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Henry Fuseli – O PESADELO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O desenhista, pintor e escritor de arte suíço Johann Heinrich Füssli – mudou seu nome mais tarde para Henry Fuseli –  (1741 – 1825) era filho de Johann Caspar Füssli, pintor de retratos e paisagens. Iniciou seus estudos com seu pai, vindo depois a receber uma esmerada educação clássica. O pintor inglês Joshua Reynolds foi quem o persuadiu a dedicar-se inteiramente à pintura. Foi professor de pintura e Guardião na Royal Academy em Londres. Muitas das obras do artista tratam de temas sobrenaturais. Ele serviu de influência para vários pintores britânicos, inclusive para William Blake. Foi descrito como um mestre da luz e da sombra, distribuindo sua paleta de cores aleatoriamente, diferentemente da maioria dos pintores.

A composição intitulada O Pesadelo é uma obra de Fuseli, sendo uma das mais conhecidas. Uma jovem mulher encontra-se dormindo, deitada de costas, com a cabeça dependurada na ponta da cama, deixando à vista seu longo pescoço. Ela usa uma longa camisola branca que cobre o seu corpo que se encontra numa posição estranha. Traz a cabeça – cujos cabelos tocam o chão do quarto – e os braços direcionados para baixo. O artista parece retratar ao mesmo tempo a mulher a sonhar e o pesadelo que tem durante o sono, contudo, o quadro gerou inúmeras interpretações.

No pesadelo da mulher aparecem figuras estranhas, como um cavalo (ou égua) e um abutre (íncubo) de sorriso cínico que parece estar fumando um cachimbo. Ele está sentado sobre o tronco da figura feminina, enquanto olha para o observador. Apesar do assombro que a pintura causou em muitas pessoas da época, críticos e patronos sentiram grande fascínio por ela, tornando-a muito popular. Animado, o artista fez, pelo menos, quatro outras variações dela. Esta obra trata-se de sua segunda variação.

O ambiente onde se encontra a mulher é contemporâneo e elegante. Próxima a seus pés – o esquerdo sobre o direito – está uma mesinha redonda de cabeceira, onde são vistos um espelho, um frasco e outro pequeno objeto. Cortinas de veludo deixam passar a cabeça brilhante do equino cego que aparece em suas aberturas.

A tela tem sido interpretada de diversas maneiras. Para alguns, o íncubo e a cabeça de cavalo (ou égua) com olhos brilhantes dizem respeito à crença e ao folclore sobre pesadelos. Outros veem a pintura carregada de sexualidade, como uma amostragem do inconsciente, ou seja, uma antecipação das ideias de Freud sobre o assunto. A obra, na verdade, ao mesmo tempo em que apresenta a imagem de um pesadelo, retrata simbolicamente a visão do sono.

O artista criou um efeito “claro-escuro” para dar vida a fortes contrastes de luz e sombra. Várias imagens na pintura estão associadas à ideia de que o diabo (íncubo) podia copular com uma mulher, enquanto ela dormia. Alguns estudiosos de arte acham que o artista buscou influências nas crenças folclóricas, como os contos germânicos que falavam sobre bruxas e demônios que possuíam pessoas que dormiam sozinhas.

Observações sobre a obra (retiradas da Wikipedia)

  • O historiador de arte HW Janson sugere que a mulher adormecida representa Landholdt (uma mulher por quem o artista esteve apaixonado) e que o demônio é o próprio Fuseli.
  • O antropólogo Charles Stewart caracteriza a mulher adormecida como “voluptuosa”.
  • uma estudiosa do gótico a descreve como estando em uma “posição sexualmente receptiva”.
  • Marcia Allentuck argumenta da mesma forma que a intenção da pintura é mostrar o orgasmo feminino.
  • A pintura de Fuseli foi considerada representativa dos instintos sexuais sublimados.
  • Interpretações relacionadas da pintura veem o íncubo como um símbolo onírico da libido masculina, com o ato sexual representado pela intrusão do cavalo através da cortina.
  •  O próprio Fuseli não forneceu comentários sobre sua pintura.

