AS GRANDES BANHISTAS (Aula nº 85 B)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

A obra de Cézanne foi a maior revolução na arte desde que o impressionismo greco-romano transformou-se no formalismo bizantino. (Roger Fry – crítico e historiador)

A pintura de Cézanne representa um afastamento da arte puramente visual e sensorial para uma arte mais cerebral e intelectual. As lições e o legado de sua arte são fundamentais para se compreender o desenvolvimento da pintura moderna. (David Gariff)

O desenho e a cor não são distintos, porque tudo na natureza é colorido. À medida que se pinta, desenha-se; quanto mais a cor harmoniza, mais o desenho se torna preciso. Quando a cor atinge a riqueza, a forma encontra sua plenitude. (Cézanne)

O olho não é suficiente. É preciso refletir. (Cézanne)

O pintor francês Paul Cézanne pintou uma série de banhistas, tanto homens como mulheres, sendo As Grandes Banhistas acima uma delas. É também considerada a mais importante da série. Para ele os corpos nus de seus banhistas eram parte da paisagem, vistos como elementos naturais que a ela se integravam. O tema era usado pelo artista com a finalidade de fazer estudos sobre a ordenação das figuras no espaço e sua composição cromática, o que era muito comum na história da arte.

Neste quadro as banhistas também estão divididas em dois grupos, separadas por um pequeno espaço que permite ver a paisagem do outro lado do rio, com um campo aberto, árvores e algumas edificações. Ali também estão duas outras figuras humanas. As banhistas encontram-se nas mais diferentes posições: assentadas, deitadas, de pé, de cócoras, etc., numa perfeita união com a natureza.

As figuras que compõem o grupo da direita estão bem próximas. A luminosidade do sol atravessa as folhas e reflete no corpo das banhistas, que compõem a base de um triângulo, formado por duas árvores que vergam e se encontram na parte de cima, formando o ângulo superior. As cores usadas pelo pintor passam pelo azul-claro do céu, com nuvens brancas esparsas e toques de rosa, pelo azul mais forte da água, no qual espelham o verde-escuro da vegetação. Uma luz clara irradia sobre os corpos nus.

O pintor possivelmente não usou modelos vivos na sua série de telas sobre as banhistas, preferindo os desenhos de nus de seus estudos, muitos deles da época em que era estudante, ou os realizados ao visitar o Louvre, ou ainda os encontrados em revistas. Deles retirava aquilo que lhe convinha.

Cézanne levou sete anos trabalhando nesta tela. Uma das mulheres de pé à esquerda, toma exatamente a inclinação do tronco ao seu lado.

Nota: este quadro serviu de modelo para que Matisse pintasse as suas banhistas.

Ficha técnica
Ano: c. 1898-1905
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 208 x 249 cm
Localização: Museum of Art, Filadélfia, EUA

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen
Grandes Pinturas/ Publifolha

Views: 17

GUARDADO A SETE CHAVES

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

arca

Dizem que um segredo deve ser guardado a sete chaves, pois uma vez que alguém toma conhecimento do mesmo, o sigilo acaba caindo na boca do mundo, espalhando-se como penas ao vento. Benjamin Franklin, cientista e filósofo norte-americano, dizia que “somente três pessoas são capazes de guardar um segredo, caso duas delas estejam mortas”, mas, como o planeta encontra-se cada vez mais globalizado, com o WhatsApp a todo vapor, guardar confidências tornou-se cada vez mais difícil, ainda mais para os de língua solta. A confissão acaba virando segredo de polichinelo.

É muito comum alguém nos contar algo e pedir segredo absoluto, que façamos boca de siri. Engraçado, se o sujeito, senhor daquilo que não pode ser revelado, não consegue guardá-lo para si, como pode querer que outrem o faça? E como diz o meu amigo Alfredo Domingos, ainda vem acompanhado do  “só contei pra você, hein?!”. Se a língua do depositário de tamanha confiança coça, lá está a confidência espalhada pelos quatro cantos do mundo. Sem falar que quem guarda um segredo precisa ter memória de elefante, ou seja, lembrar-se sempre de que é preciso manter sigilo sobre o assunto a si confiado, trancando-o a sete chaves. Quanta responsabilidade! Dizem alguns mexeriqueiros que quem guarda segredo é padre e terapeuta.

O que viria a ser a expressão “a sete chaves”? Que mistérios são esses? Onde se encontram as tais chaves? Em tempos idos, quando algo era muito valioso nas terras portuguesas, o tesouro era guardado em arcas de madeira. Mas não se tratava de qualquer arca. Deveria ter quatro fechaduras. E daí — poderá indagar o leitor —, se é possível abri-las ao mesmo tempo? Calminha, amigo, vamos devagar que o santo é de barro. Não abusemos da inteligência do dono das preciosidades.

Após fechada a arca em questão, quatro pessoas da maior confiança do dono recebiam a incumbência de guardar as quatro chaves, ficando cada uma delas com uma das tais. Muitas vezes o rei era o guarda de uma delas. A arca só poderia ser aberta com a presença dos quatro portadores das chaves, juntos. Mas, com o passar do tempo, o número “quatro” perdeu o seu status, entrando o “sete” no lugar, pois se trata de um número místico e, segundo alguns, muito poderoso. Se um tesouro guardado  a quatro chaves já era seguro, imagine a sete… Vixe Maria!

