Da Vinci – SÃO JERÔNIMO E SÃO JOÃO BATISTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

   sao1     sao2

São Jerônimo

Embora Leonardo da Vinci não tenha finalizado a tela de São Jerônimo em todos os seus pormenores, ela impressiona profundamente o observador, pois o artista constrói admiravelmente o corpo do santo, do qual emana uma comovente piedade. Este painel, que foi pintado com um empastamento monocromático em tons de ocre, foi serrado em duas partes, mas não se sabe quando, sendo recuperado no século XIX pelo Cardeal Fesch, tio de Napoleão. Uma das partes foi encontrada num depósito de trastes e a outra, cinco anos depois, numa loja de sapateiro.

São Jerônimo é um homem solitário no deserto, com o rosto descarnado pelo jejum e penitência. Sua cabeça desprovida de cabelos, os olhos encavados, a boca com o formato de uma fenda escura e as faces magérrimas repassam um profundo sofrimento. Apesar da dor, ele apresenta uma fé inabalável, que parece se projetar para além de seus olhos.

O corpo do santo parece se projetar para a frente. O braço direito estendido traz uma pedra na mão. Trata-se do gesto que precede aquele com que o penitente golpeia seu peito. À sua frente, o leão, que domina todo o espaço no primeiro plano, agita a cauda em forma de chicote, enquanto observa o santo, o que deixa claro a amizade existente entre ambos. Ambos estão postados diagonalmente em meio à paisagem constituída de rochas.

Ficha técnica:
Obra: São Jerônimo
Data: c. 1482/1483
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 103 x 75 cm
Localização: Pinacoteca Vaticana/ Roma

São João Batista

Parte do corpo de São João Batista emerge do fundo escuro. O gesto e o seu sorriso malicioso chamam a atenção para sua figura. Sua beleza é expressiva, embora incerta. Tanto o rosto do santo, ligeiramente direcionado para a direita, quanto sua estrutura física, de onde se desprende uma beleza sensual, quase feminina, repassam uma incontestável androgenia.

A mão direita do santo está direcionada para o alto, o cotovelo situa-se próximo ao busto, fazendo uma ligeira curvatura, que transpõe seu tronco, escondendo parte da mão esquerda, que se encontra recostada a seu peito.

É incrível o talento do artista, ao fazer com que um corpo pareça emergir de uma superfície plana, como se estivesse em alto relevo, resultado obtido com o uso do claro e do escuro na pintura. O santo, embora imerso na escuridão, parece banhado por um foco de luz, com seus cabelos encaracolados e dourados, partidos ao meio, que vão ficando mais escuros à medida que descem por seu corpo.

Embora São João Batista tenha vivido no deserto, tendo seu corpo sofrido os rigores do local, Leonardo pinta-o jovem, cheio de grande beleza. Dentre os seus atributos tradicionais, a cruz de junco é o único a acompanhá-lo.

São João Batista parece surgir da escuridão para se dirigir ao observador. Com a mão esquerda aponta o próprio peito e com a direita, elevada para cima, com o indicador apontando para o alto, sinaliza que o Messias está prestes a chegar. O efeito sfumato (claro/escuro) é usado com intensidade.

Os contemporâneos de Leonardo foram atraídos pelo encanto desta obra. É uma pena que o quadro venha escurecendo com o tempo.

Ficha técnica:
Obra: São João Batista
Data: c. de 1508/1509
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 69 x 57 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris

Fontes de pesquisa:
Grandes mestres/ Abril Coleções
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Gênios da Arte/ Girassol
Leonardo/ Cosac e Naif

Views: 13

PONTOS ESSENCIAIS DA LITERATURA DE CORDEL

Autoria de Lu Dias Carvalho

cordel

Houve uma época em que a Literatura de Cordel tornou-se meio esquecida. Muitos chegaram a pensar que não resistiria à chegada do século XXI, principalmente em razão do aparecimento das novas tecnologias, que poderiam engoli-la, como até então se apresentava. Com certeza, pensavam, perderia a sua originalidade ao ganhar novo formato. Mas, para o bem deste gênero tão saboroso, embora algumas modificações venham acontecendo, nem por isso a Literatura de Cordel perdeu a sua singularidade.

