Arquivo da categoria: Corpo e Mente

Filosofias e conjunto de práticas físicas, psíquicas e ritualísticas que buscam um estado de harmonia e equilíbrio físico e mental.

A BENDITA TERAPIA DO PERDÃO

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos ensina o que significa perdoar.

Quando menino, um dia comi uns bagos de jaca e quase morri de indigestão. O alívio sobreveio quando vomitei o conteúdo maléfico do estômago. Em muitos casos de doenças psicossomáticas, o mesmo pode ocorrer. Basta que consigamos “vomitar o conteúdo maléfico” que está na mente, danificando nossa vida, criando sintomas. Ksahm é o nome de um milagroso remédio. Significa perdão, misericórdia.

Este “conteúdo maléfico que está na mente” é, muitas vezes, a mágoa ou o ressentimento. E consegue-se “vomitá-lo” com o ato de perdoar. Refiro-me a perdoar mesmo. Diz o escritor Maxwel Maltz em “Liberte Sua Personalidade” que a personalidade “tipo fracasso”, quando procura uma desculpa ou bode expiatório para seu malogro, quase sempre culpa a sociedade, a vida, a sorte. Ressente-se do êxito e da felicidade dos outros porque constituem para ele uma prova de que a vida o está “defraudando”.

Este é o tipo ressentido que lê em voz alta uma reclamação em cada página do livro da vida, que tem uma queixa a fazer contra cada um de seus semelhantes. Tive um aluno assim. Seu ressentimento era tão permanente e presente que se tornava antipático a todos que o conheciam, os quais, como imagem refletida num espelho, tratavam-no também de maneira pouco simpática, fazendo-o assim mais ressentido.

Tal é a vida do “zangado com os outros”. A todos mostra sua carranca magoada e em troca, recebe também carranca, o que o faz ainda mais franzir a cara. Círculo vicioso perfeito. O ressentido é geralmente portador de complexo de superioridade. Está sempre reclamando. Faz como se intimamente dissesse: “Logo eu, tão bom, tão importante, é que sou tratado assim?!” As pessoas contra as quais tem queixa são-lhe todas muito inferiores, segundo seu julgamento.

No fundo, ressentimento é uma desculpa para um autofracasso em qualquer aspecto da vida. Enquanto alguém fizer de sua mente ou de seu coração um depósito de queixas, ressentimento ou ódio estará sempre doente. Seus nervos sempre lhe serão um tormento. É a mesma coisa que guardar veneno ou esconder dentro de si mau cheiro de carniça. Neste caso, só o perdão terapêutico resolve.

O verdadeiro perdão – o terapêutico – é tão raro que muitas pessoas, a quem foi ensinado perdoar como quem toma remédio, acabam por dizer: “Perdoei, mas não melhorei!”. O perdão terapêutico não é tíbio, limitado ou parcial. Ao contrário, é generoso, bravo e total. Tão completo que quem perdoa esquece o ato ofensivo e nem mais se lembra de que perdoou. Quem diz “Eu perdoei, mas não consigo esquecer o que tu fizeste!” realmente não perdoou. Só há perdão quando já não se sabe mais o que foi perdoado. Também não perdoa aquele que diz: “Não te esqueças de quanto fui bom ao te perdoar!”.

“O perdão que é lembrado, mantido no pensamento, infecciona de novo a ferida que pretendemos cauterizar. Se você se sente muito orgulhoso de seu perdão ou o relembra frequentemente, isto é porque, com certeza, acha que a outra pessoa deve-lhe alguma coisa por você a ter perdoado. Você perdoa-lhe uma dívida, mas ao fazê-lo incorre em outra, mais ou menos como acontece com as pequenas companhias de financiamento que reformam uma promissória de duas em duas semanas.” (Maltz; Opus cit.).

Perdoe também a si mesmo. Conheço, entre meus alunos, senhoras e senhores que levaram uma longa vida de austeridade e retidão, sendo impolutos e honrados. Através de tremendos sacrifícios frequentes evitaram cometer os mínimos enganos ou pequenos deslizes. Lá um dia, por invigilância ou por outro qualquer motivo próprio da natureza humana, erraram o passo, praticando um pequeno desvio do dever e aí se sentiram como que destruídos perante si mesmos, caíram em arrasador abatimento, do que resultou sofrimento moral e, consequentemente, distúrbios funcionais orgânicos.

