Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

Morisot – DIA DE VERÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Seu nome e seu talento já são muito importantes para nós, para que possamos prescindir dela. (Edgar Degas)

A impressionista francesa Berthe Morisot (1841 – 1895) veio de uma influente família. Seu pai era administrador e formado em arquitetura e sua mãe era sobrinha-neta de Jean-Honoré Fragonard, famoso pintor do Rococó. Foi copista do Museu do Louvre, onde teve a oportunidade de conhecer muitos artistas e professores como Camille Corot, pintor de paisagens. Foi sob a influência dele que ela começou a pintar ao ar livre. Foi a primeira mulher a fazer parte do grupo dos impressionistas. É tida como uma das grandes pintoras do Impressionismo, juntamente com Marie Bracquemond e Mary Cassatt. Seus trabalhos foram muito importantes na inovação deste estilo. Foi casada com Eugène Manet, irmão do pintor Édouard Manet.

A composição intitulada Dia de Verão é uma obra da artista que mostra uma cena ao ar livre. Duas mulheres elegantemente vestidas estão fazendo um passeio pelo lago, dentro de um barco descentralizado, ocupando todo o primeiro plano. A que se encontra à direita, vestindo um casaco azul, tem parte do corpo cortado pela margem da tela. Ela observa atentamente os cisnes nadando no lago. A jovem à direita, com as mãos cruzadas e com uma sombrinha descansando em seu colo, olha atentamente para o observador.

A obra repassa a impressão de que a cena foi rapidamente capturada pelos pinceis da artista. A presença de uma pequenina carruagem puxada por cavalos, passando rapidamente ao longo da margem do lago, no espaço centralizado entre as duas cabeças das mulheres, reforça tal impressão. A artista usou pinceladas rápidas em ziguezague para pintar as aves, os reflexos no lago e as duas mulheres que aparecem em outras obras suas. Seu nome foi escrito na madeira do barco.

Ficha técnica
Ano: 1879
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 45,7 x 75,2 cm        
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.nationalgallery.org.uk/paintings/berthe-morisot-summers-day
http://www.impressionism.org/teachimpress/browse/lesson4.htm

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Konrad Witz – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor Konrad Witz (1400 – 1445) nasceu como alemão, mas morreu como cidadão suíço, embora os dois países ainda o disputem como filho. Tanto pode ser encontrado como um “mestre da pintura alemã” ou como o “principal nome da escola suíça”. Seu nome aparece pela primeira vez em 1434, ao ser aceito pela guilda de pintores de Basileia, tendo se tornado cidadão daquela cidade no ano seguinte. Foi contemporâneo de Masaccio e Jan van Eyck. Suas figuras esculpidas e o seu interesse pela perspectiva e pelo realismo da paisagem de fundo tornam-no, ao lado dos contemporâneos citados, um dos nomes importantes da nova arte.

A composição religiosa intitulada A Anunciação é uma obra do artista que, mesmo vivendo na difícil época medieval, foi capaz de enfrentar os preconceitos de então. Trata-se de um painel de Nuremberg que faz parte de um retábulo dedicado à Virgem Maria, mas do qual não se encontra nenhum documento. O anjo apresenta-se à Virgem para anunciar-lhe que fora escolhida como a mãe do Salvador.

A cena acontece num quarto humilde de uma casa modesta, sem mobília e que traz a janela aberta. A Virgem encontra-se em oração num cômodo rústico e vazio . Traz nas mãos um grande livro de capa vermelha e volta seu olhar para baixo, com a entrada do anjo, como se tivesse pressentido sua chegada. A parede ao fundo mostra painéis e caixilhos de madeira. Vemos também traves, vigas, encaixes, junturas e pregos. Não há qualquer traço do subjetivismo fantástico.

A simplicidade da anunciação de Konraz Witz distancia-a das italianas – quase sempre majestosas – e das elegantes anunciações flamengas. Mesmo vivendo numa época em que os seres divinos (anjos, arcanjos, santos e santas) deveriam ser mostrados luxuosamente vestidos em ouro e no esplendor da glória, o artista ousou representar a Virgem como uma plebeia, uma pessoa comum.

Ficha técnica
Ano: c.1440
Técnica: tempera sobre madeira
Dimensões: 157 x 120 cm
Localização: Germanisches Nationalmuseum, Nuremberga

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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VOCÊ SABE O QUE É “BLACK FRIDAY”?

Autoria de Lu Dias Carvalho

blafry

Black Friday Brasil: tudo pela metade do dobro! (mensagem de uma consumidora revoltada, ao constatar que fora enganada em suas compras).

É engraçado como o comércio brasileiro vem imitando o dos Estados Unidos, mas, é bom que se diga, somente naquilo que lhe interessa, ou que acha mais glamouroso, sem levar em conta a queda real dos preços. Hoje, por exemplo, não temos mais “liquidação”, mas “sale”. Coisa de complexo de “terceiro mundo”. Foi também criado o “dia das bruxas” (festa estadunidense) com a venda massiva de burundangas, quando as nossas raízes estão amarradas ao Saci-Pererê, ao Curupira, ao Boitatá, à Iara, ao Lobisomem e muitos outros mitos de nosso folclore. E seguindo esta corrente, o “Black Friday” entrou no esquema do país, com muita gente sem entender bulhufas do que se trata.