Segundo Fábio Sombra, poeta, violeiro e pesquisador da cultura popular brasileira, em seu livro Cordel e Viola, Editora Lê, é consenso em meio à maioria dos poetas cordelistas que, se mantidos e preservados três elementos do gênero, ele continuará como tal, apesar de outras mudanças que venha a sofrer. Para esse grupo, os fundamentos “inegociáveis” são: a rima, a métrica e o sentido. Diz ainda que o cordel continua a todo vapor, sendo publicado por diversas editoras, com um grande número de autores, sendo, inclusive, utilizado em sala de aula e oficinas de criação literária e poética. E a internet, antes tão temida, tem sido uma aliada, funcionando como um canal de difusão do gênero.

Abordemos um pouco os três pilares da Literatura de Cordel que não podem ser violados, sob a ótica dos cordelistas:

Rima

  • É fundamental neste gênero, que não admite os versos livres.
  • A maioria dos textos de cordel é composta por estrofes de seis versos (sextilha), vindo em segundo lugar os de sete (setilhas).
  • Nas sextilhas, o esquema de rimas mais o usado é o ABCBDB. Ou seja, a rima acontece no segundo, quarto e sexto versos.

Ex.:

Quem inventou esse “S”
Com que se escreve saudade
Foi o mesmo que inventou
O “F” da falsidade
E o mesmo que fez o “I”
Da minha infelicidade

  • As setilhas são mais comuns em textos humorísticos. Sendo o esquema de rimas mais usado o ABCBDDB, ou seja, o segundo e o quarto versos rimam, assim como o quinto e o sexto.

Ex.:

Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraiba falada
Cantando nas escrituras
Saudando o pai da coaiada
A lua branca alumia
Jesus, Jose e Maria
Três anjos na farinhada.

O bom poeta, em cada estrofe, escolhe uma terminação diferenciada para rimar, enriquecendo sua criação.

Métrica

  • É essencial para determinar o ritmo.
  • Todos os versos devem conter o mesmo número de sílabas poéticas (não correspondem à divisão silábica).
  • As sílabas poéticas só são contadas até a última sílaba tônica, pois o verso acaba na última sílaba tônica.

Ex.:

Nes | ta | noi | te | pas | sa | gei | ra
1       2     3    4     5     6    7

Sentido

  • É também conhecido como “oração”.
  • A história contada ou o tema sobre o qual discorre o cordelista precisa ter um encadeamento lógico, de fácil compreensão para o leitor ou ouvinte.

Atenção:
O Vírus da Arte & Cia está aberto aos poetas do cordel, para aqui publicarem seus trabalhos. Nunca é tarde para começar.

Fontes de pesquisa:
Cordel e Viola/ Fábio Sombra
Wikipédia

Nota: Imagem copiada de cordelparaiba.blogspot.com

Views: 35

VENDENDO LITERATURA DE CORDEL

Autoria de Lu Dias Carvalho

cordel4

Nem todo poeta é um bom vendedor de sua arte, preferindo escrever suas histórias e deixar a venda das mesmas com um vendedor experiente, como faz um grande número de escritores, ao repassar a comercialização de seus livros às livrarias. Mas há uma diferença importante: os vendedores de uma livraria não dão conta de conhecer a história de centenas de milhares de títulos, mas os vendedores de livretos de cordel precisam, não apenas conhecer todas as histórias, mas declamar e cantar os versos dos livretos que vendem, formando uma parceria artística com o poeta que as escrevem. À medida que vai declamando ou cantando o acontecido, as pessoas vão se ajuntando a seu redor. Com certeza o leitor estará se perguntando, qual será o interesse de comprar um livreto do qual já se conhece a história. Bem, o vendedor é bem mais esperto do que pensamos. Ao chegar no momento do suspense, quando todos querem saber o que irá acontecer, ele sabiamente fecha o livreto e diz ao público que quem quiser conhecer o resto deverá comprá-lo. E como curiosidade é coisa que não falta aos humanos, sem falar no preço irrisório da obra, a maioria acaba comprando. Se o vendedor achar que vale a pena continuar, recomeça o mesmo trabalho com outro livro, de modo que toda a cena repete-se.

