Mestres da Pintura – MICHELANGELO BUONARROTI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A boa pintura aproxima-se de Deus e se une a Ele… Não é mais do que uma cópia de suas perfeições, uma sombra do seu pincel, sua música, sua melodia… Por isso, não basta que o pintor seja um grande e hábil mestres de seu ofício. Penso ser mais importantes a pureza e a santidade de sua vida, tanto quanto possível, a fim de que o Espírito Santo guie seus pensamentos. (Michelangelo)

Em cada bloco de mármore vejo uma estátua; vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente, moldada e perfeita na pose e no efeito. Tenho apenas de desbastar as paredes brutas que aprisionam a adorável aparição para revelá-la a outros olhos como os meus já a veem (Michelangelo).

Realizou suas próprias pesquisas se anatomia humana, dissecou cadáveres e desenhou com modelos, até que a figura humana deixou de ter para ele qualquer segredo. Em pouco tempo não havia postura nem movimento que ele achasse difícil desenhar. (Prof. E. H. Gombrich)

Observei o anjo gravado no mármore, até que eu o libertasse. (Michelangelo)

O escultor, arquiteto e pintor italiano Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564), ao lado de Leonardo da Vinci e Rafael Sanzio, ocupa um dos mais altos postos na pintura renascentista. É também um dos gênios da escultura em todos os tempos.

Michelangelo Buonarroti nasceu em Caprese, perto de Florença, numa família de velha e conhecida estirpe florentina. Seu pai, Ludovico Buonarroti, era um homem extremamente agressivo, tido como temente a Deus. Sua mãe, Francesca, faleceu quando o futuro gênio tinha apenas seis anos, deixando cinco filhos, sendo Michelangelo o segundo deles. Após a morte da mãe, o garoto passou para os cuidados de uma ama de leite, esposa e filha de marmoristas. Poderia isso ter contribuído para a sua vocação de escultor? Possivelmente contribuiu para aflorar seu talento. O próprio artista disse que junto ao leite da ama estava o germe de sua futura vocação.

Na escola, o pequeno Michelangelo não se interessava pelas matérias do Trivium (gramática, retórica e dialética), sempre voltado para a feitura de desenhos e esboços, o que lhe custava muitos castigos de sua família tradicional, para quem a presença de um artista em seu seio era desmoralizante. A profissão de pintor era de baixa consideração social e o senhor Ludovico desejava para seus filhos profissões ilustres. Por isso, o garoto era surrado pelo pai e pelos irmãos desse, para que não se enveredasse pelos caminhos da arte. Mas aos 13 anos o adolescente obstinado e de caráter forte conseguiu permissão do pai para ficar como aprendiz no estúdio de Domenico Guilandaio, tido como um mestre da pintura em Florença. A contragosto o pai aceitou atender a vontade do filho.

Com Domenico Michelangelo apreendeu a técnica de pintura de afrescos, tornando-se um exímio desenhista. Ali fez cópias de Giotto e também de Masaccio, de quem admirava os afrescos da Igreja de Carmine de Florença. Mas o garoto não demorou a entrar em contendas com os colegas e o mestre, de quem não seguia as recomendações, fazendo os exercícios de acordo com suas próprias ideias.  Irritado com a morosidade do aprendizado e considerando a pintura como uma arte limitada, o garoto permaneceu apenas um ano com o mestre florentino. Dali partiu para a escola de escultura que ficava nos jardins de S. Marcos, mantida por Lourenço, o Magnífico, atraindo para si o interesse do mecenas, um dos homens mais cultos de Florença e que personificava o ideal do homem renascentista, tido como centro do universo e síntese de todas as artes.

Lourenço levou o jovem Michelangelo para seu palácio — ambiente refinado e cultural do Renascimento italiano. Ele se sentiu integrado àquela atmosfera poética e erudita que evocava a grandiosidade da Grécia Antiga, onde o homem era o centro do universo. Passou a viver num ambiente culto, voltado para o humanismo, junto de artistas, poetas, filósofos e burgueses cultos. Dentre esses encontravam-se Pico della Mirandola (erudito e filósofo), Agnelo Poliziano (poeta e humanista) e Marsilo Ficino (filósofo).

