MACIEIRA EM FLOR (Aula nº 101 B)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição Macieira em Flor é uma obra do artista holandês Piet Mondrian. Com esta pintura ele dá um grande passo em relação ao abstracionismo de seu trabalho, afastando-se cada vez mais do objeto realista, adentrando no estilo cubista.

Mondrian, ao contrário das obras “A Árvore Vermelha” e “A Árvore Prateada”, nesta obra, através de indicações tênues das formas vegetais da árvore, assim como de uma vaga recordação da cor dos pomos e das folhas (verde, ocre, cinza e levíssimos tons rosáceos) é que indica o objeto em evidência. O artista reduziu a paleta de cores em benefício das linhas.

O pintor elimina a função descritiva da linguagem pictórica. Mas apesar de toda a abstração que Mondrian consegue em seu trabalho, restando apenas aquilo que ele considera essencial, sua composição denota grande suavidade e lirismo relativos a uma macieira em floração. Isso porque o pintor trabalhava a partir de uma impressão da natureza, apenas adaptando-a à sua busca para a “abstração pura”.

Apesar da tendência da pintura do artista para a abstração, sua obra possui grande delicadeza lírica, ao associar-se a uma árvore de maçã em florescência. Por essa razão, não devemos nos esquecer de que Mondrian, nesse período, embora fortemente inclinado à abstração, continuou a trabalhar a partir de uma impressão da natureza, traduzindo-a em sua rigorosa, mas ainda figurativa linguagem.

Ficha técnica
Ano: 1912
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 78 x 106 cm
Localização: Gemeentemuseum, Haia, Holanda

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
http://www.piet-mondrian.org/the-flowering-apple-tree.jsp

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POR QUE CARGAS D’ÁGUA…?

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Autoria de Lu Dias Carvalho

agua

Nada mais gostoso do que uma boa chuva que chega refrescando, lavando e dando vida a tudo. Confesso que ainda gosto de tomar banho de chuva, como fazia na minha infância, junto a um bando de primos, embora ouvíssemos sempre a costumeira admoestação de que íamos ficar doentes, coisa que entrava por um ouvido e saía pelo outro, apesar da vara de marmelo se fazer presente muitas vezes:

– Saia da chuva, cambada, vocês todos vão acabar pegando um resfriado!

Até hoje ainda não me conformei com o medo de chuva que minha amiga Marluce diz ter. De uns tempos para cá, venho “piscologiando” sobre esse seu comportamento esdrúxulo. Mal a danada levanta-se da cama, vai logo abrindo a janela para perscrutar o tempo. Se estiver caindo uns pinguinhos à toa, ela desmarca todos os compromissos assumidos, e caso se trate de chuva torrencial (cargas d’água), some durante dias a fio.  Confesso que ainda não sei por que cargas d’água ela mostra ter tanto medo de chuva.

A expressão “Por que cargas d’água…” é usada para questionar alguma coisa. Trata-se de um questionamento diante de algo sobre o qual não se tem conhecimento. O inquirido deve ficar com a orelha em pé, pois o questionador não irá aceitar qualquer resposta, pois a pergunta já vem acompanhada de certa indignação. Se chuva fina já nos impede de fazer muita coisa, imaginemos cargas d’água! É preciso dar trato à cachola para encontrar uma boa resposta, se não quiser entrar numa quizila dos diabos.

Alguns dizem que esta expressão originou-se nos fins do século XIII, quando se iniciaram as primeiras navegações portuguesas em águas do Atlântico norte. Sendo a região sujeita a súbitas tempestades, era comum que os navegantes dirigissem com suas naus para as ilhas açorianas ou de Madeira em razão das cargas d’água.

A expressão em evidência  vem sempre acompanhada de uma entonação inquisitiva e um semblante de perplexidade, significando desconhecer como algo aconteceu, podendo “cargas d’água” ser substituída por “motivo” ou “raios”.  Geralmente se utiliza a frase para questionar uma situação ou ação.