Durante vários anos a Literatura de Cordel seguiu o mesmo padrão de criação, venda e confecção, mas atualmente as coisas vêm mudando, ou seja, ganhando uma nova roupagem. Muitas editoras passaram a vender Literatura de Cordel e, por isso, passaram a dar às obras novas ilustrações, releituras de clássicos do folclore brasileiro e da literatura mundial, tentando atingir um novo público, principalmente o infantojuvenil. Por que só agora as editoras despertaram-se para tal filão? Sabemos que elas são ávidas por lucros, de modo que, após a conquista de diversos prêmios pela Literatura de Cordel, ficaram de olho grande no segmento. Assim, vemos surgir o nome de grandes poetas, tais como: Arievaldo Viana, Marco Haurélio, Rouxinol de Rinaré, Fábio Sombra, Varneci Nascimento, César Obeid e João Gomes de Sá. Podemos também apreciar o trabalho do cartunista e cordelista Klévisson Viana e do ilustrador Jô de Oliveira.

Os cordelistas não desprezam as novas modalidades agregadas à Literatura de Cordel, pois sabem que não há como deter os avanços tecnológicos. Para a maioria deles, há três elementos que precisam ser mantidos e deles não abrem mão: a rima, a métrica e o sentido. Sem eles, estaria morta a saborosa Literatura de Cordel. Estamos juntos nesta luta.

Beto Brito (imagem) – rabequeiro-nordestino, cordelista-brasileiro, cresceu no meio das feiras livres no interior do Piauí, Santo Antonio de Lisboa, cidade onde nasceu e viveu até o início de sua adolescência. Aos doze anos mudou-se para Picos, onde continuou sua vida de vendedor ambulante na feira do Mercado Central. Sempre no convívio com violeiros, cegos, repentista, mágicos, romeiros, coquistas, emboladores e vendedores ambulantes daquela região. Com dezessete anos resolveu buscar os sonhos da música e da literatura, deixou a cidade de Picos e foi morar em várias capitais do Nordeste e, finalmente na Paraíba, onde reside e desenvolve sua arte.

 Fontes de pesquisa:
Cordel e Viola/ Fábio Sombra
http://www.suapesquisa.com/cordel/

Views: 12

Da Vinci – O HOMEM VITRUVIANO

Autoria de Lu Dias Carvalho

pp5 

E da mesma forma que o corpo humano oferece um círculo que o rodeia, também podemos encontrar um quadrado onde esteja encerrado o nosso corpo. (Leonardo da Vinci)

O Homem Vitruviano descreve uma figura masculina desnuda separadamente e simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado.

O pintor italiano Leonardo da Vinci é tido como uma das mais importantes figuras da arte ocidental. Embora tenha sido conhecido principalmente como pintor, era também cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. Dentre os desenhos deixados por ele, o Homem Vitruviano (ou o Homem de Vitrúvio) tornou-se um ícone cultural.

Trata-se de um desenho encontrado em seus diários, feito por volta de 1490 e que mostra o traçado e as proporções entre as diversas partes do corpo humano. Durante o Renascimento, muitos artistas, arquitetos e tratadistas puseram-se a interpretar os textos vitruvianos (de I a.C.), para fazer novas representações gráficas, mas nenhum deles conseguiu combinar de forma harmoniosa e matemática as proporcionalidades do corpo humano e a solução da quadratura do círculo, conforme propunha o arquiteto Marcus Vitruvius Pollio.  Dentre os desenhos que foram feitos, o de Leonardo da Vinci tornou-se o mais famoso e o mais difundido.

Ao examinar o desenho ilustrativo, o leitor notará que temos duas diferentes posturas, formadas pela combinação das posições dos braços e das pernas.  Observe que a figura humana com braços e pernas em cruz está colocada dentro do quadrado. Enquanto aquela com braços e pernas abertos está abrigada dentro do círculo.