No palácio Michelangelo também granjeou os seus primeiros desafetos que não aceitaram o seu temperamento irônico e impaciente, sempre a por em cheque a lerdeza e a limitação dos colegas. Ao criticar o trabalho do colega Torrigiano dei Torrigiani, recebeu um brutal soco no rosto que lhe deformou para sempre o nariz. Tal deformação foi muito dolorosa para ele que tinha a beleza do corpo como a presença divina na passagem do homem pela Terra. Além disso, começou a sentir que no mundo não existia espaço para a sua genialidade.

Quando o jovem completou 15 anos, o monge Savonarola estava em alta com a sua inflamada pregação, berrando aos quatro cantos sobre a ira de Deus prestes a  abater-se sobre Florença. Ao chegar ao governo da cidade, o monge mandou queimar livros e quadros. O jovem artista ficou tão amedrontado com as pregações apocalípticas do religioso, a ponto de questionar-se se a beleza seria um pecado e se os sentidos eram inimigos do espírito divino, como pregava o monge. Savarola também pregava que a arte não podia exibir plenamente o corpo humano, portanto, deveria a arte pagã ser destruída, devendo o artista voltar-se para a arte sacra. Mas, assim que morreu Lourenço, o Magnífico, e com a proximidade da revolução, Michelangelo deixou sua querida Florença, e fugiu para a cidade de Veneza. O religioso foi depois perseguido juntamente com seus seguidores, dentre eles encontrava-se um irmão de Michelangelo. O monge foi queimado.

Embora fosse muito novo, Michelangelo procurou conhecer os escultores gregos e romanos através das obras que se encontravam na biblioteca dos Medici. Também visitou as igrejas de Florença, onde estudou as obras de grandes artistas do passado, tais como Giotto, Donatello, Masacio, Ghiberti, etc, chegando à conclusão de que a escultura era a mais primorosa das artes e que a figura humana já se encontrava na pedra, bastando retirar o excesso para lhe descobrir a alma.

O artista florentino foi uma figura polêmica que viveu numa época conturbada da história de seu país, transitando entre as tensões religiosas, políticas e culturais, sem delas se abster. Para alguns era tido como corajoso, generoso, humilde e racional. Para outros, egoísta, intolerante, megalomaníaco, desajustado e supersticioso. Mas, para todos era um homem solitário, atormentado e apaixonado por tudo que fazia, um gênio de inexaurível capacidade criativa quer como pintor, escultor ou poeta. Era movido pela paixão pela arte, a ponto de chegar ao desespero, pois sua personalidade apaixonada também estava imbuída de uma profunda tristeza e de um pessimismo latente. A melancolia pode ser vista em toda a sua obra, traduzindo sua visão de mundo.

Michelangelo jamais foi compreendido por seus contemporâneos, combatido, sobretudo, por aqueles que invejam a sua genialidade. Ele foi tão genial em sua arte escultórica que suas esculturas chegaram a ser confundidas com obras do passado. Era uma pessoa difícil, solitária e antissocial, não deixando espaço para que as pessoas dele se aproximassem.  De uma feita disse com arrogância: “Não tenho amigos, não preciso deles e nem os quero.”. Apesar disso era uma pessoa triste e depressiva. Morreu aos 89 anos e foi sepultado na sacristia da igreja da Santa Croce de sua querida Florença.

Fontes de pesquisa:
Gênios da Arte/ Girassol
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Grandes Mestres/ Abril Cultural
Renascimento/ Taschen
Tudo sobre Arte/ Sextante
1000 Obras da Pintura Europeia/ Könemann
Os Pintores mais Influentes/ Girassol
Arte em Detalhes/ Publifolha
Góticos e Renascentistas/ Abril Cultural
A História da Arte/ E. H. Gombrich

Nota: Autorretrato – 1506 (foto maior) / Michelangelo representando Heráclito em A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio.

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CONDIMENTOS – UM TOQUE DOS DEUSES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Sou fascinada por cheiros e sabores de tudo que brota da terra, desde o capim cidreira ao pau rosa, do cravo à canela, passando pelo alecrim, pelo manjericão até chegar ao zimbro. No entanto, devo confessar que não sou capaz de manejar os condimentos com um mínimo de precisão. Nunca sei o que usar nesse ou naquele prato. Vou colocando tudo o que encontro à minha volta e o resultado é quase sempre desastroso. Manejar os condimentos é uma arte.