Ficha técnica
Ano: 1790/91
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 76,5 x 63,5 cm
Localização: Frankfurter Goethe-Museum, Frankfurt, Alemanha

Fontes de pesquisa
Romantismo/ Editora Taschen
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Nightmare
https://fineartamerica.com/featured/1-the-nightmare-henry-fuseli.html

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Géricault – RETRATO DE NEGRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O sensível pintor francês Jean-Louis-André Théodore Géricault (1791 – 1824), filho do advogado e comerciante Georges Nicolas e de Louise Jean-Marie Carruel, foi um dos mais famosos, autênticos e expressivos artistas do estilo romântico em seu início, na França. Sua mãe era uma mulher inteligente e culta. Desde a infância Géricault demonstrava interesse pelos desenhos e cavalos. A família mudou-se para Paris e sua mãe faleceu quando ele tinha dez anos, deixando-lhe uma renda anual. Na capital francesa o futuro artista tornou-se esportista, elegante e educado, frequentando os ambientes mais sofisticados. Embora seu pai não aprovasse a sua opção pela pintura, um tio materno resolveu o impasse, ao chamar o sobrinho para trabalhar com ele no comércio, mas lhe deixando um bom tempo livre para dedicar-se à pintura.

A composição intitulada Retrato de Negro é também uma das obras do artista que nutria grande solidariedade, preocupação racial e simpatia pelo movimento abolicionista. No período de 1822 a 1823 – dois anos antes de sua morte – ele pintou inúmeros retratos de negros. Pretendia criar uma grande tela evidenciando o tráfico negreiro, voltando o seu foco de pintor humanista para os dramas desses personagens, mas sua morte prematura, aos 32 anos, frustrou seus sonhos.

Géricault, neste retrato – iria fazer parte de sua ambicionada tela sobre o tráfico negreiro –, faz com que, através de suas pinceladas, os olhos do personagem falem. Neles estão contidos suas saudades e o sonho nostálgico, ainda que sem esperança, de um dia saborear a liberdade. A composição repassa uma grande simpatia do pintor pelo retratado.

Ficha técnica
Ano: 1822/1823
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 45 x 37 cm
Localização: Museu Drenon, Châlon-sur-Saône, França

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Jigoku Zoshi – MAQUIMONOS DO INFERNO

Autoria de Lu Dias Carvalho

No período de Kamakura no Japão (1185 – 1333) o país foi assolado por longas guerras civis, calamidades e muita miséria. Em razão disso, o pensamento religioso tornou-se pessimista, concluindo que todos os pecados deveriam ser espiados.

A arte – responsável por retratar os momentos tensos da história humana – logo tomou o caminho esperado. Cenas de juízo final e punição eterna passaram a multiplicar-se na arte sacra do país, sendo descritas nos textos canônicos.

Alguns maquimonos (escrita ou pintura aplicada a um papel que se enrola) passaram a ilustrar, com exagerados pormenores, os tormentos e agonias sofridas pelos seres humanos que iam parar num dos chamados “Oito Infernos”.

Este maquimono, pintado a cores sobre papel, apresenta o padecimento em forma de uma nuvem de fogo. Aqui estão sendo queimados os pecadores que cometeram transgressões  tais como terem bebido demais em vida; posto água no vinho de alguém; feito outros beber sem que quisessem; embebedado monges para em seguida zombarem deles, etc.

Sob as chamas ensandecidas e rubras que sobem aos céus, monstros são vistos empurrando os seres humanos que tentam delas fugir. Apesar da temática escabrosa é impossível não ver beleza nas chamas com seus vigorosos ritmos lineares.

Ficha técnica
Ano: fim do séc. XII
Autor: Jigoku Zoshi
Período Kamakura
Dimensões: 26,1 x 242,1 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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Hogen En’i – BIOG. ILUST. DO MONGE IPPEN

Autoria de Lu Dias Carvalho

O monge Ippen Shônin (1239 – 1289) ganhou uma série com 12 maquimonos que ilustram a sua vida e o seu trabalho. Esta é a sétima delas. Ele foi o fundador da seita budista Ji-shu em 1275, cujo objetivo era recitar continuamente o Nembutsu (invocação budista que significa “Em nome de Buda”). Ippen Shônin pregava que, para salvar o Japão, seria preciso contar com a intercessão do misericordioso Buda Amitabha.

Ippen Shônin teve a sua biografia compilada por um de seus discípulos e ilustrada por Hogen En’i, um pintor japonês que viveu entre os séculos XIII e XIV, 10 anos após a morte de Ippen. As principais partes da ilustração dizem respeito aos principais acontecimentos da vida do monge em seu trabalho de pregação, incluindo os lugares por onde ele passou.

A cena vista neste maquimono mostra inúmeros personagens, realizando as mais diferentes tarefas, junto a uma ponte que cruza o Rio Katsura, na cidade de Quioto, onde o monge viveu.

