Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Da Vinci – RETRATO DE GINEVRA BENCI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Retrato de Ginevra de’ Benci é uma obra do genial pintor italiano Leonardo da Vinci. Ele enche de luz o rosto da modelo jovem e pálida, assim como seus cabelos e ombros, expondo com nitidez os pequenos cachos que circundam e suavizam seu rosto. Os cabelos dourados, partidos ao meio, reforçam a testa altiva de Ginevra, num rosto delicado de sobrancelhas finas, nariz e boca pequenos.

A mulher está posicionada no espaço em posição de três quartos, o que mostra o virtuosismo do artista. Ela se mostra serena e tristonha, com o olhar meio baixo, como se estivesse concentrada em algo distante. Abaixo de seu pescoço longo é possível notar uma blusa transparente, com a gola em formato de V, abotoada por um pequenino botão dourado, que fica por baixo de seu vestido de gola quadrada, fechada com uma fita azul em zigue-zague.

Atrás da cabeça da moça, que se encontra levemente direcionada para o observador, vê-se um arbusto escuro (um zimbro espinhoso) que destaca ainda mais a sua figura iluminada, através da infiltração da luz, à esquerda. À direita desenrola-se uma bela paisagem, sendo possível observar a água suavemente iluminada, montanhas azuis e duas altas torres.

Infelizmente, ao que parece, parte da pintura foi cortada, na parte inferior. Alguns estudiosos dizem que foram perdidos cerca de nove centímetros, na parte inferior, à altura superior do torso. Possivelmente, suas mãos eram vistas na pintura. Esta composição foi também atribuída a Verrochio ou Lorenzo di Credi, mas acabou sendo reconhecida como obra de Leonardo.

Ginevra, aos 16 anos (alguns dizem ser aos 17), já era esposa de um rico florentino, Luigi di Bernardo, sendo também amada pelo embaixador de Veneza, Bernardo Bembo. Era filha do banqueiro Amerigo Benci. Segundo alguns estudiosos, este quadro, provavelmente, comemora o seu casamento.

Ficha técnica
Ano: 1474-1476
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 42 x 37 cm
Localização: National Gallery of Art, Washington, USA

Fontes de pesquisa:
Da Vinci/ Coleção Folha
Da Vinci/ Abril Coleções
Da Vinci/ Cosac e Nafy

Views: 8

Ticiano – VÊNUS E ADÔNIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Vênus e Adônis é uma obra do pintor italiano Tiziano Vacellio, conhecido por Ticiano. O artista pintou várias cenas mitológicas, sendo esta, à sua época, considerada como a mais erótica de todas, levando em conta, principalmente, a compressão das nádegas da deusa. Chamam a atenção na obra, sobretudo, o domínio rico e sutil das cores e a habilidade do artista ao trabalhar diferentes nuanças.

Em sua pintura, o artista apresenta a cena ao ar livre. Vênus, histérica e superprotetora, suplica ao jovem mortal Adônis, por quem havia se apaixonado perdidamente, que não vá caçar, pois animais ferozes, como os leões e os javalis, não se deixarão levar pela sua beleza. Ela o enlaça pelo tronco, enquanto o moço mostra-se numa posição de quem está irredutível na sua intenção de partir, com o corpo inclinado para frente e com a perna direita numa larga passada, sem se compadecer com os rogos da deusa, que se mostra de costas para o observador, com sua insinuante beleza. Adônis segura seus três belos cães de caça, ávidos para partir, e sua flecha. O impaciente gesto do jovem  caçador e o movimento protetor da deusa são um presságio de que uma tragédia iminente estaria prestes a abater-se sobre eles.

Abaixo de uma árvore, Cupido, o deus do amor, filho de Vênus com o deus Marte, dorme profundamente, alheio à cena. No tronco de outra árvore estão dependurados seu arco e sua aljava carregada de setas. No céu, o deus Sol envia seus raios, como se iluminasse a cena.

Ficha técnica
Ano: 1553-1554
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 186 x 207 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Ticiano/ Taschen

Views: 11

Watteau – O JULGAMENTO DE PÁRIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada O Julgamento de Paris é uma obra do pintor  Antoine Watteau, tido como um dos mais importantes pintores franceses do século XVIII. Em sua pintura, o artista usa  como tema o mito grego sobre o julgamento feito pelo jovem Páris.

Páris, o pastor, foi convidado a ser juiz de um concurso de beleza entre as deusas Minerva (Atena), Juno (Hera) e Vênus (Afrodite), uma vez que Zeus (Júpiter) abriu mão de tal empreitada. Cada uma delas oferecia-lhe um presente melhor do que o outro, caso fosse a escolhida. O moço estava em maus lençóis. Ele deveria dar o pomo de ouro à vencedora, que não foi outra senão Vênus (Afrodite).