Sem hombridade, sem honradez e sem retidão este mundo será um inferno. É preciso que existam aqueles em quem se pode acreditar. A humanidade sem pessoas de caráter nobre viraria pântano de mau cheiro e incerto. Abençoados os honrados que dão estrutura e consistência à sociedade. Que a probidade deles, no entanto, não lhes seja tormento. Que a retidão não lhes pese como um sacrifício. Que sua inflexibilidade não os arrisque à brusca destruição diante de um pequeno pecado. Que a austeridade não lhes venha a ser prejudicial. Desde que somos seres humanos e vivemos num mundo humano (ou desumano), precisamos dosar nossa obsessão pelo dever com a prudência de não sermos demasiadamente severos diante de nossas quase inevitáveis quedas.

A linha de equilíbrio e da saúde corre na vida equidistante da autoseveridade dos probos e da autocomplacência dos canalhas. Para tanto, é preciso que o austero aprenda a necessidade de perdoar a si mesmo e não somente aos outros. Remorso ou autocondenação em demasia causam tanto mal como o mal que pretendem evitar.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de gethashtags.com

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NEURÓBICA – GINÁSTICA CEREBRAL

Autoria de Lu Dias CarvalhoA neuróbica é um termo usado pelos neurocientistas para dinâmicas que funcionam como uma aeróbica dos neurônios. Assim como exercitamos os músculos numa academia de ginástica, podemos “movimentar” as células cerebrais com práticas que exijam o esforço da cognição. (Martin Portner)

Esse tipo de exercício visa tornar o cérebro mais ágil e flexível, no sentido de ampliar as possibilidades na busca de novos caminhos para a realização das ações cotidianas. (Geomecel Carvalho)

Atualmente sabe-se que é possível desenvolver aptidões, estimular a memória e aprender novos conhecimentos em quase todas as épocas da vida. (Amaryllis Schinvinger)

Durante muito tempo houve uma preocupação exagerada apenas com a beleza física no que diz respeito à “malhação”. A Ciência, além de incentivar os exercícios físicos – eles devem ser feitos pelo menos três vezes por semana –, também tem orientado na sua execução de modo a trazer ganhos para o corpo e a mente. É nesta vertente que entra a ginástica para o cérebro, tão propícia a uma época em que o processamento de informações torna-se cada vez maior, gerando grandes desgastes e estresse mental.

A ginástica cerebral tem como base o uso do cérebro de forma a estimular áreas sensoriais importantes para o funcionamento de todo o organismo, assegurando o seu bem-estar. Pode ser praticada durante a execução de atividades rotineiras e de outros pequenos desafios em meio aos afazeres do dia a dia que resultam em benefícios fantásticos. Assim, nada mais importante do que “malhar” esse nosso maravilhoso “computador central”, aprimorando-o para que seja o mais eficiente possível.

Assim como acontece com a nossa pele, os neurônios estão em permanente renovação, sendo importante manter tal produção da região cerebral, que necessita contar sempre com a neuroplasticidade (capacidade de adequar-se racional e emocionalmente às diferentes situações do dia a dia).  De acordo com a neuróbica, o primeiro passo para tornar o cérebro mais “plástico” é autopercepção (consciência que se tem de si mesmo).

O Budismo – quando se refere a alcançar a iluminação – também deixa patente a necessidade de contemplar a mente, alegando que “ao entender a mente tudo o mais está incluído”. E exemplifica fazendo uma analogia com a árvore: “É como a raiz de uma árvore: todas as frutas, flores, galhos e folhas dependem da raiz. Se você alimentar a raiz, ela cresce e se desenvolve. Mas, se você cortar a raiz da árvore, ela morre.”. Por sua vez, a gnose ensina que é preciso conhecer e contemplar a mente: “Devemos agir, fazer e proceder da mesma forma como faz um cientista que passa anos e anos estudando, por exemplo, os hábitos e comportamento dos macacos na África. São pacientes trabalhos anônimos de observação direta, oculta, disfarçada, na floresta, sem que ele julgue, critique, interfira ou queira fazer parte do grupo de macacos que está a observar e a estudar”.

A Ciência revela que a ginástica mental traz inúmeros benefícios à saúde: regeneração e manutenção dos neurônios, redução da demência e das perdas cognitivas (processos da mente envolvidos na percepção, na representação, no pensamento, nas associações e lembranças, na solução de problemas, etc.) advindas do envelhecimento natural do cérebro. Segundo Solange Jacob – especialista em ginástica cerebral –, “A técnica fortalece o caminho para acessar eventos memorizados e facilita a associação dos pensamentos”.

