Autoria de Celina Telma Hohmann

Ganhei o dia!
Em minhas eternas buscas pelo tão sonhado sossego mental, que, diga-se, parece algo tão inatingível quanto viver eternamente, eis que descubro este blog e, opa, descubro algo ótimo, fácil, gostoso de ler e com uma descrição que por si só nos faz ter uma melhora, enquanto o lemos! Desnecessário dizer que quem busca informações sobre medicamentos, o faz porque necessita do bendito, mas sempre fica a dúvida, e hoje, diferentemente do passado, onde o médico prescrevia, comprávamos e só descobríamos se servia exatamente ao nosso problema após ler o que descrevia a bula, contamos com a bênção da internet.
Bem, saí ontem da psiquiatra, meio que desconfiada, pela enésima vez, com uma nova prescrição, haja vista que outros medicamentos já não fazem efeito algum, se é que o fizeram em alguma fase. Foram sempre um apoio, jamais a solução! Já usei tantos ansiolíticos e que tais, que acredito, os laboratórios deveriam me dar um prêmio pelos gastos contínuos com medicação. Dos indutores do sono, passando pelos temíveis antidepressivos, que só aumentaram meu peso e, por consequência, meu sufoco, pois engordar é terrível, quando se foi sempre magra, e perceber que aquele inchaço é como o reflexo da nossa incapacidade de controle emocional.
Tenho uma vida que em hipótese alguma posso julgar ruim, mas mesmo assim, eis que a fortaleza por vezes se faz pó! Em verdade, pó é luxo, pois viro lixo em mais de um terço de minha doce existência. Ontem, obrigada por filha e irmã, fui novamente à psiquiatra, pois, juro, já nem desejo mais essas visitas que a mim parecem uma perda de tempo. Com tentativas de novas fórmulas, vem o desconforto, pouquíssimas vezes o equilíbrio que até vem, mas num delirante vaivém de melhora/não melhora/resolve e não resolve.
Dormir sempre foi o luxo que busquei na vida, e, por essas coisas que não se explicam, o que mais me faz falta é o tal sono. E, incrível, por vezes, transformo-me num animal hibernando… Durmo e durmo, mas, claro, nas horas mais impróprias, ou seja, quando o mundo está acordado e a vida pulsando… Meu boicote contra minha própria vontade de viver, conversar, ser feliz, ou algo próximo a isso.
Minha depressão é um terror! E sei, como é com todos que por desventura a sentem, ou sentiram. Vivenciam ou vivenciaram esse pavor, que a alguns é decorrência de um episódio, uma fase ruim, mas quem é depressivo desde a infância, torna-se, com o passar do tempo um desacreditado em si próprio. É o meu caso! Cheguei a casa – nem passei pela farmácia, pois sabia de antemão que o tal composto custa um pouquinho além do que eu tinha na bolsa – e somente hoje fui ler a tal prescrição. Descubro que é para o oxalato de escitalopram. Não conhecia, ou se o conhecia não havia, ainda, ingerido.
Bem, lá vai pesquisa e nessa, lá veio o blog e a doce aventura de lê-lo. Gostoso, agradável, brincalhão sem ser desrespeitoso, aliás, o desrespeito com a depressão deveria ter, também uma Lei que o colocasse entre os crimes contra a humanidade! Vou iniciar meu tratamento somente na segunda-feira, quando a grana estiver disponível. Então, acho que será na terça, pois a compra será à tarde. Serão7 dias com dosagem de 10 mg nos primeiros 7 dias, e a partir do 8º dia, 20 mg, pela manhã.
Estou esperançosa, pois, juro, por tanto tempo entupindo-me de remédios, porque, para ajudar, já passei por seis cirurgias renais. Sou fábrica de cálculos renais e daqueles resistentes, que não explodem, não quebram, não saem… E dê-lhe morfina, internações, cirurgias e outros incômodos, além do medo de que tudo volte. Por ora, com três últimas intervenções cirúrgicas no final do ano (quem disse que comigo a coisa funciona?) Nada! Sempre há intercorrências… Ainda a tal depressão sempre presente e eu tentando disfarçá-la, ou, por vezes, me afundando nela. Cheguei ao transtorno alimentar. Mais uma para somar! Odeio comida! Fujo dela, disfarço, como escondido para que não me cobrem e aí posso comer bem pouco, entre um engasgo e uma vontade de chutar o prato.
Eis-me! Por sorte, mas sorte mesmo, não sou explosiva – mas já fui – tenho uma fé que auxilia e um cansaço que dá pena. Não nasci assim e quero, preciso e mereço melhorar. Não sei ainda se a medicação surtirá os efeitos que espero, mas escrever é tão bom e descobrir o blog foi tão prazeroso que acho que o fulaninho escitalopram já deu sinais de que valerá a pena! Assim Seja! Não espero o milagre, pois esse, não pertence às fórmulas farmacológicas, mas espero que dessa vez dê certo. Cansei e quero um pouco de sossego, quero serotonina, adrenalina e paz! Mas a paz dos que estão vivos, não a paz dos zumbis!
Nota: Melancolia, obra de Edvard Munch
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