Views: 0

O PUXA-SACO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

saco

O puxa-saco sempre age em benefício próprio. É um bajulador por excelência, cônscio dos ganhos que virão em razão de sua sabujice. E pior, ele só exerce tal “profissão” enquanto possui uma ligação com o sujeito de sua adulação. Uma vez não mais sob as suas asas, parte para um novo ninho. Nasce daí a raiva que muitos dedicam ao puxa-saco, também conhecido como lambe-botas ou baba-ovo.

É comum alguns acharem que o puxa-saco é uma pessoa ingênua, subserviente, com a autoestima baixa, à cata de admiração. Eu, particularmente, não penso assim.  Acho que se trata de um espertalhão mal-intencionado que segue todo um cronograma para alcançar seus objetivos. Todo o servilismo que demonstra não passa de um álibi para enganar os tolos. Não passa de uma pessoa perigosíssima que remove tudo que estiver em seu caminho para atingir seus objetivos. É um sem escrúpulos. Não há meio que tenha mais puxa-sacos do que o político. Haja estômago!

Certa vez, ao ouvir a mãe chamar um dos colegas de “puxa-saco”, o filhinho de minha amiga Lúcia esbugalhou os olhos e perguntou:

— Mãe, não dói?

A criança levou a sentença ao pé da letra. Mas como nasceu tal expressão? Conta-se que ganhou vida no meio militares. Os soldados que levavam os sacos de roupas dos oficiais em viagem eram chamados de “puxa-sacos”. Daí para “bajulador” foi um pulo.

Views: 18

A AULA DE DANÇA (Aula nº 85 A)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

À parte das falsas aparências no palco, Degas mostra todas as fealdades reais, a precocidade doentia das moças de fisionomias envelhecidas, bem magras, bastante audazes ou sonhadoras demais, sobre membros infantis. (Paul Lafond)

A composição intitulada A Aula de Dança faz parte das obras-primas do pintor impressionista e de uma série de pinturas com o mesmo tema. Edgar Degas era encantado pelo balé. Assistia tanto aos ensaios como às suas representações. Pintou inúmeras telas sobre o tema, captando em minúcias expressões e poses de cada bailarina, resultando num conjunto bem elaborado e no seu perfeito entrosamento com o espaço, o que o transformou no mais importante pintor de bailarinas.

Ao pintor não importava retratar a beleza dos corpos. Ele gostava de captar sobretudo o esgotamento, o cansaço, a dor extenuante e as lágrimas advindos de muitas horas de ensaio. Podemos dizer que ele mostrava a outra face da moeda, aquela que não era observada durante as apresentações, embora também pintasse tais momentos. Não lhe importava a emoção dos artistas e público, mas o aspecto plástico, a união entre luzes, sombras e figuras humanas.

Na composição A Aula de Dança um grupo de bailarinas faz um semicírculo em volta do professor, enquanto esse dá explicações à aluna que se encontra à sua frente. O rosto da garota expressa seu estado de concentração, encontrando-se numa postura de balé clássico. As demais alunas aproveitam para descansar ou para treinar alguns passos. Elas usam faixas com cores vivas e fitas pretas no pescoço.

Degas traz a ilusão de movimento na pintura, ao individualizar as bailarinas que se encontram em diferentes posturas e gestos. É interessante notar a maestria do pintor, ao criar a ilusão de profundidade, como ao pintar tábuas diagonais com suas nítidas linhas pretas e as colunas verticais de mármore preto que criam fortes verticais e levam o olhar do observador para o fundo da tela, onde se encontra uma garota consertando o seu colar.

Um cãozinho terrier aparece cheirando as pernas da bailarina de laço verde e sapatilhas cor de rosa, postada em primeiro plano e de costas para o observador. À sua esquerda uma bailarina está assentada sobre o piano, coçando as costas, enquanto abaixo dela, quase oculta, outra ajeita seu brinco. Debaixo do piano encontra-se um regador verde-escuro, onde o pintor assinou seu nome. A presença de tal objeto na pintura lembra que ele é usado para umedecer as tábuas empoeiradas do salão. Cãozinho e regador dão um toque de leveza ao rigor da composição.

O coreógrafo que também usa sapatilhas encontra-se de pé no meio do salão, com os braços apoiados no seu bastão de madeira que serve para marcar o compasso. Ele é a figura central da composição. Trata-se do famoso bailarino e coreógrafo Jules Perrot. No fundo da sala um grupo embevecido de mães observa suas filhas, enquanto as garotas mostram-se à vontade nas mais diferenciadas posições.

Na composição o observador parece fazer parte da cena, assim como o pintor, mas sem ser notado. Ele apenas olha sem ser observado. As bailarinas estão voltadas para o mestre ou para si mesmas, enquanto as mães observam-nas.

