NOVO ESTILO – DADAÍSMO II (Aula nº 103)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

Os dadaístas desprezaram os modelos estéticos tradicionais e, por isso, quase nunca faziam uso dos meios comuns da pintura, do desenho ou da escultura. Trabalhavam com as técnicas de montagem (colagem e fotografia) e foram os primeiros a pensar nas facetas do inconsciente, ao fazerem uso de técnicas automatistas, ou seja, inconscientes e involuntárias. Desprezaram a gramática, criaram a “música do ruído” e usaram uma tipografia esdrúxula, ao ordenar as linhas tipográficas de acordo com seus modelos estrambóticos. Achavam também que a ação coletiva era infinitamente mais importante do que a individual, uma vez que tirava do artista a pecha de “gênio solitário” e, em consequência, atingia o público com uma ênfase maior.

As festas dadaístas, assim como suas exposições, quase sempre terminavam em conflitos. Muitas de suas técnicas provocativas foram herdadas do Futurismo, enquanto do Cubismo eles herdaram a colagem, uma vez que desprezavam os materiais sofisticados e a execução refinada. Também foram influenciados pela arte popular, na qual buscaram as técnicas fotográficas, usadas nos cartões postais da Primeira Guerra Mundial — vistas pelos dadaístas berlinenses como a fonte da técnica de fotomontagem, contudo, o escultor e poeta francês Marcel Duchamp foi seu precursor mais imediato.

O Dadaísmo de Nova Iorque mostrou-se menos político, menos agressivo, menos denso e bem mais ingênuo, sob o ponto de vista artístico, possivelmente em razão da distância geográfica do front da guerra europeia, como mostra o artista francês Francis Picabia, ao representar pessoas como máquinas, usando o estilo informativo inexpressivo dos desenhos técnicos. Quando a guerra acabou, os artistas dadaístas deixaram Zurique (Suíça) e a iniciativa do movimento dadaísta e foram para Alemanha e para Paris (França).

A cidade alemã de Berlim, após o término da guerra, vivia num estado crítico, vitimada por crises política, social e econômica. A principal preocupação dos dadaístas era a revolução política. Richard Huelsenbeck — fundador do Clube Dada (1918) em Berlim — achava que era necessária uma arte realista que “representasse os milhares de problemas atuais”. Os dadaístas berlinenses partiram para sátira política e social em que combatiam a hipocrisia e a corrupção presente na sociedade dita “respeitável”. A contribuição mais importante do dadaísmo de Berlim foi a técnica da fotomontagem — uma colagem de fragmentos de fotografias —, meio perfeito para a sátira política e social que tanto usavam.

Max Ernst e Alfred Grünwald fundaram em 1919 “A Conspiração Dadaísta da Renânia”, tendo Hans Arp aderido-se a eles pouco tempo depois. As principais características das obras (colagens, construções e fotomontagens) desse grupo foram o humor irreverente e a fantasia imoderada. O ramo idiossincrático do movimento dadaísta criado em 1918, recebeu o nome de “Merz”. O movimento dadaísta ruiu em 1921 de uma forma muito agressiva, sendo que muitos artistas dadaístas abraçaram o Surrealismo. Seus artistas aceitaram muito bem a sua própria cessação, tanto é que Huelsenbeck, já em 1920, havia escrito: “O Dadaísmo prevê sua morte e ri”.

O fato é que o movimento dadaísta foi muito importante, ao deixar sua marca nos movimentos artísticos que surgiram após a Segunda Guerra Mundial (Pop Art, Action, Painting, Arte Conceitual…) e mais, foi responsável por estimular uma revisão radical dos valores artísticos. Dentre os artistas que fizeram parte do Dadaísmo podem ser citados: Richard Huelsenbeck, André Breton, Hans Arp, Max Ernst, Samuel Rosenstock (Tristan Tzara), Hugo Ball, Man Ray, Alfred Stieglitz, Arthur Cravan, Raoul Hausmann, Max Ernst e Marcel Duchamp.

Nota: L’Oeil Cocodylate (1921), obra de Francis Picabia, feita a partir de saudações e assinaturas de amigos.