Vênus cumpriu a sua promessa, dando a Páris, como esposa, a mulher mais linda do mundo, Helena de Tróia, que era casada com o rei Menlau. Com a ajuda da deusa, Páris fugiu com ela, dando origem à guerra entre gregos e troianos.

Na pintura, Páris está entregando o pomo de ouro a Vênus, que tem a seu lado o filho Cupido, enquanto Atena, atrás dele, mostra-se surpresa, sendo Hera vista partindo, com o dedo em riste, como se prometesse vingança. Um jovem segura um espelho, onde aparece Éris, a deusa da discórdia. Debaixo da cadeira de Páris, dorme tranquilamente um cãozinho.

Ficha técnica
Ano: c. 1720-1721
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 47 x 31 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Views: 9

Poussin – MIDAS E BACO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Midas e Baco é uma obra do pintor francês Nicolas Poussin, tido como o fundador do neoclassicismo francês. Ele gostava de inspirar-se na arte da Antiguidade e na do Renascimento italiano. Presume-se que esta tela formava uma dupla com “Apolo e Dafne”. Embora o tema seja tratado com delicadeza, o artista supera o conteúdo mitológico, e faz uma alusão à Idade de Ouro, ideal fortemente arraigado no século XVII.

Presentes na pintura estão Midas, Baco e seu séquito, incluindo animais. A maioria dos personagens dorme, embriagada pelo vinho, conforme atestam as jarras de vinho já vazias. Até mesmo um bebê, à esquerda, encontra-se emborcado no chão, tendo à sua frente uma tigela com resto de vinho. Dois outros, à direita, brincam com um bode preto e branco.

Através desta composição não é possível identificar se se trata do momento em que Midas pede a Baco o dom de transformar em ouro tudo aquilo em que ele toca, ou se é quando pede para livrá-lo do maldito dom, que estava a dar fim à sua vida.

Conta o mito que Baco era filho adotivo de Sileno, encontrado totalmente embriagado, andando ao léu, por camponeses, que o levaram ao palácio do rei Midas. Esse o recebeu e dele tratou com cordialidade. Depois o levou até seu filho Baco que, agradecido, presenteou Midas com aquilo que lhe aprouvesse. Esse não tardou a expressar seu desejo: transformar em ouro tudo que tocasse. Mas, ao ter muitos aborrecimentos com tal dom, impossibilitado até de alimentar-se, uma vez que todos os alimentos transformavam-se em ouro, o rei foi pedir a reversão do pedido, sendo prontamente atendido pelo deus Baco.

Ficha técnica
Ano: c. 1630
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 98 x 153 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Köneman

Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Rubens – AS TRÊS GRAÇAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada As Três Graças é uma obra do pintor belga Peter Paul Rubens, tido como o mais importante pintor flamengo do barroco. Dentre as suas obras estão várias pinturas mitológicas.

As Três Graças, divindades que fazem parte da mitologia grega, exerceram grande fascínio sobre os pintores do Renascimento, sendo pintadas por Rafael e Botticelli, entre outros. E Rubens, grande conhecedor de arte antiga, pintou as três divindades no estilo do barroco. As Três Graças encontram-se entre as mais famosas composições plásticas da Grécia antiga, que continuam a encantar os artistas em todo o mundo.

Normalmente, as “Três Graça” são representadas como Rubens mostra em sua composição: três jovens nuas, de pé, entrelaçadas pelos ombros, sendo que a do meio encontra-se de costas para o observador. Elas se encontram entre árvores. A da direita tem como modelo a esposa do artista, Hélène Fourment. O objetivo central da obra é celebrar a beleza física.

Segundo a mitologia grega, às Graças, juntamente com a deusa Minerva, era atribuída a responsabilidade de confeccionar as túnicas e outras peças do vestuário das deusas. Eram chamadas de Eufrosina, Aglaé e Tália, e simbolizavam as deusas da dança, do encanto, dos banquetes, da abundância, das belas artes e de todas as diversões sociais, dotadas de grande beleza e inúmeras virtudes. São tidas como filhas de Zeus (Júpiter) e Eurínome, embora haja outras versões.

Muito conhecidas na mitologia grega, somente a partir do Renascimento é que as “Três Graças” passaram a fazer parte da mitologia romana, simbolizando a idílica consonância do mundo clássico. Inicialmente, nas primeiras representações clássicas, elas se encontravam vestidas com túnicas, tempos depois, passaram a ser representadas nuas, sempre de mãos dadas. Não se conhece o autor da primeira obra relativa a elas.

