-o, sobretudo, a miséria e a escravidão a que eram submetidos os animais, não apenas naquela granja, mas em todo o país. Assim, na reunião convocada para conversar com os companheiros de granja, passou a desfiar todas as agruras da vida desprezível, custosa e breve de que eram vítimas:

  • A alimentação insuficiente recebida, apenas para não morrem de fome.
  • O tratamento indigno dado pelo dono da granja a todos eles.
  • O excesso de trabalho impingido aos que ainda conseguiam trabalhar.
  • O tratamento cruel dado aos que não mais tinham utilidade.
  • O país tinha todas as condições para dar aos animais uma condição de vida decente, portanto, não poderiam aceitar aquela vida miserável.

O Major já tinha chegado à conclusão sobre o motivo da vida abjeta que levavam, pois nada acontece sem que haja uma causa. O responsável pelo sofrimento de todos os animais era o bicho mais cruel que havia sobre a Terra: o Homem. Eliminando-o, eliminaria a fome e o excesso de trabalho de que eram vítimas. E para que alguns não pensassem que ele era um inconsequente, enumerou os motivos que o levaram a tal conclusão em relação ao inimigo:

  • Roubava todos os produtos gerados pelos animais.
  • Consumia praticamente tudo sem produzir nada.
  • Não botava ovos ou dava leite, e ainda era fraco para conduzir o arado.

O Major continuou a desfiar a crueza do Homem no tratamento dado aos bichos:

  • Achava-se o dono do mundo e, principalmente, dos animais.
  • Usufruía de tudo que eles conseguiam com o suor de seus corpos, mas lhes dava em troca apenas o suficiente para que não morressem de definhamento.
  • Até o estrume que produziam servia para enriquecer o solo, mas apenas possuíam a pele que lhes revestia o corpo, e ainda maltratada.
  • As vacas, por exemplo, produziam leite para alimentar o filho do Homem, enquanto seus bezerros ficavam malnutridos.
  • As galinhas botavam seus ovos com a finalidade de gerar pintinhos, mas a maioria era comida pelo Homem.
  • As éguas veem seus potrinhos serem vendidos, ainda em tenra idade, quando poderiam tê-los na velhice para lhes dar conforto e alegria.

O Major deu um longo suspiro, calou-se por alguns segundos, com todos aqueles olhos voltados para ele, com a certeza de que o mais cruel ainda não fora dito, para depois retomar seu discurso:

  • A vida dos animais quase nunca chegava ao fim de forma natural.
  • Ele ainda estava com vida, é verdade, talvez em razão de sua linhagem, pois já era pai de mais de 400 filhos, coisa normal a um barrão. Mas tinha a certeza de que aqueles jovens leitões ali, não demorariam a guinchar num cepo.
  • E não seriam apenas os porcos a serem imolados, mas também as vacas, as ovelhas, as galinhas e outros tantos animais.
  • A atrocidade era tamanha, que nem mesmo cavalos e cachorros escapavam do holocausto, bastando que perdessem a rigidez dos músculos.
  • O velho Jones mandava decapitar os cavalos velhos e cansados e os preparar para servir de alimento a seus cães de caça.
  • Quanto aos cachorros, eram jogados no fundo de uma lagoa, com uma pedra no pescoço.
  • O que acontecia ali na granja, também acontecia em todo o país, com seus irmãos.

A última fala do Major deixou todos os animais com o pelo eriçado. Aqueles que ainda eram muito jovens, tremiam, e os novinhos encolhiam-se junto aos corpos dos pais, amedrontados. O que fazer para se livrar de vida tão covarde e daquele deplorável destino? O orador tinha a solução:

  • Para combater a tirania do homem, bastava se livrar dele. Isso era claro como o sol que alumia o dia.
  • O fruto do trabalho seria apenas deles, o que era mais que justo. Seriam ricos e libertos.
  • Era preciso trabalhar sem trégua, de corpo e alma, para combater o inimigo. Em suma, teriam que iniciar uma revolução, não importando quanto tempo durasse.
  • Sua mensagem deveria ser transmitida a todos os animais, de modo que os mais novos repassassem-na às gerações mais novas, e assim indefinidamente, pois a consciência da necessidade de lutar conduziria à vitória, ainda que fosse daí a um século.

