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Textos sobre variados tipos de arte

Longhi – O RINOCERONTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

O artista italiano Pietro Longhi (1702 –1785) era filho de um ourives. Iniciou sua carreira como pintor de temas religiosos e pinturas históricas. Seu primeiro mestre foi Antonio Balestra, vindo a trabalhar mais tarde com Giuseppe Maria Crespi – sua fonte de inspiração em relação ao estudo da natureza e dos temas de gênero. Pintor de retratos e de cenas de gênero do Rococó veneziano, Longhi também se tornou conhecido por pequenas pinturas, imagens religiosas e pinturas históricas.

A composição intitulada O Rinoceronte é uma obra do artista que era dono de um fino humor. Um grupo de sete pessoas encontra-se numa exposição, de pé em bancos de madeira, numa formação quase triangular, com o objetivo de observar o animal que come tranquilamente sua ração. Trata-se de um rinoceronte fêmea de nome Clara. O animal aparenta estar deprimido por se encontrar longe de seu habitat, pois fora trazida para a Europa (em 1741) por um capitão holandês, tendo sido exibido em outras cidades europeias.

O público não se mostra surpreso, pois ninguém o observa. Todos trazem o olhar direcionado para algo diferente. Três dos presentes fazem uso de máscaras de Carnaval (a exposição aconteceu na época do Carnaval em Veneza). O responsável pela exibição traz na mão levantada o chifre do animal e um chicote. Ele é o único a mostrar relação com o rinoceronte em exposição e o público. A mulher elegante – usando um xale de renda escuro debruado a ouro – é Catherine Grimani. Ela olha diretamente para o observador. O mascarado à sua esquerda é seu marido John Grimani – o comissário da pintura. À direita deles está o criado, olhando diretamente para frente. Nem mesmo a garotinha ali presente importa-se com Clara.

O homem vestindo um manto vermelho e fazendo uso de um cachimbo de barro olha para baixo, perdido em seus próprios pensamentos. Acima dele, o artista pintou um aviso de pergaminho sobre a pintura, dizendo: “Verdadeiro Retrato de um Rinoceronte realizado em Veneza ano 1751: feito para mão por Pietro Longhi Comissões S de Giovanni Grimani Servi Patrick Veneto “.

Obs.: segundo notas históricas, o chifre não foi cortado, mas caiu em razão da fricção contínua com a gaiola.

Ficha técnica
Ano: c. 1751
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 62 x 50 cm 
Localização: Ca’ Rezzonico, Veneza, Itália

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://mydailyartdisplay.wordpress.com/2011/07/26/the-rhinoceros-by-pietro-longhi/

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Greuze – LAMENTO PELA PASSAGEM…

Autoria de Lu Dias Carvalho

Deixem a moral exprimir-se na arte. (Diderot)

O pintor francês Jean-Baptist Greuze (1725 – 1805) era filho de um mestre talhador. Desde pequeno mostrou interesse pelo desenho, vindo a estudar com Charles Gardon. Em Paris estudou na Academia com o professor Natoire. Foi influenciado pela pintura de gênero holandesa do século XVII, após contato com Phillippe Le Bas e Pierre Étienne Moitte. É tido como um grande representante da pintura de gênero moralizante (peinture morale), aclamado até mesmo pelo crítico Didorot, uma vez que o público da época exigia que a pintura primasse por mais moralidade, aparentemente cansada do estilo Rococó que dava mais ênfase à sensualidade.

A composição intitulada Lamento pela Passagem do Tempo – também conhecida como A Queixa do Relógio – é uma obra do artista. Embora tenha por objetivo o uso de um tema moralizante, a obra é também cheia de erotismo, mas não se limita apenas ao aspecto erótico, trazendo em seu bojo uma mensagem de cunho moral.

