Rafael – A TRANSFIGURAÇÃO
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Autoria de LuDiasBH

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E enquanto Ele orava, a aparência do seu rosto tornou-se outra e a sua roupa, branca, refulgente. Ele transfigurou-se diante deles e o seu rosto resplandeceu como o sol; e as suas roupas, porém, tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, como a luz, como nenhum lavadeiro sobre a terra as pode tornar tão brancas.

Mestre, eu te trouxe meu filho que tem um espírito mudo. Quando ele o toma, atira-o pelo chão. E ele espuma, range os dentes e se contorce. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas não o conseguiram.

O cardeal Giulio de Médici – viria a ser o futuro papa com o nome de Clemente VII –  foi quem encomendou a obra denominada A Transfiguração ao pintor italiano Rafael Sanzio, com o objetivo de enviá-la para a Igreja de Narbonne, sua sede episcopal na França.

Nesta grande prancha, Rafael pintou dois episódios retirados dos Evangelhos de Mateus, Lucas e Marcos. Nela, o jovem pintor deixa a serenidade – tão presente em suas outras pinturas – para apresentar parte de um mundo terreno, extremamente conturbado. Muitos veem na obra um caminho para o Barroco.

O primeiro episódio – ocupa a parte mais alta da composição – retrata a transfiguração de Cristo no Monte Tabor, levitando entre a Terra e o Céu, acompanhado dos discípulos Pedro, Tiago Maior e João, para que O vissem com suas vestes brancas, banhado em luz, falando com Moisés e Elias, personagens do Antigo Testamento, revelando assim a sua essência divina. Os três apóstolos tapam os olhos diante da resplandecência da luz que emana do Cristo transfigurado.

O segundo episódio – ocupa a parte baixa da composição – retrata o milagre do menino possesso que foi levado à presença dos nove apóstolos por seus pais, para que esses o curassem. Mas eles nada puderam fazer sem a presença de Jesus que se encontrava no Monte Tabor, mas garantiram aos pais que, tão logo o Mestre descesse do monte, o garoto seria libertado do espírito opressor.  Dois dos apóstolos apontam os braços esquerdos para a cena da transfiguração, como se estivesse indicando o local onde o Mestre encontrava-se. Para alguns estudiosos, o menino estava, na verdade, acometido por um ataque de epilepsia, doença que era vista como possessão demoníaca à época.

Na primeira cena, à direita e à esquerda do Cristo transfigurado, estão Elias e Moisés. Algumas fontes trazem como se fossem os santos Justos e Pastor – irmãos e protetores de Narbonne. No chão encontram-se três apóstolos que escondem o rosto, tamanho é o fulgor emanado de Cristo. Dois outros personagens que assistem à cena encontram-se ajoelhados, em profundo êxtase.

Na apresentação do menino possesso que parece olhar diretamente para Cristo transfigurado, a cena divide-se em dois grupos, separados pela mulher de costas, trajando uma veste rosa e um manto azul, que indica o garoto aos apóstolos com as duas mãos, e também direciona os olhos do observador para o menino e sua comitiva. À esquerda dela estão os apóstolos gesticulando com um ar de grande preocupação. E à sua direita encontram-se o garoto, seus pais e as pessoas que os seguem.

A mãe do garoto traz um olhar de súplica, enquanto o pai mostra-se horrorizado com o que está acontecendo ao filho que tem os olhos revirados, a boca entreaberta, pernas e braços desgovernados e o corpo contorcido. O menino também representa o sofrimento da humanidade, enquanto espera a misericórdia divina.

As duas cenas, embora distintas, são maravilhosamente combinadas na composição. O Monte Tabor é a separação entre o mundo divino e o terreno. Em meio à comitiva que acompanha o garoto e seus pais, um dos presentes estende os braços em direção ao Cristo transfigurado, como se fizesse, juntamente com o garoto e dois dos apóstolos, um elo entre os dois episódios da composição. O pintor usa uma associação de luz e sombra. Rafael pinta a primeira cena com cores mais claras e resplandecentes, enquanto na segunda usa cores mais escuras e muita sombra. A Transfiguração é tida como uma das mais belas pinturas já criadas em todo o mundo.

Quando Rafael morreu repentinamente, a Transfiguração ainda estava em seu estúdio. O quadro foi levado à frente do féretro para homenagear o jovem pintor. Foi o bastante para que a obra transformasse-se num símbolo de imortalidade do grande gênio que morrera tão jovem. Em razão desse acontecimento o papa resolveu colocar a última pintura de Rafael – sinopse de toda a sua obra – na Igreja de San Pietro, em Roma e encomendou aos dois melhores alunos de Rafael – Giulio Romano e Giovani Francesco Penni – uma cópia da obra.

Dados técnicos:
Artista: Rafael
Data: 1518 -1520
Tipo: óleo sobre madeira
Dimensões: 410 x 279 cm
Localização: Pinacoteca Vaticana, Roma/ Itália

Fontes de pesquisa:
A História da Arte/ E. H. Gombrich
Tudo sobre Arte/ Sextante
Grandes Mestres/ Abril Coleções
Os Pintores mais Influentes do Mundo/ Girassol

2 comentários sobre “Rafael – A TRANSFIGURAÇÃO

    1. LuDiasBH Autor do post

      PP

      Estou ansiosa para que termine o livro sobre Guignard e passe mais tempo conosco.
      Estamos com muitas saudades.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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