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AMARELO, VERMELHO E AZUL (Aula nº 101 A)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição intitulada Amarelo, Vermelho e Azul é uma obra abstrata do artista russo Wassily Kandinsky que se encantou com a associação entre cor e música. É tida como uma das mais importantes da Arte Abstrata. Seu título enumera as três cores primárias (amarelo, vermelho e azul), cores essas presentes em grande escala no quadro, acompanhadas de muitas outras. Aí também se encontram triângulos, quadrados, retângulos e círculos, além de elementos abstratos.

Os elementos presentes na tela estão flutuando. As formas coloridas. assim como os sinais pretos postados acima delas, flutuam diante de um espaço fulgurante. Algumas formas são transparentes, enquanto outras sugerem uma ordem especial, principalmente à esquerda. O fundo é também colorido. A metade esquerda do quadro apresenta-se clara e leve, enquanto a metade direita mostra reflexos pictóricos, cores escuras e densas. Uma nuvem de cor púrpura espalha-se pelas laterais do lado esquerdo.

Uma pequena grade de cores (contendo todas as cores presentes na pintura) é vista à direita, embaixo. O que aparenta ser um sol nublado ocupa a parte superior central da composição. Uma grande linha preta sinuosa aparece à direita. Um grande círculo à direita – a forma mais perfeita e harmoniosa das figuras geométricas elementares – está pintado com a cor azul. E um retângulo luminoso à esquerda recebe um amarelo-claro. As cores não obedecem a um padrão específico na composição e os objetos presentes não são claramente reconhecíveis.

A música foi muito importante na busca dos artistas abstracionistas que sabiam que os compositores eram capazes de levar seus ouvintes a outras dimensões, sem fazer uso da representação direta da natureza. E se a música era capaz de ser abstrata, ordenada e emocional, a arte também poderia ser. A pintura poderia se uma espécie de música visual, pensavam eles. Kandinsky foi o maior exemplo dessa aplicação, inclusive usou a terminologia musical (composições, improvisações e impressões) para nomear muitos de seus quadros.

Ficha técnica
Ano: 1925
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 1,27 m x 2 m
Localização: Coleção de Nina Kandinsky

Fonte de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante

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QUANDO A ESMOLA É DEMAIS…

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Autoria de Lu Dias Carvalho

asno12

Quando a esmola é demais o santo desconfia é um dos provérbios mais conhecidos em território brasileiro. Quem não conhece entre seus contatos uma pessoa que, necessitada de um favor, debulha-se em mil e um salamaleques para com o indivíduo capaz de realizar seu intento? Os tolos são presa fácil nessa teia, sentindo-se importantes com tamanha bajulação, mas os espertos não caem nesse rapapé, fazendo ouvidos de mercador, dando o dito por não dito. Existe uma fábula interessante que define muito bem este provérbio. Vamos a ela.

Certo cão levava sua vidinha rotineira, vigiando os pertences de seu dono desde o cair da noite até o alvorecer. E o fazia de bom grado, pois se tratava de um amo muito generoso que lhe permitia dormir a sono solto no dia seguinte. Durante a sua vigia, sempre passava pela calçada, onde ficava a casa de seu senhor, certo fulano assobiando, sem ao menos lhe lançar um olhar. Mas eis que um dia, já na calada da noite, lá estava o dito lançando-lhe nacos de carne, tentando acariciá-lo. Esperto que era, logo intuiu que o sujeito estava querendo seduzi-lo com o objetivo de roubar o seu dono, pois, uma vez com a boca cheia, ficava incapacitado de latir ou morder. O fiel cão então disse ao ladrão:

– Olá, se queres trancar a minha boca para eu não avisar o meu dono sobre tua presença, estás totalmente enganado, pois jamais cairei nesta tua imprevista generosidade. O melhor que tu fazes é cair fora, antes que eu lhe arranque um naco de tuas pernas finas.

