A CARTA DO PISTOLEIRO MAINHA (2ª Parte)

Autoria de Guaipuan Vieira

mainha

Eu vivo a minha vida
De vaqueiro e agricultor
Derrubando o gado bravo
No sertão abrasador
Na fazenda de Diógenes
O meu “pai” meu protetor.

Pois seu Chiquinho Diógenes
Gostava de viajar
Para ver Exposições
Do gado bem exemplar
E quando comprava alguns
Eu sempre ia buscar.

Esta é a tal razão
De a polícia vir dizer
Que eu era um foragido
Por muitos crimes dever
Coisa que não é verdade
Todos vocês podem crer.

O crime que pratiquei
Já está esclarecido
Se matei foi por vingança
Não estou arrependido
Só dei fim no assassino
Que matou meu “pai”querido.

Pois Chiquinho para mim
Era um verdadeiro pai
Hoje quando penso nele
Meu coração se contrai
E o seu assassinato
Da cabeça não me sai.

Então digo pros senhores:
Cada uma traz uma sina
Uma que dá alegria
E outra que se arruína
Tudo depende da sorte
É ela quem determina.

Mesmo um homem sendo bom
Muitas vezes é vitimado
Pra expiar seus pecados
Carrega um fardo pesado
É um bode expiatório
Ou um desafortunado.

Pra carregar este fardo
O destino me escolheu
Como prova uma campanha
Que um grupo promoveu
Me jogou contra o povo
E só fui eu quem perdeu.

Eu perdi pelo seguinte:
Hoje tenho uma má fama
Ninguém acredita em mim
Todo mundo me difama
E querem me afogar
Num oceano de lama.

Já falei aqui do crime
Que pratiquei por vingança
Por ele estou amargando
Numa cela em segurança
Esperando a liberdade
Porque tenho confiança.

Quero voltar ao convívio
Da minha santa morada
Para rever os meus filhos
E minha mulher amada
Que certamente está triste
E chorando inconformada.

Pistoleiro perigoso
É o chefe da Nação
Que mata de fome e à bala
Parte da população
Ele é quem devia estar
Sofrendo numa prisão.

Sou um bode expiatório
Por um grupo fabricado
Que talvez este é quem seja
O bandido procurado
Que sempre vive julgando
E nunca quer ser julgado.

-Termino assim a mensagem
Enviada por Mainha
Repito o que disse antes:
Que não é invenção minha
Todos sabem que eu sou
Um cordelista de linha.

Título: A Carta do Pistoleiro Mainha à Sociedade
Autor: Guaipuan Vieira
Categoria: Literatura de Cordel – 29 estrofes – 8 páginas
Idioma: Português
Instituição: Centro Cultural dos Cordelistas – Cecordel
1ª Edição: 1998 2ª Edição: 1998 /3ª edição:1999
Estilo: Carta

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O ESTRESSE NOSSO DE CADA DIA

Autoria de Dr. Telmo Diniz

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O bom e o mau estresse

Estresse todos nós temos. Claro! Não é doença. É parte integrante e essencial para a nossa sobrevivência, para que desempenhemos bem nossas atividades rotineiras, como trabalhar, levar as crianças à escola, pagar as contas, fazer uma prova… Em síntese, precisamos de pequenas doses de estresse para “funcionarmos” melhor. O problema inicia quando a pessoa passa a não saber lidar com os chamados “fatores estressores” como pressões no trabalho, problemas financeiros, doenças na família, brigas matrimoniais, entre outros. A dificuldade de adaptação da pessoa frente aos problemas é que deve ser corrigida.

O estresse desencadeia uma série de reações hormonais no organismo, levando ao aumento do cortisol, também conhecido como hormônio do estresse. Mais energia é necessária quando o organismo está sob qualquer estresse, e o cortisol é o hormônio que faz isso acontecer. Por isso, temos que ter uma maior concentração de cortisol no sangue, logo pela manhã, com queda progressiva no decorrer do dia. Isso é o normal.