Condimento é a substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta, etc.) que é acrescentada a um alimento (antes, durante ou após o seu preparo ou mesmo na sua degustação), para dar-lhe sabor, aroma ou realçar o seu paladar. A utilização dos condimentos é muito diversificada, de acordo com os hábitos e tradições das mais variadas regiões. A princípio, o sal de cozinha, as ervas e as especiarias foram utilizadas para a conservação dos alimentos, como vimos nas viagens que eram feita às Índias em busca de especiarias, uma vez que não havia outro meio de conservar alimentos como a carne.

A verdade é que são tantas as raízes, caules, folhas, flores, botões, sementes e castanhas existentes nos dias de hoje, que eu me perco nesse emaranhado adorável de cheiros e sabores. Mas imagino que não estou só neste meu desconhecimento imperdoável, para quem mora num país tão divinamente saboroso, cheiroso e colorido. Portanto, nada melhor do que um pouco de conhecimento sobre os temperos:

Açafrão – também chamado de cúrcuma ou açafrão da terra.

Aipo – também conhecido por salsão. Seu sabor é muito concentrado.

Alcaparra – é o botão de uma florzinha encontrada em conserva, geralmente, bem salgada.

Alecrim – folhinha que tem a forma de pequenos galhos, que possui perfume doce e amadeirado. Pode ser usado fresco, seco, macerado ou inteiro.

Alpisce – também conhecido como pimenta-da-jamaica. É um misto de cravo, canela e noz-moscada. Seu sabor é bem exótico.

Alfavaca – folhinha aromática muito parecida com o manjericão, tanto no sabor, quanto no aroma.

Alho – muito usado pelos brasileiros. Seu uso é bem diversificado, pois é muito versátil.

Anis estrelado – é ligeiramente amargo e tem sabor marcante.

Aneto – possui sabor adocicado.

Cardamomo – são pequenas sementes que, após serem retiradas da casca e maceradas, liberam seu aroma e sabor.

Cebola – muito utilizada no nosso país. Possui um forte ácido sulfúrico.

Cerefólio – também chamada de mil-folhas. Seu sabor é meio amargo.

Chilli – designação geral de pimenta. Pode ser também um tempero mexicano à base de pimentas.

Coentro – muito parecido com a salsinha. Possui sabor e cheiro fortes.

Colorau – também conhecido como colorífico ou urucum. Quase não tem sabor.

Cominho – semente de cor marrom-clara que possui um sabor forte e característico.

Cravo – é um tempero de sabor exótico.

Cúrcuma – pertence à mesma família do gengibre. É também conhecida como açafrão da terra.

Endro – semelhante à erva-doce.

Erva-doce – possui um sabor exótico.

Estragão – possui sabor adocicado e marcante.

Gengibre – raiz da família da cúrcuma. Tem um gostinho forte e picante e auxilia na digestão.

Gergelim – possui sabor riquíssimo, próximo ao do pinhole e ao da amêndoa. Com ele se faz o gersal.

Hortelã – existe em várias qualidades, mas a melhor para o uso culinário é a rasteira.

Louro – folha muito aromática.

Manjericão – sabor semelhante à alfavaca, sendo muito aromático.

Melissa – folha parecida com a hortelã. Seu sabor é parecido com o da erva-doce.

Manjerona – da mesma família do manjericão. Seu gosto varia entre o orégano e o manjericão.

Mostarda – é uma sementinha de sabor picante.

Noz-moscada – castanha marrom de aroma marcante.

Orégano – erva rasteira muito aromática

Páprica – pó de cor vermelha extraído do pimentão, podendo ser doce ou picante.

Pimenta – existe nos mais variados tipos, como: caiena, cumari, olho de peixe, dedo-de-moça, calabresa, biquinho, pimenta-da-janela, pimenta-da-jamaica, pimenta de bode, pimenta de cheiro, pimenta-do-reino, malagueta, etc.

Raiz forte – muito picante e com gosto agradável.

Rosmaninho – erva exótica de origem portuguesa.

