GUEIXA (V) – O MIZUAGE

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Postado por LuDiasBH

gueixa V
Os homens têm uma espécie de enguia. As mulheres não têm, mas os homens têm…Essa enguia passa a vida toda tentando encontrar um lar. Por sua vez, as mulheres têm cavernas dentro de si, onde as enguias gostam de viver. As enguias são meio territoriais. Quando encontram uma caverna de que gostam, entram nela algum tempo e se remexem lá, para ter certeza de que é uma boa caverna. E quando decidirem que é confortável, marcam a caverna como seu território, cuspindo nela. (Memórias de uma Gueixa)

 Nos idos dos anos 30 e 40, muitas gueixas aprendizes chegavam ao mizuage sem ao menos saber do que se tratava, pois ele ocorria quando elas ainda eram adolescentes. Tampouco participavam dessa ou de qualquer outra negociação. Elas eram o objeto a ser vendido. Não tinham direito a voto ou veto.

Entre todos os momentos especiais na vida de uma gueixa, o mizuage é certamente um deles. A dona do okiya mantém com severidade a virgindade de sua pupila, pois não se deve dar de graça aquilo pelo qual um homem deve pagar. É possível ouvir casos de garotas espertas, que manipulavam para que tal cerimônia acontecesse numa certa época do mês, quando sua caverna recebia as águas do Mar Vermelho. Mas muitos patrocinadores exigem que a debutante passe por um médico, que atestará o selo de sua virgindade.

Como em tudo que diz respeito à tradição da vida das gueixas, a proximidade da hora do mizuage também exige certos rituais. A aspirante à cerimônia presenteia com caixas de ekubo (espécie de bolo de arroz doce) os homens que a favorecem, ou seja, aqueles mais “generosos”, que pedem a sua companhia com mais assiduidade e deixam-lhe boas somas em dinheiro. Receber o presente significa que aceitam entrar na disputa para ser o patrocinador do mizuage da mocinha. Muitas vezes, os candidatos chegam a mais de uma dúzia e competem acirradamente entre si. A cifra final, oferecida pelo troféu, pode ultrapassar milhares de ienes. E a quantia paga pelo vencedor é apregoada aos quatro ventos. Quanto maior for a soma, maior fama terá a gueixa. Alguns homens chegam a ser “especialistas em mizuage”. Gastam tempo e dinheiro à procura deles.

Uma vez realizado o defloramento, algumas gueixas recebem um pacote de ervas chinesas do patrocinador, para tomarem como chá, de modo a evitar uma possível gravidez. O deflorador continua sendo o patrono da gueixa pelo resto da vida, embora nada ganhe com isso, a não ser a fama de ter sido o primeiríssimo. Muitos somem da vida da desvirginada, uma vez cumprida a sua “árdua” missão.

O dinheiro obtido com o mizuage também beneficia a Irmã Mais Velha, a dona da casa de chá, onde se deu a negociação e a dona do okiya.

Segundo informações, atualmente existem pouquíssimas gueixas no Japão e diminui mais e mais o número de aprendizes de gueixas. Dizem que hoje é possível escolher ser gueixa, como se escolhe qualquer outra profissão.

Sugestões sobre o assunto

1 – Memórias de uma Gueixa em livro e filme.

O filme começa nos anos que antecedem à Segunda Guerra Mundial, quando uma criança japonesa chamada Chiyo é vendida pelo pai pescador, habitante de uma vila de pescadores, para uma casa de gueixas. Ela é destinada, durante os primeiros anos, às tarefas domésticas, conforme ditava a tradição. Cresce na dúvida e na esperança de encontrar a família, sem compreender o sentido da vida que leva, até que, por obra do destino, conhece acidentalmente um dos homens mais poderosos do Japão, por quem se apaixona e muda todo o rumo de sua vida, tornando-se uma gueixa de sucesso. Chiyo, que passaria a ser conhecida por Sayuri — seu nome de gueixa — recebe a sua formação de uma das mais conceituadas gueixas do Japão, Mameha, rival de outra, que vive na sua casa (okiya) e que, desde a sua chegada, lhe tem dificultado a vida.

2 – Madame Butterfly (filme)

O Japão era um país quase que totalmente isolado do resto do mundo, até que por volta de 1870 um presidente americano mandou uma expedição de reconhecimento até Sua Majestade Imperial, cujo intuito era forjar laços de amizade com o Império do Sol Nascente. Nas décadas que se seguiram, vários oficiais da marinha americana visitaram o Japão e contraíram matrimônios temporários com jovens japonesas. A história de Cio-Cio-San (Butterfly, ou Borboleta), portanto, se baseia em fatos reais, e descreve as trágicas consequências de um desses matrimônios contraídos com leviandade, por não revelar, por duas décadas, ao seu pretendente, que se tratava de um homem.

3 – Minha vida como gueixa – A verdadeira história de Mineko Iwasaki (livro)

Mineko Iwasaki é a gueixa mais famosa do Japão, mas só agora ficou conhecida no mundo todo. O filme Memórias de uma Gueixa, sucesso de Hollywood, foi inspirado em sua vida. Para escrever a história, o escritor norte-americano Arthur Golden entrevistou Mineko Iwasaki diversas vezes. Ela havia concordado em revelar o fechado universo das gueixas, desde que sua identidade fosse preservada, o que não aconteceu. Mineko move um processo contra o autor, pedindo uma indenização milionária. Além disso, ela reclama que o livro não retrata a realidade das gueixas nem da cultura japonesa.

4 –  Os Segredos das Gueixas (livro)

A cultura japonesa e a figura das gueixas fascinam e despertam o interesse de pessoas em todo o mundo. Nesse livro, o leitor encontra um guia cultural que revela a tradição dessas jovens – marcada por um rigoroso aprendizado, símbolos, danças e maquiagem. Há também belas ilustrações que revelam as gueixas na arte da realização sexual.

5 –  Xógum (livro)

É uma saga sobre o universo mítico dos samurais e das gueixas, numa trama que une política, religião, guerra e romance. Ambientado nos anos 1600, época das grandes navegações e das conquistas de novos mundos, o livro narra a trajetória do piloto inglês John Blackthorne. Depois de quase dois anos embarcado no navio Erasmus, ele aporta na costa do Japão, dividido diante da disputa pela posição de xógum, a mais importante autoridade militar do país.

Fontes de pesquisa:
Memórias de uma Gueixa/ Arthur Golden
Wikipédia

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