Assim é a vida, meus amigos. Há muita gente por aí que tenta nos fazer de tolos, usando-nos a seu bel-prazer, manobrando-nos de acordo com os seus interesses. Resta-nos ficar espertos, pois, quando a esmola é muito grande, o santo desconfia.

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NOVO ESTILO – ARTE ABSTRATA II (Aula nº 101)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A denominação Arte Abstrata diz respeito, normalmente, a certas obras da pintura e da escultura do século XX que não possuem função representativa ou simbólica, mas, ainda assim, não podem ser caracterizadas como simples desenhos. Logo, não se trata de um estilo artístico isoladamente, sendo que alguns movimentos artísticos mais explícitos, como o Neoplasticismo e o Expressionismo abstrato foram definidos em termos estilísticos. Tanto na França quanto na Inglaterra, inúmeras gerações de pintores indagavam se era necessário tornar a pintura submissa à busca das aparências e, em razão disso, escolheram um mundo imaginário, mostrando, ainda na década de 1980, que a arte também era capaz de retratar sonhos e visões.

Já no final do século XIX era possível perceber que a tendência geral da arte, principalmente no que diz respeito à pintura, caminhava para a abstração. Mesmo Claude Monet e Paul Cézanne se deram conta da função do artista como criador de imagens, de modo que, aos poucos, eles passaram a dar maior importância à natureza da percepção. Os pintores Georges Seurat e Paul Gauguin — tidos como importantes precursores da Arte Abstrata — levaram ainda mais longe as percepções dos artistas mencionados acima, através da análise da linha, da cor, do tom e da composição, chegando à conclusão de que era possível expressar os estados emocionais, usando apenas os meios formais. Gauguin passou a usar as cores de maneira abstrata, pintando não como enxergava o objeto temático, mas como o sentia. Van Gogh também fez uso da liberdade de cor, usando sempre aquela que julgava apropriada, embora levasse em conta a representação linear do objeto pintado. Henri Matisse e seus colegas, 15 anos depois, reformularam as ideias pós-impressionistas — conhecidas hoje como Fauvismo — que via na cor o elemento mais importante.

As primeiras obras realmente abstratas surgiram em Paris e Munique em 1912. Um ou dois anos depois apareceram em Moscou, Milão, Nova Iorque, Londres e em outros lugares. A princípio grande parte da pintura abstrata era de caráter experimental, representando uma fase passageira na carreira de artistas como K. Larionoff, Fernand Léger, Robert Delaunay, Francis Picabia, Franz Marc, Giacomo Balla e Wyndham Lewis. No entanto, outros artistas abraçaram-na com força total, como mostra a obra do holandês Piet Mondrian, do russo Wassily Kandinsky, do tcheco Frank Kupka e do russo Kasimire Malevich.

Kandinsky, ao escrever um texto teórico em 1910 sobre o espiritual na arte, encontrou na abstração duas vertentes: a que dizia respeito à arte pictórica dos impressionistas e pós-impressionistas que desaguou no Fauvismo e no Cubismo e aquela trilhada pelos pintores simbolistas, responsável por levar a uma arte mais religiosa, tida como de “necessidade interior”. Para o artista russo, o caminho tomado pelos simbolistas era o mais importante, pois dizia respeito à qualidade essencial que impedia que a arte abstrata fosse desprovida de significado. Kandinsky buscava uma maneira de criar um quadro sem a presença de um objeto, mas que pudesse ser observado como algo mais, em vez de um mero desenho decorativo. Para que isso acontecesse, trabalhou em dois campos: tornou sua pintura abstrata de modo que todas as formas reconhecíveis nela presentes sumissem lentamente e deu à sua arte uma justificativa filosófica.