Curiosidades

  • Durante a Belle Époque a capital francesa fascinava os artistas impressionistas com a dança, sobretudo com o balé.
  • Embora o balé fosse um tipo de dança muito apreciado naquela época, não se tratava de uma atividade respeitável, de modo que muitas bailarinas tornavam-se prostitutas, sendo cobiçadas pelos burgueses ricos. Como mudam as coisas!

Ficha técnica
Ano: 1873-1876
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85 x 75 cm
Localização: Museu D’Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Degas/ Coleção Folha
Degas/ Abril Coleções
Arte em Detalhes/ Publifolha

Views: 6

SEM NEM ABANAR O RABO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

burra

A minha amiga Mariciana Gota Santa procurou-me hoje, babando de raiva, no intuito de buscar consolo. Relatou-me a revoltosa figura que certa prima, para quem ela desencavara um marido a duras penas e que vivia antes numa deprê do cão, agora se encontrava no bem bom, havia passado por ela sem nem abanar o rabo. E declarou mais isso e mais aquilo, desfiando um rosário de desagradecimento, embófia e cavilagem. Se tudo fosse veridicidade, a tal prima era uma persona desalmada, uma mal agradecida dos diabos. O melhor remédio seria manter o afastamento dessa  figura molesta por todo o sempre.

Quando minha amiga se foi, carregando seu fardo de pesadume e enfezamento, eu me pus a pensar em qual seria o propósito que leva uma pessoa a ser tão insensível e ingrata como a tal prima, capaz de cuspir no prato que comeu? Mas voltando ao dito popular, qual foi a causa de o rabo entrar nesta história, se humano não tem nem um rabicó, nem mesmo um cotozinho?

Fato é que esta palavra tem sido creditada a certas figuras que andam dando isso ou aquilo a torto e a direito, o que não é o caso aqui. É sabido que antigamente a palavra “abanar” que significa sacudir de um lado para o outro, vascolejar ou balouçar não se referia ao rabo dos bichos como termo pejorativo. O caso era bem outro.

No século XIX, nas casas endinheiradas, onde se reuniam muitos convivas — e mesmo na falta desses —, durante as refeições os pobres escravos — todos uniformizados para mostrar a finesse da família — ficavam próximos à mesa, sacudindo uma vara flexível que trazia na extremidade um pedaço de tecido transparente, papel ou palha entrelaçada para espantar as moscas e refrescar os comensais, uma vez que ainda não  existia ventilador e inseticidas. Esse objeto escalafobético recebeu o nome de “abano”. Os escravos sofriam com tanto abanamento. Era uma abanadura dos diabos.

O “abanar o rabo” de minha amiga ou da prima dela — sei lá, pois não faço parte da história — no entanto, nada tem a ver com a abanação dos escravos, significando: sem lhe dar importância ou confiança ou, como diria minha santa avozinha: “A moça ficou metida a biscoito de sebo, agora que arranjou um marido rico.” Vixe! Eu, particularmente, se não me abanam o rabo, não dou a mínima. Há muito aprendi a deixar de lado minha suscetibilidade e jogar certas figuras no baú do esquecimento. Ostracismo nelas!

Coitada da minha amiga Mariciana Gota Santa, ela ainda não compreendeu que “O dia do benefício é a véspera da ingratidão” e ainda sofre por quem não vale um tostão furado. Se no seu lugar estivesse, mandaria a tal prima lamber sabão.

Views: 33

Hals – RETRATO DE JACOBUS ZAFFIUS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor Frans Hals (c. 1583-1666) nasceu provavelmente na Antuérpia, quando as províncias holandesas e Flandres (atual Bélgica) ainda pertenciam à Casa Real espanhola. Seu pai Franchoys era um mestre tecelão. Sua família mudou logo a seguir para Haarlem, onde ele passou a maior parte de sua vida. As informações sobre sua vida até os 25 anos são bem escassas, embora se saiba que estudou pintura na Academia de Haarlem com o pintor e escritor Karel van Mander – cujos escritos são uma conhecida fonte sobre os primeiros pintores flamengos – e foi membro oficial da Guilda de São Lucas, à qual chegou a presidir.

O primeiro trabalho conhecido de Hals foi Retrato de Jacobus Zaffius que faz parte de uma gravura de Jan van Velde II, feita em 1630. Alguns críticos contestam a autoria de Hals, levando em conta o estilo da pintura que não mostra suas pinceladas firmes e espontâneas. Contudo, a gravura de Velde traz na parte inferior a inscrição: “Frans Hals pinxit” (Frans Hals pintou isso), comprovando sua autoria.

Na impressão, Jacobus Zaffius é visto da cintura para cima, repousando a mão sobre um crânio. O fato de a impressão evidenciar mais do que a pintura, levou os estudiosos de arte a pensarem que a pintura era originalmente maior, mas o exame técnico do material do painel, feito durante as atividades de restauração, revelou que nunca fora cortado. Presume-se que a gravura e sua pintura tenham sido feitas depois de um original perdido pelo artista.

Ficha técnica
Ano: 1611
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 54,5 x 41 cm
Localização: Museu Frans Hals, Haarlem, Holanda

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 9