A postura em cruz delimita os lados do quadrado, enquanto a postura com pernas e braços abertos delimita o círculo. A área das duas figuras geométricas é igual. O umbigo da figura humana é o seu real centro de gravidade — continua imóvel, embora pareça se mover. Examinando o desenho como um todo, pode-se notar que a combinação das posições dos braços e das pernas forma quatro posturas diferentes: braços e pernas em cruz, braços e pernas abertos, braços em cruz e pernas abertas, braços abertos (para o alto) e pernas unidas.

A razão deste desenho ter sido chamado de Homem Vitruviano baseia-se no fato de que o arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio (I a.C.) apresenta no seu tratado sobre arquitetura — composto por uma série de dez livros — uma descrição sobre as proporções do corpo humano, usando como unidade de medida o dedo, o palmo e o antebraço, o que o levou a acreditar que um homem com as pernas e os braços abertos encaixaria perfeitamente dentro de um quadrado e de um círculo (figuras geométricas perfeitas). Achou também que, se o corpo humano fosse representado ao mesmo tempo, dentro das duas figuras, o umbigo — centro gravitacional da figura humana — coincidiria com o centro das duas figuras geométricas.

Vitrúvio tanto fez a sua apresentação em forma textual assim como através de desenhos, mas, com o passar dos anos, a descrição gráfica se perdeu, enquanto a obra passou a ser copiada. O homem descrito por Vitrúvio apresenta-se como um modelo ideal para o ser humano, cujas proporções são perfeitas, segundo o ideal clássico de beleza. Ele já havia tentado encaixar as proporções do corpo humano dentro da figura de um quadrado e um círculo, mas suas tentativas ficaram imperfeitas.

O arquiteto teórico milanês Cesare Cesariano (terceira gravura à direita) entendeu a geometria descrita por Vitrúvio, contudo, cometeu um erro ao relacionar as duas figuras (círculo e quadrado), de modo que a figura humana ficasse inserida no centro das duas. Para que essa coubesse em sua construção, tendo como centro o umbigo, foi necessário que mãos e pés ficassem muito esticados, tirando, assim, a proporcionalidade descrita.

Leonardo da Vinci, por sua vez, não se prendeu à relação geométrica entre o círculo e o quadrado. Contando com os seus próprios conhecimentos, corrigiu o que achava estar errado nas medidas, dando a mãos e pés um tamanho proporcional, de forma que o centro do círculo à volta do “homo ad circulum” coincide com o umbigo. E o centro do quadrado à volta do “homo ad quadratum” encontra-se mais abaixo, à altura dos genitais. Com medidas tão precisas, Leonardo conseguiu pôr-se adiante do cânone da Antiguidade, ficando o seu Homem Vitruviano aceito como a real representação das descobertas feitas por Vitrúvio.

O desenho do Homem Vitruviano reafirma o grande interesse de Leonardo da Vinci pela arte e ciência. No conceito da Divina Proporção, tão procuradas nas obras do Renascimento, dá-se a busca e definição das partes corporais do ser humano. Leonardo foi o responsável pelo encaixe perfeito do corpo humano dentro dos padrões matemáticos esperados. O seu desenho faz parte da coleção da Gallerie dell’Accademia em Veneza (Itália). O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano, no século XV, por Leonardo e os outros pesquisadores, é considerado como uma das grandes realizações que levaram ao Renascimento italiano.

Marcus Vitruvius Pollio descreve no terceiro livro de sua série de dez livros, intitulados De Architectura, as proporções do corpo humano masculino. Eis algumas:

  • O comprimento dos braços abertos de um homem (envergadura dos braços) é igual à sua altura.
  • A distância entre a linha de cabelo na testa e o fundo do queixo é um décimo da altura de um homem.
  • A distância entre o topo da cabeça e o fundo do queixo é um oitavo da altura de um homem.
  • A distância entre o fundo do pescoço e a linha de cabelo na testa é um sexto da altura de um homem.
  • O comprimento máximo nos ombros é um quarto da altura de um homem.
  • A distância entre a o meio do peito e o topo da cabeça é um quarto da altura de um homem.
  • A distância entre o cotovelo e a ponta da mão é um quarto da altura de um homem.
  • A distância entre o cotovelo e a axila é um oitavo da altura de um homem.
  • O comprimento da mão é um décimo da altura de um homem.
  • A distância entre o fundo do queixo e o nariz é um terço do comprimento do rosto.
  • A distância entre a linha de cabelo na testa e as sobrancelhas é um terço do comprimento do rosto.
  • O comprimento da orelha é um terço do da face.
  • O comprimento do pé é um sexto da altura.

O Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci é usado como referência estética de simetria e proporção no mundo todo. Mas não pode ser qualquer homem, ele deverá ter proporções bem específicas:

  • Face — do queixo ao topo da testa = 1/10 da altura do corpo.
  • Palma da mão — do pulso ao topo do dedo médio = 1/10 da altura do corpo.
  • Cabeça — do queixo ao topo = 1/8 da altura do corpo.
  • Base do pescoço às raízes do cabelo = 1/6 da altura do corpo.
  • Meio do peito ao topo da cabeça = 1/4 da altura do corpo.
  • Pé = 1/6 da altura do corpo.
  • Largura do peito = 1/4 da altura do corpo.
  • Largura da palma da mão = quatro dedos.
  • Largura dos braços abertos = altura do corpo.
  • Umbigo = centro exato do corpo.
  • Base do queixo à base das narinas = 1/3 da face.
  • Nariz — da base às sobrancelhas = 1/3 da face.
  • Orelha = 1/3 da face.
  • Testa = 1/3 da face.

Ilustrações: 1. Desenho de Leonardo da Vinci/ 2. Obra baseada no desenho de Leonardo da Vinci/ 3. Desenho de Cesare Cesariano (observem pés e mãos esticados).

Ficha técnica:
Data: 1490
Técnica: lápis e tinta sobre papel
Dimensões: 34 x 24 cm
Localização: Gallerie dell`Accademia, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa:
Grandes Mestres da Pintura/ Abril Coleções
Grandes Mestres da Pintura/ Folha de São Paulo

Views: 414

FICÇÃO E 100 BONS LIVROS

Autoria de Lu Dias Carvalho

livro

A ficção é um dos gêneros da literatura que designa uma narrativa imaginária, irreal, fantasiosa, que se contrapõe à não ficção, embora uma obra ficcional possa ser mesclada por fatos reais e vice-versa. Dentre todos os animais, o homem é o único que sonha, imagina, fantasia e cria um universo que não corresponde à realidade em que se insere, talvez por desejar bem mais do que aquilo que existe. Há casos, como a ficção de Júlio Verne, em que ele se coloca bem à frente de seu próprio tempo. De uns anos para cá, a fronteira entre ficção e realidade vem se tornando cada vez mais tênue, principalmente num mundo com tantos avanços tecnológicos e científicos. O que nos é apresentado hoje como uma obra ficcional, amanhã pode estar sendo vendido na loja da esquina.

A ficção científica define a criação literária onde se encontra presente o fator ciência, quer verdadeiro ou imaginário. Foi desenvolvida no século XIX, sendo conhecida em inglês como sci-fi ou SF. Quanto mais evolui a ciência, mais campo oferece para a ficção científica, quer na astronomia, física, química, biologia, etc. Júlio Verne, com seus romances científicos, foi um dos precussores da ficção científica. Não podemos nos esquecer também dos projetos de Leonardo da Vinci.