Além de aplicar a aeróbica dos neurônios durante os afazeres do cotidiano, como a troca do uso de uma mão para escovar os dentes*, mudar o relógio de braço, etc., jogos devem ser inseridos, como: tangran**, sodoku, quebra-cabeça (puzzle), palavras-cruzadas, duplex, diagrama, problemas de lógica, etc. Trabalhos artesanais diferenciados também são importantes, assim como o aprendizado de um novo idioma ou mesmo de uma palavra nova a cada dia, buscando empregá-la. Sempre que possível escreva manualmente, faça cálculos “de cabeça”. Busque fazer algo novo todo dia e, sobretudo, ter uma alimentação saudável e dormir bem. O cérebro agradece! (Não deixe de ler CONHECENDO O NOSSO CÉREBRO)

Curiosidade
*Se você usa a mão direita, por exemplo, para escovar os dentes, pentear os cabelos ou segurar a xícara de café, tente fazer esse mesmo trabalho com a esquerda, mas se é um indivíduo canhoto, tente usar a mão direita.

**Tangran – é um quebra-cabeças geométrico chinês formado por 7 peças, chamadas tans: são 2 triângulos grandes, 2 pequenos, 1 médio, 1 quadrado e 1 paralelogramo. Utilizando todas essas peças sem sobrepô-las, podemos formar várias figuras. Segundo a Enciclopédia do Tangram é possível montar mais de 5000 figuras.

Livro recomendado: Mantenha seu Cérebro Vivo, obra do neurologista Larry Katz.

Fontes de pesquisa:
Segredos da Mente
https://gnose.org.br/o_que_e_gnose/

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CONHECENDO O NOSSO CÉREBRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

                              

Durante muito tempo a “malhação” teve por objetivo apenas trabalhar o corpo em busca da beleza física. Não foram poucas as pessoas que, na procura por um corpo definido, exageraram nos exercícios físicos (e talvez muitas ainda o façam), sem se dar conta de que o excesso é tão prejudicial quanto a falta. A Ciência, além de continuar incentivando os exercícios físicos –  devem ser feitos pelo menos três vezes por semana –, também traz nova orientação no sentido de que esses  tragam ganhos para o corpo e também para a mente. É nesta vertente que entra a ginástica para o cérebro, tão propícia para uma época em que o processamento de informações torna-se cada vez maior, gerando grandes desgastes e estresse mental.

A ginástica cerebral tem como objetivo o cérebro de forma a estimular áreas sensoriais importantes para o funcionamento de todo o organismo, assegurando o seu bem-estar. Pode ser praticada durante a execução de atividades rotineiras – vistas até mesmo como insignificantes – e de outros pequenos desafios em meio aos afazeres do dia a dia,  resultando em benefícios fantásticos. Assim, nada mais importante do que “malhar” esse nosso maravilhoso “computador central”, situado dentro de uma potente caixa craniana, para onde vão todas as informações recebidas. Porém, primeiro é preciso conhecer um pouco sobre ele.

Embora represente uma ínfima parte da massa corporal humana (2%), o cérebro, cujo aspecto assemelha-se ao miolo de uma noz, não economiza no que diz respeito ao gasto de oxigênio (20%). É também responsável por receber cerca de 25% do sangue que é bombeado pelo coração. São muitos os seus esforços para dar conta de tanta responsabilidade.

Anatomicamente falando, o cérebro é formado por dois tecidos superpostos: 1. o córtex cerebral – mais externo e mais extenso, de coloração cinza (a tão falada “massa cinzenta”), onde se situam os corpos celulares neuronais e outras células nervosas; 2. o núcleo cerebral – possui coloração branca, é rico em fibras nervosas responsáveis por estabelecer comunicação entre o córtex cerebral, os órgãos sensoriais e os músculos de todo o corpo. O cérebro divide-se em quatro lóbulos ligados entre si: frontal (o maior deles, situa-se trás da testa) – responsável pelos mais simples movimentos físicos e pelas funções do aprendizado, do pensamento, da memória e da fala; parietal (situa-se atrás do osso frontal) – responsável pela percepção espacial e pelas informações sensoriais de dor, calor e frio); temporal (situa-se na base do osso parietal) – responsável pelos estímulos auditivos; occipital (o menor deles, situado na parte posterior do osso temporal) – responsável por receber e processar as imagens visuais).