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

Views: 4

SANTO DO PAU OCO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalhosant

Quem não conhece aquele indivíduo fingido, enganador, dissimulado que aparenta exatamente aquilo que não é? Pois esse é o chamado “santo do pau oco”. Quem não conhece o sujeito, compra-o por um bom dinheiro, pois é a falsidade em pessoa. Eles se encontram, sobretudo, no mundo político e religioso.

Na época em que o Brasil vivia sob a tutela de Portugal – Brasil Colônia – suas riquezas, principalmente o ouro e as pedras preciosas, eram levadas para fora do país em direção à metrópole portuguesa. Contrariados com a cobrança do famoso “Quinto”, cobrado em cima de todos os metais preciosos garimpados no seu país, os brasileiros começaram a enganar a fiscalização da Coroa Portuguesa, usando santos ocos de madeira, pois sentiam que estavam sendo roubados pelo governo português.

Os benditos santos eram cheios, sorrateiramente, com ouro ou diamantes, não tendo seu dono que prestar contas às casas de fundição que ficavam sob a fiscalização da gulosa Coroa. Até os escravos, embora fortemente vigiados, burlavam o fisco português, assim como governadores, funcionários brasileiros e clérigos. As imagens dos santos do pau oco eram bem rústicas, esculpidas em madeira e o que ali era guardado permanecia como se fosse um cofre móvel, bem distante do rigor da Coroa Portuguesa que sempre buscava arrancar o couro do povo de sua colônia em benefício da governança portuguesa. Assim, enquanto a santidade era exteriorizada e, com certeza aplaudida pelo governo português, o furto era perpetrado silenciosamente.

Dizem que a expressão santo de pau oco nasceu nas Minas Gerais, celeiro do ouro e das pedras preciosas. E, segundo contam, as imagens eram transportadas em procissões religiosas, no maior fervor, sem que os portugueses desconfiassem de nada. Por muito tempo foi possível encontrar imagens escondidas, cheias de ouro ou diamantes em cidades mineiras como Diamantina, Sabará, Tiradentes, por exemplo, quando velhos casarões eram derrubados. Muitas delas encontravam-se escondidas dentro das paredes, assoalhos ou forros ou nos caibros dos telhados.

Há também uma versão que explica que tal dito diz respeito às imagens de santos que vinham de Portugal, abarrotadas de dinheiro falso, para circular no Brasil. E eu, particularmente, acredito que as duas explicações são verdadeiras.

Views: 2

HISTORIANDO FÁBULAS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

É com grande satisfação que faço a abertura do livro Historiando Fábulas da escritora Lu Dias Carvalho, grande militante das letras e das artes. É notável a sensibilidade da autora para “sintonizar” as diversas “frequências” em que as palavras “guardam” suas “mensagens”. Em seu livro “Historiando Fábulas”, o leitor irá encontrar significados nunca dantes “navegados” nas fábulas dos grandes mestres do gênero, recontadas por ela numa linguagem transposta para o nosso tempo — sempre acrescentando algo de novo.

É curioso como através de tantos séculos chegaram até nós e continuam vivas aquelas “clássicas” fábulas, como as atribuídas a Esopo — o grego do Séc. VI a.C. — ou as de Fedro — o romano contemporâneo de Tibério e de Nero — e até mesmo as “novas” de La Fontaine — o francês contemporâneo de Isaac Newton (Séc. X VII) e protegido do “delfim” de França —, mesmo essas clássicas aqui ganham um gosto novo e diferente. Há nestas um ingrediente de “causo”, uma mineirice que as torna mais gostosas; mais adequadas para serem desfrutadas ao pé do nosso fogão a lenha e do café com bolo de milho ou pão de queijo.

A fábula está entre as mais ancestrais das artes humanas. Talvez tão velha quanto os primeiros mitos de origem de nossa própria espécie. É certamente a mais velha das formas de literatura. Contar histórias deve ter precedido a mais remota literatura escrita. A fábula poderia ser tomada como uma das manifestações que distinguem a espécie humana das demais que habitam o nosso planetinha Terra. É uma atividade autenti- camente “humana”, manifestação dos “valores” que o homem descobriu ou criou. Antes da fábula, só o episó- dio do “espelho”, ou melhor, do reflexo na água, pode ter sido mais ancestral e significativo.