Na pessoa que está com estresse crônico, o cortisol irá se manter em níveis altos quase todo o dia. E é isto que irá provocar, com o tempo, desequilíbrios no organismo, podendo desencadear uma série de doenças, como predisposição ao diabetes, gastrite, cólon irritável, fibromialgia, piora da imunidade, propensão à hipertensão arterial, distúrbios emocionais (ansiedade, depressão, pânico etc.).

Sinais de estresse

Para saber se você tem sinais de estresse crônico, fique atento aos alertas:

  • diminuição do rendimento, erros e faltas no trabalho;
  • indecisão, julgamentos errados e atrasos de tarefas com perda de prazos;
  • insônia, sono agitado e/ou pesadelos;
  • falhas de concentração e memória;
  • coisas que davam prazer se tornam uma sobrecarga;
  • cada vez mais tempo com trabalho e menos com lazer;
  • diminuição de entusiasmo e prazer pelas coisas.
  • irritabilidade;

Você tem mais de 50% dos itens acima? O sinal vermelho acendeu. Procure ajuda. Seu corpo pode não conseguir se equilibrar por muito tempo, e pode entrar em “curto-circuito”; o que chamamos de Síndrome da Fadiga Crônica ou “Burnout“.

Mudança de hábito

A redução do estresse passa, necessariamente, por alterações em seus hábitos de vida:

  • Procure ver os problemas rotineiros como parte integrante do seu dia a dia.
  • Se tudo o irrita e você não está sabendo lidar com as situações, procure ajuda médica.
  • Dê o devido descanso para o corpo, fazendo a “higiene do sono” (alimentação leve à noite, não usar computador ou ver TV até tarde, marque um horário para dormir, tome um banho relaxante, vá para a cama com uma leitura leve).
  • Faça o uso de chás do tipo valeriana, melissa ou maracujá, que podem ajudar.
  • A cada duas horas de trabalho, dê uma parada. Faça um alongamento. Isto faz uma diferença danada. Não queira dar o passo maior que a perna.  Seu trabalho é meio de vida ou de morte? Pense nisso!
  • Pratique atividades físicas e/ou de relaxamento. Mexa-se. Tire um tempo para você.
  • Finalmente, respire direito (profundamente). Pratique agora! Você verá a diferença. Pratique Saúde! Faça prevenção!

(*) Imagem copiada de guiadoestudante.abril.com.br

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POR QUE UNS SOFREM MAIS QUE OUTROS?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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 Acompanhei minha amiga Maria Clara na sua assinatura de divórcio. Pensei que já tivesse superado a separação, mas me enganei. Afinal, foram 18 anos de um relacionamento aparentemente saudável e dois de absoluto tormento, após descobrir que seu não tão honorável marido tinha uma amante. E nada machuca mais do que se sentir enganada, embora todos saibam o quanto o ser humano pode ser volúvel e infiel. Eu a trouxe para casa como quem carrega uma pessoa que perdeu todo o interesse pela vida. Por que a separação dói tanto, mesmo quando se está profundamente infeliz na companhia de alguém?

 Coisas assim acontecem porque somos muito mais movidos pelos sentimentos do que pela razão. A separação de alguém, que um dia colocou-nos no topo de sua vida, soa como um tremendo fracasso pessoal. Sentimos que tudo não passou de um blefe, de um embuste. Mas até que ponto o outro é responsável por nossas atitudes, pela nossa maneira de sentir o mundo e modo de agir? Por que deixamos que outrem penetre em nosso âmago e bagunce a nossa vida, se a nossa felicidade depende unicamente de nós?

Não é fácil bloquear ou romper nossas relações, uma vez que o relacionamento é a essência do existir. Por isso, o ato de cortar contatos foge à natureza humana, tornando-se uma atitude hostil a qualquer um. Todo rompimento traz sangramento, assim como acontece com qualquer órgão de nosso corpo. É uma perda de energia, mesmo que, em longo prazo, ela possa nos fazer bem.