Salsa – também conhecida por salsinha. Além de ser digestiva, ainda é muito usada para ornamentar pratos.

Sálvia – folhinha da culinária italiana, que possui sabor marcante.

Segurelha – tem a aparência do alecrim, sendo muito aromática.

Tomilho – ervinha de sabor forte, muito usada na culinária.

Zimbro – também conhecido como junípero. Seus grãozinhos devem ser tirados da casca e macerados. É aromático e adocicado.

Chimi-churri – mix de ervas (alho, cebola, orégano e salsa).

Curry – também conhecido como caril é um mix de vários temperos.

Fine herbes – ervas finas, composto por um mix de cerofólio, cebolinha francesa salsa e estragão.

Herbes de Provance – mix de sete ervas aromáticas.

Tahine – creme de sementes de gergelim integral, tostado e moído.

Tandoori – tempero indiano à base de pimenta seca e outras especiarias.

Zátar – mix picante com gosto marcante de seis condimentos.

Dizem os tarimbados na culinária que o bom tempero é aquele em que as pessoas não conseguem identificar seus ingredientes. Onde um condimento não se destaca mais de que outro, de modo que todos os temperos agregam-se com sabedoria ao alimento.

Fonte de pesquisa:
Peninha, o Alquimista
Wikipédia

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NÃO MINTA PARA SEU MÉDICO!

Autoria do Dr. Telmo Diniz P12345

Mentiras no consultório

O ato de mentir durante consulta médica é mais comum e perigoso do que se imagina. Uma pesquisa realizada nos EUA demonstrou que 45% dos entrevistados admitiram que mentem ou não falam toda a verdade na consulta e 30% mentem sobre a adesão a dietas e exercícios. A conclusão é que as pessoas podem ter sérios problemas de saúde com esta atitude. Sem uma história clínica completa, o médico pode não receitar corretamente a medicação ou sua dosagem e haver interferência com outra medicação não citada na consulta. O médico precisa saber sobre doenças preexistentes na família do paciente que podem alterar o tratamento. As informações detalhadas também são fundamentais na solicitação dos exames complementares e, até mesmo, para encaminhar o paciente a procurar um especialista.

Uma mentira muito comum nos consultórios é relativa à adesão de dietas e exercícios. Quando o paciente está com obesidade ou sobrepeso e é necessário ter uma dieta especial, é comum o paciente retornar ao consultório com as mesmas queixas, pesos e medidas da primeira consulta. Em boa parte dos casos, o paciente não segue as orientações e têm vergonha de admitir.

Em casos cirúrgicos, a mentira pode ser ainda mais arriscada. Fumantes têm um risco maior durante intervenções cirúrgicas devido ao comprometimento da circulação e cicatrização causadas pelo tabaco. Para obter do médico a concessão para uma cirurgia estética, por exemplo, o paciente omite ou nega a informação de ser tabagista. Isto pode acarretar problemas durante a cirurgia e no pós-operatório.

Dr. Google

É muito comum o paciente chegar ao consultório informando ao médico o seu diagnóstico e até mesmo tratamento. A cultura da automedicação e de procurar informações na internet antes de consultar os médicos são os principais indicativos para esses casos. Recebem o exame do laboratório e logo vão no “Dr. Google”. Quando vê uma alteração, surge o estresse. É um erro fazer isto, pois o exame complementar não pode ser visto de forma isolada. Tem de ser correlacionada com o histórico clínico. E só o médico pode fazer este julgamento.

Diante de um cenário de consultas cada vez mais rápidas, pré-estipuladas por determinações de empresas de saúde, o médico conhece cada vez menos os seus pacientes. Não se consegue estabelecer uma boa relação médico/paciente no atual modelo. É preciso resgatar a história do médico da família, que atuava no interior dos Estados e atendia vários membros de uma mesma família. Não estou aqui reforçando que as pessoas devem consultar com apenas um profissional, mas sim, que precisam ter uma relação mais sólida com seus médicos.

A era dos médicos clínicos gerais, que só de olhar para um paciente já sabia o diagnóstico e fazia exames apenas para comprovar as suas suspeitas não pode acabar. O que a sociedade precisa é de médicos experientes, que sejam especialistas e, ao mesmo tempo, generalistas. Que entendam que o paciente faz parte de um organismo complexo e que não é apenas uma perna, um coração doente ou um rim inflamado.