Clássicos da Ficção

  1. 1984/ George Orwell
  2. 20 mil léguas submarinas/ Júlio Verne
  3. 2001 – uma odisseia no espaço/ Arthur C. Clarke
  4. A besta humana – Émile Zola
  5. A bruxa de Oz/ Gregory Maguire
  6. A casa da alegria – Edith Wharton
  7. A cultura/ Iain M. Banks
  8. A dança da morte/ Stephen King
  9. A espada da verdade/ Terry Goodkind
  10. A feira das vaidades – William Makepeace
  11. A guerra dos mundos/ H.G. Wells
  12. A idade do ouro/ Arthur C. Clarke
  13. A Íliada – Homero
  14. A letra escarlate – Nathaniel Hawthorne
  15. A mão esquerda das trevas/ Ursula K. LeGuin
  16. A máquina do tempo/ H.G. Wells
  17. A mulher do viajante do tempo/ Audrey Niffenegger
  18. A Paixão segundo G.H – Clarice Lispector
  19. A pedra da lua – Wilkie Collins
  20. A quinta dos animais/ George Orwell
  21. A revolução dos bichos/ George Orwell
  22. A série Conan, o bárbaro/ R.E. Howard
  23. A trilogia cósmica/ C.S. Lewis
  24. A Trilogia do Senhor dos Anéis/ J.R.R. Tolkien
  25. Admirável mundo novo/ Aldous Huxley
  26. Algo maligno vem aí/ Ray Bradbury
  27. Ao farol – Virginia Woolf
  28. As brumas de Avalon/ Marion Zimmer Bradley
  29. As cavernas de aço/ Isaac Asimov
  30. As crônicas de Duna/ Frank Herbert
  31. As crônicas de Gelo e Fogo/ George R. R. Martin
  32. As mil e uma noites – Anônimo
  33. As minas do rei Salomão – H. Rider Haggard
  34. Blade Runner: perigo iminente/ Philip K. Dick
  35. Bufo & Spallanzani – Rubem Fonseca
  36. Caça aos robôs/ Isaac Asimov
  37. Cama de gato/ Kurt Vonnegut
  38. Clarissa – Samuel Richardson
  39. Contato/ Carl Sagan
  40. Coração das trevas – Joseph Conrad
  41. Crime e castigo – Fiòdor Dostoiévski
  42. Crônica da casa assassinada – Lúcio Cardoso
  43. Crônica de uma serva/ Margareth Atwood
  44. Crônicas de âmbar/ Roger Zelazny
  45. Dom Casmurro – Machado de Assis
  46. Drácula – Bram Stoker
  47. Em busca do tempo perdido – Marcel Proust
  48. Eu sou a lenda/ Richard Matheson
  49. Eu, robô/ Isaac Asimov
  50. Fahrenheit 451/ Ray Bradbury
  51. Felicidade e outros contos – Katherine Mansfield
  52. Fogo morto – José Lins do Rego
  53. Frankenstein – Mary Shelley
  54. Grande sertão vereda – João Guimarães Rosa
  55. Guerra e paz – Liev Tolstói
  56. Guerra mundial Z/ Max Brooks
  57. Guerra sempre/ Joe Haldeman
  58. Histórias de Natal – Charles Dickens
  59. Jane Eyre – Charlotte  Brontë
  60. Judas, o obscuro – Thomas Hardy
  61. Kim – Rudyard Kipling
  62. Macunaíma – Mário de Andrade
  63. Madame Bovary – Gustave Flaubert
  64. Matadouro cinco/ Kurt Vonnegut
  65. Matadouro Cinco/ Kurt Vonnegut
  66. Moby Dick – Herman Melville
  67. O caçador de andróides/ Philip K. Dick
  68. O cão dos Baskervilles – Sir A. Conan Doyle
  69. O dia do juízo final/ Connie Willis
  70. O encontro marcado – Fernando Sabino
  71. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
  72. O jogo final/ Orson Scott Card
  73. O médico e o monstro – Robert Louis Stevenson
  74. O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë
  75. O pai Goriot – Honoré de Balzac
  76. O peregrino – John Bunyan
  77. O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
  78. O senhor dos anéis/ J.R.R. Tolkien
  79. O triunfo dos Porcos/ George Orwel
  80. O último unicórnio/ Peter S. Beagle
  81. O vermelho e o negro – Stendhal
  82. O voo do dragão/ Anne McCaffrey
  83. Olhai os lírios do campo – Érico Veríssimo
  84. Os contos de Canterbury – Geoffrey Chaucer
  85. Os miseráveis – Victor Hugo
  86. Razão e sensibilidade – Jane Austen
  87. Retrato de uma senhora – Hernry James
  88. Robinson Crusoe – Daniel Defoe
  89. Romance da Pedra do Reino e… – Ariano Suassuana
  90. Samurai: nome de código/ Neal Stephenson
  91. São Bernardo – Graciliano Ramos
  92. Soldado no espaço/ Robert Heinlein
  93. Stardust – O mistério da estrela cadente/ Neil Gaiman
  94. Tom Jones – Henry Fielding
  95. Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto
  96. Tropas estelares/ Robert Heinlein
  97. Um estranho em uma terra estranha/ Robert Heinlein
  98. Uma sombra passou por aqui/ Ray Bradbury
  99. Viagem ao centro da terra/ Júlio Verne
  100. Viagens de Gulliver – Jonathan Swift