Uma das associações que se faz à denominação desse tão propagado dia de “liquidação” nos Estados Unidos é a de que apareceu em 2005, na Filadélfia, quando a polícia apelidava de “Black Friday” (sexta-feira negra) o dia seguinte, logo após o feriado de Ação de Graças, por ser extremamente agitado, com as pessoas nas ruas ocasionando muitos congestionamentos em razão de ser a abertura do período de compras natalinas. É o dia em que as lojas abrem bem cedo nesse país, já com filas quilométricas nas calçadas, oferecendo seus produtos por preços mínimos de verdade e não “um faz de conta” como acontece por aqui.  Os preços são tão bons que muitos trabalhadores ganham o dia de folga para participarem das compras. E não se trata de uma maquiagem como acontece no nosso país, num faz de conta vergonhoso que tem por intuito enganar o consumidor.

O Brasil adotou a ideia de criar o “Black Friday” em 2010, embora totalmente online (virtual), mas as lojas físicas acabaram por fazer o mesmo. Atenção! Eu disse “ideia”, pois a prática de abaixar os preços ainda não entrou na mente avara da imensa maioria dos comerciantes brasileiros. A prova disso é o trabalho que o PROCON vem tendo para notificar as empresas embusteiras que aumentam os seus preços na semana anterior, para retirar a diferença no dia do “Black Friday”. E para nossa tristeza são grandes lojas que atuam no mercado brasileiro a darem o mau exemplo, maquiando seus produtos com descontos fictícios. As denúncias têm sido levadas pelos  consumidores ao órgão de defesa do consumidor, no que fazem muito bem, pois respeito é bom e a gente gosta. Isso também está acontecendo com o comércio virtual.

A postura da maioria dos comerciantes é tão  vergonhosa que não temos mais apenas um dia de “descontos”, mas uma semana e, agora, um mês. Tudo no faz de conta ou no me engana que eu gosto. E viva a pátria tão lesada e envergonhada!

Nota: o Black Friday brasileiro acontece anualmente na quarta sexta-feira de novembro. Portanto,  é sempre  bom olhar, uma semana antes, o preço daquilo que se ambiciona comprar e comparar com o do dia do tal “Black Friday” (ou Black Fraude, conforme pensa a maioria dos brasileiros) para não ser enganado. Não quebre o porquinho à toa. Olho vivo, pois nossos comerciantes encontram-se entre os mais mesquinhos do mundo!

Nota: Imagem copiada de http://www.gizmodo.com.br/como-aproveitar-a-black-friday

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Nittis – NAMORO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Giuseppe de Nittis (1846 – 1884) mudou-se para Paris ainda muito jovem, passando a fazer parte do universo artístico da cidade. Depois de trabalhar para dois negociantes de artes, tendo que criar pinturas de costumes, retomou aquilo de que gostava – a pintura de paisagens. Trabalhou com seu amigo Gustave Caillebotte no sul da Itália, onde deu à sua técnica composicional uma abordagem espacial, influenciando outros artistas com suas linhas fortes, dentre eles estava Van Gogh. Participou apenas uma vez (em 1874) de uma exposição expressionista, não contando com a crítica favorável de Renoir que o definia como “conservador” e dono de uma arte “puramente comercial”.

A composição intitulada Namoro é uma obra do artista. Ele retrata uma corrida de cavalos, contudo, seu foco principal são as pessoas que assistem ao espetáculo e não os cavalos que estão em segundo plano. Os espectadores encontram-se sentados ou de pé, observando os jóqueis com seus cavalos, preparando-se para a corrida.

Em primeiro plano, bem próximo ao observador, um casal bem vestido traz os olhos voltados para o local onde se dará o início da corrida. Como se encontra bem mais distante dos demais assistentes, com várias cadeiras vazias a separá-los das demais pessoas, toda a atenção do observador volta-se para o par enamorado. O corpo do jovem inclina-se para a mulher que traz no colo uma sombrinha, mostrando o quanto está interessado por ela.

 As pessoas que se encontravam nas cadeiras vazias agora estão próximas à demarcação que separa a assistência dos espectadores, procurando uma visão melhor da corrida. O grosso e escuro tronco de árvore, à esquerda, delimita o primeiro plano. Em torno dele há várias cadeiras vazias. Enquanto a assistência encontra-se na sombra da grande árvore, a maior parte dos jóqueis com seus cavalos estão banhados pela luz do sol. Ao fundo, na parte esquerda da composição, algumas pessoas conversam alheias ao início da corrida. Duas mulheres, cobertas por um guarda-sol, passeiam à direita.

Ficha técnica
Ano: 1874
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 33 x 43 cm 
Localização: coleção particular

Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.rocaille.it/giuseppe-de-nittis/

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CUIDADOS COM A BRONQUITE

Autoria do Dr. Telmo Diniz

A bronquite consiste, basicamente, na inflamação dos brônquios, que são os responsáveis por levar o ar inalado através dos pulmões. O surto pode durar algumas semanas, meses ou até mesmo anos, nos casos das bronquites crônicas. 