Finalizando: peço aos pacientes que confiem mais nos médicos, e aos médicos que ouçam mais atentamente seus pacientes.

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Mestres da Pintura – MATTHIAS GRÜNEWALD

Autoria de Lu Dias Carvalho aaa

Sua arte é um dos conjuntos de obras mais pessoais e expressivas da pintura ocidental. (David Gariff)

O pintor alemão Matthias Grünewald (c. 1475/1480 – 1528), embora dono de uma produção muito pequena, é sem dúvida um dos mais importantes artistas alemães do século 16. Nasceu na cidade alemã de Würzburg. Quase nada se sabe sobre sua formação e início de carreira. Além de talentoso pintor, era também um exímio desenhista, engenheiro hidráulico e arquiteto.

Para Grünewald, o único objetivo da arte era reforçar as verdades ensinadas pela Igreja, como rezava o conceito de arte na Idade Média, embora vivesse na época do Renascimento. Sendo que começou a aparecer como profissional da pintura sacra, quando vivia em Aschaffenburg, e seu primeiro trabalho com data conhecida é o Escárnio de Cristo, de 1503. Anos mais tarde, assumiu o cargo de pintor oficial do arcebispo de Mainz.

O artista alemão não tinha nenhuma preocupação com a beleza. Sua visão artística advinha da arte religiosa do Gótico tardio, que dava ênfase, em suas obras, à dor, ao sofrimento e à tristeza. Embora tenha tido um conjunto de obras relativamente pequeno, a sua arte é uma das mais expressivas da pintura ocidental, com sua visão convincente do sofrimento, o uso de cores fortes e gesticulação dramática.

Quando morava em Issenheim, na Alsácia, Grünewald pintou um retábulo para a Igreja dos Antoninos, obra máxima de seu estilo dramático, de intenso colorido. De sua obra, hoje estão conservadas apenas dez pinturas religiosas e trinta e cinco desenhos. Muitas de suas obras foram perdidas no mar Báltico, a caminho da Suécia, como espólio de guerra.

Matthias Grünewald morreu em 1528, na cidade alemã de Halle, vitimado pela peste. Ficou esquecido até o final do século XIX, quando foi redescoberto, servindo de inspiração para o Expressionismo alemão do início do século 20.

Curiosidade:
Grünewald é homenageado juntamente com Albrecht Dürer e Lucas Cranac, o Velho, com um dia de festa no calendário litúrgico da Igreja Episcopal (EUA) em 5 de agosto.  E é comemorado como artista e santo pela Igreja Luterana, em 6 de abril, junto com Dürer e Cranach.

Nota: Representação de Grünewald na Franconiabrunnen, por Ferdinand von Miller, (1824) agora em frente ao Residenz Würzburg.

Fontes de pesquisa:
História da Arte/ E.H. Gombrich

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IMPORTÂNCIA DO SUCO FUNCIONAL

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Alguns Benefícios do Suco Funcional

No Brasil, a incidência de câncer se torna mais evidente à medida que ocorre o envelhecimento da população. Atualmente, o câncer representa a segunda causa de morte no país. Na faixa etária acima de 40 anos, já é a principal causa de óbitos. A alimentação é considerada um fator de risco modificável. Portanto, mudanças na dieta podem diminuir o risco de desenvolver câncer e até mesmo ajudar a combatê-lo.

Já sabemos que alguns alimentos contribuem para o desenvolvimento do câncer, enquanto outros reduzem as chances da ocorrência desta doença. Em linhas gerais, os tumores se desenvolvem através de células defeituosas, conhecidas por neoplasias, e crescem pela formação de novos vasos sanguíneos, conhecidos pelo nome de angiogênese. A adoção de um padrão alimentar saudável que combata as células tumorais, que fortaleça o sistema imunológico e impeça a formação desses novos vasos que irrigam o tumor é nosso objetivo.

Uma dieta “anticâncer” poderá contribuir para a redução das chances de risco para diversos tipos de tumores, como os de cólon, de reto, de próstata, de mama, entre vários outros. Além disso, adotando uma dieta mais saudável, a pessoa ganhará, “de quebra”, proteção contra o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que é a maior causa de mortalidade no mundo.