Não podemos negar que todos os seres humanos sofrem. Mas a verdade é que uns sofrem bem mais de que outros. A indagação a ser feita é por que uns sofrem mais e outros menos? É certo que certas predisposições biológicas tornam-nos mais ou menos suscetíveis ao sofrimento, de forma que cada pessoa reage diferentemente. E ninguém pode tornar nosso fardo mais leve, senão nós mesmos. Fazer isso é uma tarefa que nos cabe, individualmente.

Também não é possível negar que fazemos mal uns aos outros. Assim como não podemos negar que as consequências do mal recebido variam de conformidade com o receptor. Ele é o responsável por colocar sua dor ao sol e fazê-la secar, reduzindo-a a pó. Ou colocá-la na água com fermento, alimentando-a para que cresça, frutifique e o engula. A opção é pessoal. E, por isso, diminui a capacidade de o observador fortuito analisar o responsável maior por esse ou aquele ângulo.

A nossa cultura  ensina-nos, erroneamente, que o mal maior é aquele que recebemos e não o que fazemos ao outro. A nossa avaliação é, portanto, muito mais exterior que interior. Por isso, eu me pergunto se o nosso sofrimento, muitas vezes, não é uma forma inconsciente de punir aqueles que julgamos não ter o direito de nos fazer sofrer? Vemos isso, principalmente, nas relações entre casais ou entre familiares. Enquanto esquecem com facilidade o sofrimento a eles impingido por estranhos, sentem dificuldade em esquecer o que lhes é direcionado pelos que amam, quando o perdão deveria vir com mais facilidade. Que paradoxo!

A paixão ou a raiva desmedida tem a capacidade de nos toldar a razão e de nos cobrir com o manto da ignorância. Adquirimos a incapacidade de ver, ouvir e sentir, de modo a negarmos a realidade em que estamos inseridos. Uma união em desequilíbrio não é só prejudicial aos atores principais, como a todos que estão à volta. Se não é possível reformá-la, o melhor é desfazer-se dela. Quando um dos lados opta por deixar o relacionamento, seja lá qual for o motivo, o outro nada pode fazer, a não ser aceitar e continuar buscando a sua felicidade em outra seara. Talvez seja isso o que a minha querida amiga devesse ter feito, mesmo que tenha sacrificado anos de sua vida ao infiel, embora essa tenha sido uma opção dela.

Mesmo com a emoção à flor da pele, ao ver o sofrimento de minha amiga Maria Clara, sinto que não posso condenar Roberto. Não posso lhe imputar a obrigação de ter continuado num relacionamento que não mais lhe dava satisfação, quaisquer que sejam as suas causas pessoais. O fato de Maria Clara não aceitar a separação e sofrer em consequência dela, não o torna melhor ou pior daquilo que realmente é. Roberto não pode ser culpado por ela não ter superado o fim da relação. Podemos questionar a sua conduta na forma como se deu a separação, mas jamais pelo fato de ter se separado. Como observadora atenta e justa não posso simplificar ou intensificar a complexidade da relação do casal, sem compreender, primeiro, o contexto em que cada um se encontrava inserido.

Todo drama é, no fundo, fruto de um amor mal dirigido e do desejo desordenado por um bem que não mais se tem. Qualquer tipo de paixão extrema destrói e devora. É a anulação do sujeito em função do objeto de seu desejo. É o deixar-se engolir por inteiro por sentimentos e circunstâncias. É a incapacidade de elevar-se acima da própria dor. E, por mais que saibamos disso, sempre caímos na mesma armadilha. Por isso, ainda que inconscientemente, é possível deduzir que Maria Clara optou pela postura de vítima, a ponto de sofrer por um homem que já se encontra em outra, percorrendo novos caminhos. Ela não pode cobrar de Roberto a qualidade de sua existência interior, como se houvesse lhe entregado as chaves de sua vida. Está passando da hora de a minha amiga Maria Clara tomar as rédeas de seu destino e seguir avante.