Durante milênios o homem pode ter visto sua imagem refletida na água sem se dar conta de que “aquele sou eu”. Esse “momento” do reconhecimento de si próprio deve ter sido a grande “virada” da espécie: o início, o “pecado original”. O “esse sou eu” visto de “fora”, deve ter mudado os indivíduos em sua visão de si mesmos e a dos “outros”. Talvez tenha a ver com isso a ideia de “pecado original”, a capacidade de olhar para si próprio, visto de “fora”: o refletir sobre si mesmo — afinal essa é uma das pretensões e objetivo da fábula na sua moral.

 Outro aspecto curioso relacionado às fabulas é que, tanto quanto sabemos em nossa cultura ocidental, elas fazem sua aparição formal com Esopo — no Séc. V a.C. —, embora sua origem mais remota seja — já naqueles dias — atribuída a assírios e babilônios. É desse mesmo cenário e nesse mesmo tempo que a civilização grega parece herdar e começar a organizar e incrementar a herança de assírios e babilônios nos conhecimentos de astronomia. Esopo, Pitágoras e Anaxágoras estão muito próximos nesse cenário e no tempo, além de viverem logo depois de Anaximandro — o explicador dos eclipses. O que fica evidente é que tanto na fábula, Esopo, quanto na astronomia, Anaximandro, são e se dizem herdeiros da cultura mesopotâmica de assírios e babilônios.

Uma das heranças babilônicas mais importantes e mais remotas para a astronomia é a descoberta do “caminho” aparente do Sol e dos planetas por uma estreita faixa do céu a que se chamou de eclíptica. Essa faixa foi dividida — ainda pelos babilônios — em doze partes iguais e a cada uma delas foi dado o nome de uma figura mítica, sugerida pela configuração das estrelas naquele lugar. Essa figura mítica é quase sempre a de algum animal. É quase inevitável, portanto, a associação de uma remota origem comum entre a fábula e a astronomia. Com La Fontaine — companheiro de Racine e de Rabelais — “FABLES”, na forma de poesia, atinge o mais alto grau de prestígio na literatura. Ainda contribuiu para o grande prestígio da fábula o fato de aquela grande edição — dedicada ao jovem Delphim Luis X IV — ter sido decorada com as belas gravuras de Oudry, o pintor da corte da França.

Enfim, desde origens tão remotas as fábulas representam importante forma de expressão, de sabedoria e de preceitos de moral que se materializaram em episódios de fácil entendimento, envolvendo animais para que os homens sintam-se “a salvo”. Essas assumem cores, valores e sabores peculiares nos diferentes meios e culturas. Neste caso — o de nossa mineiríssima autora Lu Dias Carvalho —, elas representam contribuição para uma gostosa leitura, juntando aos preceitos de moral vários sabores novos e bem brasileiros, além de tornar ainda mais popular este gênero fantástico da literatura.

Contato para compra: ludiasbh@gmail.com

Views: 4

NOVO ESTILO – DADAÍSMO I (Aula nº 102)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

O Dadaísmo foi um fenômeno cultural, originado entre os anos de 1915 e 1922. Surgiu como um movimento contrário à Primeira Guerra Mundial e tinha como objetivo destruir todos os valores em vigência tanto no dia a dia da sociedade quanto na arte. Não se tem uma explicação exata para o nome que recebeu, porém a mais plausível é a referente aos artistas Hugo Ball e Richard Huelsenbeck que, ao revisarem um dicionário alemão-francês, depararam-se com a palavra francesa “dadá” (cavalinho de brinquedo). Tomados pelo som estranho da palavra e também pela sua associação com a liberdade da infância, eles acabaram por a adotar o termo em questão.

O movimento dadaísta foi em si um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que trazia uma vertente destrutiva era também uma inventividade sarcástica. Ganhou espaço primeiramente em Nova Iorque (EUA) e Zurique (Suíça) — territórios liberais e neutros. Para Nova Iorque foi levado pelos artistas franceses Marcel Duchamp e Francis Picabia que lá contaram com a presença de Man Ray. Somente após o fim da guerra alcançou Paris (França) e a Alemanha. Hugo Ball em suas explanações dizia que o Dadaísmo tinha como objetivo “atravessar as barreiras da guerra e do nacionalismo”. E George Gross e Wieland Herzfelde – ambos membros do grupo de Berlim – expuseram a causa política original que levou à formação desse movimento e de sua postura contra a arte:

“O Dadaísmo não era um motivo ‘pré-fabricado’, mas produto orgânico nascido da reação contra a tendência distraída da chamada arte sagrada, cujos discípulos meditavam sobre cubos e a arte gótica, enquanto os generais faziam pinturas com sangue O tiroteio continuava, o mercantilismo continuava, a fome continuava. Qual o sentido de toda essa arte? Acaso a falácia de que a arte criava valores espirituais não era o auge da fraude?”

