O LADO BOM DA DESOSPITALIZAÇÃO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Muita gente acredita que, caso vier a ficar doente, é no hospital que receberá um melhor atendimento. As pessoas enxergam o hospital desta forma, pois é no âmbito hospitalar que existem todos os recursos humanos e de alta tecnologia ao nosso alcance. Isto pode estar correto, dependendo do caso. Entretanto, por outro lado, o tratamento fora do hospital tem inúmeros benefícios. A desospitalização pode ser um bom recurso para todos: hospitais, planos de saúde e pacientes.

A desospitalização é uma tendência mundial. Em países de primeiro mundo, como Inglaterra e Estados Unidos, a utilização da infraestrutura de um grande hospital acontece apenas nos períodos mais críticos da doença, ou seja, o leito hospitalar somente é utilizado nas fases agudas e não em fases crônicas. Um bom exemplo para o leitor entender melhor o tema é de uma pessoa que teve um acidente vascular cerebral (AVC). Na fase aguda, ele fica no CTI, em média, cinco dias após o evento. Após este período, quando ocorre a estabilização do quadro, o paciente é transferido para uma unidade de menor complexidade e, daí, para o quarto; entretanto, continua no hospital. Nos sistemas onde a desospitalização é comum, que este paciente, saindo do quadro agudo, irá se recuperar em unidades extra-hospitalares. Sai mais barato para o plano de saúde e melhor para o paciente, que se recupera mais rápido.

Continuando com o mesmo exemplo, esse paciente com sequela de AVC e que precisa de um suporte médico, de enfermagem e de reabilitação fisioterápica, nos EUA e Europa, normalmente é encaminhado para instituições de reabilitação (chamadas de “Nursing Homes” ou “Assisted Living”). Quando o tratamento de recuperação estiver terminado, recebe alta para casa. No Brasil, alternativas são oferecidas aos pacientes e suas famílias para reduzir o tempo de internação, entre as quais, hospitais de retaguarda, o já conhecido sistema de “home care”, no qual toda a estrutura hospitalar é montada na casa da pessoa ou para as instituições de longa permanência para idosos credenciados. Estas últimas ainda não exploradas pelas operadoras de saúde, pois certamente conseguiriam liberar leitos hospitalares, reabilitar os pacientes a um custo cinco vezes menor.

O objetivo da desospitalização não é dar alta precoce ao paciente. É fornecer todo o suporte para que o tratamento tenha continuidade com êxito por meio de iniciativas de tratamento extra hospitalar. Grandes hospitais mantêm, atualmente, um serviço permanente de detecção dos pacientes que estão internados, mas clinicamente estáveis. O hospital, então, entra em contato com os médicos assistentes e se a desospitalização for um caminho viável e seguro, inicia-se uma conversa com a família sobre essa possibilidade de tratamento longe do hospital. Quando a ideia é bem aceita por todos, a alta é programada.

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