Uma jovem mulher mostra-se extremamente abatida, perdida em seus pensamentos. Ela se encontra em um quarto triste – aparentando ser um sótão –, sentada numa cadeira próxima à sua cama ainda desfeita, onde jaz a sua touca. Ela veste uma camisola, aparentando ter acabado de levantar-se. Fitas descem pelo espaldar de sua cadeira de madeira e palhinha. Seu seio esquerdo – semi despido – chama a atenção para o seu colo. Em volta dele o artista conduz a narrativa que leva ao título da obra.

A mulher traz um pequeno relógio redondo na palma da mão esquerda, possivelmente um presente da pessoa que a deixara. Como o relógio representa na simbologia da arte a transitoriedade do tempo, significa que ela rememora uma aventura amorosa desfeita, como reforça a carta aberta, cortando a relação amorosa, que se encontra sobre a mesinha dobrável, ao lado de um buquê de flores e de um cesto de trabalhos manuais.  Tênues raios de sol entram pela direita. Uma parede acinzentada serve de fundo. No chão, em primeiro plano, está um braseiro que aquece o ambiente humilde.

Ficha técnica
Ano: c. 1775
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 79 x 61 cm 
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.townsends.us/blogs/blog/the-complain-of-the-watch-by-jean-baptiste-greuze

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Lancret – O BALOUÇO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O artista francês Nicolas Lancret (1690–1743) iniciou seus estudos na oficina de Pierre Dublin, pintor de história, após um rápido início como gravador e desenhista. Não se realizando com o gênero, foi estudar com Claude Gillot, tendo ali recebido influência de seu colega Antoine Watteau. Veio depois a tornar-se mestre orientador do estilo de pintura denominado “fête galante” (festas galantes) — um novo gênero de paisagens — sendo responsável, portanto, por um ramo específico do paisagismo francês no período do Rococó. O pintor tornou-se respeitado e muito apreciado à época. É tido, ao lado de Jean- Baptiste Pater, como o mais importante dos artistas que receberam influência de Watteau.

A composição intitulada O Balouço é uma obra do artista. Em sua pintura ele apresenta dois aristocratas — usando roupas da época — divertindo-se numa cena íntima, ao ar livre, num bosque. A jovem, sentada num balanço situado entre duas grandes árvores, é puxada pelo acompanhante que usa uma corda para fazer o vai e vem. Ela se mostra faceira, voltando a cabeça para a sua direita. O terreno é ligeiramente inclinado.

O pintor fez outros quadros com esta mesma temática.

Ficha técnica
Ano: c. 1735
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 70 x 89 cm              
Localização: Victoria e Alberto Museum, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

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Liotarde – MULHER TURCA COM PANDEIRO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor Jean-Étienne Liotard (1702 – 1789) estudou com Daniel Bardelle em Genebra – cidade onde nasceu e morreu – e depois com Jean-Baptiste Masse, em Paris. Sua formação inicial foi como pintor de miniaturas e gravador. Trabalhou para o Papa Clemente XII em Roma e para outros grandes mecenas. Recebeu o apelido de “Pintor Turco” após ter morado cinco anos na cidade de Constantinopla, onde assimilou os costumes de seu povo. Liotard viajou por diversos países antes retornar definitivamente à sua cidade natal. É tido como um exímio retratista e um dos mais importantes pintores a pastel de sua época, tendo sido influenciado por Lemoyne. Sua obra caracteriza-se, sobretudo, pelo uso de cores claras que se sobressaem num mundo detalhado e praticamente sem sombras.

A composição intitulada Mulher Turca com Pandeiro é uma obra do artista que nela usa o pastel e a técnica em óleo. Trata-se de uma réplica em óleo de um pastel menor. A jovem mulher apresenta-se como uma elegante parisiense. Seu rosto pálido com olhos claros traz bochechas e lábios vermelhos. Ela está sentada ereta sobre um grande tapete vermelho, usando um colorido traje turco. Traz nas mãos com unhas pintadas um pandeiro. Joias enfeitam suas orelhas, pescoço, braços e dedos.