Fontes de pesquisa:
501 Livros que merecem ser lidos/ Editora Larousse
1001 Livros para ler antes… / Editora Peter Boxall
Wikipédia

Views: 8

POR QUE LITERATURA DE CORDEL?

Autoria de Lu Dias Carvalho

CORDEL 6

Os poetas ou os vendedores de folhetos, ainda na Europa, precisavam viajar muito para venderem suas mercadorias. Assim, saiam de feira em feira à cata de quem as comprasse. Logo que chegavam a uma cidade ou vilarejo, escolhiam um bom local para expor as folhas volantes, normalmente na praça. É bom que não nos esqueçamos de que carregavam, junto com os folhetos, rolos de barbante, também conhecidos por cordel ou cordão, que tinham a finalidade de expor os artigos à venda, uma vez que seria muito oneroso carregar prateleiras ou qualquer outro tipo de móvel. Os cordéiss eram esticados de um ponto a outro, normalmente entre duas árvores ou postes, e neles eram dependuradas as folhas soltas ou os livretos abertos ao meio, comumente presos com pregadores de roupa.  Portanto, o nome “cordel” está ligado à forma de como eram comercializados em Portugal.

No Brasil, os poetas ou os vendedores preferiam carregar seus folhetos em malas de papelão ou couro, postando-as em cavaletes, durante a venda dos artigos, que aqui eram chamados de “folhetos de feira” ou simplesmente de “folhetos”. Somente quando ganharam os meios acadêmicos é que os folhetos receberam o nome de Literatura de Cordel e assim passando a ser conhecidos em todo o país.

O livrinho com Literatura de Cordel traz a história em versos, impressa em papel barato, normalmente de cor amarelada, e, geralmente possui entre 8 e 24 páginas. O desenho da capa é feito, na maioria das vezes, em xilogravura (Trata-se de uma antiga técnica que tem sua origem na China. O desenho é entalhado na madeira, deixando em relevo a parte que será reproduzida. A seguir, o xilogravurista, ou xilógrafo, passa tinta na parte em relevo e depois usa um tipo de prensa para exercer pressão sobre a madeira no papel, revelando a imagem. Como o desenho sai ao contrário do que foi talhado, o xilógrafo terá que ter muita atenção.). A modernidade já vem fazendo com que a xilogravura seja substituída pelos recursos gráficos do computador.

O uso do “acróstico” é outra característica da literatura de cordel. É colocado nos últimos versos do texto. É a forma como o autor assina seu nome: cada letra inicia um verso.

A riqueza dos temas encontrados na Literatura de Cordel é imensa, pois, como gosto não se discute, o melhor é tentar abranger o maior número de assuntos possível: episódios históricos, lendas, romance, ficção, humor sarcástico, temas religiosos, profanos e políticos. Os temas também navegam ao sabor do momento vivido, pegando carona nos assuntos em voga, como notícias regionais ou nacionais. Quem nunca ouviu contar, através do cordel, as histórias de Lampião e seu bando ou sobre o suicídio do presidente Getúlio Vargas? Estes dois assuntos são campeões de vendagem dos livretos no passado.

Nota: Imagem copiada de clubedahistoria.com.br

Fontes de pesquisa:
Cordel e Viola/ Fábio Sombra
http://www.suapesquisa.com/cordel/

Views: 8