Assim como a Terra, o cérebro divide-se em dois hemisférios (metades) chamados de hemisférios cerebrais. Como parceiros e amigos que são, um controla o lado do outro, ou seja, cada lado do cérebro controla o lado oposto do corpo. O hemisfério esquerdo, portanto, controla  a ordem dos movimentos dirigidos ao lado direito. O hemisfério direito, por sua vez, controla o lado esquerdo. A pessoa “canhota” tem, portanto, como hemisfério dominante o lado direito do cérebro, enquanto a “destra” tem o hemisfério do lado esquerdo. Por sua vez, aquele que usa os dois lados do corpo com a mesma habilidade é chamado de “ambidestro”, não tendo, portanto, nenhum dos lados de seu cérebro dominante. A ambidestria pode ser de nascença (muito rara) ou aprendida. Segundo estudos, o mais comum é encontrar ambidestros que nasceram canhotos e foram forçados a usar as duas mãos.

Os dois hemisférios cerebrais possuem como principais atividades: o direito – é o que nos possibilita a capacidade de identificar rostos e objetos; o esquerdo – controla nossa capacidade de leitura e escrita, assim como nos permite identificar regras gramaticais. Contudo, esses dois irmãos trabalham unidos em algumas funções – talvez porque essas sejam muito árduas –, como a fala, por exemplo. Já pensaram se somente um dos hemisférios se incumbisse da capacidade de os humanos se expressarem verbalmente, uma vez que eles falam até pelos cotovelos?  A prova dessa interação entre esses dois hemisférios está no fato de indivíduos que tiveram um deles lesionado continuarem a falar normalmente.

Agora que compreendemos melhor o funcionamento de nosso cérebro, vamos à ginástica cerebral: NEURÓBICA – A GINÁSTICA CEREBRAL

Fonte de pesquisa:
https://www.todamateria.com.br/cerebro/https://www.anatomiadocorpo.com/sistema-nervoso

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MENTE E CORPO SÃO INDISSOCIÁVEIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

O ser humano é integral; mente e corpo são indissociáveis. Assim, todas as doenças são de algum modo psicossomáticas. Haverá um dia em que o homem vai olhar para trás e dar risada ao saber que existia uma faculdade para ensinar medicina e outra para ensinar psicologia. (José Atílio Bombana)

A Ciência sabe que “mente” e “corpo” são interligados, indissociáveis, formando uma única unidade. Contudo, teoricamente falando, costuma tratá-los distintamente, no intuito de facilitar seu estudo, mas isso jamais poderá acontecer na prática, pois não se pode fragmentar a natureza humana, desprezando a sua totalidade. O fato de as doenças terem uma relação direta com as manifestações psíquicas e emocionais é uma prova dessa unicidade. Assim como os fatores psicológicos podem contribuir para o surgimento ou agravamento de inúmeros distúrbios físicos, as doenças orgânicas, por sua vez, podem afetar o estado de espírito ou a forma de pensar e de agir de um indivíduo. A depressão, por exemplo, é capaz de inibir o sistema imunológico, tornando o doente mental mais predisposto a infecções como o resfriado.  Portanto, saúde mental e saúde física devem ser tratadas simultaneamente, uma vez que ambas são inseparáveis.

No trato com as doenças mentais é que fica patente a visão preconcebida – portanto, desprovida de qualquer fundamento ou reflexão – que ainda impera em muitos círculos que  ainda acreditam na separação entre mente e corpo. Muitas pessoas mal informadas veem-nos como partes distintas, o que as leva a negar o fato de que a mente adoece assim como qualquer outro órgão corporal (coração, fígado, pulmões, etc.) Por isso, veem as patologias mentais como “chiliques”, “fricotes” ou “coisas do diabo que somente Deus cura”. Negam tais indivíduos que as doenças mentais interferem no corpo e vice-versa. Desconhecem que o corpo e a mente devem ganhar a devida atenção, pois não são desvinculáveis, sendo que o desequilíbrio de um interfere no bom desempenho do outro.

A Ciência tem insistentemente apregoado que dentre os cuidados que se deve ter com mente e corpo estão: a alimentação saudável; a exclusão do estresse (ainda que isso seja cada vez mais difícil),; as horas necessárias de sono e a prática de exercícios  físicos e mentais. Um segundo ponto é a eliminação de hábitos nocivos à saúde. Ao trabalhar com a autopercepção (consciência que se tem de si mesmo), a pessoa é capaz de avaliar se seus hábitos e a forma como os exerce são benéficos, lembrando sempre que o equilíbrio é o primeiro passo nessa caminhada, embora alguns hábitos devam ser arrancados pela raiz.