O alimento a seu favor

Utilize os alimentos listados a seu favor:

  • chá verde;
  • açafrão da terra (curcuma);
  • cogumelos (shitake);
  • frutas vermelhas – amora, morango, maçã, romã;
  • temperos – hortelã, tomilho, manjericão, canela e alecrim;
  • legumes crucíferos – couve, couve de bruxelas, brócolis, couve-flor;
  • alho, cebola;
  • soja.

Controle a ingestão de gorduras saturadas e evite as gorduras do tipo “trans”, contidas em biscoitos e sorvetes. Escolha as gorduras certas, ricas em ácidos graxos e ômega-3, encontradas no azeite de oliva extra virgem (o ômega 3 também pode ser encontrado nos peixes de águas salgadas e frias, como o atum, arenque, bacalhau, sardinha e salmão).

Aumente o consumo de fibras, consumindo mais alimentos integrais e reduzindo os alimentos processados (provenientes da farinha branca) e o consumo de frutas e de vegetais, incluindo no mínimo cinco porções desses ao dia. Outros não menos importantes são:

  • gengibre;
  • tomate cozido;
  • uva, suco de uva ou vinho tinto;
  • chocolate meio-amargo (com 70% de cacau).

Sempre que for possível, dê preferência na compra de produtos sem agrotóxicos e orgânicos.

Ao longo do dia

  1. Inicie o dia com um suco verde, que inclui laranja, couve, cenoura, gengibre, hortelã e maçã.
  2. No meio da manhã, tome um chá verde ou um suco de romã.
  3. No almoço, inclua no prato uma maior porção de vegetais e legumes, o mais variado possível, temperado com azeite de oliva extra virgem, alecrim e limão, associado a um carboidrato da sua escolha e uma carne magra, também se utilizando dos temperos anticâncer (não se esqueça do açafrão).
  4. No decorrer da tarde, coma uma ou duas frutas.
  5.  E termine a noite com um lanche mais leve, à sua escolha.

Benfícios do suco funcional

  • Desintoxica o organismo
  • Modula quadros de hipertensão arterial
  • Auxilia no controle de peso
  • Melhora a circulação sanguínea
  • Ajuda nos casos de câncer
  • Evita osteoporose
  • Auxilia no controle de doenças cardiovasculares
  • Melhora o funcionamento intestinal
  • Melhora a contração muscular
  • Evita a fadiga muscular
  • Evita dores de cabeça
  • Diminui a TPM

Como fazer:
Couve ( 2 molhos)
Hortelã ( 2 molhos)
1 maçã
½ cenoura
2 cm de gengibre
Suco de 2 laranjas

Bata no liquidificador.
Bata a couve e a hortelã e coloque em formas de gelo. Ao preparar o suco, inclua a couve e a hortelã congeladas ( 2 a 3 cubos/pessoa). É mais prático e não perde os nutrientes.

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APOCALIPSE E ARMAGEDOM

Autoria do Prof. Pierre Santos

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E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra, e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue (São João, Apocalipse 6:12)

O exagero visionário do apóstolo João propiciou o entendimento equivocado de dois termos por ele empregados, transformando-os e lhes incrementando o sentido: apocalipse e armagedom. Já me referi à formação do primeiro e ao seu real sentido, que é revelação. Assim, se os Livros dos Evangelhos tivessem que ser titulados, o título que me parece mais correto para o livro de São João é Revelações de Jesus Cristo e se refere a tudo quanto o mestre pregou nos sermões que fez na Galiléia. Se alguém quisesse dar a esse livro o título de Apocalipse de Jesus Cristo, não estaria errado, mas tal título seria, no mínimo, estapafúrdio em nossa atualidade, dadas as conotações que o termo passou a ter.