O Major alertou seus comandados para os perigos mais comuns:

  • Jamais acreditem que o homem e os animais possuem os mesmos interesses.
  • A prosperidade de um jamais será a prosperidade do outro.
  • Os únicos interesses perseguidos pelo homem são os seus próprios.
  • Somente a união indissolúvel entre os animais poderá levar à vitória.
  • Todos os homens são nossos inimigos e seus hábitos são maus.
  • Todos os animais, quaisquer que sejam eles, são nossos irmãos.
  • Ao lutarmos contra o homem, jamais devemos ser iguais a ele.
  • Quando o derrotarmos, salvaguardemo-nos de seus vícios, tais como: morar em casas, dormir em camas, usar roupas, fazer uso de bebidas alcoólicas, fumar, usar dinheiro ou fazer negócios.
  • Um animal jamais deverá tiranizar outro, pois, todos são iguais.

As palavras finais do Major resumiram bem como deveria ser a compreensão dos animais, se quisessem algum dia derrotar o Homem:

– Qualquer indivíduo que caminhe sobre duas pernas é nosso inimigo, mas qualquer indivíduo que caminhe sobre quatro pernas, ou tenha asas, é nosso amigo.

Lograrão êxito os animais na sua revolução? Isso é o que veremos a seguir.

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

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DOMINE A FERA DA ENXAQUECA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Existem centenas de causas de dores de cabeça e a enxaqueca é a sua máxima expressão. Ela se caracteriza pela presença de cefaleias recorrentes, uni ou bilaterais, geralmente de caráter pulsátil, com intensidade de moderada a intensa, podendo ser acompanhada de náuseas, vômitos, intolerância aos barulhos, luz e cheiros fortes.

Apesar de ser de natureza incerta, acredita-se que a causa da enxaqueca seja multifatorial, apresentando um caráter hereditário. Estudos demonstram que pacientes com esta patologia apresentam um desequilíbrio de neurotransmissores, o que acarreta uma dilatação das artérias cerebrais, dando início aos sintomas.

O diagnóstico da enxaqueca é eminentemente clínico, com um histórico bem detalhado associado a um exame físico e neurológico completos. Eventualmente, pode ser necessária a realização de exames complementares, como ressonância magnética de crânio e o eletroencefalograma.

As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por inúmeros fatores como:

  • estresse físico e emocional,
  • insônia,
  • alterações hormonais súbitas, como ocorrem no período pré-menstrual,
  • ingestão de inúmeros alimentos como: bebidas alcoólicas, produtos lácteos, embutidos em geral, chocolate, amendoim, adoçantes que contêm aspartame, entre vários outros.

O que observo comumente no consultório é que vários pacientes, que têm o problema, estão em uso das medicações para reduzir as crises e/ou abortá-las. Porém, poucos são os que se preocupam em detectar as possíveis causas que desencadeiam as mesmas. Qual foi gatilho? O que levou a iniciar aquela crise? Iniciou uma leve “dor de cabeça” e imediatamente lança mão do analgésico? Se a resposta for sim, é importante ressaltar que uma das causas de cefaleia crônica é justamente o uso crônico e indiscriminado destas substâncias. Portanto, se você é daquelas pessoas que andam carregando a neosaldina ou outro analgésico similar na bolsa, e os usa com muita frequência, algo de errado deve estar ocorrendo. A automedicação, sem um acompanhamento, é muito comum e errada. Quem tem enxaqueca deve buscar de forma insistente, junto a seu médico, as possíveis causas desencadeantes.

Combate à enxaqueca

O tratamento da enxaqueca é também individualizado. Deve-se olhar atentamente caso a caso. As medicações para abortar as crises são importantes, porém, uma ação conjunta e coordenada de alterações dos hábitos alimentares, de uma adequada “higiene” do sono, equilíbrio das funções hormonais e atividades físicas são de suma importância. Como citado, a alimentação é ponto crucial para controle de uma boa parcela das crises. Tem-se observado um aumento crescente de pessoas com este mal. Nossa atual dieta, baseada em uma alimentação rica em carboidratos, com produtos refinados, conservantes e aditivos químicos está intimamente ligada a um percentual elevado das crises. Nós somos únicos e, portanto, com sensibilidades químicas diferentes. Por exemplo, um determinado alimento que faz bem para uma pessoa pode ser desencadeante de enxaqueca para outra.

Dê a devida importância à sua alimentação. Nós somos, literalmente, aquilo que comemos. Melhorando sua enxaqueca, você certamente irá melhorar seu humor, sua retenção de líquidos, os sintomas da TPM, etc. Com certeza sua qualidade de vida será outra. Acredite!