Os artistas dadaístas acreditavam que a arte tinha traído a humanidade e, por isso, adotaram uma atitude essencialmente antiartística. Atacavam vários alvos que acreditavam ser responsáveis por inibir e corromper o mundo artístico. Os principais eram: 1. os burgueses que viam na arte o bom gosto e a decoração admirável; 2. os que se achavam muito entendidos, carregando em sua bagagem os preconceitos acadêmicos; 3. os marchands e colecionadores com sua ganância costumeira, preocupados apenas com os valores do mercado. A tudo isso os dadaístas reagiram, criando obras que ironizavam deliberadamente os modelos definidos de beleza e que se mostravam nem um pouco comerciais, tanto no que dizia respeito ao tema e estilo ou pelas técnicas e materiais utilizados.

O poeta romeno Samuel Rosenstock que se autodenominou Tristan Tzara — em protesto contra o tratamento dados aos judeus na Romênia, passando a viver na França — escreveu no Manifesto Dadaísta de 1918: “Que a arte seja então uma monstruosidade que assuste as mentes a serviço e não um adoçante para decorar os refeitórios de animais vestidos com roupas romanas”.

Os artistas dadaístas refutaram o código rígido de moralidade, introduzido à força no indivíduo, o qual atribuíram às forças mancomunadas da família, da Igreja e do Estado. Para eles o indivíduo deveria ser senhor absoluto de sua pessoa e, consequentemente, dono de sua liberdade total, de seu próprio nariz. Também nutriam repulsa pela razão e pela lógica, enquanto louvavam a superioridade das forças antirracionais. Para os dadaístas fazia-se necessário transformar tudo numa folha de papel em branco, ou seja, fazer tábula rasa, antes de dar início à tarefa de reconstrução do mundo da arte.

O Dadaísmo ofertou muitos elementos ao Surrealismo – estilo que viria a seguir – que foram de grande importância para a sua estrutura poética. Podem ser citados: 1. a rejeição à tradição da cultura ocidental e sua postura no que diz respeito à arte; 2. o modelo de agitação política e a posição comprometida com os temas da época; 3. e a defesa dos direitos do inconsciente e das forças irracionais. Além disso, o Surrealismo usou técnicas do movimento dadaísta, tais como: automatismo, colagem, fabricação de objetos e também toda a maquinaria publicitária.

Nota: Fonte (1917), obra de Marcel Duchamp, um urinol colocado sobre um pedestal com a assinatura “R. Mutt”, tributo irônico ao fabricante. O original foi perdido.

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

Views: 18

Mestres da Pintura – ANNIBALE CARRACCI

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

 Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Annibale Carracci (1560-1609), nascido em Bologna, era oriundo de uma família de artesãos. Seus ancestrais eram alfaiates. Seu irmão Agostino (1557-1602) formou-se como gravador e pintor. Annibale começou trabalhando na alfaiataria, mas depois seguiu os passos do irmão mais velho, com quem trabalhou na oficina do primo Ludovico Carracci em Bolonha, o que leva a crer que esse tenha sido seu professor. Os três fundaram uma escola artística chamada Academia degli Incamminati (Academia do Caminho), sendo Ludovico o dirigente da escola conhecido por sua rejeição ao estilo maneirista. Os três Carracci trabalhavam ativamente com tudo o que lhes fosse encomendado, sendo Annibale o mais criativo do grupo. Os três artistas trabalharam juntos na decoração do Palazzo Fava em sua cidade natal. Em muitas das primeiras obras de Bolonha, é difícil distinguir as contribuições individuais de cada um deles, pois carregam apenas a assinatura “Carracci”, o que pode sugerir que os três participaram.