Os casos agudos têm a ver com as viroses de inverno ou com o contato da pessoa com os chamados “alérgenos”, que são os poluentes ambientais. O tabagismo, entre os poluentes, é a principal causa de piora do quadro, que muitas das vezes evolui de uma simples bronquite para uma pneumonia bacteriana.

Tanto na forma aguda quanto na crônica, a tosse é o principal sintoma da bronquite. Nos casos agudos, ela pode ser seca ou produtora de secreções. Na crônica, é sempre produtiva, e a expectoração, normalmente clara no início, pode dar lugar a uma secreção amarelada e espessa, indicando a evolução para um quadro de broncopneumonia. Falta de ar e chiado são outros sintomas bastante comuns que podem também acompanhar os quadros de bronquite.

A bronquite aguda é uma doença autolimitada, que dura no máximo de dez a 15 dias. O tratamento é basicamente sintomático, com boa hidratação, uso de vaporizadores, de analgésicos e de descongestionantes quando necessários. Evitar a exposição aos poluentes ambientais é imprescindível para prevenir a piora do quadro ou a sua recorrência. 

A medida mais importante no tratamento da bronquite crônica é parar de fumar, no caso dos fumantes, ou evitar ficar perto desses no caso dos não tabagistas. O uso de medicamentos broncodilatadores, antibióticos, xaropes mucolíticos e anti-inflamatórios deve ficar restrito aos casos que passam por uma avaliação médica criteriosa.

O objetivo final é sempre a prevenção dos surtos. Portanto, reuni alguns pontos importantes a serem observados por quem tem problemas com esse tipo de patologia:

  • Inicialmente, pare de fumar se tem o hábito do tabagismo.
  • A hidratação é sempre importante e, nos casos das bronquites, tem especial função, pois ajuda a fluidificar o muco das vias respiratórias, facilitando assim a expectoração – uso de mucolíticos pode ser útil nesses casos.
  • Mantenha as mãos sempre limpas.
  • Lançar mão do álcool em gel é uma atitude de prudência extra.
  • O uso de máscaras poderá ajudar no caso de indivíduos que estejam em contato com poluentes ambientais.
  • De igual forma, durante as crises, evite locais com aglomerações de pessoas e com ar-condicionado.
  • A vacinação contra gripe e pneumonia é de suma importância.
  • A automedicação com “xaropes” pode ser um problema, dado que determinados medicamentos inibem uma tosse produtiva, o que pode ser contraproducente.

Portanto, a busca por auxílio médico não pode ser negligenciada.

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Guillaumin – PÔR DO SOL EM IVRY

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor francês Armand Guillaumin (1841 – 1927) era oriundo de uma família da classe trabalhadora. Aos 15 já trabalhava na loja de lingerie de seu tio e estudava desenho à noite. Também trabalhou para o governo francês numa ferrovia antes de ingressar na Academia Suíça. Ali ficou conhecendo Paul Cézanne e Camille Pissarro, travando com eles uma grande amizade. Tornou-se também grande amigo de Vincent van Gogh e de seu irmão Theo e muito querido no grupo dos impressionistas. Não podendo viver de sua pintura, teve que voltar a trabalhar no Departamento de Estradas no período noturno para que pudesse pintar durante o dia. Ficou conhecido, sobretudo, por seu gosto pelas paisagens e pelo uso de cores fortes.

A composição intitulada Pôr do Sol em Ivry é uma obra do artista impressionista feita ao ar livre. O céu, banhado pelo sol poente, ocupa a maior parte da tela. Ele se inicia perto das fábricas com um forte tom laranja avermelhado, depois passa pelo amarelo e a seguir pela mistura de azul e verde. A intensidade de tais cores reflete-se nas águas do rio Ivry, contrastando com as imponentes árvores escuras que se enfileiram à direita, elevando-se bem acima da linha do horizonte.

O pintor elege como tema o avanço da cidade moderna, com suas fábricas fumegantes, sobre a natureza. Nuvens de fumaça, expelidas pelas chaminés, direcionam-se para a esquerda e elevam-se nos ares. Não lhe interessava a vida elegante dos bairros chiques, mas o que acontecia nos polos industriais com seus subúrbios miseráveis. Sua obra foi apresentada na primeira exposição impressionista em 1874.

Guillaumin – assim como os demais impressionistas – tinha por objetivo mostrar os efeitos das condições atmosféricas e das mudanças ocasionadas pela luz, contudo, ele buscava os locais industrializados, desprovidos de qualquer glamour, onde os trabalhadores encontravam-se, sendo esta a causa principal do esquecimento legado à sua criação, ainda que, como impressionista, não lhe coubesse qualquer forma de idealização ou julgamento.

Ficha técnica
Ano: 1878
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 59,2 x 72,5 cm        
Localização: Musée du Petit Palais, Genebra, Suíça

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://entertainment.howstuffworks.com/arts/artwork/setting-sun-at-ivry-by-jean-baptiste-
http://www.impressionniste.net/guillaumin_armand.htm

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