(*) Imagem copiada de receitasdetodososdias.blogspot.com

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A Rev. dos Bichos (2) – PERSONAGENS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Houve um tempo em que os bichos não apenas falavam, como refletiam acerca da vida que levavam, e também se revoltavam contra os maus-tratos que lhes impingiam os humanos, pois, tudo que é vivo sente dor, aflição e anseia por uma vida melhor, quer seja gente, bicho ou planta. Portanto, não foi à toa que os animais da Granja do Solar, pertencente ao Sr. Jones, num dia em que o dono bebera mais do que poderiam suportar seus sentidos, a ponto de se esquecer de fechar as vigias dos galpões da granja, iniciaram uma revolta, conhecida em todo o mundo como “A Revolução dos Bichos”.

É de conhecimento de todos que, em quaisquer que sejam as sociedades do passado, do presento e do futuro, existiram, existem e existirão sempre os idealistas que, ao contrário dos ególatras, sonham com um mundo melhor para todos. São eles que exercem um papel de suma importância na história do nosso planeta, pois, através de suas buscas e lutas permanentes, contribuem para o progresso do mundo. São os filósofos de um tempo. Possuem uma fé inabalável no valor da vida e no poder da razão, ainda que alguns os chamem de sonhadores. Mas não são os sonhos vislumbres das possibilidades? E o Major, personagem central de nossa história, era o maior idealista da Granja do Solar, pois, até quando dormia, sonhava com um mundo melhor para si e para os companheiros. Tinha consciência da finitude da vida e, principalmente, da sua própria, pois, os 12 anos de vida já lhe pesavam nas volumosas costas. Se já não podia sonhar muito para si, ainda assim sonhava para os outros.

O Major, naquela noite, encontrava-se ansioso para contar seu sonho aos companheiros da granja.  O encontro já estava marcado. Seria no celeiro. E foi assim que, aboletado na sua cama de palha, passou a receber os convidados que iam chegando aos bandos: os cachorros, nominados de Ferrabrás, Lulu e Cata-Vento, os porcos, as galinhas, as pombas, as ovelhas, as vacas, os dois cavalos Sansão e Quitéria acompanhados pelo mais novo potrinho, a cabra Maricota, o burro Benjamim, um bando de pintinhos órfãos, a égua branca Mimosa e o gato. Somente se encontrava ausente o corvo Moisés que estava dormindo em outro lugar.

Antes de prosseguirmos na nossa história, faz-se necessário que conheçamos um pouco da vida de alguns dos personagens, pois bicho é como gente e tem também suas características específicas.

Major – já nos seus 12 anos de idade, era um porco muito estimado pelos companheiros da Granja do Solar. Era um animal sensível e cheio de sabedoria.  Na sua juventude ganhara o primeiro lugar numa exposição, sendo visto com orgulho por todos os companheiros.

Sansão e Quitéria – eram dois cavalos de tração da granja. A égua Quitéria já se encontrava na meia-idade, enquanto seu companheiro era alto e forte, capaz de fazer o trabalho de dois cavalos. Não se pode dizer que ele fosse inteligente, mas, o mais importante carregava dentro de si: bom caráter e aptidão para o trabalho, o que atraia o respeito dos companheiros.

Bejamim – o burro era o animal mais velho da fazenda. O que tinha em idade, também carregava em equilíbrio e seriedade. Ninguém nunca o vira rindo. Taciturno, vez ou outra soltava um discorrimento irônico. Era, sobretudo, um grande observador. Percebia-se que nutria certo afeto pelo cavalo Sansão.

Mimosa – a égua branca era enfunada e frívola, cujo interesse era chamar a atenção, talvez porque fosse responsável por puxar a carruagem do patrão ou nascera assim mesmo, sem a massa cinzenta necessária para compreender com mais clareza a real importância da vida.

Bola de Neve – era um reprodutor suíno, cuja aparência metia medo, além de ser caladão; porém, tinha fama de ser responsável e cheio de força de vontade, gozando do respeito de todos, o que prova que não se pode julgar até mesmo um bicho só pela cara.

Napoleão – outro porco, tinha muitas ideias, era muito falante, mas não tinha boa reputação entre os animais, pois nunca demonstrara que a ética fazia parte de seus princípios. Suas palavras não coadunavam com as suas ações.

Garganta – era um porco gorducho, agitado, falava bem, e tinha grande poder de convencimento, mas se via com clareza que não transmitia o que realmente pensava, mas o que lhe trazia benefício.

Os demais personagens da Granja do Solar serão conhecidos à medida que a história for tomando forma, pois todos eles possuem a sua devida importância na Revolução que ora passa a tomar corpo.

Fonte de pesquisa:
A Revolução dos Bichos/ George Orwell

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