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A CARTA DO PISTOLEIRO MAINHA (1ª Parte)

Autoria de Guaipuan Vieira

mainha

Eu escrevi um folheto
De grande repercussão
A respeito de Mainha
E sobre a sua prisão
Cujo folheto atingiu
A sua quinta edição.

Por causa disso Mainha
Me mandou uma mensagem
E nela naturalmente
Salvaguarda sua imagem
Dizendo que não é rico
À custa de pistolagem.

Eu recebi a mensagem
Enviada por Mainha
E garanto aos meus leitores
Que não é invenção minha
Porque eu sou um poeta
Que nunca fugiu da linha.

O recado que transcrevo
Só mudei mesmo o estilo
Pois eu transformei em versos
Sem guardar nenhum sigilo
Transcrevo o que me foi dito
Portanto eu fico tranquilo.

Ao tomar conhecimento
Do que andei escrevendo
O detento com razão
Escreveu se defendendo
Me enviando a mensagem
Que assim começo dizendo:

-“As duas grandes famílias
Com muito orgulho pertenço
Aos Maias pelo meu pai
Que sempre teve bom senso
Da mamãe herdei Diógenes
Que tem um padrão imenso.

Muitos pensam que eu sou
Um terrível pistoleiro
Um sujeito endiabrado
Perverso e arruaceiro
Pensam que eu sou também
Um filho de cangaceiro.

A mente do nosso povo
Muitas vezes é enganada
Com especialidade
Quando é mal informada
E a vítima com as notícias
É a mais prejudicada.

Eu nunca fui pistoleiro
A todos posso provar
Se matei foi por vingança
Assunto particular
Pistoleiro que eu saiba
É pago para matar.

Se eu fosse perigoso
Não teria sido preso
Pois cabra desta maneira
Tem o olhar bem aceso
Tem ouvidos de tiú
Ninguém o pega indefeso.

O bandido perigoso
de tudo está informado
Pra isto paga coiteiro
Anda muito bem armado
Nunca é preso sempre é morto
Dentro dum fogo cruzado.

Na noite em qu’eu fui preso
Pelo senhor delegado
Não reagi à prisão
Nem também estava armado
E é a pura verdade
Conforme foi constatado.

Mesmo assim a própria imprensa
Que na minha casa andou
Pesquisando a minha vida
de tudo se inteirou
Porém me deram uma fama
Que só me prejudicou.

O bandido foragido
Muda a sua identidade
Abandona a sua terra
Parte pra outra cidade
Mesmo assim vive escondido
Garantindo a liberdade.

Como então sou foragido
Se tenho a minha morada
Nela vivo com meus filhos
E minha mulher amada
Que vive sempre com medo
De eu morrer numa cilada.

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Masaccio – A SANTÍSSIMA TRINDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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 Fui outrora o que você é e sou aquilo em que você se transformará.  (Inscrição acima do sarcófago)

A Santíssima Trindade de Masaccio (1401–1428) foi uma das primeiras pinturas realizadas segundo as regras matemáticas do arquiteto italiano Filippo Brunelleschi, na qual ele faz uma representação religiosa complexa, ao retratar Deus Pai, Filho e Espírito Santo, tendo na mesma obra a Virgem Maria, São João Evangelista e dois doadores. Trata-se de um grande mural localizado na Igreja de Santa Maria Novella, Florença, Itália. É tida como uma das obras que deram início à pintura renascentista. Foi a primeira vez em que o espaço tridimensional foi projetado na pintura.

Quando Masaccio pintou o afresco  A Santíssima Trindade, tamanha era a perfeição do uso da perspectiva linear empregada por ele que as pessoas pensavam que havia sido aberta uma cavidade na parede da Igreja de Santa Maria Novella (Florença) e ali fora erguida uma capela, onde foram colocadas figuras maciças de grande simplicidade e beleza, emolduradas por uma nova arquitetura. Realmente tem-se a impressão de que é uma capela que se abre para o observador.