Uma alimentação de qualidade é o combustível essencial para o bom desempenho da máquina humana. Ao contrário do que diz biblicamente Mateus (15; 18-19), é o que entra pela boca que contamina o homem no quesito saúde, mas também é verdade que aquilo que sai de sua boca pode contaminar sua alma, seu caráter e o julgamento que se faz dele. É preciso estar atento ao excesso de sais, açúcares e gorduras – inimigos silenciosos encontrados principalmente nos alimentos industrializados – responsáveis por prejudicar as capacidades cognitivas (imaginação, memória, raciocínio, discurso, juízo e atenção), etc. Não podem ser esquecidas as drogas, cujo uso contínuo acaba por destroçar o organismo, assim como o álcool e o cigarro que diminuem a oxigenação do cérebro, cuja consequência é a deterioração dos hormônios.

Mais do que nunca os tempos atuais com suas comodidades – como o desfrute da internet e da televisão – convidam as pessoas a ficarem quietinhas em seus lares, indispostas para saírem ou fazerem exercícios. O sedentarismo é um companheiro nefasto, uma vez que interfere no bom funcionamento da mente e do corpo, diminuindo o fluxo sanguíneo responsável por irrigar o sistema nervoso, reduzindo a demanda de oxigênio e nutrientes e interferindo no trabalho dos neurotransmissores. O sono – tido como vital para o organismo, pois ajuda na regularização das inúmeras funções da mente – também é afetado pelo sedentarismo, muitas vezes responsável pela insônia.

O que deve ficar claro para cada um de nós é que corpo e mente são indissociáveis, merecendo muitos cuidados para que tenhamos um vida de qualidade. Os pensamentos influenciam as nossas emoções e essas agem sobre nosso comportamento e reações fisiológicas. Existe um provérbio que explicita isso muito bem: “Quando a mente não pensa, o corpo padece”, mas podemos dizer que o inverso também é verdadeiro, ou seja, quando o corpo não é bem cuidado, a mente sofre. Cuidar da saúde diz respeito a cuidar do corpo e da mente.

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1004200310.htm

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É PRECISO FAZER UM CHECK-UP DA ALMA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Várias pessoas estão doentes da alma e, muitas vezes, deixam outras doentes também. Doenças d’alma, quando não tratadas, contaminam outros ao seu redor. Normalmente são pessoas pessimistas, para quem nada está bom, são desconfiadas e inseguras, negativas, invejosas, etc. Conhece alguém assim? Provavelmente. São indivíduos que podem até apresentar boa saúde física, mas que pouco se conhecem e sofrem ano após ano com doenças do espírito. Uma completa avaliação interior, incluindo aí um check-up da alma, é bem indicada.

Estamos conhecendo, a cada ano que passa, mais e mais o universo e seus segredos, mas não conseguimos entender direito e profundamente o nosso próprio coração. Não nos conhecemos verdadeiramente. Não sondamos suficientemente a nós mesmos. Não gerenciamos bem nossas angústias, medos e aflições. Nosso interior, não raro, passa-nos a perna. Por isso, a vigilância é essencial. E é através dela que mantemos afastado de nós atitudes que envenenam a alma, como a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a inveja, a blasfêmia, a soberba e a loucura.

Faz parte da vida, às vezes, ficar triste, ansioso ou amedrontado. A variação emocional é que dá colorido à vida. Só devemos nos preocupar se nos “congelarmos” em um único estado, como ficar engessado emocionalmente e sem poder de reação. São em momentos como esses que devemos olhar para dentro de nós mesmos e iniciarmos algumas reflexões.
Alguns pontos são importantes a serem observados em nosso comportamento, como forma de uma autoanálise:

• Evitar fugir das situações desagradáveis, pois o confronto e o enfrentamento dos problemas fazem parte da vida.
• Não queira aparentar uma coisa e estar sentindo outra. Portanto, aprenda a dizer “não”. Se você não se respeita, certamente não ganhará a admiração dos outros.
• Explosões de raiva são típicas de pessoas que querem resolver o problema no grito. Na verdade, não resolvem e criam ressentimentos. Por isso, pratique a tolerância. Saiba ouvir opiniões contrárias, pois elas podem ser mais construtivas do que as suas. O bom negociador sabe pedir, mas também sabe ceder, para que o equilíbrio seja atingido.
• A conscientização dos defeitos que temos e a apuração de nossas virtudes são as chaves para melhoramento e aperfeiçoamento interior.