Annibale Carracci viajou para Parma, onde estudou o estilo de Correggio e depois para Veneza, onde se encontrou com o seu irmão Agostino. Estudou a arte de Veneza e encantou-se em Roma com as obras de Rafael. Conheceu as obras de Corregio, Ticiano e Michelangelo, tendo se inspirado no trabalho desses artistas.  Fez um profundo estudo da natureza, ao qual agregou novas ideias. Criou um estilo direto, claro e harmonioso. Foi rival de Caravaggio, tendo sido, à sua época, o principal pintor de Roma. A sua obra reflete o conhecimento da arte da Antiguidade e do Alto Renascimento, tendo se libertado da corrente maneirista, seu ponto de partida. Sua obra possui um arranjo simples e harmonioso que lembra a arte renascentista, contudo está imbuída de grande apelo emocional

Os mais importantes trabalhos de Carracci estão em afrescos. Entre os seus primeiros contemporâneos ele é visto como um inovador, ao reviver o visual de afrescos de Michelangelo e postular uma paisagem pictórica vividamente brilhante que vinha sendo progressivamente esquecida por um emaranhado de maneirismos. Se Michelangelo era capaz de curvar e contorcer o corpo humano em qualquer perspectiva possível, Carracci, nos afrescos de Farnese, ensinou como fazê-lo dançar. As fronteiras do “teto”, grandes extensões de parede a serem decoradas, durante as décadas posteriores seriam preenchidas pelo brilhantismo monumental dos seguidores de Carracci.

Carracci possuía uma temática incrivelmente diversificada: paisagens, cenas e retratos, incluindo uma série de autorretratos. Foi um dos primeiros pintores italianos a produzir telas nas quais a paisagem tinha prioridade sobre as figuras, como na sua encantadora composição intitulada A Fuga para o Egito. Nesse gênero Carracci foi acompanhado por Domenichino, seu aluno predileto, e Lorraine. É descrito por seus biógrafos como descuidado com as vestimentas e obcecado pelo trabalho. Segundo uma carta do cardeal Odoarde Farnese, Carracci, o artista possuía um “pesado humor melancólico”. Não se sabe o que o levou a aposentar os seus pincéis tão cedo. Faleceu em 1609.

Annibale Carracci foi muito importante para a história da pintura, não somente pelos seus afrescos, mas também como pintor de retábulos barrocos. Recebeu elogios de grandes nomes da arte como Bernini, Poussin e Rubens. Entre os seus assistentes e alunos surgiram grandes nomes, como: Domenichino, Francesco Albani, Giovanni Lanfranco, Domenico Viola, Guido Reni, Sisto Badalocchio e outros mais.

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Konemann
Obras-primas da pintura ocidental/ Taschen

Views: 3

QUEM NÃO QUER BUIA, NÃO AJUNTA CUIA

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

cuias

É muito comum a omissão do dígrafo “lh” em relação à língua portuguesa no falar das gentes mais simples (moia, foia, muié, moio, paia, toaia, etc.). Assim sendo, para decifrar o provérbio sertanejo em questão faz-se necessário trocar “buia” por “bulha” que dentre os muitos sinônimos pode significar “barulho”, “gritaria”, “altercação”, “ruído” e “azáfama”. Enquanto a palavra “cuia” diz respeito ao fruto da cuieira que, depois de maduro, tem o seu miolo esvaziado, transformando-se numa grande variedade de recipientes – até mesmo em instrumentos musicais – usados principalmente na zona rural e nas cidades interioranas.

A cuia é também conhecida em algumas regiões brasileiras pelo nome de cuitê ou cuité, cabaça-amargosa, cabeça-de-romeiro, cabaça-purunga, cabaço-amargoso, cocombro e taquera. Por ser um objeto leve e sonoro, muitas cuias juntas – umas batendo contra as outras – produzem uma confusão de sons. E se alguém não gosta de barulho, deve evitar ajuntar tais objetos, pois são capazes de fazer doer os ouvidos.

Tal provérbio ensina-nos que somos muitas vezes responsáveis por aquilo que nos acontece de ruim, porque não evitamos os caminhos que nos levam ao agente provocativo de nossos problemas. Sendo os nossos aborrecimentos frutos de nossos atos inconsequentes. Aquele que não age de acordo com o bom senso, estará, portanto, buscando sarna para coçar. É sabido que quem não quer buia, não deve ajuntar cuia! Não quer confusão, permaneça no seu quadrado.

Views: 12