 Masaccio usou as teorias de Filippo Brunelleschi (a perspectiva, a técnica de produzir uma representação exata e medida do espaço de três dimensões sobre uma superfície de duas dimensões) para sugerir profundidade numa superfície plana, para que sua pintura passasse a impressão de tridimensionalidade.  Esta impressão é tão real que as figuras maciças e simples, ordenadas inteligentemente e dispostas num triângulo isósceles, parecem esculturas, pois inexiste idealização em seus personagens. Tem-se a impressão de poder tocá-las.

Tanto Maria e São João Evangelista quanto os dois doadores encontram-se firmemente em seus pedestais, mas não é possível definir o lugar onde se encontra a Trindade Mística. Enquanto o fundo da cruz se lança para a frente do quadro, sua parte superior encontra-se na parte posterior. O uso da perspectiva, nesse caso, dá ênfase ao contraste entre o espaço “real”, presente no mundo terreno e o imensurável presente no reino divino.

A abóbada, as colunas e as pilastras lembram a arquitetura clássica tão buscada pelos renascentistas italianos, tendo sido retiradas da Antiguidade. Na monumental composição da Santíssima Trindade estão representados:

  • Deus Pai
  • Cristo na Cruz
  • o Espírito Santo (em forma de pomba)
  • a Virgem Maria
  • São João Evangelista
  • os dois patronos

Deus Pai encontra-se no plano mais alto, com os braços abertos, sustentando a cruz do Filho nos braços. Entre eles se encontra uma pomba branca, com as asas abertas, simbolizando o Espírito Santo. Em toda a composição só existe um movimento: o da Virgem apontando para o Filho crucificado com um pungente gesto, enquanto olha para o observador. São João Evangelista olha para o alto em direção ao Cristo Crucificado. Os dois patronos da pintura — Gonfaloniere Lenzi e sua esposa — são representados do lado de fora, ajoelhados e com as mãos em postura de oração, diante das pilastras de enquadramento, dando profundidade ao primeiro plano.

Este afresco pintado por Masaccio é tido como sua obra-prima, pois marca o uso sistemático da perspectiva linear. A obra apresenta três planos:

  • no superior está a Trindade (Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo);
  • no plano médio encontram-se a Virgem e São João;
  • no plano inferior estão os doadores da obra, membros da Família Lenzi.

Na base da composição encontra-se um sarcófago, onde foi pintado um esqueleto — representando todos os seres humanos — com uma inscrição: “O que és, já fui eu; o que sou, tu virás a ser”. Sobre o ponto de fuga, visto na figura menor, o crítico de arte Pierre Santos explica:

“O leitor vai observar também que Masaccio pôs o ‘ponto de fuga’, como disse, na base da cruz, pelo seguinte: tratando-se de um grande afresco feito em parede, o ponto de vista do espectador está abaixo da imitação de altar em cujo bojo só há o esqueleto de alguém, que ali foi inumado, com a legenda: “Já fui o que tu és; ora sou o que tu serás”. Este ponto de vista obriga quem olha o afresco de frente a erguer bem os olhos para ver direito, o que amplia a profundidade da composição num efeito de estéreo-perspectiva, como se alguém pudesse subir até ali e, passando por trás da cruz,  encostar-se à parede de fundo. É uma coisa mágica, não é mesmo?”