O rigor com que Liotard executa os detalhes desta pintura mostra o quanto ele conhecia sobre os costumes turcos e evidencia sua grande capacidade de observação. O “turkery” – moda orientalista na Europa Ocidental – foi muito usado no período Rococó, com o objetivo de imitar os aspectos da cultura turca, muito em voga à época, tendo o artista feito muitas obras usando tal temática. Um grande cachimbo encontra-se recostado à parede que serve de fundo para a mulher.

Ficha técnica
Ano: c. 1735
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 117,2 x 186,7 cm    
Localização: Galeria Nacional de Londres, Grã-Bretanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.wga.hu/html_m/l/liotard/turkish.html

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Piazzetta – O JOVEM PEDINTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Giovanni Battista Piazzetta (1682 – 1753) nasceu e morreu em Veneza, Itália. Seu pai Giacomo Piazzetta era gravador e escultor. Foi com ele que teve suas primeiras aulas. Tornou-se aluno de Antonio Molinari e depois de Giuseppe Maria Crespi que o influenciou muito com sua pintura de gênero e o seu estilo. Foi o artista de pintura religiosa mais procurado no século XVIII, em Veneza. À época, tinha como rival o pintor Giovanni Battista Tiepolo.  Além das pinturas religiosas, Piazzetta também criou cenas de gênero e ilustrações para livros. Seu trabalho possuía um traço amplo e solto com cores térreas e quentes, contrastando com o estilo colorido e claro visto em Veneza, mas à medida que amadurecia sua pintura ia se tornando mais clara. É tido como um dos mais importantes artistas da pintura veneziana do século XVIII.

A composição pertencente ao estilo rococó e intitulada O Jovem Pedinte ou ainda Menino Mendigo é uma obra do artista. O rapazola retratado diante de um fundo escuro apresenta bochechas salientes e olhos e cabelos escuros. Veste um colete vermelho sobre uma camisa branca de mangas compridas e fofas, aberta no peito. O vermelho forte do colete parece refletir sobre sua face. Na mão esquerda traz um cajado e na direita, suja, detém um rosário. No ombro esquerdo carrega um casaco marrom. Sobre o objeto escuro apoiado em seu braço direito pode-se ver um pedaço de pão. Embora o rapazola mostre-se forte, com um corpo robusto, vê-se que é ainda muito jovem.

Apesar de sua condição de pobreza, o garoto não apela para a compaixão do observador, a quem parece fitar.  Sua postura não denota humildade e nem devoção. Seu semblante traz um ar de dignidade em vez de decadência.

Ficha técnica
Ano: 1725/1730
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 67,7 x 54,7 cm        
Localização: Instituto de Arte, Chicago, EUA

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

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Brescianino – VÊNUS ENTRE DOIS CUPIDOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Andrea del Brescianino (c. 1486 – c. 1525) também conhecido por Dei Piccinelli – pertenceu ao período renascentista, tendo trabalhado principalmente em Siena ao lado de seu irmão Raffaello. Foi aluno de Giovanni Battista Giusi. O apelido de “Brescianino” foi derivado do lugar onde nascera seu pai, um dançarino. Foi influenciado por Rafael, Fra Bartolomeo e Andrea del Sarto.

A composição intitulada Vênus entre dois Cupidos é uma obra do artista. Sua Vênus apresenta proporções perfeitas de acordo com o cânone de beleza do Classicismo em que se encaixava a deusa da beleza e do amor. Ela possui: proporções perfeitas, seu corpo possui correção anatômica e volumetria, além de ser mostrada numa postura encantadora, como se tivesse sido surpreendida pelo artista ao sair de um grande nicho.

Dois sapecas Cupidos postam-se atrás da deusa. Um deles segura o arco e o outro uma flecha de ouro. Vênus traz na mão direita, elevada até a altura de seus olhos, uma concha. Ali, através da superfície espelhada, contempla sua beleza. Ela curva delicadamente sua perna direita, deixando o pé atrás e o joelho para frente. A perna esquerda já se encontra fora do nicho.

Ficha técnica
Ano: c. 1520 – 1525
Técnica: óleoa sobre madeira
Dimensões: 150 x 66 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
Wikipédia

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