Ficha técnica
Ano: c. 1636-1638
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 221 x 181 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Pinturicchio – PENÉLOPE E SEUS PRETENDENTES

Recontado por Lu Dias Carvalho

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A composição Penélope e Seus Pretendentes foi encomendada por Pandolfo Petrucci, governo de Siena, tido como um déspota, em 1509, ao pintor Pinturicchio, para ornamentar o salão de seu luxuoso palácio. A obra foi pintada na parede, juntamente com outros sete afrescos de outros artistas. Infelizmente, três dessas obras não mais existem.

Em 1843, a pintura de Pinturicchio foi comprada por um colecionador francês de arte, sendo removida, separadamente, da parede do palácio de Siena. Posteriormente, passou a fazer parte de uma coleção particular inglesa. Mas em 1874, foi levada para o museu National Gallery. Seu estado de conservação era tão precário, que mesmo sendo submetida à restauração, não conseguiu a sua beleza de antes.

A obra retrata a história de Penélope, esposa de Ulisses, rei de Ítaca, que se ausentou por um período de 20 anos, lutando na Guerra de Troia. Penélope esperou fielmente por seu marido, embora tivesse que tolerar o assédio de inúmeros pretendentes, que a queriam como esposa. Ela se manteve fiel a Ulisses, confiante na sua volta. Em consequência de sua decisão, teve sua casa e rebanhos roubados. Até mesmo o filho Telêmaco, de 20 anos, foi jurado de morte, a fim de que o patrimônio real do pai caísse em outras mãos. Para livrar-se das ameaças e convites, Penélope recorreu a uma artimanha. Prometeu que assim que terminasse de tecer a mortalha para o pai idoso de seu esposo, ela faria a escolha de um dos pretendentes. Mas à noite, secretamente, desmanchava toda a parte tecida durante o dia.

Ao fundo, no afresco, Pinturicchio apresenta duas aventuras de Ulisses. Numa delas, o herói encontra-se acorrentado dentro de um barco a vela, para não ser seduzido pelo canto das sereias, que nadam à volta, disfarçadas em jovens com rabo de peixe. Na outra, está a ilha de Circe, uma temida feiticeira, que transformava homens em animais (mas no mito, o deus Hermes, para proteger Ulisses, presenteou-o com algumas ervas, que o tornam imune aos encantamentos da mulher).

À direita, numa parte mais elevada, Ulisses, de barba, encontra-se de pé, usando um chapéu, tendo na mão esquerda um pedaço de pau. Ele observa os pretendentes que se dirigem a Penélope, enquanto ela trabalha em seu tear. O pintor postou um pássaro na viga atrás do tear.

Um dos pretendentes traz pousado em sua mão direita um falcão. O outro, que se encontra à frente, faz gestos com as mãos, como se exigisse a definição de Penélope. A figura do falcão tanto pode aludir à vida luxuosa dos pretendentes, como a uma cena do texto de Homero, em que uma ave de rapina mata uma pomba. Alguns estudiosos acham, entretanto, que o afresco mostra o retorno de Ulisses, estando seu filho Telêmaco a dar a notícia a sua mãe. Contudo, na história, quem conta a Penélope sobre a volta do marido é uma velha servente. Portanto, há diferentes interpretações.

Nos afrescos da Antiguidade, as cenas exteriores eram comuns, sendo Pituricchio um dos primeiros artistas a adotar tal costume. Nesta obra, ele apresenta, na sala de tecelagem, uma enorme janela, do tamanho de uma parede, através da qual apresenta as duas aventuras de Ulisses, citadas acima. Para representar a profundidade, o pintor emprega revestimentos no chão cujas linhas convergem para o ponto de fuga. O tear também ajuda na obtenção da perspectiva.

O texto de Homero foi escrito cerca de 800 a.C., além disso, durante a Idade Média, ele foi praticamente esquecido, uma vez que, por tratar de mitos, em nada contribuía para o cristianismo. E mesmo no Renascimento, só eram conhecidos alguns fragmentos da Odisseia, explicitados em outras obras. Portanto, o quadro de Pinturicchio tem como fonte a tradição oral, sem nenhuma preocupação com os detalhes.

Ainda segundo a mitologia, ao retornar a Ítaca, Ulisses entrou em sua cidade vestido de mendigo. Os pretendentes riam dele, enquanto os servos desacataram-no. Embora a artimanha de Penélope tivesse sido descoberta, ela arranjou outra: só se casaria com aquele que melhor fizesse uso do arco de Ulisses. Mas nenhum deles conseguiu tencionar o arco. A seguir, o herói abateu todos eles, assim como os criados desleais, numa impiedosa vingança.

Ficha técnica
Ano: 1509
Técnica: afresco
Dimensões: 125 x 152 cm
Localização: National Gallery, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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