Ficha técnica:
Ano: 1426/1427
Técnica: afresco
Dimensões: 640 x 318 cm
Localização: Santa Maria Novella, Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
Grandes artistas/ Sextante
Renascimento/ Edit. Taschen
Renascimento/ Nicholas Mann
Os pintores mais influentes do mundo/ Girassol
A história da arte/ E. H. Gombrich

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Mestres da Pintura – MASACCIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Pintei, e minhas pinturas eram como a vida; dei a meus personagens movimentos, paixão, alma. (Masaccio)

O pintor italiano Tommaso de Giovanni (1401 – 1428) encontra-se entre os grandes nomes responsáveis pelo Renascimento italiano. O apelido de Masaccio (significa “desastrado”) que ganhou quando ainda era criança, acompanhou-o durante a sua curtíssima existência de vinte e oito anos incompletos. Nascido em Florença — o berço da arte na Itália — o pintor trouxe grandes novidades para a pintura: personagens realistas desenhados com traços sólidos, o uso inovador da perspectiva linear (técnica em que o artista pode criar a impressão de profundidade tridimensional numa superfície plana) e aérea e efeitos de luz e tons. Apesar de morrer tão jovem, ele provocou uma grande revolução na arte pictórica.

Masaccio iniciou sua arte fazendo uso do estilo gótico, mas dele foi se afastando em busca de um estilo mais naturalista e real. Foi grandemente influenciado pelas esculturas de Donatello. É tido por muitos como um elo entre a pintura revolucionária de Giotto e o esmero de Michelangelo. Foi um dos primeiros pintores a produzir suas obras de acordo com as regras matemáticas de Brunelleschi que ensinou os artistas como parecer que os objetos diminuem de tamanho à medida que se afastam do observador.

Quando se compara o trabalho de Masaccio com o do genial Giotto, não resta a menor dúvida de que é ele é o herdeiro direto do grande mestre, ainda que cem anos separem os dois. Observando a Madona de Todos os Santos de Giotto, obra criada em cerca de 1310 e a Madona e o Menino no Trono, de Mosaccio, obra criada em cerca de 1426, é possível ver como a segunda composição conserva o mesmo estilo do grande Giotto, sem, contudo, imitá-lo.

Masaccio foi o percursor do estilo renascentista italiano, ao pintar os afrescos da Capela Brancacci da Igreja Santa Maria del Carmine, entre 1425 e 1426, que serviram de influência e inspiração para que Michelangelo pintasse seus afrescos na Capela Sistina. Enquanto ele revolucionava na pintura, Filippo Brunelleschi fazia a mesma coisa na arquitetura e Donatello na escultura. Donato Bramante, Michelangelo Buonarroti e Rafael viriam a aperfeiçoar, no século IV, o trabalho dos três extraordinários artistas que os antecederam.

Masaccio é considerado o primeiro grande pintor italiano depois do genial Giotto e o primeiro mestre da Renascença italiana. Ele conseguiu compreender o avanço de Giotto na pintura — iniciado no final da Idade Média — e tornou tal conhecimento compreensível a todos. Influenciou profundamente a arte da Renascença, pois, segundo Vasari, seus afrescos eram estudados pelos pintores preocupados em dominar a arte da tridimensionalidade.

Dentre os afrescos pintados por Masaccio na Capela Brancacci encontram-se:

  • A Expulsão do Paraíso – Três séculos após sua criação, o Grande Duque da Toscana exigiu que fossem colocadas folhas para esconder a nudez das figuras, mas nos anos de 1980 as folhas foram retiradas e o quadro restaurado. Tal pintura serviu de inspiração para Michelangelo.
  • O Pagamento do Tributo – Representa a história de São Pedro e o coletor de impostos. A importância da obra está na caracterização de Jesus como uma figura humana, com a mesma altura dos apóstolos, uma rejeição à perspectiva hierárquica que marcou a arte bizantina.
  • São Pedro Curando Doentes com sua Sombra – afresco sobre a vida de S. Pedro.
  • A Ressurreição do Filho de Teófilo – outro afresco sobre a vida de São Pedro.

Nota: ilustrando este texto estão Afrescos da Capela Brancacci da Igreja Santa Maria del Carmine, criados entre 1425 e 1426 e o retrato de Masaccio.

Fontes de pesquisa:
Grandes artistas/ Sextante
A História da Arte/ E. H. Gombrich
Os pintores mais influentes do mundo/ Girassol

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