Autoria de Lu Dias Carvalho
A valorização dos artistas, graças ao crescimento das cidades, foi fundamental para que a arte fosse olhada sob um novo prisma. Eles não eram mais vistos como simples prestadores de serviços ou pessoas de quem nem se sabia o nome, sendo que nem mesmo assinavam suas obras. Em razão dessa valorização o século XV viu brotar uma série de variadas escolas de arte. Elas surgiam em quase todas as cidades — fossem elas grandes ou pequenas — da Itália, de Flandres e da Alemanha. Eram motivo de orgulho para seus citadinos. Contudo, é bom saber que a palavra “escola” é um tanto equivocada para o que realmente acontecia, uma vez que naquela época não havia escolas de arte, onde jovens alunos ali pudessem frequentar suas aulas.
Ao mostrar seu desejo de ser pintor, a família do interessado pleiteava a colocação do filho como aprendiz na casa de um dos mestres da cidade. Quanto mais rica ela fosse, mais renomado seria o mestre escolhido. O garoto passava a morar com seu mestre e sua família, sempre atendendo ao que lhe fosse solicitado, fazendo de tudo para se mostrar útil e cair nas suas boas graças. Dentre as suas tarefas a serem executadas na oficina estavam: triturar o material para a obtenção das cores e ajudar na execução de painéis de madeira ou telas.
Depois de certo tempo, o aprendiz passava a fazer trabalhos sem importância, como a pintura de um pau de bandeira, por exemplo. Quando o mestre se via sob o peso de muitas encomendas, ordenava que o principiante o ajudasse no acabamento das partes mais fáceis das obras (pintar o fundo já delineado previamente na tela, acabar a pintura das roupas dos personagens secundários numa cena, etc.). À medida que o aprendiz ia expandindo seu talento, sendo capaz de imitar o modo de pintar de seu mestre, ele ia recebendo, gradualmente, tarefas mais complexas, como pintar um quadro em sua totalidade a partir do esboço feito pelo mestre e com a sua supervisão. Jamais recebia remuneração pelos serviços feitos.
Era exatamente assim que as “escolas de pintura” do século XV funcionavam. Eram excelentes centros de aprendizado, saindo dali alunos excepcionais. Essa forma de ensinar também contribuiu para desenvolver uma acentuada individualidade, sendo possível ao historiador de arte, ao analisar uma pintura desse período, saber de qual cidade era originária, a qual fase do Renascimento pertencia e, muitas vezes, descobrir até mesmo quem foi o mestre desse ou daquele pintor. E por falar em fases, é interessante saber que o Renascimento costuma ser dividido em três fases: trecento — referente ao século XIV; quattrocento — referente ao século XV; e cinquecento — referente ao século XVI.
A cidade de Florença/Itália (primeira ilustração acima) foi a grande responsável pelo início da revolução na arte. Masaccio, Brunelleschi e Donatello deixaram um maravilhoso legado do qual fez uso a geração que se seguiu, o que nem sempre era fácil, uma vez que muitos clientes faziam encomendas que ainda se mostravam inalteradas, ou seja, não haviam passado por transformações desde o período anterior, como casas e palácios. Foi o arquiteto florentino Leon Battista Alberti (1404–1472) quem encontrou a solução que é usada até os dias de hoje pela arquitetura.
A ilustração central acima mostra um palácio, construído por Leon, para uma família de ricos moradores florentinos. Ele projetou o edifício com três andares, mantendo-se fiel aos métodos de Brunelleschi e ornamentando a fachada com formas clássicas. Pintores e escultores da Florença quatrocentista muitas vezes tiveram que adequar os novos métodos aos da antiga tradição, ou seja, foi preciso que mestres de meados do século XV tivessem que misturar o velho e o novo, as tradições góticas e as formas modernas.
O escultor italiano renascentista Lorenzo Ghiberti (1378–1455) — pertencente à geração de Donatello — é tido como o maior desses mestres florentinos capazes de harmonizar as novas realizações com a antiga tradição, como mostra sua obra “O Batismo de Cristo”, conforme descrição encontrada no link abaixo. Além disso, ele permaneceu leal a algumas ideias da arte gótica, embora continuasse buscando inovações artísticas. Ele também era fundidor em metal.
Exercício:
1. Qual foi o resultado da valorização do artista no século XV?
2. Como se dava o aprendizado de um candidato a pintor?
3. Lorenzo Ghiberti – O BATISMO DE CRISTO
Ilustração: 1. Florença no século XV / 2. Palazzo Rucellai (1460), obra de Leon Battista Alberti / 3. Pintura de afresco e trituração de cores, c. 1465
Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
Views: 45




Deixe um comentário