Ficha técnica
Ano: 1299
Autor: Hogen En’i
Período Kamakura
Dimensões: 32,8 x 802 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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SARCOPENIA – ATENÇÃO AO ENVELHECIMENTO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Sarcopenia é um processo natural e progressivo, caracterizado pela perda de massa muscular que ocorre por ocasião do envelhecimento. No texto desta semana vamos tratar de um assunto muito falado entre os geriatras e que é de extrema importância para uma qualidade de vida com independência em idades mais avançadas.

O envelhecimento é naturalmente acompanhado de uma lenta e progressiva diminuição da massa muscular. Com o tempo, ela acaba sendo substituída por colágeno e gordura. A redução excessiva desse suporte, junto da diminuição da capacidade funcional da musculatura, é que está por trás da sarcopenia. Isso já se inicia a partir dos 30 anos, mas se acentua após os 40 e pode ir piorando ano a ano, se algo não for feito.

Os maiores inimigos da independência individual na velhice são as deficiências cognitivas características das demências e a perda da massa muscular. A sarcopenia representa um fator de risco importante para a fragilidade e a perda de independência nas pessoas mais idosas. Também está ligada a um maior risco de sofrer acidentes, quedas e fraturas.

As causas da sarcopenia são várias, tais como:

  • vida sedentária,
  • queda dos níveis de testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento,
  • infiltração de gordura entre as fibras musculares,
  • perda dos neurônios que conduzem o estímulo aos músculos,
  • resistência à insulina,
  • deficiência de vitamina D,
  • até uma ingestão deficitária de proteínas na dieta.

O grupo que corre maior risco de sarcopenia incapacitante é daqueles que enfrentam períodos longos de inatividade, como nas internações hospitalares – foi o que ocorreu com o sr. Aurélio, que tiver o prazer de conhecer recentemente e que me inspirou a escrever esta coluna, além de ser um dos meus leitores fiéis. Existe uma estimativa aproximada de que a imobilidade dos mais idosos em leitos hospitalares provoque a diminuição de até 2% da massa muscular por dia, ou seja, pode ocorrer uma perda de massa magra de 30% numa internação de apenas 15 dias.

Quando a sarcopenia começa a dar os sinais de fraqueza muscular é porque o processo já se encontra mais avançado. Por exemplo, a pessoa passa a ter dificuldade para subir uma escada, sentar e se levantar sozinha, abaixar-se e pegar um objeto que caiu no chão, etc. Se providências não forem tomadas a tempo, a sarcopenia passa a prejudicar a capacidade de manter as atividades no dia a dia com independência.

As pessoas de mais idade com esses tipos de dificuldades, se não quiser ficar dependente do cuidado de terceiros, deve combater a sarcopenia. As estratégias de prevenção mais estudadas e que dão mais certo para corrigir a perda de massa muscular envolvem o estilo de vida. A influência dos exercícios com levantamento de pesos e de força contra resistências mostrou aumentos significativos da massa muscular. Aliado aos exercícios musculares, deve ocorrer melhora da nutrição, com aumento da carga de proteínas na dieta diária. A suplementação pode, em alguns casos, ser considerada, porém deve ser acompanhada por médico ou nutricionista. Sua independência física na terceira idade vai depender de uma musculatura robusta. Pense nisso!

Nota: imagem copiada do blog.jaleko.com.br

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Tengu Zoshi – ILUSTRAÇÕES DO TENGU

Autoria de Lu Dias Carvalho

Yamato era um estilo de pintura que foi progressivamente abandonado lá pelo final do século XIII no Japão, mas que retornou no fim do período Edo. Um dos temas mais comuns nesse estilo de pintura era a crítica mordaz direcionada aos monges que, apesar de pregarem a santidade, levavam uma vida mundana, principalmente os dos grandes templos.

Tais monges eram vistos pelos pintores das famílias Tengu Zoshi – extremamente satíricos – com grande ironia e amargura. Eram comparados aos “tengu” – seres das lendas budistas e do folclore japonês, gênios oniscientes, peritos na arte militar – tidos como sete espíritos do mal, responsáveis pelas calamidades naturais.

O maquimono apresenta um detalhe em que um grupo de monges e fiéis são mantidos à distância por um monge armado de bastão que os impede de se aproximar de uma área sagrada. Numa plataforma, à esquerda, duas pessoas dançam.
 
Ficha técnica
Ano: fim do séc. XIII
Autor: Tengu Zoshi
Período Kamakura
Dimensões: 29,4 x 1074,2 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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