Cristo, como o melhor de todos os médicos, certamente receitaria:

• tomar diariamente, já ao acordar, uma xícara de chá de agradecimento;
• ao chegar ao trabalho, tomar uma colher de sopa de “bom dia”;
• de hora em hora, tomar um comprimido de paciência;
• beber doses semanais de humildade;
• logo ao chegar em casa, inalar doses de paz e amor,
• e ao deitar-se, usar sua dose noturna de consciência tranquila.

Agindo assim, não mais ficará doente, e todos os seus dias certamente serão de confraternização e solidariedade. O corpo agradece, quando a saúde da alma e do espírito vão bem.

Nota: Madalena Arrependida, obra de Artemisia Gentileschi

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POR QUE FICAMOS ANGUSTIADOS?

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Chamamos de angústia uma forte sensação psicológica, caracterizada por “abafamento”, insegurança, humor irritadiço, opressão no peito e “fôlego curto”. A angústia é também uma emoção que precede algo, como um acontecimento, uma ocasião ou uma circunstância. A pessoa sente fisicamente que algo ruim ou inesperado poderá ocorrer. Pode, também, a angústia chegar através de lembranças traumáticas que ocorreram no passado. Seus sintomas podem simbolizar situações reais ou imaginárias.

Subitamente e sem aviso, prévio vem aquele aperto no peito e uma “falta de ar”. Surge em qualquer momento, hora ou lugar. Como se uma grande mão apertasse o peito. Em seguida, vem uma sensação bem esquisita de opressão. Você quer se livrar dela, mas não consegue. O coração acelera. Num determinado momento, você está bem e a apreensão surge sem pedir licença. Em outros, está associada a alguma preocupação ou sensação de insegurança. Se você vive um momento confuso ou difícil, a angústia pode se instalar, gerando medos e uma terrível insegurança. Em casos mais graves de angústia, a pessoa pode se sentir perseguida, com quadros típicos de paranóia.

Partindo para a filosofia da angústia, Arthur Schopenhauer tinha uma visão extremamente pessimista da vida, onde “viver é necessariamente sofrer”. Para ele, a própria vontade de ter algo é um mal, pois isso gera angústia e dor. Nietzsche, concluiu que “é preciso ter consciência de que a vida é, sim, uma tragédia, para que possamos desviar um instante os olhos da nossa própria indigência, desse nosso horizonte limitado, colocando mais alegria em nossas vidas”. Já Jean-Paul Sartre, filósofo francês, defendeu que a angústia surge no exato momento em que o homem percebe a sua condenação irrevogável à liberdade, isto é, o homem está “condenado a ser livre”. Ao perceber tal condenação, ele se sente angustiado em saber que é senhor de seu destino.

Filosofias à parte, para a ciência, mais especificamente para a psiquiatria, a angústia, se não tratada pode evoluir para a depressão. As pessoas, que apresentam quadro de angústia, e não têm acompanhamento profissional, desenvolvem outros distúrbios emocionais como cansaço físico e mental, comportamento inadequado e baixa autoestima. Ficamos angustiados por opção, por força de nossas próprias escolhas, por causa de coisas e pessoas. Assumimos compromissos financeiros que não podemos saldar, adquirimos bens pelos quais não podemos pagar. Tudo em busca de status. Compramos o que não precisamos com o dinheiro que não temos, para mostrar uma pessoa que não somos. O ato da compra é sublime e fugaz. A obrigação decorrente é amarga e duradoura. É angustiante.

O tratamento é feito com medicações psicotrópicas, tranquilizantes e/ou antidepressivos. Elas ajudam a pessoa a superar os sintomas que acompanham a angústia. Porém, a psicoterapia cognitivo-comportamental é de suma importância para a prevenção. Para as pessoas com religiosidade, sugiro que voltem a alimentar o espírito, com prática de atividades físicas, mais lazer e, principalmente, voltem a respirar fundo e ter fé em si, pois, todos podem ultrapassar os limites e superar medos e receios. A ansiedade é um tempo que não chega; a angústia, um tempo que não vai embora.

Nota: A Ansiedade, de Evard Munch

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