A música foi muito importante na busca dos artistas abstracionistas que sabiam que os compositores eram capazes de levar seus ouvintes a outras dimensões, sem fazer uso da representação direta da natureza. E se a música era capaz de ser abstrata, ordenada e emocional, a arte também poderia ser. A pintura poderia se uma espécie de música visual, pensavam eles. Kandinsky foi o maior exemplo dessa aplicação, inclusive usou a terminologia musical (composições, improvisações e impressões) para nomear muitos de seus quadros.

O movimento abstrato em razão da Segunda Guerra Mundial (1939) teve grande parte de sua atividade, que se cultivava na Europa, cessada, mudando seu centro para Nova York, na década de 1940 — sua esplêndida etapa final. Atualmente a arte tornou-se livre. O artista tanto pode se embrenhar para o campo do abstracionismo ou para aquele que tenha uma referência simbólica ou figurativa. A invenção da Arte Abstrata foi um dos eventos artísticos mais importantes de nossos tempos.

Nota: Composição VII, obra de Wassily Kandinsky (ilustração do texto)

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

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Zurbarán – HÉRCULES E ANTEU

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Hércules era o herói clássico por excelência, cujos feitos de força e perseverança em face da adversidade e a transfiguração num status quase divino tornaram-no uma figura indispensável à iconografia principesca. (Jonathan Brown)

Percebendo os truques de Anteu, Hércules ergueu-o no ar e apertou-o tão poderosamente entre seus braços que a criatura morreu. Tal foi a vitória de Hércules nesta luta.[…] Diz-se que a cobiça ou o desejo carnal nasceu da Terra e, por isso, foi incorporado por Anteu. (Juan Pérez de Moya)

O pintor barroco, desenhista e gravador espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664) foi aluno de Pedro Diaz de Villanueva em Sevilha. Ele fez inúmeras obras para o Convento de Sevilha. Sua fama levou-o a receber o título de pintor honorário dessa cidade. Trabalhou para a corte de Madri no governo de Filipe IV. É tido como um dos mais importantes pintores espanhóis do século XVII, ao lado de Velázquez, Ribera e Murillo. Ele se tornou conhecido, sobretudo, por suas obras religiosas, que descrevem monges e mártires, e também pelas suas maravilhosas naturezas-mortas. A maioria de suas pinturas era destinada às ordens religiosas espanholas, tendo criado muitas pinturas religiosas durante a era barroca.

A composição intitulada Hércules e Anteu – ou também A Luta de Hércules com Anteu – é uma obra do artista que em razão de seu grande sucesso como pintor foi convidado pela corte espanhola a participar da decoração do “Salão dos Reinos”, criando pinturas sobre os “Doze Trabalhos de Hércules”. As críticas não foram unânimes quanto às 10 obras criadas pelo artista. Alguns as acharam deficientes se comparadas à antiga lenda, enquanto outros viram nelas uma concepção totalmente original. O fato é que o artista foi muito corajoso ao desviar-se das abundantes imagens desse herói grego, encontradas em esculturas, dentro dos protótipos clássicos, ao criar sua obra.

O Hércules de Zurbarán é mostrado como um personagem poderoso e desajeitado que necessita de muito esforço para derrotar seus inimigos. O artista não o idealiza como o semideus descrito na lenda, mas como um homem comum dotado de uma estupenda força. E por isso, ele necessita de força de vontade para atingir seus objetivos. Aqui, Hércules é visto com Anteu (o gigante norte-africano), filho da deusa Gaia (a Terra) em seus braços.

A tarefa de Hércules para derrotar o gigante não era fácil, pois toda vez que ele era derrubado, sua mãe dobrava-lhe a força, exigindo ainda mais esforço de Hércules. A luta entre os dois personagens acontece diante de uma caverna escura, sendo ambos apresentados verticalmente, o que deixou Anteu com pouco espaço na parte superior da tela, tendo seu braço e mão esquerda praticamente incompletos.

Ficha técnica
Ano: 1634/35
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 136 x 153 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/hercules-fighting-with-antaeus/b50a7459-d674-4ce1-8da7-ecbe3120b9c9

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