Algo parecido aconteceu com a palavra armagedom, que ficou, erradamente, como nome da Batalha Final, de que se encontram referências nos textos antigos. Embora o apóstolo João tivesse sido o único a dedicar um livro inteiro ao tema do apocalipse, o último do Canon, os demais autores dos evangelhos – e São João também – registraram em seus escritos as previsões de Cristo declaradas no profético sermão feito no Monte das Oliveiras, quando somente João e Mateus estavam presentes. Assim escreveu Mateus sobre o sermão:

 “29. Logo depois da aflição (outro nome que o evangelista deu a tribulação) que naqueles dias haverá, o Sol ficará escuro, a Lua negra, as estrelas cairão do céu e as forças que suportam o universo serão sacudidas. 30. Por fim, aparecerá nos céus o sinal da minha vinda e haverá grande choro em toda a Terra. E as nações do mundo ver-me-ão chegar no meio de nuvens no céu, com poder e grande glória. 31. E enviarei os meus anjos com forte toque de clarim, que juntarão os meus escolhidos dos pontos mais distantes da Terra e do céu.” ((Evangelho segundo Mateus (24:29 a 31):

 Isto mostra que as revelações de Cristo incluíam previsões de acontecimentos futuros. Não obstante, nem Jesus, nem ninguém mencionou a palavra Armagedom, a não ser São João, segundo já foi citado no presente texto, dando ao termo o peso de um significado simbólico. As escrituras são claras e registram escritas antigas exaradas pelos profetas e retomadas posteriormente, segundo as quais, antes da Batalha Final, os exércitos convocados pelo falso profeta, o anticristo, a besta, cada um comandado por seu rei, deveriam reunir-se na Planície de Megiddo, abaixo de Har Megiddo, ou seja, abaixo da colina de Megiddo, porque Har significa colina (monte pequeno) e Megiddo significa local para reunião de multidões. Por conseguinte, Har Megiddo é um platô a noroeste da planície onde está localizado, em cima do qual foi construída uma cidade, destruída depois e novamente construída, isto vinte e cinco vezes ao longo da história, pois há ali, segundo mostraram as escavações realizadas no local, vestígios de vinte e cinco cidades. A colina de Megiddo é uma vasta extensão territorial existente ao norte de Jerusalém, dali distando cerca de 130 km, situando-se logo abaixo de Nazaré, lugar onde Jesus Nasceu, e muitos quilômetros acima de Tel Aviv, medindo 30 km de comprimento por 22 km de largura. Essa região, conhecida também pelos nomes de Vale de Jezreel em hebraico e Vale de Esdraelom em grego, foi palco em tempos antigos de muitos conflitos e dezenas de guerras. Importantes reis e generais, que deixaram seus nomes na história, ali guerrearam, sendo os mais importantes entre eles: Tutmosis em 1.500 aC, Ramsés e1,350 aC, Sargão em 722 aC. Senaqueribe em 710 aC, Nabucodonosor em 606 aC, Ptolomeu em 197 aC, Antíoco Epífanes em 168 aC, Pompeu em 63 aC, Tito em 70 dC, Cosroi da Pérsia em 614 dC e Omar em 637 dC.

Contudo, quem fez a tradução do texto antigo, incluído no Velho Testamento, não foi feliz quando traduziu Har Megiddo por Armagedom, criando a confusão, porque o texto ficou assim: “Os exércitos se reunirão na planície antes do Armagedom, a Batalha Final” e não assim: “os exércitos se reunirão antes na Planície de Armagedom, para a Batalha Final”. Em decorrência deste equívoco, a palavra Armagedom ficou sendo o nome da destruição da humanidade e do mundo, como resultado daquela extrema luta determinada pela vingança de Deus, por terem os reis se aliado com o falso profeta.

Assim, por causa das exageradas interpretações em cima do texto hiperbólico do apóstolo João, os vocábulos apocalipse e armagedom acabaram sendo sinônimos, passando ambos a sugerir a idéia de hecatombe geral e definitiva; mas o primeiro, conforme já se informou, significa, originalmente, apenas revelação, e o segundo é, simplesmente, o nome de uma vasta planície ao norte de Israel e de um platô onde se construíram cidades, o que já se explicou. Nas ruínas da última cidade, que ali houve, foram encontrados vestígios daquela que pode ter sido a primeira igreja construída no mundo. Só o resultado das escavações, que estão em processo, poderá dizer ao certo do que se trata.

Nota: Peter Brüeghel, O Triunfo da Morte, 1562, ost, 117 X 162 cm, Museu do Prado, Madri

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